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| ABOUT.
lolla, brazil/uk, bad photographer, junk hoarder, cat lover, plays with dolls, likes booze,
vintage clothes, old books and cassette tapes, BYOB parties, rainy days and sad love songs. eats too much cake and likes to take
silly photos of her feet. {More?}
CATEGORIES. PEOPLE. {More?} ARCHIVES. ETCETERA.
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Sexta-feira, Abril 28
Sartre tinha razão.
O Inferno são os outros. Show do Echo & The Bunnymen no sábado. Arrumando malas para me enfiar no interior de Minas em cinco dias. Could be worse than that, Little Piglet.
Quarta-feira, Abril 12
Já havia me esquecido o quanto é chata essa mania do comércio brasileiro.
Geralmente é assim, você está apenas olhando as mercadorias, e essa pergunta te faz passar vergonha ao ter que admitir que está "só olhando" sem a intenção de comprar nada. Ou então está se decidindo ainda, e a pergunta te coloca sob pressão para decidir logo. Minhas três estratégias: a) fingir que não ouvi a pergunta idiota (quando estou de bom humor); b) responder "não, obrigada" de cara feia e sair da loja (quando estou de mau humor); c) responder "por enquanto não, mas QUANDO e SE você puder ajudar, EU te procuro, ok?" (quando o humor está PÉSSIMO). Eu sei que é assim que os vendedores são treinados, que eles ganham salário de fome e são as comissões sobre venda que os fazem sair da linha da miséria... Mas o lance é que essa estratégia gasta acaba por afugentar clientela ao invés de fazê-los comprar mais. Ontem mesmo na Rua da Alfândega (que por sinal está um inferno, feia, falida e quente) eu saí de umas cinco lojas depois que vieram me encoxar com essa solicitude falsa. Pau no cu. X X X Just in case people haven't noticed, eu não estou conseguindo checar meus emails do domínio. Então, é marielastrange arroba gmail ponto com. X X X Show da Madonna em Agosto na Inglaterra. Tickets mais baratos (160 libras!!!) esgotados em algumas horas, e só havia poucos de 300 libras para área mais próxima do palco, com direito a souvenirs da turnê e festa para 200 convidados depois do show, regada a comes e bebes na faixa. Mas aí tem os vôos pra Londres também, e o passeio não ia sair por menos de 1000 libras. Pra ver a Madonna de collant e meia calça arrastão sacudindo sua pélvis de 47 anos pro público - e cantando musiquinhas ordinárias com samplers do ABBA? Não, obrigada. Já a vi aqui no Rio em melhor forma (e com repertório mais interessante) e acho que ela anda precisando descer do palquinho... 300 libras, HAHA. X X X Acho que os planos para Búzios mixaram. Estou gripadíssima, estarei na maré vermelha no weekend, e o Fernando convidou também para ir algumas pessoas que eu não sei se quero ver. E passar quatro dias em companhia desagradável num paraíso pode ser pior do que quatro dias na minha casa brincando de pique-esconde com a Chantilly. Ou refazer planos, whatever. Ah, é. Conseguimos vôo para o dia 10 de Maio. Felicidade é um assento premium para a primavera na Europa.
Domingo, Abril 9
Meu espírito melhorou.
Nenhuma notícia concreta a respeito de troca de passagens, mas depois de uma semana de peregrinação e problemas eu consegui pegar minha grana e respirar. Estou até postando de casa, usando essa discada podre que daqui a pouco cai. Só que eu perdi o concurso Miss Brasil 2006 na TV ontem e estou inconsolável. Revi alguns amigos; achei o Fernando na feira (!!) e almocei no Plaza de Niterói ontem com o Rodrigo e a Drica. Fotos tremidas, porque meus amigos são lindos mas desconhecem o significado da palavra FOCO, haha. ![]() Alguém por favor explique minha cara de retardada nessa foto. ![]() Strike a pose... ![]() Tão bom conversar com gente bacana, inteligente e tranquila... Algumas pessoas que reencontrei aqui, no entanto, mudaram MUITO. Fecharam-se em grupinhos, cochicham pelos cantos, inventam gírias de "bando" e assumiram uma posturazinha fake de marginal pra parecer cool. Can-sa-ço de certo tipo de criatura, viu. Formar panelinhas excludentes quando se tem 15 anos é até aceitável, já que jovens geralmente têm cocô de pombo na cabeça - mas adultos?? Bom, espero que pelo menos essa palhaçada toda seja por diversão, e que a "turma" não tenha virado uma muleta emocional, um escudo contra os obstáculos da vida e a dor de crescer - se for isso, então é mais triste do que eu imaginava. "X" em cima dos respectivos nomezinhos então, porque meu saco para lidar com "complicadinhos de butique" findou-se há mais de duas décadas atrás. E convite do Nando pra passar a semana santa em B-Ú-Z-I-O-S. Alguém por favor me dê uma porrada na cabeça (beliscão é pouco) pra ver se eu acordo desse sonho. E Lili, Becky e Raquel, me aguardem aí pelo Rio semana que vem. XD
Quinta-feira, Abril 6
Ainda não temos nada certo.
Há dias em que acho que, com algum sacrifício, consigo ficar aqui pelos três meses. Noutros, acho que o avião de ONTEM pra Jersey seria per-fei-to. Por que não volto? Porque resolvi aproveitar as Air Miles do cartão de crédito do Alaric pra comprar minhas passagens. E Air Miles não são refundáveis, ou seja, eu não posso trocar a data do vôo. BA Miles são refundáveis, mas eu preferi economizar as minhas pra trazer meus pais aqui. Se eu resolver viajar antes, tenho que comprar outro bilhete, que por ser "one way", é bem mais caro. Sim, eu podia dar uma olhada na internet e achar um bilhete mais em conta, do tipo Rio – São Paulo – México – Egito – Tóquio – Paris – Inglaterra, num assento que mal caberia as minhas pernas. Mas eu sou sebosa e não aturo desconforto – sorry, periferia. XD Mas estou cogitando aceitar a generosidade do meu marido e encerrar atividades em terra brasilis mais cedo do que o previsto. Até porque pressinto que minha vinda pra cá terá sido um fiasco em muitas frentes (não que isso seja surpresa, mas...). Até o presente momento já fui ao cinema uma vez (A Era do Gelo 2, fodíssimo), já saí da dieta uma vez (com pipoca doce deliciosa e duas empadas horríveis), já fui ao centro uma vez, já me irritei com minha mãe umas 2734493841 vezes. Na média. Amanhã vou para Petrópolis e no sábado a Niterói almoçar com uns amigos. That's all, folks. :) Observações fúteis: Será que a Preta Gil ia tocar tanto no rádio se não fosse a filha do Gilberto? Duvido muito. Porque até mesmo o notório mau gosto musical da humanidade tem limite. A voz dessa menina parece a de uma puta bêbada da VM às quatro e meia da manhã, depois de ter fumado uma meia dúzia de "cigarrinhos-do-capeta" e já pegando um resfriado. E a Regina Casé ganhando o Troféu Forçação de Barra 2006. Será que essa mulher não se cansa de exaltar favelado? Tenho pena dos moradores das comunidades que essa desocupada vai atazanar pelos próximos meses... Aliás, a Regina Casé poderia fazer ao Rio de Janeiro o favor de usar sua popularidade junto às favelas para acabar com elas. Basta anunciar com bastante antecedência uma visita para que os favelados, em pânico, se mudem todos pra São Paulo - haha. Ai, essa mania de rico brasileiro puxar saco de pobre pra aparecer... Se a Regina gosta TANTO de favela e de bailes funks, porque não se muda pra uma e abraça a carreira de cantora sob o nome artístico de MC Roliça? Ah, mas não, né? Favelado só presta pra gente faturar em cima bancando ser "do povo"; depois a gente esquece que eles existem e volta a usar vestido de 3 mil reais bebendo champagne importado na varanda da cobertura em Ipanema. Quero que esses antropólogos wannabe de fim-de-semana vão todos pra puta que os pariu. Cambada de aproveitadores hipócritas. Por falar em funk e MCs... primeiro foi o Claudinho que sifu, agora o Marcinho quase vira presunto também. Essa gente devia parar de viajar de van e assinar o nome no diminutivo... Se a Quebra-Barraco tinha algum plano de virar "Tatizinha", acabou de enterrá-lo. Afinal, melhor enterrar o plano do que a si própria, né (ok, ok, eu podia ter pulado essa). Vou ali agora tentar dar pelo menos um OI nos blogs e LJs de vocês.
Segunda-feira, Abril 3
Ser filha deve ser padecer no inferno.
Até agora eis uma das poucas coisas boas de ter vindo pra cá. E olha que eu acho que ela não se lembra mais de mim. ![]() Essa vai ser, sem dúvida, a última vez que venho ao Brasil para ficar na casa da minha mãe. De repente todas as nossas inconciliáveis diferenças, que sempre me jogaram pra longe daqui, reapareceram para me lembrar de que o mais saudável é mesmo manter distância. No aeroporto devo dizer que ela me deu um susto. Magérrima, abatida... E aqueles sonhos sobre morte que eu tive passaram a fazer sentido por alguns instantes. Depois de me abraçar comentou que eu estava gorda (de fato; só aqui a ficha caiu e os espelhos me mostraram a criatura pálida e inchada em que eu nem sabia que havia me transformado... Bom, paciência; agora é recomeçar do zero). Em casa, tudo estava mudado. Móveis novos, a disposição dos antigos, e o novo hobby de mamãe (decoupage) espalhado por todos os cantos: caixas para TUDO (esmaltes, maquiagem, jóias, garrafas, correspondência, até baralho...), relógios, móveis, vasos, porta-chaves, etc. Tudo muito coloridinho e em excesso – gosto altamente duvidoso, mas eu não estava (e não estou) no clima pra implicar com isso. O que me incomodou mesmo foram os porta-retratos. Não por causa da decoupage cafona enfeitando a madeira, mas sim pelo fato de TODAS as fotos que eles exibiam serem minhas e do Alaric. As fotos do casamento que eu mandei para ela pelo correio. As fotos da última vez em que nós dóis estivemos juntos no Brasil. Sinceramente, a coisa estava meio assustadora, creepy. Parecia que minha mãe havia transformado a casa numa espécie de altar, templo erguido em homenagem aos dois deuses. Horrível. Vou ter que conversar com ela e pedir que tire algumas fotos, troque por fotos DELA ou da família dela. Porque, além de estranho, é um tantinho ridículo. Passa para as outras pessoas a idéia de que ela está deslumbrada com a “filha morando no estrangeiro” e querendo se exibir. EU sei que essa tese procede, mas ninguém mais precisa saber. Além dos que já sabem, é claro. Sim, porque minha mãe andou esnobando algumas pessoas por conta da minha mudança para a Inglaterra e perdeu algumas amizades – compreensível. Por falar em pessoas... Elas sempre foram motivo de discórdia entre nós duas. Minha mãe é uma pessoa carente, que estabelece relações simbióticas sem as quais não sobrevive. Talvez por ter sempre assistido de camarote as humilhações que ela sofria por conta disso, eu cresci aversa a qualquer tipo de interdependência excessiva e doentia entre seres humanos. Pessoas muito ciumentas, muito carentes ou muito inseguras me dão pena – não estou sendo sarcástica, arrogante ou agressiva aqui... Falo de uma piedade genuína, que gostaria de estender auxílio mas sabe-se impotente. Então, voltando à minha genitora, eu sempre odiei o fato de a nossa casa parecer a Central do Brasil ou a Rua da Passagem aqui no Rio. Um entra-e-sai eterno de pessoas que “estavam passando e resolveram dar uma paradinha” e passar umas boas horas alugando o ouvindo da minha mãe com seus problemas... As mesmas pessoas que invariavelmente lhe darão as costas quando ELA precisar, mas então ela vai preferir praguejar e depois aceitar a amizade de volta e se prestar ao mesmo papel ridículo do que simplesmente CORTAR o contato, como EU faria. Enfim. Ela fala TANTO de mim para a “amiga da vez”, uma tal de Sara que frequenta a mesma igreja, que a mulher já mandou recado de que “precisa conhecer a filha importada da Maria”. A filha dela “sonha” em me encontrar e o marido velho e doente dela diz que “me ama”. Estarei eu bancando a adolescentezinha anti social OU isso tudo é um pouco demais (assustador demais, ridículo demais, triste demais)?? Eu aposto na segunda opção, não importa o que vocês pensem, e nem que sim, eu SAIBA que no fundo eu sou mesmo uma teen emburrada que se esconde no quarto pra não ter que ser apresentada às visitas - que lhe apertarão as bochechas e dirão “Nossa, mas como você cresceu! Já está namorando??”. Eu não quero ser vista como o bicho raro da vizinhança. Em breve minha mãe terá a idéia de tornar tudo mais prático me trancando numa jaula e cobrando ingressos dos amigos, que virão me jogar bananas, fotografar e perguntar se na Inglaterra todos têm mordomos em suas mansões e tomam chá das cinco lendo novelas de Conan Doyle. Eu não quero ser apalpada por estranhos, eu não quero o “amor” de gente que nunca me viu mais gorda (literalmente...), eu não quero a simpatia de pessoas que não significam absolutamente nada pra mim. Eu quero ter esse direito e que minha mãe não se sinta ofendida, que não grite comigo me deixando nervosa como HÁ UM ANO eu não ficava. Eu quero ter o direito de não querer ver certas pessoas, de escolher os meus amigos, de não querer dividir os meus com ela (desde que eles também não tenham interesse nessa proximidade). Sim, porque eu fui a adolescente que detestava trazer amigos em casa, por saber que a mãe ia sentar no sofá no meio deles, monopolizado a atenção e me deixando com a bacia de pipoca no colo encarando a TV e perguntando QUANDO ela ia se tocar de que eles estavam ali NÃO APENAS pra bater papo com ela. Outro problema são as reclamações repetitivas. Porque “a conta de luz vai vir uma fortuna agora que eu estou em casa”. “O computador vai passar o dia ligado na linha telefônica e ela não vai pagar por isso”. “As coisas estão pela hora da morte no supermercado”. E diz isso tudo mantendo um ar meio risonho (e falso como nota de 3 reais), para que, caso eu me insurja, ela possa se indignar e dizer que “só estava brincando”. Eu can-sei de dizer que me proponho a dividir despesas. Que não, o maldito computador não estava ligado na maldita internet – e que, se estivesse, eu pagaria a maldita conta. Que não, eu não quero que ela me traga quilos de comida do supermercado só pra depois reclamar da carestia. Eu não quero paparicos se eles vierem de alguém que tem uma mão gigantesca esticada na minha direção, aguardando paga. Que ela quase nunca teve, diga-se a verdade. Ela sabe ser abnegada e nunca me deixou faltar coisa alguma quando precisei. Mas sempre havia aquele arzinho de reclamação e insatisfação no ar, que me levava a pensar, “se não quer ajudar, não ajude”. Ou seja, se eu pudesse, hoje mesmo me mandava prum hotel. Mas sairia caro passar 3 meses num lugar decente, por isso vou ter que abaixar a crista e me contentar com isso aqui. Nada de ar condicionado no meu quarto, e eu detesto dormir no quarto dela. Nada de internet decente. Nada de me pendurar no telefone para ter que ouvir piadinhas mesmo que eu pague a porra da conta. Estou de saco cheio, mas vou ter que furá-lo e não me indispor para não transformar minha estadia aqui num inferno astral atrasado – era pra ter sido no meu aniversário, não? Entretanto, durante essa descrição me peguei por várias vezes rindo de certas frases. “Podia ser pior”, por mais Pollyana que isso possa parecer. Podia ser muito pior, eu podia ser dada a lamúrias. No entanto eu praguejo, acho graça do próprio praguejar e estou pronta pra outra. A temperatura está agradável, meu cartão de banco não funciona fora do Reino Unido, mas o credit card está tinindo e o Alaric me mandou uns cobres extras, eu acho mais fácil fazer Atkins no Brasil e aqui as academias de ginástica são mais baratas, eu estou respirando, meu coração está batendo sem preguiça. Tenho o dom da felicidade, o dedo no botão foda-se e ele nunca me falhou. ![]() Agora eu me vou, porque estou num cyber e eu detesto cybers. Falta de privacidade, barulho, testosterona adolescente por todos os cantos. URGH. |