
Troféu bostinha para 2006.
Marromeno. Mas poderia ter sido infinitamente pior (eu poderia ter estado doente, poderia ter perdido alguém querido, poderia ter ficado muito pobre, poderia ter arrumado um empreg... OPS, erm, poderia ter engordado 30 quilos, etcétera, etcétera, etcétera). Nesse caso, serei uma boa menina e agradecerei sorridente minha saúde e a daqueles que amo, ter conseguido realizar meus pequenos sonhos materiais e terminar o ano cabendo nas minhas calças.
Fora isso, o ano foi meio vazio de acontecimentos. Não viajei muito, nem fiz muitas coisas interessantes, o que me deixou meio entediada. Entendam: eu moro numa ilha pequena (apesar de nem mesmo English Boy, que mora aqui há mais de 20 anos, conhecê-la por inteiro), não dirijo e o sistema de transportes deixa
muito a desejar. Há dias em que me sinto presa na clausura, como uma Madre Carmelita Descalça (eu admito usar meias de lã com estampa de porquinhos). No verão sempre há a possibilidade de pegar a bike, jogar uma câmera na mochila, a mochila nas costas e sair por aí. Mas no inverno minha disposição enfraquece consideravelmente. Então, passo os dias na frente do micro/assistindo DVDs/passando MP3 para o iPod/comendo. How
exciting - NOT.
Resolvi encarar o frio na manhã de Natal e me ausentar do casulo quentinho providenciado pelo aquecimento central, amém. Do lado de fora da porta, DOIS GRAUS. Luvas, cachecol, suéter, casaco de inverno. E eu tremendo. E
babando. Tive A_Visão do Natal, pela primeira vez. Lâmpadas acesas na semi escuridão do interior das casas enormes, as luzes das christmas trees cintilando
, famílias perfeitinhas sentando-se à mesa para o almoço de Natal. Aqui em casa resolvemos celebrar à brasileira e fazer a ceia no dia 24. O que me deixou livre no dia seguinte à tarde para fotografar o Natal dos outros. Para embaçar as janelas alheias com o meu bafo, pegar carona nos Christmas Carols dos vizinhos. Mágico. Lá do Haiti de onde eu vim, a gente não vê essas coisas todo dia, não.
A passagem do ano foi sacal. Alguém aí me lembre daqui a 12 meses da única resolução que fiz
para 2007:
não passar o ano novo em Jersey. Como moramos no campo, não dá pra ir celebrar longe de casa - como fazer pra voltar depois, dirigindo depois de encher a cara? O jeito é passar a virada num hotel e dormir por lá mesmo. Mas se for pra ficar num hotel, que seja FORA da ilhota. Perto de casa, só tem pub. Passar a noite do dia 31 cercada de seres com idade pra ser meus bisavós e ouvindo o hit parade do Natal de 1965 não se encaixa no meu conceito de diversão.
Não, não fomos pro pub esse ano. Porque nem pro pub conseguimos ingresso. Respectivo deixou para se decidir no último segundo e todas as espeluncas da ilha já estavam com lotação esgotada. Decidimos pedir comida por telefone. Mas o que estaria funcionando na última noite do ano? Comida CHINESA, é claro (lembre-se que o ano novo deles é em outro dia). Comi egg fried rice, black beans duck e salt and pepper king prawns em frente à TV - lembre-se também que nós não temos TV a cabo... Sorte que tínhamos muita cerveja no freezer e vinho na adega. Só bêbada pra aturar o festival de futilidade que é a TV britânica na noite de ano novo. Mas ter visto um cartoon da
Madonna correndo loucamente numa esteira, segurando um bebezinho preto chorão com 890562371 paparazzi atrás valeu o ingresso (aquele que eu não consegui comprar pra passar a noite no pub). Muitas risadas depois da meia noite, fui dormir feliz com o meu melhor amigo e meu amor.
Enfim. Reclamar é um hobby, mas no fundo sabemos a sorte que temos.
Afinal de contas, contra todas as possibilidades, ainda estamos aqui.
Bora tocar a vida pra frente. :)
Fotos do meu casulo brasileiro.
Se o medo dos 40 graus à sombra e de ônibus sendo queimados não me aparafusar aqui, esse ano estaremos lá de novo, enchendo a cara de Skol com as pessoas queridas. :)
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