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Quarta-feira, Setembro 27
Lá se vai o sol.

Foi-se embora o verão.
Acho que pela primeira vez na minha vida, senti peninha.

Mas aí eu fui dizer tchau, né.


Baía de Ouasnay. Pronuncia-se "uêinêi".
E o tom de sépia dessas fotos foi porque pus a lente dos meus óculos de sol na frente da câmera.



Uma Pinky, é claro.



St. Brelade's bay ao fundo...
Observe a total ausência de pessoas desse lugar. Paraíso.
Ao contrário de certas pessoas, eu não faço distinção nenhuma entre "farofeiros" e "gente bonita" (argh, DETESTO esse termo) na praia. Qualquer coisa na categoria sapiens é bem vinda a remover-se do meu campo de visão, thanks bye.



Meus chinelinhos e minhas pegadas nessa areia INCRÍVEL. Fina, branquíssima, deliciosa de pisar, parece talco. E a sombra à direita é do Alaric, que estragou a foto - puto.




Segunda-feira, Setembro 25
Food for thoughts.

De vez em quando levo esporro da mãe porque não dialogo com as panelas daqui de casa. No geral eu e elas temos um bom relacionamento; por exemplo, eu gosto de lavá-las (coisa que muita gente não suporta). Mas a idéia de ter que ir pra cozinha descongelar um pedaço de frango duro feito pedra, descascar e picar legumes, alho, cebola (ew ew ew), ficar ninando o fogão para não deixar o grude queimar/passar do ponto/grudar no fundo - NÃO.

Não que eu seja preguiçosa. É questão de preferir ocupar meu tempo com outras coisas que me dêem mais prazer. Acho formidável que algumas pessoas tenham o dom de transformar farinha, óleo e ovos em delícias que ficam na memória pra vida toda. Mas prefiro estar na outra ponta do processo, ou seja, comendo e apreciando o talento dessa gente.

Fofo do Dikkens na minha mesa zoneada, e as fofices que chegaram hoje no correio (fitas e galões vintage da Les Bon Ribbons pros meus projetos):




THE FRIDAY FIVE
1. Dada a oportunidade de escolha e supondo que dinheiro e tempo não representem problema, você prefere cozinhar o jantar, almoçar fora ou comprar para que entreguem em sua casa?
Comer fora. Eu adoro a comida do Alaric e adoro takeaway, mas é gostoso se vestir, pegar o carro, sair por aí, escolher um restaurante pela cara (ou porque você sabe que a comida é ótima), entrar, ser servido com simpatia, talvez ouvir uma música... Eu passo a semana quase toda em casa, então qualquer motivo pra sair da rotina é bem vindo.

2. Qual foi a refeição mais elaborada que você já preparou ou comprou num restaurante?
Eu nunca preparo nada elaborado. Não tenho tesão nenhum por cozinha, não me interessa, encaro como tarefa. Tarefa que, aliás, eu NUNCA cumpro. Alaric cozinha porque gosta e me sinto abençoada por isso e por não ter que perder horas do meu dia descascando legume e mexendo panela. Já em restaurantes, depende do que vocês considerem "elaborado".

3. Qual comida você está acostumado a fazer/comer muito?
Eu nunca cozinho nada. Como muito pouco mesmo durante o dia e no jantar o menu costuma ser variado, mas tem sempre salada, legumes fresquinhos, galinha ou peixe. Não comemos arroz com feijão, porque sinceramente, não tem valor nutricional tão grande assim e só serve pra entupir e engordar. Já no fim de semana eu me dou ao direito de perder a linha e cair de cara na cerveja e na batata frita.

4. Qual foi sua experiência mais desastrosa cozinhando/comendo?
Eu sempre deixo as coisas queimarem quanto tento cozinhar, porque basicamente não tenho saco de ficar chocando panela. Saio e vou fazer outras coisas e fatalmente esqueço que tem coisa no fogão/forno. Já o único desastre que aconteci de COMER foi aquela porcaria britânica chamada MARMITE. Não li o rótulo, achei que parecia um creminho de chocolate, meti uma colherada na fatia de pão e enchi a boca. Levei umas boas horas grudada no vaso tentando vomitar aquela imundície. Uma das campanhas de marketing do Marmite diz, "ou você ama, ou você odeia". O que me surpreende é saber que existem loucos no primeiro time...

5. Você prefere cozinhar para alguém ou que cozinhem para você?
Essa tá fácil de responder, né.
Hoho.

Domingo, Setembro 24
Sorria pra Câmera, Cicarelli!!



Estava eu discutindo o assunto com um amigo (mineiro e machista) pelo telefone ontem e ele me surpreendeu dizendo exatamente o que eu penso sobre o assunto: "erros CALCULADOS não são erros". Se a moça foi dar na praia porque estava a fim de uma exposiçãozinha na mídia e sacanear o ex, então não vejo problema algum. Já se ela *realmente* achou que, por mais deserta que a praia estivesse (o que eu seriamente duvido - zoom tem limites e verão na Europa sempre é aproveitado até o caroço), a brincadeirinha ia escapar de parar nos jornais e no YouTube... Bom, então ela é uma imbecil e tem mais é que se danar. Empatia zero.

Terça-feira, Setembro 19
Não!!!

Fui colocar as panelas pra lavar na máquina, botei o sabãozinho, fechei a porta, boto a água na temperatura máxima (louça de peixe, faz idéia), começo a cantar lalarila enquanto estendo as roupas no varal - é, vida de dona de casa, pensa o quê?

Volto na cozinha pra roubar mais uma rosquinha do pote e alimentar minhas LULITES e me deparo com o dilúvio. A dishwasher estava vomitando água fervendo com cheiro de peixe no chão da minha cozinha, e óia, COZINHA INGLESA NÃO TEM RALO.

Ainda bem que era salmão, né.
Já que é pra sifudê, pelo menos a gente sifode chic.

Segunda-feira, Setembro 18
Tão certo como 2 + 2 = 5

Muitas pessoas que convivem comigo online, nas friends list dos dois livejournals (o é mais para estrangeiros) e nos blogs que leio, andam insatisfeitas/infelizes com o emprego. Entendo muito bem esse dilema de acordar pela manhã numa segunda feira e só conseguir pensar que o fim de semana está LONGE demais. Meu último emprego arrancou pela raiz minha inspiração pra muita coisa, e a maioria dos sapos que engoli estão ainda vivos e se mexendo na minha garganta. Acho que eles não vão morrer tão cedo, até porque têm sido alimentados com relativa frequência...

Enfim. Quando resolvi me livrar de lá, jurei que antes morreria de fome a trabalhar por obrigação. Que ou eu encontraria uma ocupação que, acima de tudo, me desse PRAZER, ou eu viveria para cuidar dos meus pais, comer o meu prato de comida e não comprar NADA. O que sabemos ser difícil na prática, mas nada é impossível.

Agora estou aqui. Teoricamente não preciso trabalhar, mas não sei se passar a semana inteira em casa olhando pra tela do micro seja mais proveitoso. Ando extremamente letárgica. Tanta coisa por fazer, e eu não consigo me levantar da cadeira. Cuido da casa, é claro. Mas não saio mais para caminhar. Não tenho feito muitas fotos. Nem costurado, nem andado de bike. Nem assistido meus DVDS, ou lido livros (parei na metade do Hobbit, que estava adorando). Isso precisa mudar, ou então preciso de uma tireóide nova. Falo sério.

Mais um pra cada vez menos frequente série "posts não tão felizes". Algumas pessoas batem palmas quando você está mais ou menos na bosta, porque então elas ou se identificam ou então podem exercer o delicioso direito de sentir PENA de você. Ou de sentir numa ótima em comparação - posso culpá-las? Não sei. Isso me faz lembrar dos meus tempos de blogueira pop (haha) lá pelos idos de 2001/2002, quando meus posts arrogantes ou escrachados atraíam inimigos. Um dia postei um relato verídico do meu dia, mostrando o que eu fazia a cada volta do relógio - bem chato, por sinal, porque minha vida então estava tão estagnada como agora. E, adivinha só? Um monte de emails na minha inbox de pessoas se identificando OU dizendo "é, até que você é legal". HA.

Ou seja, vida de merda = pessoa bacana, pé no chão, verdadeira... Vida legal = filhadaputa arrogante, mentirosa e patética. Haha. Como bem dizia a lebre nas fábulas de Esopo, "a desgraça gosta de companhia". Da próxima vez que posts cor-de-rosa me irritarem (sim, isso também acontece comigo, eu sou humana), vou me perguntar "será que essa pessoa é mesmo uma poliana imbecil ou sou eu que estou me incomodando com o sucessinho dela?". Se eu conseguir ser honesta, posso até me envergonhar da resposta.

Quinta-feira, Setembro 14
Momento Orkut

propagandas pela rua ¬¬
nathália:
"Po é muito chato, você tá andando geralmente com pressa, vem um animal na sua frente entregar qualquer tipo de propaganda!!!! Aqueles papeis pra fazer financiamento, desconto naquela loja prodrérrima da qual você nunca vai entrar. Eu costumo passar reto, e deixar no vácuo, mas não suporto eles!!! Foda-se que é a profissão, eu odeio e acabo. E vocês? Pegam o papel ou deixam no vácuo também?"

Marie:
"Bom, esse é um dos raríssimos casos onde eu discordo de ser grossa.
Esse pessoal está trabalhando. Encarando um servicinho ingrato, com um salário de merda, em pé o dia todo e ainda aturando grosseria alheia.

Podiam estar te apontando um revólver pra levar a sua carteira, o que seria bem pior, né? Ao contrário, preferiram ganhar mal, mas manter a dignidade.

Por mais que eu odeie gente (muito mais que certos posers, que só dizem isso pra pagar de antisocial - como se isso fosse bonito, aliás...), essas pessoas em particular têm o meu respeito por conta da escolha que fizeram.

No mais, eles podem ir se danar também. :)"

X X X


Depois essa mesma patty ridícula reclama quando alguém leva o celularzinho poser de mil reais que ela carrega pendurado na orelha pra todo mundo ver.

NADA justifica crime - não assino embaixo da teoria "rouba porque é pobre e não teve oportunidades", até porque quase ninguém rouba pra comer, e sim pra comprar maconha ou tênis de marca. Mas se é assim que essa classe mérdia brasileira retribui o esforço de quem poderia estar roubando mas escolheu ser honesto, então eu sinceramente lhes desejo uma bela bala na testa.

Quarta-feira, Setembro 6
pequenos capitalismos baratos

Para os pés. Que sempre ressecam nesse clima seco.



O azul é um scrub. Poderoso. Limpa até a alma, imagine os poros... Os outros são, respectivamente, creme para as mãos e um leite pra jogar na banheira - bommmm...



Bolsinha de camelô. Tão fresca que até eu fico com vergonha de usar.



A melhor coisa depois de madeleines (e apenas 43 calorias por stick).



Chega de consumismo.

Terça-feira, Setembro 5
A verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade

"Não sei porque, mas dizer o que se queria trazia um alívio, ainda que não fosse possível ter aquilo.

Todos nós passamos muito tempo sem dizer o que queremos porque sabemos que não podemos ter o que se quer. E porque podemos parecer indelicados, mal-agradecidos, desleais, infantis ou superficiais. Ou porque vivemos tão desesperados em fingir que está realmente tudo bem, que admitir que não está parece vacilo.

Vá em frente, diga o que você quer. Talvez não em voz alta, caso vá se encrencar por isso. "Gostaria de nunca ter me casado com ele". "Gostaria que ela ainda estivesse viva". "Gostaria de nunca ter tido filhos com ela". "Gostaria de ter muita grana". "Gostaria que todos os albaneses voltassem pra porra da Albânia".

Seja o que for que você queira, diga pra si mesmo. A verdade te libertará. Ou te dará um soco na cara. Sobreviver, em seja qual for a vida que você esteja levando, significa mentir e mentir corrói a alma; pare de mentir apenas um minuto."
- Uma longa queda, Nick Hornby.

Quando eu descobrir o que eu quero, direi.
No fundo acho que o que quero já não pode ser mais.




Ganhei uma scooter e não sei dirigir. Acho que vou vender.
Também não sei usar o LastFM. Burra, burra, burra - a tecnologia me atropela e os moleques de 12 anos riem de mim.
Mas estou comendo madeleines cheias de manteiga porque perdi 2 quilos na semana passada.
Yeah.

Domingo, Setembro 3
For when it's dark

No sótão rosa ontem à noite, janela aberta (é verão ainda, estamos podendo), sentada na escrivaninha (é bom ficar longe da mesa do computador, às vezes), ouvindo Snow Patrol. No rádio? Não. Eles estavam tocando no Jersey Live, tão pertinho daqui que estava dando até pra cantar junto.

Não fui ontem porque não quis. Estava cansada do show da sexta feira; tínhamos ingressos grátis pra área VIP (cortesia da empresa do respectivo). Bela bosta de vip, devo dizer. O lounge era uma fofura, todo decorado com candelabros e borboletas coloridas, mas tínhamos que pagar pela bebida. A única coisa grátis eram smarties, pirulitos, jujubas e aqueles colarzinhos feitos de bala. E o esbarrão que dei na Sandi Thom no banheiro feminino. Bacana, a escocesa - trocamos uns 45 segundos de prosa enquanto aguardávamos vaga pra mandar ver num xixi.

É óbvio que a produção fez todo um alarde em cima do Snow Patrol, que é uma bandinha marromeno que aconteceu devido ao atual trend mundial de babar ovo de banda depressiva-de-boutique (ex. Coldplay). Mas a atração do primeiro dia, de quem eu nunca tinha ouvido falar, quebrou tudo. Rock irlandês com violino e banjo? Se fode; muito, MUITO bom. Dancei o show inteiro, pulando na grama (porque lama é coisa pra magricela antipática da Kate-cheira-pó-Moss; EU sou vip e dispenso, HA), fazendo dancinhas irlandesas e chamando o vocalista de gostoso. Bom, nem era exatamente, mas foda-se. Muito, muito bons ao vivo.




Depois comento sobre os nossos últimos hóspedes. Chumbo grosso.