Quinta-feira, Dezembro 29

E lá se vai mais um.

Chocolat chaud + calvados pra aquecer as manhãs de inverno alpinas, vista das montanhas e crepe de chocolate branco com Grand Marnier + coke.
Compreensível o fato de eu ter voltado pra casa mais gorda.




E essa survey que eu costumo fazer todos os anos.

O que você fez em 2005 que nunca fez antes?
Tentei esquiar. Por dez minutos. Não saí do lugar, comecei a querer chorar até que o Alaric se conformou, me tirou de cima daqueles palitos-de-sorvete-gigantes-assassinos-from-hell e os carregou de volta até à loja, pra devolver. Ele todo tristinho e eu toda feliz do lado, saltitante, pensando "EU TENHO MEUS PÉS DE VOLTA".

Você manteve as resoluções de ano novo de 2005, e fará novas para 2006?
Nunca fiz isso. Aliás, certo ano eu fiz sim, uma lista enorme (perdoem a pré-adolescência, vocês já passaram por isso também), cheia de metas ambiciosas e fui dormir crente que acordaria uma superwoman no primeiro dia do ano, poderosa o bastante pra realizar tudo aquilo. Acordei e me dei conta de que havia perdido a lista: mau sinal. Só fui achá-la de volta na metade de janeiro do OUTRO ano, jogada atrás do sofá, e constatei que não havia chegado nem perto de realizar coisa alguma.

Que lugares você visitou?
Bem poucos. Estive em Londres, alguns condados simpáticos da Inglaterra, no aeroporto de Genebra (haha) e em Val D'Isére, França. Preciso viajar mais. O Japão está no topo da minha lista para 2006 mas, se não for possível, me contento com a Itália e alguns paisecos daqui da Orópa.

O que você gostaria de ter em 2006 que faltou em 2005?
Minha gatinha Chantilly.

Que data de 2005 vai ficar marcada em sua lembrança?
6 de Julho, meu casamento. Mas sem sentimentalidades, foi apenas mais um dia duca onde eu, pra variar, enchi a cara na companhia do meu melhor amigo - que, por acaso, estava se casando comigo. Também a primeira vez que eu vi neve de verdade, e MUITA, subindo a serra para Val D'Isére.

Qual sua maior realização no ano?
Ter sido MUITO feliz, obrigada.

Qual foi o seu maior fracasso?
Não ter conseguido trazer minha gata para cá. Mas 2006 é um outro dia.

Você teve alguma doença?
Todo dia eu acho que estou com alguma doença terminal e morrerei, mas isso é da minha natureza e não há como mudar. Passei uma tarde no hospital, mas vamos falar de outra coisa, sim?

Qual foi a melhor coisa que você comprou?
Qualquer uma das minhas queridas dolls.

Que comportamento mereceu comemoração?
O do Alaric, sempre paciente, afetuoso, alto astral e na mesma onda que eu.

Que comportamento foi deprimente?
O de alguns "amigos". Mas eu já esperava isso deles. Eu sempre espero o pior das pessoas, por isso jamais me desaponto.

Pra onde foi a maior parte do seu dinheiro?
Bonecas, HAHA.

O que te deixou realmente excitada?
A van do Jersey Post parando na frente de casa. Isso significava quase sempre pacotes pra mim!

Que canções sempre vão te lembrar de 2005?
Boa: Speed of Sound, Coldplay (tocava bastante quando cheguei aqui)
Ruim: qualquer lixo dos insuportáveis Black Eyed Peas ou James Blunt (The Miserable Cunt).

Comparando-se com essa época, no ano passado, você está:
I. mais feliz ou mais triste? Na mesma: feliz do mesmo jeito.
II. mais magro ou mais gordo? Mais gorda... (culpe o Natal!)
III. mais rico ou mais pobre? Mais rica, EEE (parei de entrar no Ebay, HAHA)

O que você queria ter feito mais?
Viajado. Andado de bicicleta. Feito mais fotos. Um curso de Inglês e de Fotografia.

O que você queria ter feito menos?
Ceninhas por causa de problemas que podiam ter se resolvido na base do diálogo.

Como vai passar o reveillon?
Como passei 2005 inteiro: sentada num pub rodeada de comida e cerveja. :)

Você se apaixonou em 2005?
Mais e mais pelo meu loirinho sorridente.

Qual foi seu programa de TV favorito?
Eurotrash, Sex Inspectors e Little Britain.
E claro, todos aqueles especiais porcaria de "100 melhores isso" e "100 mais aquilo" que eu adoro.

Você odeia alguém hoje que não odiava há um ano?
Não perco meu tempo odiando pessoas, apenas as descarto.

Qual foi o melhor livro que você leu?
Dr. Atkins New Diet Cookbook - HAHAHA, não, mentira.
O Guia do Mochileiro das Galáxias. E eu preciso voltar a ler com mais frequência.

Qual foi a sua maior descoberta musical?
Nenhuma. Eu continuo achando essas bandinhas novas um porre.
70's rock 4ever.

O que você quis e conseguiu?
Me adaptar a esse país.

O que você quis e não conseguiu?
Melhorar consideravelmente o meu inglês.

Qual foi seu filme preferido esse ano?
Love Actually (por causa do Colin Firth)
Decididamente verei mais filmes em 2006.

O que você fez no seu aniversário?
Comi bolo comprado pelo meu pai com ele, minha mãe, Patrícia e Márcio, tendo o Alaric e a Chantilly do lado. No mesmo dia compramos móveis lindos e almoçamos numa churrascaria na serra de Teresópolis.

O que teria feito o seu ano infinitamente melhor?
Minha gatinha deitada em cima do monitor.

Como descreveria seu modo de se vestir em 2005?
Mendigo-hippie, como sempre. ;)

O que manteve a sua sanidade?
Nada - eu adoro ser insana.

Qual celebridade você mais admirou?
As pessoas que eu realmente admiro só são celebridades pra mim.

Qual episódio da política que te deixou mais puto?
Eu sou apolítica.

De quem sentiu falta?
Da Chantilly e dos meus pais.

Quem foi a pessoa mais legal que você conheceu?
Marie LaStrange. Descobri várias coisas interessantes sobre mim e fortaleci os laços de amizade comigo mesma.

Diga uma lição valorosa que aprendeu em 2005:
Eu deletei várias informações erradas que estavam arquivadas no meu subconsciente e que me mantinham agindo como há dois anos atrás. Eu não preciso mais viver na defensiva. Agora posso, finalmente, ser EU.

Quarta-feira, Dezembro 28

Feliz Navidad

Estou cansada ainda e hoje é dia de pintar os quartos (maybe), mas a Dominique queria vir até aqui e dizer uma coisinha pra vocês...




Agora, o que EU tenho a dizer:

01. Esse foi, de longe, o Natal mais legal da minha vida até o presente momento.
02. Neve é legal, mas NEVE PRA CARALHO é LEGAL PRA CARALHO.
03. Tentei esquiar por 10 minutos e desisti.
04. Francês é porco.
05. Suíços são lindos.
06. Gente rica é outra coisa.
07. Comprei duas vacas, uma francesa e outra suíça. De cerâmica, é claro...
08. Meu marido é o king of the mountain.
09. Não nevou, mas por isso mesmo não fez (muito) frio.
10. Conforme prometido, comi até não mais poder. Virei obesa mórbida, but who cares?

Tarefa: redimensionar quase 400 fotos. Mas vai valer a pena, porque tudo era tão lindo que as fotos nem precisaram de equipamento profissional ou fotógrafa competente para saírem legais.

Ah, sim - o blog agora já pode ser acessado através da URL cherrysoda.org/blog ao invés do endereço do blogspot. Provavelmente até eu deixar a preguiça de lado e criar um subdomínio mais, digamos, "criativo". Mas se quiserem alterar os links estejam à vontade, até porque "soda de cereja" é o cúmulo do patético, e eu só usei essa url temporária porque estava mesmo planejando migrar o blog para o domínio.

E deixo essa matéria aqui como presente de natal atrasado para todo mundo. Estava meio down hoje, por motivos bem egoístas e fúteis, e precisei dar de cara com isso pra sacudir a cabeça e acordar. Acho que ela é um presente para todo mundo que, como eu, costuma achar que a humanidade não tem mais jeito.

Segunda-feira, Dezembro 19

Going to see the snow

Dia de acordar tarde, almoçar no La Taverne o melhor frango Kiev do planeta, comprar bobagens e fazer as malas. Estou muito feliz por ter a oportunidade de passar o Natal num lugar tão lindo, conhecer novos horizontes, tudo isso ao lado do homem que eu amo e que me ama. Sem dúvida, uma excelente perspectiva.

Principalmente em se levando em conta meus natais na infância, cercada de primos que me hostilizavam OU sozinha com meus pais em casa e indo dormir antes da meia-noite. Natal pra mim sempre foi sinônimo de COMIDA, porque diversão passava longe. Mais precisamente, na casa da vizinha em frente, onde sempre havia música, gente cantando e pra onde minha MÃE sempre acabava fugindo, deixando a mim e meu pai (os anti-sociais da família) mortos de vergonha.

Continuo me lixando pro sentimento cristão da data, já que não tenho religião e nada me convence de que, se o tal Jota Cê nasceu mesmo, tenha sido em 25 de Dezembro. Idem pro consumismo; não comprei presente de Natal pra ninguém e pedi pra não receber - me recuso a ser títere de publicitário, que se foda a mídia. Família reunida também nunca foi o meu forte. Entupir a casa de crianças histéricas, velhas reumáticas, aturar cunhado bêbado no karaokê e a prima de terceiro grau meio vadia dando em cima do namorado da dona da casa não configura meu ideal de espírito natalino. Em resumo, Natal é sinônimo de FAROFA. Só que com passas. ;)

Mesmo assim, o clichê é (muito) mais forte que a minha suposta superioridade.
Assim sendo, Feliz Natal pra todo mundo.
Se o avião não cair e se eu não quebrar o pescoço na neve, volto no boxing day (26/12). Com direito a mudança de URL e de layout por essas bandas. Até lá!

Quarta-feira, Dezembro 14

Preguiça de viver.

Não consigo focar em porra nenhuma.
Começo a fazer 20 mil coisas todos os dias, páro no meio e começo outras 20 mil - que eu obviamente não terei tempo de terminar. Deve ser a velhice chegando. E, com ela, a necessidade de meter essa gosma preta fedorenta conhecida por TINTA no cabelo, antes que os fios brancos se reproduzam em progressão geométrica e me deixem a cara da Jessica Tandy em Driving Miss Daisy.

Descobri que o Ebay UK vende DVDs region 2 usados a cinco libras. Vou começar a vender os eletrodomésticos da casa pra comprar DVD, esperem só e estarei nalguma clínica de reabilitação, amarrada numa cama, babando com as mãos pra frente e balbuciando: "controle... remoto... controle...". Tédio faz isso com a gente. Eu nem tinha paciência pra filmes e sábado passado voltei da Music Exchange com os DVDs de Quero ser John Malkovich e Bridget Jones. Segura o riso, hiena - eu nunca havia visto.

A viagem, pois é, pareço estar ansiosa, mas na verdade... é, estou ansiosa sim, pra que acabe logo. ODEIO planejar coisas com muita antecedência, fico dividindo minha vida em AC/DC (Antes da Coisa/Depois da Coisa), mesmo que a Coisa seja uma visita de caridade ao asilo municipal, por exemplo. Ok, tudo muito lindo, eu vou ver a neve pela primeira vez na vida e tal (suburbano é uma merda), terei um natal branco, comerei e beberei (e engordarei) horrores, tudo na faixa, companhia do Alaric, etc. Mas porra, dá pra chegar logo, acontecer logo e acabar logo porque eu ODEIO esses stands by? Obrigada, eu sei que sou ingrata e não mereço o que tenho. *som de violinos*

Não sei se fiz certo:



Ok, buffet a dez paus, bebida, música... Mas veja bem: fecha à uma da manhã. Pessoas, eu sei que é frio e que vocês são europeus, mas porra, é New Year's Day!! Que tal uma muvuca, um bas-fond, uma bagunça, um pega-pra-capar, um whatever-the-hell? Tipo, UMA DA MANHÃ eu pretendia estar COMEÇANDO a beber. Instead, vou ter que voltar pra casa, no frio, A PÉ (Alaric vai beber, não pode dirigir... Tudo bem que o pub fica a 20 minutos da nossa casa) e... ir dormir?? Eu devia ter comprado ingressos pralguma esbórnia na cidade, em algum night club. Mas então o Alaric não ia poder beber muito (não rola voltar pra St. Martin a pé estando in town), tudo ia ser bem mais caro e talvez o público fosse mais esnobe.

Só espero que o fato de o Royal ser um PUB não signifique que eu tenha que passar a noite dividindo o ar respirável com 8374652 pirralhos histéricos e hiperativos, nem ouvindo Burt Bacharach e admirando 74538403 velhas sacudindo pelancas ao som de Is This the Way to Amarillo.

Good mail day:



Tralhas coloridas make me happy; obrigada, Papai Noel.
Mas daqui a um mês, precisamente, estarei um ano mais velha. Os cabelos brancos dizem olá.
Vou ali servir de babá pra lareira e tentar comer algo que não tenha carboidratos.
E ainda por cima acima do peso. Pfe.
Só Colin Firth, fantasiado de Mark Darcy, salva.

Segunda-feira, Dezembro 12

FALTA DE INSPIRAÇAO

Eu fiquei um bom tempo olhando esse post, achando tudo uma porcaria. Fiz várias fotos esse fim de semana, mas não estou com saco de postá-las. Até porque são vários assuntos diferentes. E os assuntos vão se acumulando, e eu acabo desistindo de escrever.

Minha cabeça está a mil, várias coisas a fazer e providenciar antes da viagem. Ainda tenho que pintar o cabelo (ARGH!!), fazer as unhas (ARGH!!). A casa está no "LIXO MODE ON" depois do fim de semana, as usual... Todas as sacolas de compras espalhadas, pratos e copos sujos debaixo do sofá - nesse nível. Eu não deveria estar aqui, eu sei. Não sou boa com posts "diarinho dona de casa", mas sinto que, ou escrevo alguma coisa agora, ou não escrevo mais. Me desculpem pelos eventuais posts-amélia dessa semana.

Sábado MUITO frio - sete graus é sacanagem. Ok, já enfrentei bem menos que isso em Londres, mas eu não estava esperando sete graus em Jersey, não ainda.

Enfim, finalmente comprei roupas de ski pra Val D'Isère. Quer dizer, a jaqueta ipermeável + luvas + meionas tubo + "termals" (calça e blusa de gola alta justas, de malha, pra usar por baixo da roupa) + um chapéu patético. A CALÇA de ski eu me recusei a adquirir. Porra. Não existe uma mulher no mundo que fique bem vestindo aquele bagulho - a menos que ela pese 35 quilos. Uma calça acolchoada!! Eu parecia um edredon ambulante, uma almofada de matelassê, um balão apagado refletido no espelho do provador. Tirei rápido; não havia a me-nor possibilidade de vestir aquilo em público. Nem fodendo. O preço da jaqueta me deixou sem ar por pelo menos meia hora. Ainda bem que não fui eu que paguei. Me consolei sabendo que pelo menos o passeio vai sair de graça.

Alaric me explicou que no inverno tem que ser assim. As patricinhas esquiando de legging só conseguem fazer isso na primavera. Bom, vou deixar pra comprar lá, provavelmente pagarei o olho da cara, mas espero que eles tenham mais variedade e calças menos constrangedoras. Se não tiverem, também, foda-se. Até parece que eu estou com essa vontade toda de esquiar... Eu tenho um imenso carinho pelo meu pescoço, porque ele é o único de que disponho - se quebrar, é cremação da minha pessoa e babau. Eu quero ir pra comer e beber de graça - e assim, permanecer bem obesa e NUNCA ficar bem em calças de esqui.

Eu ia tirar fotos da jaqueta, mas esse MALDITO inverno somado à essa câmera asquerosa não estão ajudando. O dia amanheceu nesse estado aí embaixo, são onze e meia da manhã mas a luz é de cinco da tarde. Eis o inverno europeu...



Ontem começamos a pintar o banheiro. O MEU, é claro. ;) Eu nunca havia pintado uma parede na vida e no início achei que o meu lado estava ficando uma porcaria comparado ao dele. Fui sincera: "olha, se eu estiver fazendo merda, por favor me avise e eu vou tentar fazer algo em que possa ser realmente útil - trazer cerveja, por exemplo". Ele candidamente me informou que a minha lambança devia ser "uma caracteristica da tinta, de ficar assim, meio desigual...". Quase falei "então vamos TROCAR de tinta, né", mas sabiamente preferi calar. Elogio dado não se olha os dentes. Enfim, eis o banheiro semi-pronto aí - falta pintar as paredes, de um tom de azul mais claro. Achei que ficou meio circense, mas dane-se. A casa é minha, e quem não gostar que não visite ou faça xixi no quintal.



Achei duas lojinhas FABULOSAS aqui em Jersey, no sábado. Uma é a Snow Goose (ai, ai), que nada mais é que uma casa de chá que também vende coisas para decoração. As mesinhas se espalham pela loja, que fica arrumada como se fosse uma casinha mesmo, com os artigos à venda expostos. Obviamente as velhas escrotas tomando chá com chocolate muffins ficam me filmando quando entro. Adoro. Inveja de velha gorda, feia e encalhada deve fazer bem pra pele - a minha anda uma seda, e fica melhor ainda quando eu não invento de passar creme para idosas na cara. Comprei um monte de tralhas meigas pra casa, um tela vintage de automobilismo pro Alaric (não me olhem com essa cara, trata-se de uma reprodução muito bem feita) e claro, enchi o rabo de bolo. A outra lojinha é um sebo de CDs, DVDs e vinis. Com a SUPREMA vantagem de eu não ter que me deparar com CDs da Angélica, Chitãozinho e Xororó ou Timbalada enquanto fuço as prateleiras. Só-coisa-boa. De repente olho pro lado e dou de cara com isso aí embaixo:




Eu nem tenho toca-discos analógico, mas foda-se elevado à quarta potência. Singles dos Smiths originais, anos 80, com algumas das capas mais famosas. A maioria custou 5 libras, mas alguns foram mais caros. Estou quebrada pro resto do mês, mas eu não podia deixar isso lá. Se estava ali, naquele momento, olhando pra minha cara, é porque havia um propósito divino, uma conjunção astral favorável, enfim. Meu, meu, TUDO MEU - possession is LOVE.

Agora minha mãe cismou de pedir neto. Toda vez que me liga é uma chantagenzinha sentimental patética. Fez escândalo quando soube que eu tinha colocado DIU. Caramba, eu acabei de casar, criatura. Pelamordedeus. E eu nem sou apaixonada por criança, meu instinto maternal se manifestou pelos meus gatos e bonecas. Vai demorar MUITO até que minha vida esteja chata o bastante para eu acreditar que uma mini-people cagona, mijona e chorona vá lhe dar sentido. Por enquanto eu quero viajar, voltar a estudar e fazer cursos. Já estou me sentindo Amélia tendo esse museu de 300 anos pra cuidar (estou falando da minha casa, e não do meu marido...). Lamento, mas não rola incluir um bebê nessa fórmula não, dona Maria. Se está tão a fim de um piralho, ADOTE um. Mas me erra, por favor.

Lack of inspiration.

Eu fiquei um bom tempo olhando esse post, achando tudo uma porcaria, tremendamente mal escrito. Fiz várias fotos esse fim de semana, mas não estou com saco de postá-las. Minha cabeça está a mil, várias coisas a fazer e providenciar antes da viagem. A casa estão no "LIXO MODE ON" depois do final de semana. Todas as sacolas de compras espalhadas, pratos e copos sujos debaixo do sofá, nesse nível. Eu não deveria estar aqui, devia estar encarando uma bela pia. Odeio post "diarinho de dona de casa", mas eu sinto que, ou escrevo alguma coisa agora, ou não escrevo mais. Me desculpem pelos eventuais posts-amélia dessa semana. Depois melhora. Ou não.

Sábado passado, MUITO frio - sete graus é sacanagem. Ok, já enfrentei bem menos que isso em Londres, mas eu não estava esperando sete graus em Jersey, não ainda.

Enfim, finalmente comprei roupas de ski pra Val D'Isère. Quer dizer, a jaqueta ipermeável + luvas + meionas tubo + "termals" (calça e blusa de gola alta justas, de malha, pra usar por baixo da roupa) + um chapéu patético. A CALÇA de ski eu me recusei a adquirir. Porra. Não existe uma mulher no mundo que fique bem vestindo aquele bagulho - a menos que ela pese 35 quilos. Uma calça acolchoada!! Eu parecia um edredon ambulante, uma almofada de matelassê, um balão apagado refletido no espelho do provador. Tirei rápido; não havia a me-nor possibilidade de vestir aquilo em público, sorry.

Alaric me explicou que no inverno tem que ser assim. As patricinhas esquiando de legging só conseguem fazer isso na primavera. Bom, vou deixar pra comprar lá, provavelmente pagarei o olho da cara, mas espero que eles tenham mais variedade e calças menos constrangedoras. Se não tiverem, também, foda-se. Até parece que eu estou com essa vontade toda de esquiar... Eu tenho um imenso carinho pelo meu pescoço, porque ele é o único de que disponho - se quebrar, é cremação da minha pessoa e babau. Eu quero ir pra comer e beber de graça - e assim, permanecer bem obesa e NUNCA ficar bem em calças de esqui.

Eu ia tirar fotos da jaqueta, mas esse MALDITO inverno somado à essa câmera asquerosa não estão ajudando. O dia amanheceu nesse estado aí embaixo, são onze e meia da manhã mas a luz é de cinco da tarde. Eis o inverno europeu, para leigos.



Ontem começamos a pintar o banheiro. O MEU, é claro. ;) Eu nunca havia pintado uma parede na vida e no início achei que o meu lado estava ficando uma porcaria comparado ao dele. Fui sincera: "olha, se eu estiver fazendo merda, por favor me avise e eu vou procurar fazer algo em que possa ser realmente útil - trazer cerveja, por exemplo". Ele candidamente me informou que a lambança que eu estava fazendo devia ser "uma caracteristica da tinta, de ficar assim, meio desigual...". Eu quase falei "então vamos TROCAR de tinta, né", mas sabiamente preferi calar. Elogio dado não se olha os dentes. Enfim, eis o banheiro semi-pronto aí - falta pintar as paredes, de um tom de azul mais claro... Achei que ficou meio circense, mas dane-se. A casa é minha, e quem não gostar, que não visite ou então faça xixi no quintal.



Achei duas lojinhas FABULOSAS aqui em Jersey, no sábado. Uma é a Snow Goose, que nada mais é que uma casa de chá que também vende coisas para decoração. As mesinhas se espalham pela loja, que fica arrumada como se fosse uma casinha mesmo, com os artigos à venda expostos. Obviamente as velhas tomando chá com chocolate muffins ficam me filmando quando entro. Adoro. Inveja deve fazer bem pra pele - a minha anda uma seda, e fica melhor ainda quando eu não invento de passar creme de velha na cara. Comprei um monte de tralhas meigas pra casa, uma tela vintage de automobilismo pro Alaric e, claro, me entupi de bolo. A outra lojinha é um sebo de CDs, DVDs e vinis. Com a SUPREMA vantagem de eu não ter que me deparar com CDs da Angélica, Chitãozinho e Xororó ou Timbalada enquanto fuço as prateleiras. Só-coisa-boa. De repente olho pro lado e dou de cara com isso aí embaixo:




Eu nem tenho toca-discos analógico, mas foda-se elevado à quarta potência. Singles dos Smiths originais, anos 80, com algumas das capas mais famosas. A maioria custou baratinho, mas alguns foram mais caros. Estou quebrada pro resto do mês, mas não podia deixar isso lá. Se estava ali, naquele momento, olhando pra minha cara, é porque havia um propósito divino, uma conjunção astral favorável, enfim. Meu, meu, TUDO MEU - possession is LOVE.

Agora minha mãe cismou de pedir neto. Toda vez que me liga é uma chantagenzinha sentimental patética. Fez escândalo quando soube que eu tinha colocado DIU. Caramba, eu acabei de casar, criatura. Pelamordedeus. E eu nem gosto de criança, meu instinto maternal se manifestou pelos meus gatos e bonecas. Vai demorar MUITO até que minha vida esteja chata o bastante para eu acreditar que uma mini-people cagona, mijona e chorona vá lhe dar sentido. Por enquanto eu quero viajar, voltar a estudar e fazer cursos. Já estou me sentindo Amélia tendo esse museu de 300 anos pra cuidar (estou falando da minha casa, e não do meu marido...). Lamento, mas não rola incluir um bebê nessa fórmula não, dona Maria. Se está tão a fim de um piralho, ADOTE um. Mas me erra, por favor.

Sexta-feira, Dezembro 9

Porque tudo tem um lado bom - menos a Cherrie Blair...

O Holiday Inn pode ser uma chatura, como mencionado no post anterior - mas não se pode acusá-los de não terem pelo menos tentado me cativar...



O branquinho estava uma delícia, by the way. ;)

E lendo alguns comments em blogs por aí hoje, onde levantaram meio excessivamente a bola das prostitutas... A história da Daspu, trocadilho bem sacadíssimo com a Daslu. Será que nós não estamos sendo um bocadinho politicamente corretos nisso?

Certos representantes da classe média são uns amores. Em condições normais, mudariam de calçada fácil se avistassem uma puta típica da Vila Mimosa, baixo nível, perebas e linguajar escroto, dando uma passeadinha pelo calçadão de Ipanema. Era capaz até de chamarem a polícia. Não estou estereotipando, não. Tenho moças "da vida" na minha família. Cansei de ir tomar cerveja com elas na Vila Mimosa. Confesso meu crime: gostava de observar a fauna local (eu tenho essa atraçãozinha nada oculta pelo submundo). Mas devo informar que a vida dessas meninas está longe de ser "fácil" como supõe o eufemismo pelo qual são conhecidas. A maioria sonha em poder sair, se droga pra suportar a barra, gasta boa parte dos rendimentos com pó e bebida e dá de graça para os clientes com os quais "simpatizam" - e que mais tarde acabam sustentando. Not cool, I'm afraid.

Então, esse discurso de "you go, piranha", "puta é cool" me preocupa. Até porque ele já andou na minha boca - mas eu me questionei. Duas medidas: uma menina universitária, classe média, loira e bonita, que faz eventuais programas pra pagar as roupas de griffe que gosta de usar, ainda será mais bem vista do que a Gercinéia (vulgo Jéssica), mãe solteira de três, cinco abortos no currículo, moradora de São João do Meriti, que presta serviços madrugada afora no Bar (e Puteiro) Alegria. Embora alguns afirmem o contrário. Não sei se posso culpá-los, no entanto. Não posso dizer se EU não mudaria de calçada, também.



Eu vejo as putas necessitadas como o retrato de um país sem oportunidades e, por isso mesmo, como algo muito TRISTE. Já as patricinhas atendendo clientes escolhidos em troca de alguns pares de jeans da Forum estão apenas explorando a famosa e secular lei da oferta e da procura. As primeiras, em particular, merecem todo o apoio possível. Há uma demanda eterna para o que elas fazem, portanto reprimir ou censurar é tolice. Mas querer elevar a auto-estima delas na marra tentando glamourizar o "inglamourizável" não fica muito atrás no ranking de bobagens.

Quinta-feira, Dezembro 8

cemetery gates

A dreaded sunny day
So I meet you at the cemetry gates
Keats and Yeats are on your side
While Wilde is on mine
So we go inside and we gravely read the stones
All those people, all those lives - where are they now?
With loves, and hates, and passions just like mine
They were born ad then they lived and then they died


Brompton Cemetery, London.



Ficamos hospedados no famigerado Holiday Inn de Kensington, e o cemitério fica entre esse bairro e Chelsea. Eu digo "famigerado" porque detesto o Holiday Inn. Hotelzinho escroto. Caro demais pro que oferece. Eu não gosto de hotéis formatadinhos. Tudo ali é asséptico, tedioso, sem sal. Cama, janela, uma mesa, um armário com uma tábua de passar roupa dentro, mesinha de cabeceira com a fatídica dupla Bíblia + catálogo telefônico, uma kettle pra ferver água pro chá e míseros quatro saquinhos ridículos de açúcar do lado. Não dá sequer pra roubar sabonete, porque o deles é um pote tosco de sabonete líquido Dove grudado na parede do banheiro. E pra sair alguma coisa dali você tem que apertar o pote até as suas entranhas saírem pela boca.

O frigobar é eletrônico, ou seja, se você tirar uma latinha de coca pra VER e botar no lugar, eles te cobram do mesmo jeito. Não oferecem café da manhã incluído na diária, e se você tiver problemas mentais e quiser comer lá assim mesmo, vai pagar QUINZE libras por um english breakfast de merda. Se foder.

Odeio. Prefiro pensões vagabundas, caindo aos pedaços, mas autênticas, com ALMA. Até porque não existem baratas na Inglaterra (pelo menos não as grandonas). Logo, o único inconveniente de se hospedar em hotel pé sujo está descartado. Uêba.

Então. Tenho umas milhares de fotos de Londres pra postar aqui, mas eu não sei se vale a pena perder meu tempo. A maioria das fotos saiu superexposta. Eu não tenho mais tesão de fotografar. Não sei o que acontece comigo. Essa câmera, que era tão boa, não está ajudando. Penso em comprar outra, mas torrar 400 libras numa câmera pra continuar nesse marasmo fotográfico... Não dá.

Sobre o cemitério... É lindo. Mais bonito que o Highgate, que apesar de enorme, é meio mal cuidado. E sem razão, já que o Highgate COBRA entrada, portanto deveria usar o dinheiro para manter o lugar decente. Se você levar câmera, eles cobram EXTRA pela câmera. E se a câmera for "profissional" ou você quiser usar tripé, eles encrencam. Cha-ti-ce. O Brompton é gratuito, imenso, tem tumbas divinas, anjos fantásticos, mausoléus deslumbrantes (com vitrais franceses e tudo), uma capela imensa no meio (cuja arquitetura foi inspirada na Basílica de São Pedro em Roma, de cair o queixo) e 26363849405 esquilos pulando pelo chão. Gordíssimos, claro, porque geral traz amendoin pra alimentar os comilões, que por isso são tão domesticados que só faltam se atirar no seu colo. Vale muito a pena, eu recomendo. :)

Domingo, Dezembro 4

TIRED IN SO MANY WAYS

Cheguei. Cansada demais, fiz mil coisas, depois conto com calma.
Resuminho: ski no gelo (caí de bunda no chão, é óbvio), jantar com os clientes do Alaric (23 pessoas na mesma mesa), briga no sábado de manhã, feijão superfaturado (e mal servido) no sábado à noite, um pub fabuloso cheio de gente estilosa, bebida fantástica (e caríssima) pra fechar o sabadão, domingo de manhã no Brompton cemetery de Londres (a coisa mais fabulosa que já vi), comprinhas à tarde e volta pra casa meio preocupada. Pareço estar meio dodói e isso não me agrada.

Mas hoje tem só uma reclamação contra a arrogância irritante de certas peças.

Queria entender de onde vem esse preconceito idiota contra mulher que não trabalha. Saco cheio de ouvir indireta de amiguinhos e até de estranhos a esse respeito. A opção foi minha. Comecei três faculdades, detestei todas - não necessariamente o curso, mas o sistema universitário brasileiro me desapontou profundamente. Não tenho profissão. Não sinto a me-nor vontade de ter uma. Mesmo. Não vou mentir pra bancar a liberada frustrada. Não sou e nem acho que esteja "desperdiçando" a minha vida. Não acho que as mulheres que trabalhem fora estejam "usando mais o seu intelecto". Conheço pessoas que trabalham feito mulas e têm o cérebro de uma. Conheço mulheres que não trabalham e ficam em casa lendo, aprendendo, absorvendo cultura, até porque têm mais tempo para isso do que se tivessem que cumprir 40 horas semanais encarando um computador fazendo tarefinha semi-mecânica.

No entanto, eu não chamo de estúpidas as mulheres que trabalham fora. Nem quando são elas que precisam do trabalho e muito menos quando o trabalho é que precisa delas. Acho que o mundo necessita dos homens e mulheres que se sacrificam por uma carreira. Sem eles, prédios não seriam erguidos, hospitais não funcionariam, e sem fazendeiros e criadores, o meu prato estaria vazio no fim do dia. Eu só quero ter o direito de NÃO ter a me-nor vontade de fazer o mesmo e não ser sistematicamente ofendida por causa disso. Eu lamento MUITO se a minha sinceridade lhe choca, mas EU NÃO GOSTO de trabalhar. Nunca gostei. Detesto ser obrigada a acordar cedo quando gostaria de permanecer dormindo. Detesto ter que deixar de ver aquele programa legal na TV ou ir àquele show fantástico no meio da semana porque "tenho que acordar cedo amanhã". Detesto ter que fazer basicamente a mesma coisa todos os dias, ter que conviver com gente desagradável por não poder evitá-las. Detesto receber salário sabendo que o meu trabalho rendeu MUITO mais do que aquilo para uma outra pessoa. Detesto ter que deixar de fazer o que quero para ter que fazer o que outra pessoa manda.

Se eu precisasse fazer isso, encararia. Como encarei duas vezes, não 100% feliz, mas de cabeça erguida, valorizando o que eu tinha e tentando fazer o meu melhor. Mas enquanto eu não precisar, não vai rolar não. Meu marido adora o que faz, apesar do stress constante, e eu me sinto privilegiada por ele poder prover para nós dois. Temos sorte, mas eu não invejo a carreira dele. Não é pra MIM. Se é para o Joãozinho, ótimo. Se ele curte um engarrafamento na volta do trabalho enquanto eu tô descansadinha, de banho tomado, ouvindo um CD e lendo o Daily Mail deitada no sofá enquanto meu pãozinho low-carb de todo o dia assa cheirosamente no forno, fico feliz por ele. Mas ME ERRA, ok? Fica parecendo que o Joãozinho está com inveja da vida feliz que as pessoas livres têm e fica procurando razão pra se sentir superior. Lamento, mas nesse caso a "razão" é que nem cabelo em ovo. Inexistente, já que o segredo da felicidade é customizável.

Tem lugar pra todo mundo e pra todas as ambições. A minha, por ora, é me divertir em tempo integral. Eu posso fazer isso no momento e só vivo o momento presente - a única coisa que eu realmente tenho. No entanto não me sinto melhor do que ninguém por conta disso - espero que ninguém seja estúpido a ponto de se achar melhor do que eu por fazer o contrário.

Quinta-feira, Dezembro 1

E O QUE ME IMPORTA É NÃO ESTAR VENCIDO

Jurei mentiras e sigo sozinho
Assumo os pecados
Os ventos do norte não movem moinhos
E o que me resta é só um gemido
Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos
Meu sangue latino
Minh'alma cativa
Rompi tratados, traí os ritos
Quebrei a lança, lancei no espaço
Um grito, um desabafo
E o que me importa é não estar vencido
Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos
Meu sangue latino
Minh'alma cativa

Mãe cantava isso na cozinha. Desde sempre.
Curioso ter percebido justo agora que minha mãe cafona, fã de Roberto Carlos e Agnaldo Timóteo, gostava de Secos & Molhados.

O disco sinistro (que repousava escondido em meio aos elepês da Waleska, do Balão Mágico, da trilha sonora nacional da novela O Outro e dos sambas do desfile de 1974) a princípio me assustava. Trazia as quatro maquiadíssimas cabeças dos integrantes da banda em pratos de papelão prateado em cima de uma mesa cheia de grãos. Eu estremecia ante a possibilidade de pôr o dito cujo na vitrola, mas certo dia a curiosidade foi maior do que o medo. Baixei a agulha sobre o vinil e em poucos minutos já estava dançando ao som de O Vira, boquiaberta com a poesia explícita de Rosa de Hiroshima (by Vinicius de Moraes, aliás) e rindo de versos como "porque ele quer um velho assado". Impressionante ver o quanto de coisa boa o Brasil já produziu, em termos musicais. Desculpaê, gringada, mas escrever letras como essas... you can only WISH.

Hoje estava surfando no Radio Blog Club e me apareceu uma rádio cheia de músicas da banda. Aloprei. Que pena que achar os CDs por aqui vai ser tarefa complicada. Com ou sem eles, entretanto, eu sempre terei aqui na cabeça a poesia de letras como a de Primavera entre os dentes:

Quem tem consciência para ter coragem
Quem ter a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra-mola que resiste

Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a primavera




Amanhã off to Londres.
O mesmo de sempre, "se o avião não cair, bla bla bla" eu volto na segunda.