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| ABOUT.
lolla, brazil/uk, bad photographer, junk hoarder, cat lover, plays with dolls, likes booze,
vintage clothes, old books and cassette tapes, BYOB parties, rainy days and sad love songs. eats too much cake and likes to take
silly photos of her feet. {More?}
CATEGORIES. PEOPLE. {More?} ARCHIVES. ETCETERA.
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Sexta-feira, Maio 26
![]() Vimos "Os Outros" ontem, que teoricamente se passa aqui em Jersey (embora pudesse ter sido filmado anywhere, já que 90% da ação do filme acontece dentro da casa). Muito, muito bom, se ainda não viu, assista. Melhor que O Sexto Sentido.
Sexta-feira, Maio 19
Da série "Posts (muito) velhos que soam atuais":
Fui convidada para um programinha noturno (nesta fase "meu quarto, meu casulo", falar "programa noturno" me soa cafona) e descobri que minhas roupas não têm mais cara de náite. A menos que calças cargo + casaquinhos coloridos não façam feio em boates. Fazem? Tanto tempo que não vou a uma que nem lembro como o povo se veste. Ter um namorado que não sabe dançar ajuda. Com ele ando fazendo programas de velha, como passar a noite inteira sentada numa mesa onde garrafas de cerveja rodeiam pratos de comida, esvaziando os recipientes sem nem olhar pros lados. Não por acaso ganhei uma bunda mais mole e dois quilos nesses sete anos. Vai ver é por isso que agora tenho tantas calças cargo nas gavetas. Mas o Marcos não é o único motivo para eu ter virado notívaga às avessas. Nem o trabalho, nem a internerde, nem nada que que meu dedo possa apontar. Sei lá. Estranho porque eu não era assim. A palavra "uma boa noite de sono" era conversa de avó. Eu trocava fácil essa idéia por "uma boa noite de farra". Noites acordada, na rua, eram ótimas ainda que fossem péssimas. E eu então, do alto da sabedoria suprema que a gente só tem uma vez na vida (aos 13, 14 anos) eu teria PENA sincera das pessoas que se declarassem "caseiras". Abriria para elas meu catecismo de regras e dizia que iam se arrepender mais tarde, que a juventude não ia voltar, e cochichava com meus parceiros de esbórnia: "mas que merda de vida ele(a) tem!". Depois de muitas noites vomitando em banheiros estranhos e sujos, de muitas madrugadas sentada em calçadas, congelando enquanto esperava um ônibus ou táxi (que àquela hora não viriam MESMO), de muitas festinhas-roubada, de muitos caras grosseiros, imbecis e torpes querendo me convencer (às vezes, quase a tapa) de que beijar suas bocas era um privilégio, de medo de ser assaltada/estuprada na Lapa assistindo a mendigos/drogados se engalfinharem a troco de meia garrafa de cachaça (que depois seria quebrada e usada como arma, a meio metro de onde eu estava), eu simplesmente DESCOBRI por que as pessoas se vestem, deixam suas casas, gastam dinheiro, passam a madrugada acordadas, sacudindo-se numa pista de dança lotada e fedendo a suor e cerveja: elas querem encontrar alguém. Só por isso. E eu não quero mais. Não que o que eu tenha me satisfaça plenamente. Só que agora a relação custo-benefício não me parece tentadora. O que mais vou querer com um pafúncio (vestindo calça social OU camiseta da Cavalera; tanto faz a embalagem, a má qualidade do produto é a mesma), além de esperar que ele me pague cerveja? Isso o Marcos faz. E ele não é um pafúncio. E beijá-lo, para que me pague a cerveja, não me será sacrificante. E não preciso comprar roupas novas para agradá-lo, nem gastar 30 contos de consumação, nem fingir que gosto de suar a noite inteira dentro de uma casa noturna cheia de gente querendo se arrumar a TODO custo. Antes, ver pessoas frenéticas me dava a idéia de vida, agitação, movimento. Seus olhares inquietos, varrendo o ambiente feito radares, eram (mal) interpretados como sendo excitação. E são. Como também ansiedade, angústia, desespero... Hoje tenho pena do medo infundado que elas têm da solidão. Da carência que as fazem aceitar qualquer coisa, qualquer um. Da percepção torta que elas têm de que só podem se achar alguma coisa SE alguém validar o que elas acham de si próprias. E é isso o que elas saem para buscar, toda sexta, todo sábado, todo santo dia se isso for possível. Eu tenho medo de como elas reagirão ao perceber que nunca vão encontrar. A bem da verdade, nunca conheci ninguém legal na noite. Todos os meus "past loved ones" vieram de outros cenários, quase sempre diurnos. E quanto mais distante esse cenário dos esquemas da "náite", mais sucesso no relacionamento. A "náite" só me trouxe pafúncios. Por isso prefiro dançar no meu quarto. Aqui não fede, aqui eu sou a DJ, aqui a cerveja está sempre gelada, aqui eu não esbarro no cigarro aceso de patricinhas encalhadas nem tenho o braço puxado por algum playbaca "querendo me conhecer". E tenho certeza de que, se a "náite" não fosse O lugar de escolha para engatilhar trepadas, 100% das pessoas que de FATO gostam de dançar prefeririam fazê-lo em seus respectivos dormitórios. Mas não me arrependo de não saber disso aos 14 anos. Tudo o que vivi valeu sim, e muito. Para uma menina de 14 anos. E foi o bastante - não quero mais. (Tá. Ainda tem um pretinho decotado no estilão "vem cá meu puto" aqui na gaveta. Vai ser ele mesmo).
Quarta-feira, Maio 17
Meu avô costumava dizer que "a gente só precisa ter SEIS amigos na vida, um para segurar cada alça do caixão". E eu dizia que, se o cidadão fosse gordo, então precisaria de seis amigos bem fortes. Para minha tranquilidade, descobri hoje que existem carros que circulam pelo meio do cemitério levando os caixões, daí ninguém mais precisa ter seis amigos. Como eu vou ser cremada e não dou a mínima para as cinzas, não preciso de nenhum, nem mesmo pra levar o pote pra casa. Pensar nisso hoje de manhã me deixou feliz. Comprei o CD do Belle & Sebastian e não gostei. Também um do Radiohead e gostei menos ainda. Adorei os dois da Bjork, mas esses eu já conhecia e sabia que eram bons. Doravante só comprarei CDs assim. Encomendei o DVD de Brokeback Mountain, pra assistir e jogar fora. E fazer o mesmo com o das Virgens Suicidas, que a Play.com deverá arremessar pra dentro da minha sala através da janelinha de correspondências na minha porta amanhã. Você já leu o livro das Virgens Suicidas? BEM melhor que o filme. A única coisa chata é que a Mary não morre com a cabeça enfiada no forno, como no filme. As quatro irmãs restantes morrem, mas ela sobrevive. E se mata dias depois com uma dose de barbitúricos. Chato. Achei a segunda temporada de Sex & The City em DVD no brechó por 4 libras. Tive que comprar, né? Mesmo não gostando muito. Bom pra assistir comendo pipoca e chocolate quente nessa chuvinha. E por falar em hot chocolate... ![]() Hoje pela manhã, com meu pai. Andamos até Rozel pra tomar café no Hungry Man. Alaric em Londres, vai jantar com a sebosinha hoje, mas me ligou dentro da HMV perguntando se eu queria o "Oye, Esteban" do Morrissey. Claaaaaaro que não, né. Haha.
Mas alguém aqui já ouviu o último CD dele, Ringleader of the Tormentors? Título foda, capa linda, mas fora You Have Killed Me, não gostei tanto. I know the truth awaits me But still I hesitate because of fear Hoje em Rozel, meu pai: "reparou que só tem velho aqui?" E eu me senti TÃO feliz por ser um deles. Por ter passado por tanto, por ter vivido tanto, e ter conseguido sobreviver até essa manhã.
Domingo, Maio 14
As únicas leituras decentes dessas férias foram, incrivelmente, o livro do Sex & The City (bem escrito e muito mais profundo do que a série... Um dos capítulos quase me fez chorar, o que é uma realização e tanto) e a coletânea de colunas que o Jeremy Clarkson (que apresenta o Top Gear aqui na Inglaterra) publicava nos jornais. Macho, caucasiano, europeu, heterossexual e bem sucedido. Ou seja, para os comunistas que tomaram conta desta nação, o verdadeiro Demônio. Pra mim um serafim sapeca e engraçadinho. Bela companhia para tardes calorentas na Baixada Fluminense. O Stupid White Men do Michael Moore devia se chamar Stupid White MAN e ser uma autobiografia. O livro do Caio Fernando Abreu me lembrou aquela "literatura de internet" (verborrágica e cansativa, no estilo "vejam-como-eu-escrevo-com-meu-coração-na-boca") que empesteou a rede há uns anos atrás e que parece ter desaparecido sem deixar traços - ainda bem, e não com surpresa. Mas como o Caio Fernando veio antes da Miss Averbuck e companhia, ficou fácil identificar quem copiou quem (ironia-fecha-aspas). Não tenho mais a menor vontade de conhecer pessoas ou fazer amizades em Jersey. Minha ambição mais imediata é perder o medo de andar de bicicleta no meio do trânsito; isso me dará asas. E comprar uma esteira pra me exercitar dentro da segurança dessas paredes de granito de 300 anos, porque cansei de dietas, também. Voltei a me sentir inteira, como nos melhores - ou piores? - anos da minha infundada arrogância juvenil, onde o Marcos me enchia a cabeça com suas idéias megalômanas, rapidamente absorvidas pelo meu cerebrozinho em desenvolvimento. Eu comprava tudo o que ele dizia e nem dava troco. Hoje eu já consigo filtrar metade da merda que ele jogou em cima de mim. O que caiu no chão foi-se, o que grudou eu guardo como lição aprendida. Estou feliz, mas de um jeito estranho. Menos otimista, mais egocêntrico, menos dependente do que venha de fora, mais determinado. Estou feliz desse jeito, e estou gostando. ![]() Algum-buraco-qualquer-no-interiorzão-de-Minas-Gerais.jpg Muito, muito sub exposta. Câmera digital vagabunda, sabe. Fiquei mal acostumada. A visita ia durar três meses (de birra minha), mas acabou terminando um mês e meio mais cedo. Algumas pessoas me diziam que, quando a gente retorna ao país natal, não gosta de mais nada porque encontra tudo muito diferente. Discordo. Estava tudo igualzinho ao que sempre foi. Quem mudou fui eu.
Quinta-feira, Maio 11
Ele não adorou a tatuagem, mas também não criou o me-nor problema.
L'enfer, c'est les autres. (O Inferno são os outros). Dêem licença à minha vontade de passar o dia todo lambendo o meu braço direito. Mesmo tendo o tatuador tapado esquecido a primeira apóstrofe. A frase me é tão, mas tão cara, que se fosse homem eu a teria tatuado em cima do coração. Sendo minina, no entanto, não dá. Já que assim que a gravidade começasse a surtir efeito, minhas tetas flácidas haveriam de cobri-la. Sim, e só as tetas teriam licença física para fazer isso. Eu seria indiciada por atentado ao pudor todos os dias só pra exibi-la. Até que eles cansassem de me jogar na cadeia e abolissem a palhaçada - sorte das adeptas do topless que habitam a República Hipócrita do Brasil. Porque fazer tattoo e querer dar uma de blasé "Ahn, mas eu não fiz tatuagem pra me exibir..." não combina. Coragem de tomar agulhada rima com coragem pra assumir convicções. Por muito pouco não tatuei isso na testa. Aos poucos, essa vinda ao Brasil foi tomando a forma de uma sucessão de pequenos acertos e grandes erros. O lado positivo de sempre é que sempre aprendo com todos eles. E muito. Um verdadeiro intensivão de relações pessoais cuja lição final vai ficar além da simples lembrança. Estou muito feliz por estar de volta em casa. 27 graus, sol, a ilha coberta de flores, as árvores vestidas de verde-clarinho-cor-de-folha-bebê. Um enorme presente na forma de um grande amigo que eu reencontrei. Um outro, quase tão grande, na forma de "amigos" que finalmente consegui perder. Saudade da Tilly. Peninha da mãe. Pai a tiracolo. Nenhuma certeza, mas enfim - quem é que precisa delas? |