Sexta-feira, Janeiro 27

Neve!




Começou agora e está aumentando rápido.

Duvido que chegue a se acumular no chão, embora o telhado do galpão ali na frente esteja branquinho (ia fotografar, mas a bateria da câmera acabou). Enfim, seja como for, é MUITO legal poder ver isso da janela.

I love the winter, I really do. :)

E agora um pouco de beleza para alegrar a sua manhã:




Sim, ela é linda "sem photoshop" assim mesmo (haha).

Agora vou ali brincar de FBs. :)

Quarta-feira, Janeiro 25

Mal na foto.

Tem gente que é contra o uso de photoshop nas fotos. Eu respeito a opinião, se vinda de fotógrafos profissionais. Eles têm o direito de ser puristas, embora eu particularmente não concorde. Cômico é ver gente que mal aprendeu a apertar o botãozinho em cima da câmera e fazer uma foto, já se achando no direito de elaborar piada a respeito.

Eu não vejo problema algum. Usar photoshop para realçar as características de uma imagem é uma arte, quase tão importante quanto saber "ver" a foto antes de ela ser feita. Mesmo porque não há filtro que dê jeito numa foto ruim. A maioria das fotos digitais apresenta uma coloração acinzentada assim que abre na tela do computador, e se você usa o photoshop para amenizar esse probleminha técnico, já abriu o precedente. Algumas fotos do post anterior foram realçadas com um filtro que simula o efeito de uma câmera lomo. Que aliás é amplamente usado por fotógrafos digitais profissionais - quem acha que aquelas fotos fabulosas e cheias de cores magníficas saiu da câmera daquele jeito e criticam quem assume usar filtros, só pode ser um ignorante em termos de fotografia digital.

Bom, talvez eles critiquem porque não saibam usar photoshop.
É difícil, gente - mas não é impossível. Tentem e depois me contem, tá?

E, como eu havia dito, o carteiro ontem me fez feliz:



O outro tema complicado de hoje foi a matéria de capa do Daily Mail de ontem, intitulada The Savages.

Uma câmera de rua filmou um ataque, protagonizado por adolescentes, que espancaram um homem a chutes e pontapés enquanto uma menina de 14 anos, amiguinha dos assassinos, filmava tudo do seu celular. A idéia era enviar o filminho macabro para os amigos, mais tarde.

Nesse caso, a vítima sobreviveu. Porém, dez minutos depois, o mesmo grupo atacou um barman que não teve a mesma sorte e veio a falecer. Espancado até a morte para divertir adolescentes desajustados, e esse não é o primeiro caso de "happy-slapping" nessa terra (ou "surra feliz", como eles chamam esses espancamentos gratuitos com fins de divertir os agressores, e ter a peripécia filmada em celulares de última geração e repassadas). Adolescentes revoltados - com o quê eu não sei - atacam ferozmente senhoras idosas, adolescentes, pais de família e mulheres com crianças. Outro dia mesmo quebraram o braço de uma moça grávida que esperava seu ônibus no ponto. A troco de absolutamente nada.

Quando eu disse ter me estressado com uma patricinha americana que anunciou aos quatros ventos num site que o Brasil era o paraíso da violência, só faltei levar porrada. Taí. Acho que tem gente precisando sair da frente das novelas, das Desperate Housewives e Losts (duas porcarias pretensiosas, na minha modestíssima opinião, aliás), e se ligar um pouco no que acontece à sua volta.

Se te contarem de novo essa lenda de que "no primeiro mundo não existe violência", não compre a informação de primeira, não. Porque existe violência, sim. Gratuita, cruel e crescente. Se duvida, pergunte à família das vítimas dessa "garotada". Pergunte à mãe do rapazinho negro que foi morto com um golpe de machado na cabeça porque... era negro. Ou à família da mulher que foi esfaqueada enquanto empurrava um carrinho de bebê.

Pra essa turminha de monstros, eu sugiro apedrejamento em praça pública, que é para dar o exemplo.
E se a galera dos direitos humanos quiser piar, alegando que "são apenas crianças", então que tenham um pai, uma filha, uma mãe ou irmão selvagemente assassinados debaixo de pezinhos adolescentes como esse e OUSEM manter a opinião.

Terça-feira, Janeiro 24

É nóis tentando atualizar essa bagaça!

A cabeça da Estella chegou hoje - estou IN LOVE.
Tenho fotos, mas estão na câmera, e falta-me saco e tempo para redimensionar, hospedar em algum canto e postar agora. Fica pra breve.

Enquanto isso, tem fotos novas lá no flickr.




No sábado, respectivo foi almoçar com colegas de trabalho. Celebraram alguma bobagem escocesa qualquer, que serviu de motivo para um almoço gigantesco: sopa de entrada, seguida de haggis (cuidado ao clicar no link se o estrômbo aí for fraco; basicamente é a versão européia da buchada de bode!), uma dessas pie-de-alguma-coisa inglesas como prato principal, pudding se sobremesa e uma imensa tábua de queijos e pães.

Naturalmente o festim rolou num dos clubes do bolinha (gentlemen's club... sei) que espalhados pela cidade, e esposas não estavam convidadas. Por sorte do respectivo, ele tinha fotos para provar onde esteve (haha), mas eu não vou postá-las por serem meio... digamos... embaraçosas. Rapazes na casa dos 40 vestidos em ternos Armani e YSL bebendo até não conseguir levantar da mesa, um velho careca lendo um poema sobre o malfadado haggis nalgum dialeto escocês e a coisa toda.

A coisa foi tão feia que as esposas dos digníssimos foram acionadas para vir buscá-los (nessas horas eu agradeço por não saber dirigir). Esqueci de ligar pra esposa de um deles, que trouxe o marido dela e o MEU pra casa, agradecendo a gentileza. No domingo resolvemos pegar o carro na cidade, indo de ônibus (que aventura! sério, foi a segunda vez que entrei num ônibus em UM ano, desde que cheguei aqui - com exceção dos ônibus que às vezes a gente pega em aeroportos, para nos levar de um terminal a outro). Eis aí o bonito esperando o buzum:


De qualquer modo, levei a câmera para aproveitar a viagenzinha inútil e fotografar Saint Helier, o nosso "centrinho", vazia.

Bolsetta do Nightmare before Christmas e o barzinho onde paramos para um café:










Mais fotos de St. Helier no Flickr - VAI LÁ.
Sai em breve a sequência do diário de bordo de Val D'Isère - segura, peão!! Estarei puxando o bonde (tem horas que esse genrundiota, desde que voluntário, é engraçadinho, vai...) porque tenho zilhares de coisas pra fazer por essas bandas. Todas elas legais, por sorte.

Perdi três quilos, minha sala está forrada de caixas com bonecas, papéis fofos e coisas cheirosas que comprei. Fora que em breve chega a minha fabulosa coleção de DVDs de Candy Candy, meu desenho animado favorito de todos os tempos, dos anos 70, que eu miraculosamente achei na internet.

Ebay é DEUS e na-da me faltará (enquanto eu tiver um cartão de crédito internacional e uma conta no Paypal).

Quinta-feira, Janeiro 19

Val D'Isère, a missão

Para chegar em Val D'Isère saindo de Jersey, é preciso pegar um avião para o aeroporto de Gatwick em Londres, depois outro vôo para a Suíça e de lá são mais três horas e meia de ônibus executivo até o resort.

O primeiro vôo já saiu com uma hora e meia de atraso porque, justo nesse dia, havia caído um nevoeiro from hell na ilha. Quando abri a janela de manhã e dei de cara com tudo branco, pensei: "puta merda, NINGUÉM sai dessa ilha hoje!". De fato, o aeroporto de Jersey estava fechado, mas felizmente depois de um certo atraso conseguimos ver essa ilhota complicada pelas costas.

Chegando em Gatwick teríamos que esperar ainda mais, já que o próximo vôo para Genebra decolaria em... três horas. Sentei meu traseiro obeso num McDonald's do aeroporto e me entupi de batata frita até sair pelo nariz. Um dos amigos do Alaric que também iria esquiar, não pôde ir por conta de compromissos e resolveu que seria uma boa idéia mandar o pirralho dele, pelo menos. A "boa" notícia é que o pirralho, chamado Thomas, ia viajar com a gente. Bem, pelo menos o garoto não era desses adolescentes detestáveis, monossilábicos e antisociais - que eu particularmente abomino. Falante, inteligente e educado, uma gracinha. Vejam só que diferença faz estudar em boas escolas, não é verdade, minha gente? Jamais matriculem vossos pimpolhos em escola de ralé.

Vista do avião - pôr do sol surrealista e lá embaixo a paisagem dos alpes.


Depois de uma hora e meia no ar, eis Alaric, eu e Tom no aeroporto de Genebra. Que é um OVO, mas toca uma musiquinha extremamente cute nos alto-falantes, precedendo os anúncios sobre vôos. Como estamos na Suíça, praticamente TODAS as free-shops vendiam relógios, chocolates e coisas relacionadas a... vacas. Quase comprei uma, de pelúcia lilás gigante - aquela do anúncio dos chocolates Milka. Mas a bagagem já estava passando do limite, portanto achei melhor deixar a bovina pastando em seu habitat natural.


Nos informaram que teríamos que esperar mais DUAS horas até o próximo ônibus para Val D'Isère. Fomos beber cerveja, enquanto Tom se contentou com sua coca-cola. Fiquei pensando que, na idade dele, eu já trazia no currículo um invejável histórico de bebedeiras, mas deixa o menino curtir a infância... XD

Finalmente o ônibus. Um frio dos infernos do lado de fora do aeroporto, tive vontade de abrir a mala e vestir a minha roupa de esqui ali mesmo. Depois de uns 30 minutos de viagem, o ônibus entrou em território francês e começou a subir em direção às montanhas, lentamente. À medida que a altitude avançava, as paisagens das pequenas cidades à beira da estrada se cobriam daquela coisa fabulosa e branquinha, que mais parecia glacê de bolo e que eu nunca havia visto na vida: NEVE. Enfiei o nariz no vidro da janela e, enquanto o zé-matraca do meu marido não calava o bico, eu só queria comer aquela visão com os olhos, em silêncio.

Em Bourg-de-St-Maurice, o ônibus parou de repente e chutou todo mundo pra fora. É, naquele frio, e eu com um casaquinho de merda escrito "Brazil" (com "Z" ainda por cima...) porque todo brasileiro idiota gosta de fincar suas bandeirinhas onde quer que se espalhe pelo mundo. O tour tinha acabado ali e ficamos sem saber o que fazer, já que o ônibus, em tese, devia ter nos levado até Val D'Isère, que ainda ficava a uma hora de viagem. Fomos "salvos" por uma van do pessoal da Scott Dunn, a empresa que aluga os chalés. Graças a isso chegamos 20 minutos mais cedo, já que a van é menor e bem mais rápida que o ônibus - há males que vem para o bem.

E então, depois de ter saído de casa às oito da manhã, eis que o trio aporta na village de Val D'Isère... às dez e meia da noite!! Eu só praguejava e pensava que aquela PORRA de lugar ia ter que ser MUITO BOM pra compensar tamanha peregrinação. Andamos até o chalé e a combinação ar rarefeito das montanhas + o meu cansaço + a minha total falta de preparo físico + meus pés escorregando no gelo me fizeram chegar no chalé dos infernos com três metros de língua pra fora, sem ar e com a cara roxa de frio. GERAL riu da minha cara, mas foda-se. Eu já tinha avistado uma mesa cheia de pães, queijos, frutas e champagne e nela me aboletei sem demora. Depois dessa terrível caminhada de 3 longos minutos eu merecia uns refreshments.

Primeira foto do resort à noite: tremida, é claro, porque eu estava tendo convulsões de frio e os meus dedos RIAM da minha cara e se recusavam a colaborar. A segunda mostra a primeira imagem que fiz da janela do nosso quarto de manhã.



Lá já estavam há uma semana o Richard (que havia alugado o chalé), suas duas pirralhas Annabel e Charlotte, o Andrew (amigo da família) e a babá das meninas, uma inglesinha interiorana que matraqueava mais que o Alaric. O chalé Mathilda é um luxo: seis quartos, cada um com seu próprio banheiro. Todo revestido em madeira de demolição vinda da Bulgária. Piscina aquecida no primeiro andar, sauna, varandas em volta e janelas gigantes na sala com vista para as montanhas coberta de neve, uma verdadeira vitrine de Natal.

Tudo isso havia acabado de ser construído (retoques finais foram dados apenas dois dias antes da chegada do Richard), tudo cheirava a novo. Nosso quarto era sem dúvida o mais bonito, com detalhes de madeira pintada retirados de Igrejas demolidas no leste europeu.



No dia seguinte pela manhã, fomos recepcionados pelo staff do hotel. Um rapaz inglês ruivo e com pelo menos uns dois metros e meio de altura chamado George; uma australiana loira e sorridente chamada Rebecca e Nathan, o cozinheiro - também australiano e, como poderei dizer, uma verdeira iguaria para os olhos. :) Todos muito jovens (21-23 anos), estudantes estrangeiros fazendo um bico no gap year pra ganhar um dinheirinho e poder esquiar de grátis. Extremamente simpáticos e prestativos.

Eu e Alaric acordamos tarde, o pessoal já havia se mandado. Me enfiei nesse edredon ambulante chamado "roupa de esqui" e saí neve afora parecendo um bonequinho da Michelin. O que obviamente não me impediu de pular feito uma descerebrada na neve, jogar pro alto, dar gritinhos, querer comer a neve... Como eu sempre digo, pobre é uma merda (acho que vou tatuar essa frase na testa).


Continua outro dia. :)

Terça-feira, Janeiro 17

Birthday Girl

E então meu aniversário foi foda.
Do meu jeito, mas não é isso que conta?

Eu, Alaric e John jantamos num restaurante português muito bom chamado Madeira Social Club (isso porque a maioria dos portugueses residentes aqui em jersey vieram da Ilha da Madeira). É pequeno, tem jeitão de "casa de avó" (inclusive televisão no teto, cafoníssimo, mas e daí?) mas a comida é simplesmente deliciosa. E as porções são IMENSAS. Eu pedi um risoto de frutos do mar cujos camarões eram do tamanho de lagostas. John, chatinho pra comer, ficou só com os camarões. Alaric honrou a fama de comedor-de-carne e pediu um picadinho de porco à portuguesa que estava fantástico - eu sei porque fiquei roubando pedacinhos do prato dele, HAHAHA, como nós temos classe. :) Taí toda a comida que não conseguimos embuchar:



Aí estamos eu e o John (que é um mala e não gosta de ser fotografado), cheios de boa comida, posando pras lentes do Alaric... As garrafas de vinho estavam dentro do balde de gelo no CHÃO, porque realmente não tinha mais espaço na mesa pra nada. Pobre é foda.

Durante o dia eu e Alaric fomos passear pelas nossas lojinhas de tralha favoritas na cidade. Eu ganhei uns livros antigos que achamos na Thesaurus:



Mais uns outros que não estou a fim de fotografar, inclusive um com capa linda, japonês, e outro que ensina a fazer bonecos de pano. Estou ansiosa pra ler Lewis Carrol no original (só havia lido em português), e também os livros do Classic Pooh (não a babaquice colorida da Disney...) que eu nunca li antes. Na HMV eu ganhei alguns CDs:




Essa foto da Tori no encarte de Tales of a Librarian é linda. Achei o "Welcome to Sunny Florida", que traz também um DVD do show. Também ganhei uma, errr, "vitrola" pra tocar meus insubstituíveis vinis (é, a gente é velho mermo), e o china lá da dollstown enviou minha Estella ontem, o que significa que ela deve chegar até sexta. :)

Depois do jantar, os homens queriam se enfiar nalgum pub, mas eu disse pro John que estava a fim de dançar. E, na qualidade de aniversariante, meu pedido foi atendido. Ele nos levou pro Chamber's, uma mistura esquisita de pub com nightclub. O lugar estava lotado de gente, na maioria mulheres de 30 e garotões adolescentes - nem de longe a melhor das combinações.

O povo não dançava, só ficavam em pé cantando o que estivesse tocando e regulando o movimento. Alguns se metiam na suposta pista de danã com pints de vidro na mão - estupidez é apelido. A música não estava lá essas coisas, até tocaram Chesney Hawkes! Pelo amor de Munrá, porra... Quando a "banda" subiu no palco e começou a assassinar a música nova do Franz Ferdinand, pedi penico e desisti. John pegou seu táxi pra casa e eu convenci o Alaric a me levar pro Chicago Rock Café.

O lugar é bacaninha e tal, mas eu tenho essa impressão de que aqui, não importa em que nightclub você se meta, as pessoas não sabem se divertir. Mas na verdade não há animação que resista a uma boate mandando todo mundo embora à uma da manhã. Peralá. No Brasil, a essa hora, o povo está SAINDO de casa... Me entristece perceber que, ao invés de tentar aprender a beber civilizadamente, os ingleses acham mais fácil proibir a bebida.

E foi isso. Aos meus amigos, vocês foram lindos. Emails, cartões reais e virtuais, telefonemas, scraps no orkut, comentários aqui e no LJ, banners fofos no livejournal, presentinhos... Obrigada a quem ajudou a fazer meu dia ainda mais especial.

E, como eu sempre tive a sensação de que o ano so "começa" mesmo depois do meu aniversário...
Vambora lá, 2006. Começa logo, pô!!

Sexta-feira, Janeiro 13

Para pessoas que não sabem ouvir.

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre.
Assim acontece com a gente.
As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo.
Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa. Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo.
O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor.
Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre.
Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo!
Sem fogo o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM! E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado.

Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura.

No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras a vida inteira.
Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva.
Não vão dar alegria para ninguém.

Extraído do livro O Amor que Acende a Lua, de Rubem Alves.



Foto pseudo-artística do nosso quarto no chalet Mathilda, lá em Val D'Isère.
Teto decorado com peças de madeira de demolição búlgara - simplesmente CHIQUE, viu nêga. Né pra qualquer um não.
Já o fato de ter sido di grátis, boca livre, é mero detalhe. DETALHE, ouviram???
Humpf.
:)

Quarta-feira, Janeiro 11

Passada a farra gastronômica natalina...

4 dias de Atkins = 2,5 quilos a menos.
Yay. E ainda tem gente que fala mal da dieta.

Antes de entrar pro bonde, eu também achava que desistir de carboidratos seria a morte. Até porque eu sou uma carb-addicted de carteirinha. Do tipo que vai à churrascaria, põe UMA linguicinha no prato e se esbalda na batata frita, farofa, arroz e feijão. Mas dieta que é dieta sempre te obriga a desistir de algo, não tem jeito. Ou isso ou ir comprar roupas em lojas para "tamanhos especiais" (eufemismo pra BALOFAS). Primeira opção, sem dúvida.

E, pra ser sincera, TODA dieta que conheço restringe pães, massas e cereais de qualquer maneira. Qual a vantagem em fazer dieta de redução calórica "porque pode comer carboidratos" e só poder comer meia fatia de pão de fôrma no café da manhã e duas colheres de CHÁ de arroz na janta? Haha - passa amanhã. Se é pra comer pouco, prefiro não comer nada. Ou então comer meu pãozinho low carb - sim, existe pão Atkins, macarrão Atkins, biscoito Atkins... Só reclama quem não corre atrás.

Dizem que a dieta é muito gordurosa, mas eu não me esbaldo em gordura pra compensar a falta de pão, até porque não gosto de comida nadando em banha. Dizem que é pobre em fibras e vitaminas, porque não se pode comer frutas, leite e grãos integrais. Eu faço o meu pão Atkins com farelo de trigo, que nada mais é que fibra de celulose PURA. E com relação às vitaminas, eu como bastante vegetais.

Se não fosse a maldita batata frita, o álcool e minha recém descoberta paixão por madeleines, eu tirava de letra. Mas enfim, como eu não poso para editoriais da Vogue e não estou a fim de substituir a batata frita por cocaína e cigarro, nunca serei esquelética. O que acho ótimo, porque mulher adulta exibindo corpo de moleque de 14 anos e se achando "sexy" é o fim da picada.

X X X


Pesquisa que rolou aqui no Reino Unido: 95% das mulheres britânicas prefeririam ser magras a ser inteligentes. E vão ainda mais longe: A metade afirmou que o "corpo perfeito" é mais importante que uma conta bancária recheada, e quase 25% confessou que se preocupam mais com o peso do que com a própria família.

Taí. Quando eu disse que os gringos andam "importando" mulher porque as européias e norte americanas andam fodidas da cabeça, as feministas de plantão quase me deram porrada. Eu acho que, além de obcecadas com o peso, elas também são burras. EU preferiria ser rica. Com dinheiro, eu compraria o corpo perfeito pagando à vista e ainda continuaria com grana o bastante pra não ter que trabalhar e dedicar meu tempo à família e a mim mesma. "Corpo perfeito" é transitório, mulherada. Se liga.

X X X


CONSEGUI encomendar a Estella!!! Só a cabeça, infelizmente - porque o corpo na versão whiteskin só chega mês que vem. Ok, mês que vem então eu compro o resto. Sim, elas são todas esculpidas e pintadas à mão, uma a uma. Veja o trabalho para fazer os olhos e o processo de criação do rosto.

Na sexta feira o china do caralho (que até se revelou simpático depois que eu passei a tarde toda lhe enchendo o saco) vai me enviar a cabeça. Com maquiagem, mas sem os olhos (sai mais barato comprar no Ebay). Olha ela aí embaixo (clique pra ampliar):



A maquiagem que eu pedi para a minha vai ser menos pink, no entanto, e mais parecida com essa aqui. Nessa página há uma galeria com fotos impressionantes da pequena (aliás, "pequena" é modo de dizer, já que a bicha mede 60cm). Meu presentão de aniversário. :) Yay!

Terça-feira, Janeiro 10

Voltando à ativa...

Mais ou menos.
O site ficou uns dias offline. O servidor danou-se "beyond repair", e quem não tinha backup, perdeu tudo.

Eu não tinha backup. Mas meu blog está todo no Blogger, minhas imagens estão todas no Fotki/Flickr, e os layouts que faço ficam arquivados no computador. Belezinha.

Respectivo ficou hibernando hoje de novo. Estou rezando pela recuperação dele (êta resfriado mais escroto - será que é bird flu?? HAHA), afinal eu o quero ver bem de saúde e, por favor, FORA de casa de nove às seis. Não, isso não é falta de amor. É falta de carência da minha parte. Sempre detestei grude, e não é só porque me casei que isso ia mudar.

Apesar disso, o dia foi ótimo. Combinamos que, ao invés de voar pro Brasil pra ver um show do U2 (que eu aliás já vi, a famigerada turnê Pop Mart, Rio de Janeiro. autódromo de Jacarepaguá), vamos pra Finlândia de carro. Pense na aventura: França, Bélgica, Holanda, Alemanha, Dinamarca, Suíça... Nessa ordem, até chegar lá. Nem preciso dizer que o planinho de desembarcar no Rio em Fevereiro foi pro espaço.

Aproveitei que ele estava em casa, enfiei-o no carro e fomos pro correio postar cacarecos. Tem gente que vai ganhar presentinho de aniversário atrasado, eeeeee. Só porque eu prometi e não ia morder a língua. Tenho que anotar o aniversário dos meus amiguinhos virtuais (porque o dos não-virtuais eu já sei) pra mandar presentinho. Porque presentear é gostoso, não porque eu esteja querendo algo em troca - até porque eu sempre fico sem graça quando ganho presente.

Falando em presente, quero me dar essa menina aí embaixo de aniversário:



Se eu conseguir comprar, é claro. O dinheiro está no bolso, falta o china do caralho, que é dono do site e o "artista" que esculpe as dolls, se decidir a me vender.

Porra, vendedores do Oriente, se orientem!! Fazer um site pra vender pro mundo inteiro em CHINÊS é dose. Como se não bastasse, ele não aceita se comunicar com os clientes por e-mail. Você tem que se cadastrar no fórum do tal site (em chinês...), descobrir em que tópico postar um pedido, isso em público (detalhe: os tópicos estão em chinês), rezar para que o chinês do caralho se resolva a te responder em privado - através de um OUTRO tópico - que, obviamente, está em chinês.

Isso porque o chinês-filhodaputa-do-inferno é um artista
E, como tal, teria ferida a sua sensibilidade se pagasse alguém pra fazer uma porra de uma versão em INGLÊS pro site dele. Não dá pra falar o idioma do mundo real (ou seja, capitalismo) com um "artista". Tipo, "Hey, china do caralho! Taqui $$$ doletas e o meu endereço; agora MANDA A PORRA DA BONECA!"

Veja a que ponto chegamos.
Estou pensando seriamente em iniciar um curso de "chinês pra comprar boneca".
Socorro.

Quinta-feira, Janeiro 5

2006 já me franziu o nariz.

Pois é, amigos do meu Brasil. Danou-se.
Respectivo em casa desde que o ano começou.
Socorro.

Reconstituindo:
Janeiro, 1 --> domingo.
Janeiro, 2 --> feriado, porque nesse país aqui, quando um feriado por acaso cai num final de semana, eles fazem questão de fornecer o feriado DE NOVO pra você, no próximo dia útil. E depois é brasileiro que não gosta de trabalhar. Brasileiro, ó, só se fode.
Janeiro, 3 --> respectivo resolve ficar doente. Mas ao invés de ficar de cama enrodilhado em edredons (ou, como se diz aqui... "duvet") com um bom cuppa na mão, ele ficou foi circulando pela casa, se espalhando pelos cômodos.
Janeiro, 4 --> respectivo ainda doente. Ou melhor, leia da seguinte maneira: "na verdade eu já estou bem, já estou indo à loja comprar cerveja, estou comendo tudo o que há na geladeira, estou sujando TODA a louça da casa pra fritar um ovo, estou bebendo uma garrafa de vinho por dia, MAS... por via das dúvidas vou ficar em casa DE NOVO."

Eu fico maluca.
Porque, além disso tudo, ele fica vendo TV. E eu ODEIO televisão. Odeio o barulho de TV ligada, me dá urticária, nervoso, ziquizira, o cacete. Eu gosto de música, porque música parece um mar de ondas quentinhas, que me envolve e vai me levando, me levando... Barulho de televisão é irritante, as pessoas falam, as pessoas gritam, as pessoas atiram, sou obrigada a aturar jingles escrotos dos mesmos comerciais se repetindo...

E o gosto do meu marido pra filmes não podia ser mais diferente do meu. Ontem, por exemplo, ele escolheu assistir a história de um barbeiro londrino, que matava seus clientes cortando-lhes a garganta com a lâmina de barbear, e depois doava as vísceras para uma prostituta amiga sua, que as usava como recheio de tortas e as vendia na sua... erm... delicatessen. Eu JURO que tentava não olhar, assobiar e pensar no Jude Law enquanto o cara fatiava a goela das vítimas, mas os efeitos sonoros (se é que vocês me entendem) eram piores que as imagens. E o pior de tudo é que a história era verídica.

Mas podia ser pior, Marie.
Podia ser OUTRO documentário sobre a Segunda Grande Guerra.

Cêis não tão enteindêindo.
Eu preciso limpar a casa. Eu preciso redimensionar fotos. Eu preciso calar a matraca dessa maldita televisão. Eu preciso da minha liberdade de volta.

Alguém por favor convença o meu respectivo a, amanhã cedinho, vestir sua "fantasia de executivo" (sapatinho de cadarço, camisa social, blazer Armani, gravata e celular na cintura) e actually IR PRO TRABALHO.

Se não rolar eu juro que me suicido.
E, se eu me matar, não aceitem nenhuma torta feita pelo meu marido.

Ah, é. As fotos. Clique pra ampliar:

Aí embaixo, 1) enfeites de natal na vitrine de uma loja em First Tower, aqui em Jersey; 2) vista da baía de St. Aubin, no centro da cidade, da janela do carro (em movimento) e 3) mesma vista entre os prédios da First Tower.




Cemitério de St. Lawrence: 1) Anjinho mal humorado (lindo!); 2) vista parcial da Igreja (a nova...) e 3) vista parcial da Igreja (a antiga).



Mais do anjo (porque ele é lindo), vitrais da Igreja de St. Lawrence e florzinha simpática.



Parque de diversões (no inverno??) do Waterfront...



Volto já, já.

Domingo, Janeiro 1

Meu Querido Diário,

Hoje acordei cedinho, vomitei o fígado e voltei a dormir.

Caso o restante dos meus órgãos internos permaneçam internos pelas próximas 24 horas, eu volto para contar sobre o estrago.

Hic.