Segunda-feira, Novembro 27

Educação britânica, survey randômica

Trinity, ontem à tarde:



Sábado fomos almoçar no Station Café, uma estação de trem desativada (já que, depois do advento dos carros, ter um trem circulando nessa ilhota seria totalmente nonsensical). Depois compramos bobagens na Town & Country e à noite fomos rebolar no Havana Club. Quer dizer, EU rebolo e ele compra a cerveja.

Ontem, depois da caminhada, fomos ao Trinity Arms para uma pint. Quando estávamos entrando, segurei a porta para que uma senhora passasse. Ela olha BEM dentro da minha cara, vira o rosto e agradece... ao meu marido. Haha. Isso já aconteceu tantas vezes que já virou rotina... Não deixo de ser educada e segurar a porta. Nem de gritar "YOU'RE WELCOME!" quando eles "esquecem" o "thank you" (ou de soltar bruscamente a porta em suas bundas logo que passam por mim, dependendo do meu humor).

E a polícia de Jersey investiga o mais recente "crime" da ilha: três crianças foram vistas do alto de uma ponte jogando balões cheios de água na cabeça das pessoas. Antes de começar a rir, lembre-se de que água pesa pra cacete e, da altura de onde eles estavam, machuca.
Ok, agora já pode rir. Eu quase caí da cadeira quando ouvi isso agora no rádio.

1. Quando foi a última vez que você depilou as pernas?
3 dias atrás. Tento fazer com frequência, mas a preguiça me vence.

2. O que você estava fazendo hoje às oito da manhã?
Dormindo. E tendo um sonho ótimo antes de ser chutada para fora dele pelo respectivo querendo me dar um beijo antes de ir para o trabalho. Ensaiei cinco segundos de mau humor antes de me dar conta da sorte que tenho.

3. O que você estava fazendo há cinco minutos?
Fotos bobas pela janela do quarto.


4. Você é bom em matemática?
Nem.um.pouco.
Dividir por dois números, só na calculadora.

6. Você tem algum antepassado famoso?
Não faço idéia. Bem que poderia ter um que fosse rico. :)

7. Já pegou empréstimo para financiar seus estudos?
Não, meu maior medo é dever. Por sorte não gasto muito e nunca tive problemas. Todas as universidades que cursei (e nunca terminei) eram federais/estaduais e, portanto, gratuitas.

8. Você sabe cantar a música que está no seu perfil no MySpace?
Não pus nenhuma música lá. Aliás, quase nunca me lembro que aquilo existe. Mas outro dia um dos DJs da 103 FM (rádio daqui de Jersey) me adicionou.

9. Última coisa que recebeu pelo correio?
Papéis coloridinhos via Ebay.

10. Quantos tipos de bebida diferente você tomou hoje?
Café preto de manhã. Leite gelado agora. Não consigo mais beber os dois na mesma caneca.

12. Você costuma deixar mensagens na secretária eletrônica dos outros?
Eu raramento telefono, a não ser para os meus pais - e eles não têm secretária eletrônica.

14. Você escreve seu nome na areia quando vai à praia?
Nunca fiz isso. Mas adoro fazer fotos das minhas pegadas.

15. Qual foi o tratamento dentário mais doloroso a que você se submeteu?
Tratamento de canal. Ugh. Por sorte eu estava anestesiada, mas passa longe de ser um acontecimento agradável. Tenho pânico de dentistas. Alta sensibilidade à dor.

16. O que está do lado de fora da sua porta de trás?
Aqui temos tantas "portas de trás" que eu me perco.
Meu "jardim" dos fundos está uma bagunça, porque não tivemos tempo de fazer algo a respeito antes do inverno. E agora a temperatura não convida a atividades externas.

17. Planos para a próxima sexta à noite?
Geralmente sexta à noite é "fish and chips night" aqui em casa. Eu até gosto.
Respectivo compra 2 porções de bacalhau + batata frita + uma ou duas garrafas de Muscadet ou Pinot Griggio. E comemos ouvindo música e falando bobagens e fazendo fofoca das celebridades na TV. Ou então vamos nos embebedar no pub.

18. Você gosta do mar?
Muito. Não gosto de praias lotadas, mas gosto de ouvir o mar. Não faço questão de morar em frente, nem mesmo muito perto. Não preciso vê-lo, mas gosto de saber que ele está lá. E aqui em Jersey nunca se está muito longe do mar.

19. Qual o seu sabor preferido de pipoca?
Salgada, e sem outro sabor além do sal e eventual manteiga.

20. Você já visitou um planetário?
Tenho medo de invadir a privacidade das estrelas e depois nunca mais vê-las da mesma forma.

22. Está ansioso por alguma coisa?
Por Dezembro, quando o Respectivo vai tirar o mês de folga.
Com sorte poderemos viajar um pouco.

24. Algum bisavô ainda vivo?
Não, nem mesmo meus avós.

25. Descreva o seu chaveiro:
Aqui nenhum, eu carrego as chaves soltas na bolsa.
Mas ainda tenho o chaveiro da minha casa no Brasil. É de metal decorado com um adesivo da Hello Kitty.

26. Onde você guarda suas moedas?
Eu tenho um cofre de porquinho, mas é de louça, bonitinho e não pretendo quebrá-lo:


Então guardo as moedas na bolsa, e sempre me esqueço que elas estão lá.

27. Quando foi a última vez em que você falou em público?
Não lembro; possivelmente em algum trabalho de faculdade.
E tenho certeza que odiei cada segundo.

28. Como é o seu casaco de inverno?
Preto, semi longo, de lã e cashmere - adoro.
E minha jaqueta de ski, que eu nunca usei para esquiar.

29. Choveu ou fez sol no dia da sua formatura?
Eu nunca cheguei a me formar nas 3 faculdades que cursei. E não fui à minha formatura do segundo grau. A professora que organizou o evento decidiu que nossa turma deveria comparecer vestida de... havaianos. Quero dizer, camisas floridas, bermudas brancas e chinelos. Como eu já havia excedido a cota de micos pagos aquele ano, não me juntei aos demais. Bem, essa foi a minha desculpa. Eu não teria ido de qualquer maneira. Eu não gostava da maioria daquelas pessoas e o sentimento era, sem dúvida, recíproco.

30. Você dorme com a porta do quarto aberta ou fechada?
Sempre fechada, ou a minha paranóia não me deixa dormir.

E-eu-achei-isso-tão-lindo.
Ghost Photographs (na-da a ver com fantasmas).
Use com Internet Explorer 5+ ou Firefox. E mova o cursor bem lentamente para ver o passado virando futuro. E vice-versa.
:)

Sexta-feira, Novembro 24

Looks quentes numa capital gelada

Estou viciada no Hel-Looks.
Nope, nada a ver com inferno, esse Hel aí é de Helsinki, a capital da Finlândia (país natal da sogrinha - AÊ dona Maila!). E o site nada mais é que uma série de fotografias dos habitantes e visitantes da cidade, coletadas pelas ruas, com a finalidade de mostrar ao mundo a moda divertida e colorida que se vê por lá.



E tem de tudo; a menina que garimpa sapatos alternativos em brechós, a outra que customizou o vestido de noiva da mãe para vestir num show de rock, a moça que fez uma saia simplesmente LINDA com a cortina velha do apartamento onde mora, o rapaz que só se veste de menina (com a aprovação da namorada), o gótico que se monta todo para ir à escola e, quando os colegas fazem piada das suas roupas, ele simplesmente sorri e "joga beijinhos". O mundo precisa de mais gente assim.

Claro, as fashiom victims sempre existem. E confessam passar três meses comendo torradas com sardinha para economizar e pagar 2 mil euros numa bolsa de griffe. Apesar de achar louco, aprendi a respeitar as escolhas pessoais dos outros. Afinal, muitos me achariam demente ao saber o preço de algumas das minhas bonecas. Elas saracoteiam suas Balenciagas handbags por aí e eu saio fotografando Blythes. :)



Percebi que os finlandeses adoram cores, listras e estampas. Seu estilo me lembrou bastante a japanese street fashion, onde os adolescentes abusam de combinações malucas, sapatos de plataforma altíssimos e muita criatividade. Aliás, muitos jovens de Helsinki admitem ter se inspitado no estilo FRUiTS japonês, que faz escola pelo mundo (basta dar uma rodada pelo Camden Market na hora do almoço e se deparar com "gothic lolitas", rockabilly wannabes, headbangers e etc.)

Acho que roupas podem ser um barato, especialmente (mas não unicamente) quando nos livramos de tendências e descobrimos nosso próprio estilo. Amo brechós, pena que os realmente bacanas sejam caros - e não existam aqui em Jersey. Adoro personalizar roupas usadas. Chato foi ter descoberto que a minha preguiça "versão britânica" seja mais forte do que a brasileira.

Gotta shake it off, girl. :) Até porque estou no habitat perfeito para pirar na batata. No Brasil, vi uma menina ser agredida verbalmente por ter o corpo tatuado e o cabelo pintado de azul. Eu mesma, com a obsessão por coturnos na adolescência, ganhava olhares tortos dos setores mais conservadores da vizinhança. Acho que os europeus, quando se trata de roupas, aceitam melhor as diferenças. E aí, o que é que você vai vestir hoje?

Quinta-feira, Novembro 23

modelo de quê?

Ana Carolina Reston morreu aos 21 anos. Nos últimos meses de sua vida, a modelo brasileira comia somente tomates e maçãs. Ela pesava cerca de 35 quilos. Tendo sido tão bonita quanto uma "Bond Girl", Ana morreu num hospital com falência renal em consequência da anorexia.

Na mesma semana, uma garota chegou às finais do programa Make me a Supermodel, e ela era gorda.

Naturalmente, Jen Hunter, 24 anos, não era de fato gorda no sentido de estar com excesso de peso. Mas para o mundo da moda o seu tamanho 12 (isso num país onde a média da população veste tamanho 16) representava uma aberração. A "nutricionista" do programa disse à Jen que ela "comia demais". Isso significa que ela constantemente saía da dieta prescrita pelo mundo da moda às modelos de sucesso: 30 folhas de alface, 20 cigarros, seis cocas diet e três carreirinhas de coca (ex-ce-len-te para o metabolismo, darling). Jen chorou quando os juízes afirmaram que suas coxas eram "muito grossas". Jen riu quando eles disseram que as roupas "não tinham um bom caimento no seu corpo" - porque ela infelizmente tinha seios. Semana após semana, os juízes votavam para que a "menina gorda" fosse eliminada. E adivinhem só: semana após semana, o público votava para que ela permanecesse no programa, e eliminava um dos esqueletos. O público, na verdade, aprovava a modelo com curvas femininas!! O carrasco que impunha humilhações à Jen atendia pelo nome de Tandy Anderson, dona da agência de modelos Select. Tandy RIU quando Jen foi finalmente eliminada. Essa nazista fashion não suportava a idéia de ter uma linda moça de proporções humanas no book de sua agência, mesmo que a própria Tandy não seja nenhum padrão de magreza.

Nós devíamos fazer piada de uma indústria onde mulheres como Tandy, associadas a designers gays, constroem um padrão de beleza feminina baseado na aparência de um órfão da AIDS africano. Infelizmente, essa gente louca é responsável pelas imagens que jovens mulheres estão literalmente morrendo para imitar. E a situação está fugindo do controle. Inspiradas pela triste "esqueletocracia" de celebridades como Nicole Ritchie e Victoria Beckam, adolescentes vestindo tamanho OITO temem estar gordas demais.


Na sua coleção de outono, Banana Republic e Nicole Miller introduziram pela primeira vez o tamanho SUB ZERO. Essas lojas merecem ser incendiadas. Para QUEM eles pretendem vender roupas? Para a mulher invisível?? Como devemos nos sentir quando psicólogos informam que cerca de 3/4 das nossas meninas evitam ir à escola or mesmo dar sua opinião em conversas quando estão se sentindo acima do peso?? Onde mais essas meninas aprendem a odiar a si mesmas dessa forma a não ser em páginas de revistas povoadas de mulheres impossivelmente esqueléticas? Meninas como Ana Carolina Reston, que morreu dolorosamente jovem e emaciada por causa de uma indústria que deveria inspirar mulheres - e não matá-las.

Talvez seja por isso que o público tenha gostado tanto de Jen. Rejeitada pelos dragões da indústria da moda, ela é bonita, inteligente, divertida, batalhadora e, acima de tudo, feliz com o seu próprio corpo.

Isso é o que eu chamo de MODELO.

(inspirado em artigo escrito por Allison Pearson, colunista do Daily Mail, em 22/11/06. Veja aqui mais fotos e vídeos de Jen)


À primeira vista, olhando para a modelo, é fácil cair na armadilha de pensar, "é, para ser modelo ela está um tantinho acima do peso".

Mas se restar um pouco de razão numa lógica massacrada diariamente com padrões de beleza editados em photoshop e acostumada a julgar o valor de uma mulher pela quantidade de furinhos de celulite que ela tem na bunda, a ficha cai e a gente se pergunta, "acima do peso em comparação com quem? Victoria Beckham?".

Os designers alegam que o público não gosta de ver meninas com corpos reais nas páginas das revistas. Dizem que as pessoas querem sonhar com um mundo "perfeito" e "refinado". Sendo esse o caso, o que explica a sucesso de Jen com o público do programa onde ela era julgada? Esse "refinamento" faz como modelos como a uruguaia Luisel Ramos e a brasileira Ana Reston caiam mortas, e de fome.

Acredito sim que muitas pessoas pensam que Jen, apesar de bonita e talentosa, devia procurar outra carreira ou perder peso. Mas acho também que essa mentalidade é fruto de um bombardeio da mídia - sutil, porém cruel e persistente. Que as roupas que "não ficam bem" em pessoas com curvas de verdade, não deviam ser vendidas. Porque num mundo de verdade, que respeitasse o fato de que seres humanos são feitos em vários tamanhos, cores e medidas, não haveria ninguém para comprá-las.

Não se trata de estimular a obesidade, mas aceitar que quase ninguém, naturalmente, distribui 45 quilos num corpo de 1,80m de altura. Reconhecer que isso NÃO É O PADRÃO. E que colocar meninas como Jen em capas de revista seria um alívio merecido para os olhos das nossas meninas e mulheres, cansados de não se ver refletidas no espelho da mídia. O que lentamente nos levaria a nos sentir mais em sintonia com nossas reais necessidades. A encontrar roupas em tamanhos racionais nas lojas. A aceitar um peso saudável como normal.

Meu compromisso? Jogar fora minhas Vogues, Elles e Vanity Fairs. E parar de comprá-las. Porque eu não preciso dar meu dinheiro para que essas pessoas fomentem meus complexos e os de tantas outras meninas e mulheres pelo mundo, que trocam a felicidade e o bem estar da auto aceitação por um par de calças tamanho zero, um prato de alcachofras e a prisão eterna do culto às aparências.

Terça-feira, Novembro 21

Tea Rooms

Sem dúvida uma das melhores tradições inglesas.
Onde quer que se vá, seja museu, atração histórica, ruína, etc, sempre se pode ter a certeza de encontrar um pequeno café servindo bolos deliciosos... Victoria sponge, chocolate & walnut, banoffe pie (banana + café), lemon tart, bakewell tart, sticky toffee pudding...

Não dá pra se manter culto e magro nessa terra. Yum.



Outra tradição são os church yards, que nasceram junto com as velhas igrejas. Túmulos tão antigos cujas inscrições já foram apagadas pelo tempo se misturam às lápides mais novas (algumas meio bregas... gente, vamos combinar que jazigo em forma de coração é o cúmulo da cafonice post mortem). Muita gente não gosta de cemitérios, mas como eu sou muito cética com relação a assuntos sobrenaturais, vejo-os apenas como lugares belos, pacíficos e cheios de detalhes interessantes.











Segunda-feira, Novembro 20

Moving...

Computador de volta em casa. Nem acredito.
Trocaram a placa mãe e a fonte. A memória ainda não foi entregue pelo inútil. Nesse fim de semana, ele nos deu o bolo número NOVE. Sim, eu estou contando. E percebendo que não ficaria triste caso esse cidadão virasse patê de presunto. Não, não se deve desejar o mal alheio. Mas quando o alheio faz por merecer, eu jogo o pouco que me resta de correção pela janela.

Vou migrar esse blog para o domínio. Por enquanto, provavelmente algo do tipo cherrysoda.org barra blog. Então, se isso aqui sumir, dêem uma olhada no domínio, onde avisarei do novo paradeiro. E quando eu crescer eu invento um layout sério, prometo.

Update: alguém está conseguindo ver o menu logo acima dos posts com a frutinha quando se passa o mouse sobre os links? Porque eu pus essa porcaria lá, mas aqui não aparece. Saco, viu. Aparentemente consegui resolver o xabu. Avisem se estão vendo tudo certinho, ok?

Sexta-feira, Novembro 17

Shoes, shoes, shoes!!

Quem me conhece sabe que, em muitos aspectos, não sou mulherzinha típica. Por exemplo, sapatos exercem uma atração limitada sobre mim. Acho bonito, mas não piro. Não economizo para comprá-los. Nas lojas sempre procuro o mais barato e não tenho neuras com material, do tipo "tem que ser de couro". E apesar de não dar muita bola para a qualidade, meus sapatos duram milênios. Vai ver é porque vivo de chinelo...

Mas enfim, passeando pelo fórum de Blythes, me deparo com esse link. Eu sempre achei os sapatos da Irregular Choice interessantes, mas pouco práticos. Muito balangandã pendurado, saltos com formatos esquisitos, bicos pra cima ou extremamente pontudos. Mas essa nova linha com a carinha da Blythe é de matar de tão fofa:





Minha preferida. Adoro sapato boneca, ainda mais em verniz vermelho... LOVE.



Uma fofura, apesar do salto um tanto alto pros meus padrões.



Não gosto de ankle boots e desse salto, mas a estampa de pois e esse detalhe lateral são amor.
E até a CAIXA onde vêm os sapatos é linda:


Fui toda feliz clicar no "add to cart" quando me dei conta de que o estoque já havia esgotado.
Felicidade de Marie dura pouco, crianças.

Montei a árvore de natal. Ficou meio casa da mãe joana, mas tá valendo. Quando a luz ajudar ou quando o PC voltar pra casa e eu puder usar a Canon, postarei fotos. O que me surpreendeu na hora de comprar enfeites foi que, ao invés dos anjos, papais nóeis, renas do nariz vermelho, bengalas de açúcar e gingerbread men que eu esperava encontrar, me deparei com sapatinhos de cristal cor de rosa, bolsinhas de cetim com penugens lilás, baldinhos de gelo com mini garrafas de champagne dentro... O que é isso? A árvore de natal da Victoria Beckham??

Tsc. PENEI pra achar coisas com cara de NATAL, sabe. Nunca pensei que a sociedade tivesse degringolado a ponto de futilizar suas tradições desse jeito. Bom, a minha árvore da B&Q já está prontinha pra festa, toda country e colorida. Tomara que o turkey with all the trimmings tenha resistido ao massacre cultural, senão eu choro, pô. Do jeito que a coisa anda, daqui a pouco vão estar servindo sushi orgânico na ceia de natal, pode apostar.

Terça-feira, Novembro 14

Randômicas

Bróguer Beta
A cada dia que passa a propaganda do Blogger Beta no painel de controle dos usuários fica maior e mais agressiva. Agorinha mesmo, quando abri o site para escrever esse post, havia um banner maior do que a vida exatamente em cima do link para o editor de texto. YOUR NEW BLOGGER IS READY.

Cruzes. Fiquei até com medo. Pensei que o banner fosse pular da tela, me puxar pelo colarinho e, me apresentando o punho cerrado, exigir que eu (logando com a suposta Google Account que ele nem sabe se tenho) mudasse minha atual versão do Blogger para a porcaria Beta. Que, até o presente momento, não me convenceu por não oferecer vantagem alguma. O quê? Ah, tem "categorias" pra post? Tsc. Preciso disso aqui não.

O que me liga ao Blogger é a liberdade que ele dá ao usuário não familiar com php, css e afins de ter controle absoluto sobre a apresentação da sua página. A versão Beta diz que seu editor de layout é "drag and drop". Putz. O que pode ser mais escroto, tosco e last decade do que um editor de layout "drag and drop"?? Pelamordedeus, Google. Se você vai mesmo comprar a porra da internet inteira, pelo menos tenha a decência de oferecer VANTAGENS para os usuários dos programas que você abocanhou ao invés de matá-los de desgosto.

Uôrdipréiz
Lá no site de dolls tenho o programinha da moda atual instalado, rodando o brógue. Ontem fui dormir deixando tudo como antes no quartel de Abrantes. Hoje de manhã abro a inbox e, pimba! 30 comments em vários posts diferentes (todos antigos). Nem precisei ler para saber que era spam. Detalhe é que o WP aparentemente não oferece nenhum modo de eliminar a praga, a menos que você "instale um pRuguin". Se você não sabe instalar un pRuguin e botá-lo pra funcionar, bem, isso não é da conta do WP. Vira-te ou devoro-te, eis o lema da internet moderna.

Aí você, provando que não nasceu quadrado, resolve "se virar". E descobre que 90% dos sites sobre WP em português foram desativados ou estão offline. Os sites em inglês estão povoados de engraçadinhos que fazem piada da sua pergunta se acharem que ela é imbecil. Porque, claro, todo mundo ali nasceu sabendo. E aí eles mandam você "pesquisar" antes de fazer perguntas idiotas ao suporte voluntário que eles, tão bonzinhos, oferecem. Mas peralá. Se é pra eu pesquisar e resolver o problema sozinha, qual o objetivo do fórum de suporte??

Ah, ok. Outra pergunta imbecil. Sorry.

Sobre o post de ontem
Eu apenas traduzi o artigo e não fiz nenhuma consideração a respeito. O que me chama a atenção é que algumas pessoas se colocam no papel de vítimas dos tempos modernos sem reagir. Essas mulheres podiam parir (ou adotar) solteiras, isso ajudaria a uma criança e resolveria de uma tacada só o problema da solidão emocional E social. Porque elas teriam a companhia das crianças e mães sempre acabam atraindo outras mães, devido ao interesse em comum. E não me digam que "solidão não é razão pra pôr filho no mundo/adotar". Tem tanta gente pondo vááários filho no mundo por razões bem menos nobres, sabe.

Mas não. As pessoas querem perfeição, querem tudo, querem família de comercial de manteiga. Ser "mãe solteira" é sinal de que perderam o jogo da Caçada ao Macho Ideal. As pessoas querem que suas vidas sejam um roteiro de blockbuster. Lamento, dona, mas no mundo real o buraco é mais embaixo. Ou pega o que está disponível, ou que seja comida pelos cachorros, beijosnãomeligatchau.

Outro ponto: o texto encoraja o povo a sair por aí sacudindo a bandeira da solidão e pedindo ajuda. Apoiado, sem iniciativa não se sai do buraco. Mas será que estamos preparados para ajudar? Porque não basta gritar por socorro quando precisamos, é também preciso atender ao grito alheio. Do contrários os outros vão passar a vida gritando à toa. Muitas vezes, quando alguém nos estende a mão, viramos as costas. Quando chegar a nossa vez de bater na porta, não seria meio hipócrita esperar que ela se abra?

Frio
E escurece cada vez mais cedo. Esse galpão fica aqui em frente de casa. Convertido, daria uma bela casa, mas o dono prefere manter como depósito de entulhos... A peça atende por Simon, meu vizinho, a quem carinhosamente chamo de "Papai Noel TPM", porque ele é velhinho, barbudo e muito mal educado (além de ser ermitão e descendente de piratas... cool é pouco, o cara é abaixo de zero de tão cool).



FamilHa
Respectivo comentou que o mano mais velho vai soprar a quinquagésima velinha do bolo daqui a duas semanas. Cinquentão. Whatever. Estou casada há dois anos e nunca vi esse cara mais gordo. Ele não mandou cartão parabenizando pelo enlace. Nunca telefonou aqui pra casa. Oficialmente nem fomos convidados para a festa surpresa que a filha adolescente (ainda mais essa...) do mané está planejando. Porque, é claro, o dono da festa não está sabendo. Nem sei se a filha convidou, já que aqui pra casa ela não ligou.

Na boa? MEDO. Qualquer chance de ser mal tratada nesse país entra para a minha lista de desnecessidades. Vou alegar nó nas tripa e ficar em casa jogando tetris no celular e comendo galette bretons.

Real Beleza
A Dove está matando a pau big time com essas campanhas. Apesar de no fundo ser apenas mais uma empresa explorando de forma cute-cute nossas mazelas psicológicas pra vender sabonete, o fato é que faz isso muito bem. Wins. Essa peça aqui é LINDA, e a música forma o complemento perfeito. Essa aqui é meio longa e em espanhol, mas dá pra entender e o final é chocante, revoltante. O título diz, "Por isso é que você não tem namorado".

E essa aqui, perfeita, faz gozação em cima dessa outra aqui (já famosa na internet), mas a mensagem é similar e igualmente válida:"Who defines you and why do you listen?"

Excelente pergunta.

Segunda-feira, Novembro 13

are you lonesome tonight?

Numa noite qualquer de Novembro em 2003, Joyce Vincent, 38 anos, sentou-se diante da TV em seu apartamento em Londres. Talvez sua intenção fosse embrulhar mais alguns presentes de Natal; a polícia acredita que sim, já que quando encontraram seu corpo, em estado avançado de decomposição dois anos e meio depois, ele estava cercado de pacotes embrulhados em papel brilhante.

As pessoas a quem esses presentes se destinavam (família e amigos) não procuraram por Joyce naquele natal, e nem mesmo no natal seguinte. A apavorante realidade é de que os laços que ligavam Joyce à sua comunidade se encontravam tão enfraquecidos que ela simplesmente desapareceu sem ser notada. E foi descoberta apenas quando os inquilinos tentaram recuperar o apartamento, já que ela, obviamente, parou de pagar o aluguel.

Não se trata de um caso isolado. Dias mais tarde, ladrões encontraram o corpo de Sally Shearing, solteira, 52 anos, em Cornwall. Ela estava morta há 3 anos - pelo menos foi a última vez que alguém se lembrava de tê-la visto viva.

Quando Bridget Jones descreveu o medo das mulheres solteiras de morrer sozinhas e serem encontradas semanas depois, semi comidas por um cachorro, o suposto exagero foi divertido. Mas parece que a autora Helen Fielding sabia bastante sobre a realidade da solidão. De alguma forma, apesar de ter amigos e, de acordo com uma fonte, "uma ótima família", Joyce conseguiu se tornar invisível. O que nos choca nesses casos não é o fato de terem morrido jovens, nem mesmo que ninguém tenha se importado, e sim o fato de ninguém ter, sequer, percebido.

Por volta de 2010 o número de pessoas vivendo sozinhas no Reino Unido atingirá a casa dos 16 milhões. Em 2024, essa poderá ser a realidade de quase metade da população. Nem todos tão desconectados de suas comunidades como Joyce, mas sem dúvida muitos poderiam desaparecer sem serem notados. Pesquisas afirmam que 10 a 15% da população sofre de solidão crônica, especialmente os que vivem sozinhos.

Uma delas é Deborah Smith, 42 anos. "Quando ouvi falar da mulher encontrada morta em seu apartamento, pensei, 'essa poderia ter sido eu'. Somente meu chefe daria pela minha falta, e mesmo assim só por estar furioso por eu estar faltando ao trabalho! Eu tenho amigos, mas nós não vivemos grudados... Eu poderia morrer e ninguém sentiria minha falta por meses, o que me faz sentir um fracasso".

"Fracasso" não é uma palavra que normalmente se aplicaria à Deborah, uma advogada bem sucedida ganhando um excelente salário. Ela é bonita, corre na maratona da cidade e, sem a necessidade de apelar para cirurgia plástica, tem uma aparência extremamente jovem. Mas Deborah não é seu nome real; ela não quer ser identificada. O tabu definitivo parece ser assumir a solidão.

Por duas vezes, entre os 20/30 anos, Deborah chegou a morar com namorados. Porém nunca se casou, embora os dois homens tenham manifestado essa vontade. "Eu tinha uma autoconfiança excessiva", ela diz. "Ok, arrogância descreveria melhor. Nenhum dos dois parecia ser o 'perfeito', e eu decidi esperar pela perfeição, que nunca apareceu. As amizades de infância desapareceram. Tenho uma amiga relativamente próxima e nos falamos uma vez por semana, mas ela mora em outra parte do país. Eu passo muito tempo sozinha e, se não tivesse encontros de negócios e ligações no trabalho, não falaria com ninguém a semana inteira." Deborah cresceu sendo encorajada pelos pais a dar prioridade à carreira, e hoje em dia se vê recriminada por eles por não ter se casado ou tido filhos. "Eu prefiro sair de férias sozinha do que enfrentar um Natal com minha família", ela admite.

Novas pesquisas sugerem que a quantidade média de "amigos próximos" diminuiu nos últimos 20 anos. 25% dos entrevistados admitiu não ter ninguém com quem trocar segredos e confidenciar preocupações. Segundo Dr. Robert Weiss, autor do livro Loneliness: the Experience of Emotional and Social Isolation, existem dois tipos de solidão: a emocional, onde ansiamos por uma relação afetiva com um parceiro definitivo, e a social, que nada mais é que a falta de uma comunidade à qual pertencer. Aparentemente, saber-se importante para outras pessoas é essencial para a felicidade humana. O que entristece Deborah é saber que, apesar de tudo o que alcançou, ninguém sentiria a sua falta.

Mães, é claro, raramente sentem que sua falta não seria sentida, e Deborah acha que sua sensação de isolamento diminuiria se ela tivesse um filho; mas decidiu que ser mãe solteira não seria uma opção. Experts recomendam outras maneiras de se fazer importante para uma comunidade, como por exemplo estreitar laços familiares ou iniciar projetos que ajudem outras pessoas. Aparentemente é a sensação de que somos vistos e ouvidos que importa; assim sendo, as pessoas precisam encontrar um modo de se tornarem "visíveis" em sociedade.

E as amizades? Não seriam elas escudos perfeitos contra o isolamento social? Bem, pelo visto não. "Fui envelhecendo e ficando com vergonha de admitir que não tenho compromisso num sábado à noite", diz Samatha Paul, 35. "Não tenho coragem de atender o telefone nos fins de semana e deixar que alguém pense que estou triste por estar sozinha em casa".

Samantha e Deborah têm algumas similaridades entre si. Ambas usam o trabalho para esquecer a solidão, se distanciaram de suas famílias e têm vergonha de admitir para os outros como se sentem. Admitir a solidão é a chave para livrar-se dela. "Estou só" é a versão adulta do "não tenho ninguém pra brincar", e as emoções são parecidas. Descobrir com quem você quer brincar é uma boa forma de começar. Um companheiro não precisa ser um amante. Mas tem que ser uma pessoa significativa, porque relações superficiais não cortam o círculo vicioso. É preciso levar suas amizades para um outro nível, além de uma conversa telefônica mensal. Fazer-se indispensável para alguém querido. Cultivar e alimentar amizades com pessoas que tenham a ver com você, não apenas falando de trabalho mas também compartilhando sentimentos.

As pesquisas mostram que as pessoas solitárias são tão inteligentes, educadas, bonitas e magras (sim, eles até checaram índice de massa corporal) como o resto da população. Entretanto, elas tendem a se contentar com amizades e relacionamentos superficiais, por medo de serem rejeitadas. Por não se valorizarem, aceitam emoções superficiais ao invés de procurar intimidade verdadeira.

A solução definitiva para a solidão é procurar manter relacionamentos de qualidade, cujos elementos chaves sempre serão honestidade, reciprocidade, compromisso e atenção. Se você costuma sempre sentir-se do lado de fora das coisas, procure insistir nesses quatro critérios em suas relações, atuais e futuras. Certamente você acordará um dia e descobrirá que, finalmente, se tornou importante para alguém.

(artigo traduzido da revista YOU, The Mail on Sunday, 12 November 2006)

Sexta-feira, Novembro 10

Outono.





Às vezes o vento frio faz o meu rosto doer.
A beleza da mudança das estações cobra seu preço.

E, como geral fez... minha vez:

What to Wear: Amo vestidos, eles são práticos (não tem que ficar combinando "o de cima com o de baixo"), vaporosos e femininos. Pra quebrar o look patricinha é só tascar um coturno nos pés, ou um par de crocs. Fora que vestem magnificamente mulheres que se orgulham de suas curvas. Também amo cashmere, impossível resistir àquela textura.

What NOT to Wear: Jeans. Peguei bode. Eu tenho cintura fina e coxas grossas, e pelo visto parece que os fabricantes de jeans acham que não existe mulher assim (ou, se existe, não deveria existir e nem usar jeans). Ainda mais com a recente mania de skinny jeans. Cansei de sofrer em provador, fodam-se os jeans. Deixemo-los para as adolescentes anoréxicas.

What to Shoe: Sou fã de sapatos confortáveis e divertidos. Acho alguns poucos saltos interessantes (principalmente os de verniz vermelho e salto grosso), mas de resto sapato de salto me soa ridículo. Vejo na vitrine e penso, "quem incutiu na cabeça das mulheres que elas precisam sofrer dentro de um troço desses para ficarem bonitas?". Bom, minha lista: boots da Doc Martens, Crocs, All Stars com estampas engraçadas e chinelos. Sou pé de chinelo and proud, porque carioca tem orgulho de ir a qualquer lugar calçando flip flops e se sentindo o supra sumo do cool.

What to Bag: Bolsa tem que ser grande, porque se for pra ficar se lamentando que não coube isso ou aquilo, melhor levar só as chaves e o cartão de crédito no bolso e pronto. Depois, passei a vida aturando minha mãe (fã de bolsinhas, porque "é mais chique") me implorando pra levar a sombrinha e a carteira dela dentro da minha mochila, porque óbvio, na bolsa dela mal cabia as chaves e o batom. Tsc. Adoro bolsas com estampas idiotas, tenho uma da Pucca, uma do Nightmare Before Christmas, outra da Emily the Strange, várias da Hello Kitty e por aí vai.

What to Denim: Quando me proponho a vestir jeans, só aqueles bem largões e confortáveis. Nada que me aperte as coxas, que não me deixe sentar sem temer rasgar os fundilhos ou deixar o cofrinho à mostra, essas coisas.

What to Makeup: Eu detestava base. Depois que passei a usar marcas decentes (estou usando uma da Clinique agora, mas a da Boots também é ótima), passei a apreciar a aliviada que ela dá nas minhas olheiras de tio Fester. Gosto de máscara para alongar os cílios (porque os meus são mixuruquésimos), blush pra dar uma cor à minha cara pálida e só. Batom muito raramente, prefiro gloss.

What to Accessory: Óculos de sol, porque são chiqueza e escondem olheiras. Relógio de menino, grandão e de preferência com caixa quadrada ao invés de redonda. Adoro brincos. Grandes sim, mas não imensos. E também engavetei a fase hippie e joguei no lixo aquelas breguices cheias de contas coloridas que eu trouxe do Brasil. Less is less. Gosto de colares, mas por alguma razão acho que não combinam comigo.

What to Jewelery: Detesto. A ponto de ter recusado ganhar anel de noivado. Puta desperdício de dinheiro com uma coisa que, na aparência, é virtualmente idêntica a outra que custa uma fração do preço. A única jóia que tenho é a minha aliança.

What to Fragrance: Ah, demorou. Falando aqui a Perfum Whore impersonated. Eu até colecionava aquelas revistinhas que traziam miniaturas de perfumes. Era só o que eu podia comprar, na época. Se me deixar levar, compro aos montes, mas fiz um trato comigo mesma de ter apenas cinco em casa, de cada vez. Quando um vidro acaba, me permito comprar outro pra experimentar. Mas sempre tenho o Dolce Vitta (Dior) e o Carolina Herrera, favoritos absolutos. Adoro perfume docinho, acho Channel N 5 uma porcaria. Vantagens de de viver na Europa: poder comprar perfume francês em qualquer drogaria e a preço de banana.

What to Hair: Meu cabelo é meu fracasso. Sério. A coisa aqui degringolou a tal ponto que estou seriamente considerando a possibilidade de raspar tudo e comprar uma peruca linda, de cabelo humano, pra substituir a catástrofe que se instalou no meu cocoruto.

What to Eat: Não sou muito fresca com comida. Estando bem feito, tudo desce. Aqui aprendi a comer legumes, porque eles tendem a ser feitos no vapor ou forno (ao contrário do Brasil, onde são cozidos em litros de água até quase derreter, perdendo todo o sabor e levando junto os nutrientes). Não gosto de comidinhas metidas a besta, do tipo restaurante caro onde eles colocam um pedaço de carne do tamanho de uma moeda no meio do prato, jogam um molho por cima e salpicam umas sementes com nome engraçado. Pronto; um prato que você gasta 30 minutos para pronunciar o nome inteiro, três dias trabalhando para pagar e cinco segundos comendo. Tô fora.

What to Drink: Sou bem simples. Viciada em coca cola (durante a semana vai a light lemon pra não ficar parruda). Adoro cerveja (principalmente real ale, cerveja de macho - até hoje as mulheres me olham feio e os homens admirados quando me ouvem pedir uma pint de London Pride no balcão do pub). Licores docinhos, como Baileys, Archers Peach, Tia Maria. Tenho vontade de rir vendo as patricinhas de meia idade aqui pedir "vinho branco com água tônica". EXCUSE ME? Porra, vinho branco já é um troço aguado (eu levotrês garrafas pra COMEÇAR a ficar bêbada), e nem isso essas frescas aguentam? Assumam a fraqueza e peçam um copinho de leite achocolatado, queridas. Se não sabe brincar, sai do play.

What to Bargain: Nunca pechincho. Olho o preço e, se eu quiser mesmo o produto, pago o que foi pedido. Se não gostar do preço, sigo em frente. Admito um nada salutar excesso de vergonha na cara pra pedir desconto.

What to E-Bay: O Ebay basicamente alimenta meu vício por brinquedos japoneses e porcarias vintage.

What to Tee: Também meio que passei da fase camiseta, até porque aqui o clima não favorece. Ainda tenho pencas de camisetas de banda e de times de futebol, minhas preferidas (hahaha, meo deos, eu devo ter uma alma de caminhoneiro aprisionada numa embalagem minina).

What to See: Vi Dogville ontem (sim, eu nasci desatualizada). O que dizer? Fodáááástico. Estou até agora celebrando aquele final apoteótico com fogos de artifício imaginários.

What to TV: Perdi o hábito de ver TV, acabo perdendo coisas legais por conta disso. Detesto novela inglesa, não assisto a nenhuma. Não tenho saco pra essas séries americanas e suas filosofias de botequim (tentei ver LOST e a única coisa que ficou lost foi a minha paciência). Gosto de programas galhofa que me façam rir, documentários (sem querer dar uma de intelectualóide, mas rola coisa interessante na BBC) e noticiários (se bem que prefiro ler jornais).

What to Listen: 80% do que ouço é velho. Rock dos anos 60/70, pop dos anos 80/90... Eventualmente tempero com algumas novidades interessantes, das quais logo me canso. Meus "dinossauros musicais", pelo menos, têm qualidade o bastante para serem eternos.

What to Read: Terminei Mother Tongue do Bill Bryson, que recomendo a todos que falem ou se interessem pela língua inglesa e idiomas em geral. Estou terminando a bio do Rupert Everett (divertida, mas meio longa demais) e na metade de The World According to Clarkson Vol. II, do Jeremy Clarkson (hilariamente politicamente incorreto as usual). Na lista, A Short Story of Nearly Everything, do mesmo Bill já mencionado.

Uia, chega né?
Té mais, vou ver se ainda rola pub hoje.

Quinta-feira, Novembro 9

Home, multicoloured home

Estado da escrivaninha depois da brincadeira:


E olha que ela já viu dias piores.
Essa escrivaninha foi um dos móveis que eu carreguei do Brasil para cá. Eu e o respectivo estávamos caçando furniture mais em conta, já que tínhamos uma casa monstra para mobiliar e aqui em Jersey se paga fortunas por coisas que nem têm tanta qualidade assim. Achamos uma lojinha de móveis usados em Petrópolis, cujo dono, no melhor estilo "vovô simpatia", nos serviu um cafezinho delicioso, fez descontos em tudo e ainda entregou o que compramos na minha casa sem cobrar frete. Acho que ele se emocionou com a minha historinha de suposta "cinderela que encontra o seu príncipe inglês encantado". Awww. O fato é que a nossa maravilhosa mesa da sala, madeira maciça, com 6 cadeiras de palhinha esculpidas à mão, saiu mais barata que o preço de UMA CADEIRA aqui.

Eu apitei bastante na decoração do cafofo. Acho que o marido só cantou de galo mesmo nas partes técnicas, porque de resto eu me vejo refletida em cada cantinho dessa casa. O que acho extremamente reconfortante. Seria delicado deixar uma vida inteira para trás e me sentir como se morasse de favor numa casa que não me pertence. OK, não posso dizer que a casa seja "minha", mas a cada parede cuja cor escolhi, cada interruptor de luz cuja posição eu decidi e cada vez que piso no mesmo carpete fofinho que apontei na loja e disse "é esse"... me sinto mais "em casa". Agradeço a ele por ter compreendido isso e me permitido transformar essas paredes de granito no nosso lar.

Mas apesar de no fundo adorar, às vezes acho que dei uma exagerada nas cores. Essa foto foi tirada no meu quarto, e pela porta aberta se vê a parede azul do quarto, o banheiro dele em verde, o corredor em rosa clarinho e o (ainda vazio) spare bedroom amarelo. Tell me about TECHNICOLOUR, HONEY!


A pedidos da Carol, fotos do cafofo.
Aqui o gaveteiro de madeira vagabunda que comprei a preço de banana na B&Q, pintei de branco e cobri a frente das gavetas com papel de parede. Próximo projeto: puxadores bonitinhos de cristal (ok, ok, VIDRO, tá bom assim?). E também o abajur onde costurei essas pedrinhas transparentes. Fica fofo quando aceso (devia ter acendido a luz antes de fotografar então, né tapada?).


Quarto ainda vago e o banheiro verde "blackboard style" do meu marido. Ok, esse verde escuro foi ele quem escolheu. Pegue um giz e é possível dar uma aula escrevendo nessas paredes. Atente para o detalhe do porta papel higiênico em forma de... vintage motor car. Sim, pessoas, eu tenho uma casa temática.


Quarto zoneado, mas eu amo esse tom de azul (preciso de um quadro ou alguma coisa pra pôr nessa parede). E as tralhas de charity shops.


Outra do quarto (Trouble the dog tirando uma soneca) e crisântemos fake.


O meu amado banheiro azul.


Lâmpadas fofas by Homebase.
E o NADA fofo so-called backyard. O próximo projeto seria dar um jeito nisso, mas como envolve pedreiros e também ficar exposta ao frio do inverno... Bom, próximo verão, ok.


A Saga do PC: anteontem liguei para a Dell e adivinha? O call center ficava na Índia (!! porque é mais barato pagar indiano do que britânico) e o inglês da ramana pashmina nahamarajanashulapra da silva que me atendeu conseguia ser pior do que o meu. Passei para o marido, que deu um pitizinho e a garota nos encaminhou pra um técnico em Londres (!!!) que deu instruções para que ele consertasse o micro ele mesmo (!!!!). Funcionou na hora, mas quando desliguei e fui religar, nada.

Hoje ele levou o bendito PC para ser examinado na Dell aqui de Jersey. Se não funcionar depois disso, eu juro que tiro o HD de dentro e jogo o resto pela janela.

E o love link do dia: Gallery of the Absurd. Charges impagáveis dos A-listers que graçam as melhores revistas/sites de fofocas por esse mundo afora.

Segunda-feira, Novembro 6

halloween blues

Hoje abri a porta para o carteiro e, enquanto me entregava a caixa, o camarada me olhou como se estivesse prestes a sofrer um ataque cardíaco. Fiquei ressabiada. "Ah, ok que eu não tenho a cara da Nicole Kidman, mas pô, não sou tão feia assim!". Fecho a porta emburrada e meu olhar cruza com o espelho que fica na entrada. Eu ainda não havia penteado o cabelo, e lá estava ele em plena "posição pós sono", ou seja, parecia que eu havia levado um choque de 3 mil volts. Sem mencionar o resto de rímel da noite passada lambuzando minhas pestanas inchadas.

Acho que esse carteiro vai pedir pra entregar correspondência em outra vizinhança.

Ah, é. A caixa. Um monte de móveis de boneca, mais precisamente Sindy (a versão britânica da Barbie apesar de ser a cara da brasileiríssima Susi). Estou revirando o Ebay em busca de móveis antigos da Sindy para o meu "projeto casa de bonecas". Repare que eu devo ter uns DEZ projetos pendentes mas sempre arrumo uma maneira de começar OUTRO. Pois bem, apesar de a Sindy ser meio baranguinha, a linha de móveis da boneca (em especial a Pedigree, lançada em meados dos anos 60) é realmente fabulosa, realista, cheia de detalhes, luzes e eletrodomésticos que realmente funcionam... Ao contrário dos móveis cafonas da Barbie, todos em tons de rosa (quem teria uma geladeira pink, meu Deus??) armários com portas que não abrem e outras barbeiragens do gênero.

Quando a inspiração baixar, tiro fotos de tudo. Por ora, pretendo me enfiar na B&Q, comprar as madeiras necessárias e me lançar ao DIY. Já que o inverno está batendo na porta e resolvi engavetar o projeto "reforma no jardim", as bonecas agradecem a casa nova.

Halloween. Pela primeira vez, crianças bateram em nossa porta. Dois irmãos, um vestido de esqueleto, o outro de carrasco (aliás, adorei a fantasia). Não tínhamos doces porque, realmente, morando no meio de uma green lane sem iluminação (ah, as maravilhas da vida no campo que a Country Living não conta!), não esperávamos que criança alguma se aventurasse... Mas no fim da rua há uma casa com dois moleques, que esse ano desceram para a village e, ao ver DOIS Jacks iluminando nossa porta, resolveram brincar de trick or treat. Acabaram levando saquinhos de batata frita Walkers. :D

Criador e criatura:





Fiquei um tempo sem nem tocar no laptop.
Estou chateada por não ter conseguido ainda resolver o problema no meu computador. E agora parece que não é só a memória, já que ele sequer liga mais.

Quase um mês e meio e nada. Me aborrece profundamente o descaso com que certos prestadores de serviço desse lugar tratam os clientes. Parece que só se mexem caso você lhes sacuda uma mala de dinheiro. Se quiser pagar o preço JUSTO, prepare-se para esperar. E muito. E ainda ser muito educado enquanto é tratado feito pedinte (mesmo que esteja pagando pela atenção que não está recebendo) porque, se os putos acharem que você não está sendo muito "polite", então vão te fazer esperar em dobro. AI AI.