Terça-feira, Novembro 29

Valeu, Santa Claus!

Pode esquecer árvore de natal, peru com brussel sprouts que me fazem emitir gases mal cheirosos a noite inteira, programinhas natalinos na tevê, até mesmo o pudim de leite.

Eu vou passar o Natal na estação de esqui Val d'Isère!!!

Ca-ra-le-o. Nem sei como isso foi cair de pára-quedas aqui. Aliás, até sei - foi mais ou menos assim: o Richard, sócio do Alaric, estava com o chalé reservado do dia 20 até o dia 27 de Dezembro. Iria pra lá com a mulher, as duas pirralhinhas mais velhas + um outro amigo com o filho. Ocorre que o pai da mulher dele está moribundo (coitado do pobre), e ela obviamente não quis ir e prefere ficar com o pai. O Richard então vai levar as meninas e o tal amigo pra lá até o dia 23, e depois volta pra casa pra passar o natal com a esposa e o pai. E, como o bagulho ia ficar pago e às moscas até o dia 27... Richard maravilha papai noel do ano sugeriu que Alaric fosse pra lá, tipo, TUDO PAGO (menos a passagem de avião, Creusa).

Ou seja, vou passar sete dias (chegamos no dia 20) enchendo a derrière de comida, esquiando e tirando 1736484939304 fotos na neve NA FAIXA. Tudo bem que o Alaric estava planejando ir esquiar no Ano Novo anyway, PORÉM, ganhar boquinha livre foi a farra do boi.

Fala se a porra do Papai Noel, depois de mais de 20 anos de pobreza, não resolveu me amar?
Já tava na hora né, ô ancião... :)

P.S.2.: Em três dias a pedreirada RALA PEITO do meu domicílio.
Eu devia começar a celebrar ONTEM.

Sexta-feira, Novembro 18

Medo de dirigir

Eu avisei que o problema dela era sério.





Ninguém merece. :)

Eu devia tomar vergonha na cara e aprender a dirigir.
Devia, mas não vou, porque não quero e tenho medo.
Quando eu era menor nós tínhamos uma vizinha que não conseguia tirar carteira por puro pânico. Ríamos todos dela, mas no fundo eu sentia uma pontinha de angústia ao saber que um dia eu teria que ingressar no mundo adulto das pessoas que pagam IPVA.

Nunca ingressei. Nem no mundo adulto, nem no dos portadores de carteira de habilitação.
Curioso, isso. Meu pai é motorista profissional, sempre trabalhou com assuntos ligados a veículos, apaixonado por carros. Minha mãe também tem habilitação profissional e foi uma das primeiras instrutoras de direção mulheres do estado da Gunabara (e, segundo ela, alguns homens se recusavam a tomar lições com uma garota). Meu marido é um perfeito car whore, participa de corridas de vintage cars e ama tudo o que tenha a ver com uma engrenagem sobre quatro rodas.

E eu tenho medo de dirigir. Tenho medo de carros. Não gosto nem mesmo de andar em calçada estreita com o tráfego vindo pelas minhas costas. Me dá pânico. De que um deles suba na calçada e me atropele. De não ver a tempo e não poder fugir.

Fora que acho dirigir perigosíssimo, quase anti natural. Temos duas pernas e inventamos de andar sobre quatro rodas motorizadas, em velocidade vertiginosa, cortando estradas que dividimos com centenas, milhares de outros veículos. Era mesmo pedir demais que não houvesse acidentes... Fora que eu travo completamente em situações de perigo. Pensar rápido, com um volante nas mãos, vários carros atrás e vários na frente, onde o me-nor deslize pode causar um acidente monstro podendo ferir a mim e/ou inocentes?? Nah. Passo.

Tenho pavor de imaginar que pessoas sem talento pra direção como eu hoje em dia estejam de carrinho na mão, felizes da vida, só porque "todo mundo dirige". EU acho importante saber seus limites. Eu sei os meus e, enquanto puder evitar, volante nem fodendo.

Nem de bike eu gosto de andar por aqui. Rua de subida e descida, íngreme, pouquíssima visibilidade, no meio do trânsito... Se eu perder o controle da bike a cair, o carro de trás passa por cima. E eu, sem proteção alguma em cima daquele esqueletinho de metal, embarco pro cemitério na hora. Outro dia saí com o Alaric pra pedalar e, no meio de um retão, havia um pequeno declive. A bicicleta literalmente desembestou, eu entrei em pânico, tentei freiar - o que só piorou a situação e perdi o controle. Por muito pouco não caí. E, se caísse, o carrinho que vinha atrás teria me lambido. NUNCA MAIS. Assim que a velocidade da bike estabilizou, parei e sentei no meio-fio, em estado de semi-choque, exigindo que ele voltasse em casa e buscasse o carro pra me levar dali.

Quinta-feira, Novembro 10

Ilha maldita

Me sinto literalmente ilhada nesse lugar. Pra onde eu queira ir, tem sempre um avião no meio. Saco.

Cerveja 2p mais cara pra pagar "TV license" pra velho pobre? Se fode.
Em primeiro lugar there's no such a thing as velho pobre nesse lugar. E se tivesse, o governo que se virasse pra dar acesso a TV de graça pra eles (os políticos podiam começar a ajudar pagando pelo estacionamento, como todo mundo). E depois, sempre achei meio bizarro esse lance de ter que pagar anuidade pra poder assistir TV. Sustentar a BBC pra produzir bobagens feito sitcoms, séries idiotas...

E, last but not least, dar TV de graça pra esse bando de velho mal educado, que pensam que o fato de serem velhos lhes dá o direito de não pedir desculpas quando esbarram nos outros e de não agradecer quando alguém lhe cede um lugar ou a vez na fila. Quero mais é que se danem. E se danaram mesmo - a proposta tem mil por cento de chances de ser rejeitada. Pau no cu dos enrugados.

Nerina Pallot in concert aqui no Opera Hall.
Quem é Nerina Pallot eu gostaria de saber.
Show de abertura da banda local "Killian".
Cristo. O pessoal no Brasil (Stones, U2, Pearl Jam)tá melhor de show do que eu.

Extra, extra: roubaram uma caixa com contribuições para aquela tal semana da "poppy" (acho que é um fundo para ex-combatentes ou coisa que o valha). Levaram a caixinha que estava em cima do balcão de uma loja. A polícia está procurando os meliantes, em TESE dois adolescentes que foram vistos perambulando pela área. Eis a "criminalidade" nesse lugar emocionante: roubo de caixinha de donativos. Puta merda. Eu quero uma guerra civil pra viagem, com batata frita e coca média, por favor.

Por falar em comida, comi TANTO produto low carb ontem que passei o dia com gases terríveis. Culpa dos tais polióis. Maaas, como é melhor polióis do que celulite, seguirei emitindo meus delicados e malcheirosos puns. O chato é que eu também não estou emagrecendo.

Arranquei o layout fora. Aquele monte de coisinha colorida estava me dando nos nervos. Agora sim parece um personal site. Essa versão era a primeira que fiz, antes de tentar reunir tudo numa coisa só. Não funciona. Agora teremos site pra mim, site para cada tipo de doll (não rola misturar Pullip com Blythe também, já que Blythe lovers are Pullip haters e vice-versa), e é isso. Aliás, o site das Blythes está quase pronto.

Chegou mais uma petite Blythe hoje. Preciso parar de comprar boneca.
Aliás, preciso o caralho. Dane-se. Os pedreiros devem achar que eu sou uma debilóide, já que quase todo dia eles colocam uma caixa com brinquedos na escada, para eu pegar. Devem pensar que OU eu costumo fazer doações para alguma creche, OU tenho um filho no Brasil que virá morar comigo em breve OU que sou uma puta freak do terceiro mundo torrando o credit card do marido com bobagens.

Vocês estão se importando com isso?
Pois é.

Segunda-feira, Novembro 7

full stop

Update longo porém rápido e sem fotos, já que vocês teriam uma crise de riso histérica se soubessem tudo o que eu tenho por fazer.

Bonfire night foi cool. Literalmente - frio do caralho. Eu não esperava uma queima de fogos daquela magnitude numa ilhota de 80 mil habitantes. Grosso modo, botou Copacabana no chinelo (respeitadas as devidas proporções). E a comemoração daqui de St. Martin foi apenas uma das quatro promovidas em Jersey (sendo St. Martin countryside, a festa de St. Helier, centro comercial da ilha, deve ter sido muito maior).

Festa entre aspas. Nada de mais: uma fogueira imensa, música de FM, um monte de famílias no melhor esquema nojentinho "papai-mamãe-vovó-e-dois-filhinhos", poucos adolescentes (deve ser programa de índio na concepção deles, e talvez estejam certos), muitos carros no estacionamento e várias ruas fechadas a troco de nada. Não consegui comer o maldito bean crock (prato típico, basicamente uma feijoada de feijões brancos) porque acabou assim que entramos na tenda. Tive que me contentar com um hambúrguer que me deixou o estômago pesado e acabou com minhas pretensões de encher o rabo de batata frita no pub. Ao contrário do que eu esperava, não havia muita variedade em termos de comida. Três tendas apenas: uma vendia bebida, a outra comida (hot dog, burgers e o tal crock) e uma última vendia uns bastões com líquido colorido dentro que brilhava no escuro. TODAS as 162839473839 crianças presentes traziam uma bosta daquelas penduradas no pescoço, e ficavam girando, girando... Muito bonito, exceto pelo meu medo de um deles se soltar e ir parar na cabeça de alguém. Como eu esperava, o lugar parecia uma nursery. CHEIO de pirralhos (até bebezinhos de colo, um absurdo). Esse pessoal não deve saber o que é contracepção, não é possível.

Fora isso, a única luz vinha das tais três tendinhas e da fogueira. Acho essa escuridão um pé no saco - tudo bem que aqui um céu estrelado é um espetáculo digno de ser assistido com roupa de gala e comendo pipoca, e que uma noite de lua cheia é clara feito um entardecer. Mas o fato de a ilha virar um cemitério depois do horário comercial me entedia de morte. Sábado à noite e as ruas estão escuras e mortas, o único sinal de vida são as luzes das residências esparsas. Pleno centro da cidade: nada. O povo ou está enfiado num pub bebendo ou assistindo soaps pastelão em casa. B-o-r-e-d-o-m.

Assim que os fogos acabaram, TODO MUNDO foi embora. E eram oito e vinte da noite. Alaric (quando reclamei): "It's November, and it's windy!". Ok, se o clima is that much of a problem, que fiquem em casa vendo Emmerdale. Aliás, Emmerdale não, que era sábado. Enfim, não sei se passa Emmerdale no sábado ou não, porque eu nunca assisti Emmerdale.

Saímos de lá e fomos pro Rozel Inn. Pra beber, é claro, porque a comida de lá não rola. Não consegui esvaziar meu copo por dois motivos: 1) já tinha bebido uma lata de John Smith na bonfire e 2) estava com raiva. Pela enésima vez que eu mencionava o assunto MINHA GATA com o Alaric, ele fazia ouvidos moucos. Sentada na mesa encarando uma pint de bitter que não acabava nunca, soltei a bomba: "você ou não QUER ou não PODE trazer a gata, não é?". E fui brindada com a envergonhada resposta que ele vinha se esquivando de dar há milênios, talvez pra não me aborrecer, talvez pra evitar que eu fosse embora ou talvez pra aliviar a culpa.

Estou com muita, muita raiva. Minha maior vontade, nesse preciso instante, é de pôr minhas bonecas e meia dúzia de trapos numa mala e embarcar para longas férias no inferno, digo, Brasil. Eu sei que devia estar sendo compreensiva, que essa maldita obra que se arrasta há quase um ano sugou as reservas financeiras dele, que depois da saída de uma das sócias, da perda de um cliente grande e da iminente falência do segundo maior, a empresa não está rendendo tanto quanto no ano retrasado, e vai levar pelo menos mais um ano para que a situação se estabilize e que os clientes novos passem a render dividendos que compensem as perdas - isso é, hopefully. Eu sei que isso tudo veio ao mesmo tempo, mais os gastos com a mudança, os móveis, etc. Mas porra. A Chantilly era a ÚNICA condição que eu impus para vir para cá, assim que fui informada sobre a lei estúpida desse país pseudo comunista imbecil (que morram todos de bird flu). Eu aceitei várias coisas que jamais aceitaria em estado normal, (até a presença da mãe dele aqui - sorrio e espero pelos acontecimentos, mas no fundo estou ODIANDO LOUCAMENTE essa idéia). Estou me sentindo enganada, porque o assunto vem sendo delicadamente evitado há MUITO tempo, e ainda assim promessas e planos foram feitos, anúncios de imóveis na França recortados do jornal (mas ele nunca ligou para checar ou marcar visita... não posso fazer isso porque não falo francês), dinheiro enviado para os meus pais pagarem as despesas dos exames, minha mãe se deslocou a vários lugares para fazer tudo o que era necessário... E agora essa pseudo-negativa, que para mim nada tem de pseudo - o discurso macio é apenas MAIS UMA tentativa de ganhar tempo e me enganar.

Só que EU não vou me enganar. Minha gata vai ficar para trás.
Entretanto nessa casa outras coisas também ficarão para trás.
Que a lei "não se pode ter tudo na vida" se aplique de forma igualitária.

Haha, on a lighter note, acabo de ler no jornal que cerca de 30% das crianças questionadas aqui não sabiam que batatas fritas são feitas de... batata. Gênios, esses inglesinhos. Também, em se levando em conta a qualidade das escolas do Reino Unido, isso nem me surpreende. O ensino de História é "editado" porque os professores comunistas têm vergonha do Imperialismo, sem se dar conta que o que eles pensam ou deixam de pensar é irrelevante: a História é MUITO maior que os pruridos socialistas dessa gentinha e as crianças têm o DIREITO de conhecer o passado da nação onde nasceram. Por causa disso criança nenhuma sabe que diabos está sendo celebrado na Bonfire Night de 5 de Novembro - pra eles é só uma espécie de festa junina britânica. Não se ensina a soletrar porque isso "limita" a criatividade dos alunos (e a falta de pulso se reflete em redações risíveis, num país onde a população não sabe mais a diferença entre it's e its - sério, isso - e comete mais erros de grafia do que eu). Eu VI minha cunhada ajudando o filho mais velho a fazer o dever de casa, e pelo que entendi, o moleque tem SETE anos e AINDA NÃO SABE LER.

Eu estava escrevendo pequenos contos e letras de música com essa idade.
God Save minha professora primária.

Terça-feira, Novembro 1

GIVING A BREAK

Halloween o cacete.
Moro no meio do mato e não tem criancinha batendo na minha porta pedindo doce. Ainda bem, porque se eu comprasse doces, seria pra eu comer, e não pra sustentar filhote de anglo-saxão. Passei a noite sozinha em casa, Alaric ficou preso em Londres e eu comi farofa vendo O Bebê de Rosemary na TV.

Minha mãe operou, passa muito bem, mas vai demorar um pouquinho mais a voltar pra casa. Tive que ligar pra vizinha da casa onde passei a infância (único telefone que eu ainda sabia de cor) e saber notícias, porque meu pai não ligava nem fodendo. Então a vizinha ligou pra ele, e ele me telefonou essa manhã - pra pedir que EU ligasse pra ele... But of course. *sigh* Fofocas e mais fofocas sobre vizinhos que nunca me interessaram e cujo nome eu nem lembro. Não tenho mais a menor vontade de ligar pra casa.

Top 10 Sessão da Tarde
- curtindo a vida adoidado
- a garota rosa shocking
- os aventureiros do bairro proibido
- conta comigo
- karate kid
- meu primeiro amor
- as 7 faces do dr. lao
- ruas de fogo
- o feitiço de áquila
- um homem chamado cavalo

Top 10 Coisas cafonas
- forró universitário
- jeans com sapato de salto
- tirar foto em "ponto turístico"
- colocar roupa em cachorro
- comprar revista pra ler resumo de capítulo de novela
- "amigo-secreto"
- festinha americana
- cartão de natal
- pochete
- halloween

Top 10 coisas que eu adoraria fazer mas não posso
- voar
- dirigir
- comer carboidratos e não engordar
- voltar no tempo e ver um show dos smiths
- falar com animais
- ter a cara da (insira o nome de uma mulher lindíssima)
- ter a inteligência do meu marido
- trazer minha gata pra inglaterra
- ficar invisível
- apagar erros passados

Top 10 piores bandas ever
- qualquer "banda" que toque r'n'b
- linkin park
- charlie brown jr.
- los hermanos
- wet wet wet
- gentle giant
- white stripes
- AC/DC
- blink 182
- creed

Minha máquina de costura chegou hoje, e subitamente me lembrei por que me dei ao trabalho de trazer a minha do Brasil. Ô porra de troço complicado! É impressionante a obsessão dos ingleses por complicar o que é simples. Sete meses nesse país e ainda não consegui fazer as pazes com o abridor de latas local (uso o meu brasileiro). E não, eu não sou loira.

Estou dando um tempo porque preciso de um. Refazendo e finalmente terminando o layout do meu site, também. Cuidando de alguns setores abandonados da minha vida. E, por favor, não divulguem o endereço desse journal.

Volto já.