Sexta-feira, Julho 29

Baby blues

Feira dos Paraíbas (sorry, mas esse é o nome da feira), São Cristóvão, RJ:





Hahah, a_melhor_coisa nessa feira do demônio era dar de cara com essas figuras. Pena que eu não tinha digital na época em que costumava ir, pra comer baião-de-dois e ouvir forró de raiz. Hahaha.

Resolvi voltar a fazer scrapbook. É impressionante a quantidade de lixo que eu invento a fim de ter um pretexto pra não pôr os pés pra fora de casa. Estou aqui cortando letrinhas, agrupando papéis e cartolinas coloridas, carimbos, tintas, cortadores de papel. A vida é bela.

Eu devia era estar lá fazendo xixi na fitinha branca do Clearblue, o teste de gravidez que o Alaric trouxe pra casa, ontem. Minha mãe já está animada, querendo costurar roupinhas. E toda vez que eu me levanto do sofá pra ir ao banheiro o respectivo pergunta, "E aí, vai fazer o teste??". Socorro.

Mas, surpreendentemente, não tô nem aí. Se bobear só vou ter certeza que estou grávida quando e se a barriga crescer. A menstruação está atrasada em duas semanas. Meus peitos estão estranhos. Estou enjoada e sem fome. Tipo, EU SEM FOME. Concebe? Preciso de teste? Acho que não, né? Se não estou grávida, então estou com câncer e, nesse caso, acho que prefiro o bebê. É só comprar ou mandar fazer um cercado bem alto com rodinhas para arrastar onde eu for, dentro de casa. Quando fizer cinco meses, creche. Quando fizer 12, colégio interno. Aos 18 eles já saíram de casa mesmo (só brasileiro mesmo fica pentelhando pai e mãe até os 30). Pronto, problema resolvido.

Vou ali me candidatar ao Mãe do Ano 2005 e já volto.

Quinta-feira, Julho 28

panic in the streets of london, panic in the streets of birmingham

Então, pra encerrar sobre o brasileiro que "foi falecido" em London (já que tava todo mundo comentando o fato e eu fui lá no blog do gringo estressado com uma corja de asseclas mais estressados ainda fazer o que nunca faço: "debater" em comments alheios) é aquele negócio: não dá pra exigir de inglês a mesma paixão pelas coisas que os latinos têm. Eles são frios e práticos. Brazuquinha: hora errada, lugar errado, atitude errada, morreu, acabou. Polícia: fez merda por estar em pânico e "querer o melhor para a coletividade", deve ser perdoada. E assim a vida segue. Latino é mais sentimentalóide e chorão, e EU acho que isso deveria ser respeitado, da mesma forma que respeitamos a frieza e falta de paixão pela vida dos britânicos. Deixa a brazucada contrita protestar, ué... Da mesma forma que deixamos os londrinos levarem flores para a estação e fazer "minuto de silêncio".

Se o brazuquinha fosse inglês, e não brazuquinha, a família ia chorar mas acredito que seriam capazes de dar razão à polícia e pôr a culpa do assassinato nos terroristas (afinal, "tudo começou por causa deles"). Conforme eu li por aí e assino embaixo, os ingleses têm uma submissão canina às autoridades, tanto é que a Inglaterra é o único país europeu onde não rolou revolução nos últimos trezentos anos. Se isso não quer dizer alguma coisa eu calço as botas e me retiro.

A amiga pede conselho porque o namorado quer que ela depile todo o púbis, porque acha "mais sensual". Ela tem medo da dor (e dói sim filha, tipo, pra CARALHO) e nem sabe se gostaria de ver sua perseguida sem UM fiozinho que seja. Meu conselho idiota (idiota porque não era pra ter dado conselho algum em quiproquó de casal, mas eu não aprendo): não depile porra nenhuma. Os homens andam muito mal acostumados. Mulher que faz foto pra Playboy em troca de 500 mil reais é uma coisa. Mulher de verdade é outra, e só pra informação dos rapazes: REAL PEOPLE TÊM PELOS. Nascemos com eles por alguma sábia razão elaborada pela mommys nature, então deixemo-los onde estão. No máximo aparar com a tesoura no caso das meninas que têm uma floresta tropical no meio das pernas, por questões higiênicas (desde que isso incomode a elas). De resto, aprendam a curtir.

EU sou obrigada a me depilar (e em CASA, já que depilação "profissional" aqui é mal feita e cara, e se for pra ficar uma merda eu prefiro fazer sozinha e embolsar o dinheiro, obrigada), porque na adolescência entrei numas de ser idiota e raspar, os pêlos ficaram grossos e me dá nervosismo. Devia ter deixado como estava. Enfim, erros passados que não quero ver minhas amiguinhas cometendo. Depilar é caro e dói. Os caras hoje em dia racham conta de motel, imagina se vão querer arcar com os custos da sua tortura, ops, depilação? Estão querendo demais. Se querem mulher lisinha, comprem uma Real Doll. Afinal, menino de porn movie também depila o bilau, mas não é por isso que os rapazes comuns decidem se entregar às delícias da cêra quente... Acho que no fundo o problema é feminino. Estamos em minoria, a luta é feroz, e a mulher infelizmente se colocou na situação de ter que agradar sempre. Coisa triste. E depois a "não-liberada" sou eu, porque sou sustentada pelo marido. E olha que ele apesar de pagar minhas contas, nem me pede pra depilar lá.

Aliás, perguntinha. Por que somos obrigadas a depilar as axilas enquanto os homens andam com as deles florescendo? Se tem a ver com mau cheiro, então quer dizer que os homens podem feder e nós não? Os homens fedem? O meu não fede. Acho que vou deixar os pêlos do suvaco crescerem e fazer umas trancinhas afro, o que vocês acham?

É, eu surtei. Estou comendo o pão de queijo queimado que fiz hoje de manhã com o pó que o Alaric trouxe de Londres (comprado aqui). Também trouxe farinha pra farofa, feijão e latinhas de guaraná. Celulite made in Brasil, woohooo. Ontem vi "Romeu e Julieta" do Zefirelli na BBC2 (lindo, e eu pegava o Romeu fácil... Pra ser sincera, a Julieta também) e "O Iluminado" do Kubrick, VHS comprado a uma libra numa charity shop daqui de Jersey.

Terça-feira, Julho 26

acredite, eu não bebi nem fumei nada... ainda

Ontem comi feijoada portuguesa (os feijões são diferentes) em lata e fui a pessoa mais feliz do mundo. Feijão me realiza. Tem um monte de tipos de feijoada em lata no armário, eu sei que não devia estar comendo carboidratos, BUT.

Fui ao médico porque não estava conseguindo fazer o número 2. Duas semanas sem levar a tartaruga pra nadar. Me deram um barril de lactose líquida pra beber, a fim de amaciar os brutos, e um laxante pra tomar em seguida. Como eu já estava tomando lactose mesmo, resolvi tirar férias da dieta. Pediram também exame de sangue, e o enfermeiro tirou CINCO tubos de sangue do meu braço ontem de manhã. Eu em jejum, tenho pressão baixa, claro, quase desfaleci. Terminei de ser sugada por aquele vampiro indiano vestido de branco deitada na maca. Nunca tive que tirar tanto sangue assim na vida. Ainda mais com a barriga vazia. Lovely.

Peguei o ônibus pra casa sozinha pela primeira vez. Dessa vez as pessoas não me encaravam. Eis a prova que confirma na prática o que eu já sabia em teoria: EU sozinha não sou o problema. O problema sou EU, cara de imigrante de país do quinto mundo + um loiro de terno Armani dentro de um Mercedes. FAZ TODA A DIFERENÇA. Faz as senhoras européias, decentes e limpinhas me olharem com cara de ódio, como se eu lhe estivesse roubando algo que por direito lhe pertence. E faz eu ter vontade de usar a tal camiseta que mostrei no post passado - que foi só para friends; desculpe se você não está na lista e não viu, mas é que a internet anda CHEIA de gente politicamente correta que prefere enxergar o mundo através das lentes rosa-bebê do seu Ray Ban for Girls e se assusta com autenticidades. Se você não é assim e não leu o post, me desculpe mesmo.

E sim, tenho mania de perseguição e ADORO. Paranóia é o meu hobby - por sinal, tá olhando o quê??

Estou ouvindo Till Tuesday e Metrô. Bandas novas me fascinam tão rápido quanto me enjoam. Bandas que eu cresci ouvindo não enjoam jamais. Vai saber... Que maravilha estar chovendo, estar sozinha, ter aqui essa caixa cheia dos MEUS CDs. Que bom, que bom, que bom. Rádio nunca mais. E mês que vem vou comprar um iPod.

Por falar em compras, good mail day today. Chegaram mais brinquedos (não foi boneca dessa vez) e as storage boxes lindas que eu comprei na Kaleidoscope. Os pedreiros estão de "férias" (ai) e o Alaric foi pra Londres. Falei pra ele: "se a polícia te mandar parar, dance a Macarena... baila, tu cuerpo alegria macarena" e ensinei os passinhos (ele aprende rápido). Haha, mentira. Ele é metido a besta e só anda de táxi. E conhece o Nick Mason do Pink Floyd. E a mulher do sócio dele é amiga da mulher que o vocalista do Blur come. Como vocês podem ver, somos pessoas bem relacionadas. Só falta ele ficar amigo do Morrissey, do Bono, da Tori Amos e do Robert Smith e convidar todos eles pra jogar Pass the Pigs aqui em casa tomando café com leite. Vou adorar e prometo postar fotos.

E por falar em fotos: os feijões (estou escolhendo qual será o almoço) + camiseta da Betty Boop, maletinha de lata da Betty Boo e fluffy lights. Camden Market.












Tinha mais, mas o saco acabou.
A coita tá tão feia por essas bandas que até voltei a usar o Orkut. Fiz uma comunidade para as Pullips. Se você gosta entre. Se não gosta, entre também. Isso não é uma ordem, mas entenda como quiser. :)

Domingo, Julho 24

Erros e acertos.

E o cara que tomou tiro no metrô era brazuca. Fiquei puta quando soube da "brilhante" atuação da polícia londrina, numa manobra que não lhe é muito peculiar: atirar pra depois perguntar. Achei uma violência desnecessária, mesmo sem saber se o cadáver era mesmo o de um ex-terrorista. Agora todos sabem que o infeliz não tinha nada a ver com o babado e ainda era latino. Não sei porque saiu correndo, já que não devia nada a ninguém. Essa pergunta vai permanecer um mistério para sempre, no entanto, já que a única pessoa que podia respondê-la tomou cinco tiros na cabeça. E é isso. Engole com cerveja e come uns torresmos por conta do pub. C'est la vie.

Continuo sem FTP. Agradeço muitíssimo a quem tentou ajudar, mas se tiver que fazer qualquer coisa além de clicar no ícone, depois em "OK" e começar a instalação, não adianta. Eu não sei trocar extensões de arquivos, nem incluir outros. Em matéria de informática só sei ligar e desligar o micro (às vezes nem essas duas coisas dão certo). Pelo visto vou ter que morrer nos 40 dólares, justo num mês em que estou quebrada (paguei o exame de sangue caríssimo da gata, talvez à toa, porque já nem sei se vale a pena trazê-la pra cá).

Tive que apagar um comentário racista do post sobre o casamento. A agressão havia sido dirigida à amiga do Alaric que foi nossa testemunha, e só por isso o comment foi deletado. Eu não vou com a cara da garota, fato. Mas não gostaria da mesma forma fosse ela loira, morena, ruiva, japonesa, roxa ou marciana. E gracinhas vindas de retardados que se acham superiores e lindos porque vieram ao mundo na versão desbotada não serão toleradas nesse espaço. Todo mundo tem o direito de ser IMBECIL o bastante para ser racista. Eu tenho o direito de não querê-los poluindo a minha área. Deleto o comment, tiro da lista e risco da minha vida. Sofri desde criança vários tipos diferentes de preconceito, e por isso recuso o menor contato com esse tipo de coisa e com o tipo de gente que acha alguém "muito legal" porque "ela(e) é linda(o)". O mundo não é um fotolog, caralho. Cresçam, amadureçam e aprendam a valorizar pessoas pelo que de fato importa, ou vão acabar sendo empalados por essa "gente linda" com um vergalhão GERDAU incandescente de 30cm de diâmetro, enrolado em arame farpado. Só pra não dizer que eu não avisei.

Estou sem tesão pra nada. Não tenho vontade de vir aqui, leio poucos blogs, emails apodrecem na inbox sem resposta, não abro o MSN há milênios, não brinco com minhas bonecas, vou as lugares com câmera e não faço fotos. Não sei a razão. A vida de casada não poderia estar melhor - isso porque nada mudou, como eu já sabia. Ele acorda me chamando de minha princesa bonita em português mesmo, traz café e, se for fim de semana, me leva pra tomar cerveja, ver coisas. Nunca reclama de nada, e diz que só vai reclamar SE um dia tiver motivos pra isso. Eu estou feliz. Mas... é como se estivesse esperando que algo acontecesse. Ou que chegue uma manhã onde eu faça as malas e diga "agora acabaram as férias, estou indo para casa".

Castle Ashby, Northamptonshire. Gostei dessa foto. Gostei desse dia. Bucólico, sol primaveril (embora seja verão), campos infinitos habitados por cabras berrando "méééééé". A arquitetura das pequenas villages do interior da Inglaterra é encantadora. Mas não consigo imaginar o quanto deve ser CHATO morar nelas. Basicamente as diversões de fim-de-semana são pubs, grupos de moradores, associações culturais, garage sales e concertos de violão na Igreja.

Na verdade, até que bastante coisa, não? Cidade grande não é muito melhor. Enfia-se numa merda de shopping center, compra-se inutilidades com preço muito acima do real valor, come-se lixo numa praça de alimentação lotada de crianças berrando e acha-se que está aproveitando a vida e "tadinhos do roceiros, que não sabem se divertir". É.



Eu não devia ficar aqui escrevendo sem vontade. Há o que ser contado, há fotos, há coisas que eu gostaria de comentar, mas aí começo a escrever, a falta de tesão se reflete num texto capenga e eu me pergunto, "pra quê?".

Fatais, essas fases.

Quinta-feira, Julho 21

rescue me




I'm talking, I'm talking
I believe in the power of love
I'm singing, I'm singing
I believe that you can rescue me

With you I'm not a little girl, with you I'm not a man
When all the hurt inside of me comes out, you understand
You see that I'm ferocious, you see that I am weak
You see that I am silly, and pretentious and a freak

But I don't feel too strange for you
Don't know exactly what you do
I think when love is pure you try
To understand the reasons why
And I prefer this mystery
It cancels out my misery
And gives me hope that there could be
A person that loves me

Rescue me, it's hard to believe
Your love has given me hope
Rescue me, it's hard to believe
I'm drowning, baby throw out your rope

With you I'm not a fascist, can't play you like a toy
And when I need to dominate, you're not my little boy
You see that I am hungry for a life of understanding
And you forgive my angry little heart when she's demanding

You bring me to my knees while I'm scratching out the eyes
Of a world I want to conquer, and deliver, and despise
And right while I am kneeling there
I suddenly begin to care
And understand that there could be
A person that loves me

Love is understanding
It's hard to believe life can be so demanding
I'm sending out an S.O.S.
Stop me from drowning baby I'll do the rest

It's not my business to decide
How good you are for me
How valuable you are
And what the world can see
Only that you try to understand me
And have the courage to love me
For me

Segunda-feira, Julho 18

wedding pictures

Não TODAS, claro. Vetei as fotos onde eu aparecia mais gorda ou mais esquisita do que sou naturalmente.
Depois eu ponho outras num álbum público. Por ora, é o que há.

Muito obrigada ao John, que foi gentil ao nos oferecer carona e se lembrou de me trazer flores (nas cores verde e amarela e com folhas de bananeira, pra representar o meu país), que acabaram sendo usadas como buquê. Também ao rapazinho do restaurante onde fomos almoçar depois do casamento, que preparou uma mesa fofa, com balões, confetti e um bolinho. E a todo mundo que mandou cartõezinhos fofos, flores, emails, comments aqui no LJ. Thanks a LOT for caring, people. :)

P.S.: O post com as reclamações virá outro dia, friends only, of course. ;)

Clica aí.

Quarta-feira, Julho 13

Lá vem a noiva, toda de preto




Só uma, porque o tempo urge.
Chegamos há menos de quatro horas, e amanhã vou dar entrada no meu visto de residência temporário e embarcar DE NOVO to England, dessa vez para Dover onde vamos buscar os móveis e o resto da minha tralha.

O casamento foi FODA. Não é porque foi o meu, não, mas a opinião unânime foi que ninguém nunca foi a um casamento tão descontraído e sem um pingo de frescura e desapego às convenções. NADA CONTRA quem seja mais tradicionalista, mas eu não conseguiria fazer tudo certinho, bonitinho, vestidinho, daminha, igrejinha, padreco, etc. Casei-me vestida de preto e bêbada, naturalmente.

Não virei "strogonoff à brasileira" lá em Londres, não - agradeço a preocupação de vocês. Entretanto o bicho pegava quando chegamos em Gatwick; vazamos de lá o mais rápido possível (terroristas adoram brincar em aeroportos), alugamos um carro para Bedford (onde o jeep do Alaric nos aguardava) porque, é claro, não havia outro meio possível de locomoção. Mas passamos ao largo de Londres, para onde no entanto acabamos voltando na segunda feira (mas de carro - não usamos transportes públicos). Todo mundo ficou indignado, mas tanta gente já falou bem melhor sobre o assunto que não pretendo me alongar. Mas que é foda sair pra trabalhar e virar picadinho de carne só porque meia dúzia de doentes que não sabem interpretar um livro sagrado acham que você merece pagar o pato pelas frustrações deles é TRISTE. Lamento muitíssimo por toda essa gente decente que foi para o céu dos injustiçados.

Quando eu voltar, lá pelo final de semana, posto o resto das fotos do casório, da viagem, do churrasco com a na casa da (depois que eu matar as duas, é claro, por terem postado fotos disso antes de mim), minhas reclamações (alguém aí achou que não ia haver nenhuma? tsc...), etc. Por ora vou ali tomar um banho e comer mais, porque a dieta para perder esses 900 quilos que engordei na honeymoon só começa na segunda. Inté!

Quarta-feira, Julho 6

It's my wedding day!!


Segunda-feira, Julho 4

2 days to go

Eu gosto de comprar roupas, mas não gosto de sair em busca de algo específico. Todo o prazer de sair enfiando coisas na cestinha porque são bonitas, estavam baratas, ou estavam caras pra caralho mesmo mas eu não resisti, tudo isso vai pro saco quando você "tem que achar" uma blusa assim, e depois "tem que achar" uma saia que combine, e então se dá conta de que "tem que achar" um par de sapatos porque os que você tem em casa não servem com aquela roupa. Deixa de ser prazer e vira tarefa. Um porre.

Eu já estava sem saco e não eram nem dez e meia da manhã. Nas mãos uma saia longa de linho preta, bordada com florzinhas, e em busca de uma blusa branca (ou preta) BÁSICA pra combinar com aquilo. Difícil achar. Fui até na Top Shop, que tem fama de barateira mas achei tudo caro. Nada. Atualmente aqui na Inglaterra, se você NÃO GOSTA de sair por aí vestida de hippie OU de indiana OU de destaque de escola de samba, desista. As vitrines estão lotadas de saias riporongas (cheias de babados e sobreposições, deixando as inglesas ainda mais gordas), de batinhas em cetim verde-bandeira bordadas de paetês em todas as cores do arco-iris. As havaianas com tirinhas bordadas de miçangas são o_hype e vendem em todo o lugar. E eu pensando que ia fazer sucesso com as que eu trouxe do Brasil, bordadas por mamãe... Até a faxineira tem havaianas melhores que as minhas. Comprei brincos na Top Shop, supostamente baratos por 4 pounds, mas aí eu me dou conta que isso é quase 20 reais e me dá vontade de passar no caixa, devolver e pegar o dinheiro de volta.

Enfim, acabei entrando na Marks & Spencer, porque além de querer brincar de princesa britânica e casar usando 1) algo novo; 2) algo velho; 3) algo azul e 4) algo emprestado, eu também queria usar 5) algo da Marks & Spencer, porque não há nada mais inglês do que isso. Achei uma camisetinha com fitinhas e renda na frente, totalmente branca. 12 libras. Não sei se vou usar ou não, porque é meio justa e estou há uma semana fora da minha dieta + em fase pré-menstrual e devo ter inchado uns cinco quilos só de retenção de líquido. Odeio carboidratos. Tem horas que me dá vontade de esquecer o quanto gosto de cerveja, bolo e batata frita e ficar uns seis meses em Atkins, sem sair da fase de indução. Carboidratos me fazem MAL. Vou passar a honeymoon gorda e menstruada. Ninguém merece.

Amanhã as "testemunhas" convidadas pelo noivo, com passagens gentilmente pagas por ele, desembarcam em Jersey. Tomara que cheguem por aqui depois que o Alaric estiver em casa, não quero ter que fazer salinha. Menos ainda pra insuportável pivete londrina. Estou ficando mal humorada com essa história. Devia ter imposto minha opinião antes e vetado. Melhor passar por bitch do que aceitar coisas só pra agradar, e depois ficar remoendo descontentamento. Enfim.

Hoje à noite vou esconder minhas filhotas de plástico e pedir pra ele desmontar minha casinha de bonecas. Não quero a dançarina de puteiro apontando meus brinquedos, rindo histericamente feito uma participante do Big Brother e fazendo piadinhas imbecis. Sim, ela incomoda e eu vou deixar isso bem claro. Quem sabe assim ele não pare com essa mania irritante de querer nos transformar em amiguinhas de infância. Eu aceito gente de todas as cores, credos, preferências e tamanhos, mas gosto de poder escolher minhas amizades, obrigada. E essa menina certamente não está na minha wishlist.

Domingo, Julho 3

confortably blind

Ter perdido o David Gilmour ao vivo cantando Confortably Numb foi uma das catástrofes de uma vida inteira. Adicionei mais uma conta negra ao meu colar de desgraças. Deu vontade de chorar, mas eu estava tão feliz que nem. Porcos voaram.

Vimos parte do show no Rozel Inn, nosso ex-pub preferido que reabriu. Digo ex porque não é mais, o lugar estava cheio de moscas (disseram que o jardineiro tinha acabado de lidar no jardim e as mini-bestas voadoras se alvoroçaram... não entendo, mal tem mosca nesse ilha) e o menu novo é bem sem graça. Mas a TV a cabo mostrou o Live8 com imagem e som digital. Fomos pra casa no meio da fabulosa apresentação do The Who e pude ver o Pink Floyd sentadinha no sofá.

Os ingressos, em cima da hora, podiam ser comprados a 200 libras. E eu tinha 600 libras no banco. Podia ter ido, queria muito ter ido, mas 1) estou muito velha pra aguentar 10 horas em pé; 2) o pior inconveniente de se morar em Jersey é que só se chega a Londres de avião ou depois de 4 horas de barco; 3) avião + ingresso + hotel talvez fosse custar mais que 600 libras e c) eu não tinha companhia. Mas ainda assim podia ter tresloucado e ido. Mas medrei. Azar o meu.

Tudo muito lindo, emocionante, imagens cuidadosamente selecionadas para causar comoção. Mas me pergunto qual a validade prática disso tudo. Até quando o idealismo vazio não serve apenas aliviar consciências pesadas? Quantas pessoas estavam ali na platéia para celebrar a oportunidade (?) de mudança e quantas estavam ali apenas para ver sua banda favorita? Oito homens numa sala podem mudar o mundo... Bullshit e todo mundo sabe, mas todo mundo compra a idéia. O Live Aid, há 20 anos, conseguiu realizar algo. Mandou uma considerável quantidade de dinheiro para a África, mitigou a fome de uns, salvou algumas vidas. Tinha uma proposta a curto prazo. Acabar com a pobreza exige algo além da caridade e de patricinhas vestindo faixas e headbands do make poverty history enquanto entram e saem freneticamente de lojas caras, carregadas de bolsas, como vi ontem em St. Helier quando fui comprar a roupa do meu casamento. Isso me incomoda mais do que as imagens de crianças famélicas. Porque eu sei que não posso fazer nada por elas, infelizmente, além de me indignar e sentir muito por todo aquele sofrimento. Mas ver gente transformando a desgraça alheia em modinha e circo e ainda se achando herói por conta disso me dói muito mais. Não sei se é ingenuidade ou pura e simples burrice.


Enquanto regimes ditatoriais existirem na África, não adianta mandar dinheiro, não adianta fazer pressão. Sinceramente, o que vocês esperam? Que o Mugabe tenha uma crise de consciência porque o Bob Geldof botou uns playboys do primeiro mundo num palquinho pra cantar e dizer que o que acontece no país dele é feio? Vocês acham que ele e os demais ditadores africanos não sabem o estrago que a corrupção de seus regimes causa aos seus países, ao seu povo? Eles sabem e estão se lixando. E, se os riquinhos do planeta quiserem mandar dinheiro, tanto melhor. É mais grana pra eles embolsarem. Drop the debt? Sim, claro. Já estou vendo como todo o dinheiro econmizado com isso vai parar nas boquinhas macilentas e esfomeadas das criancinhas africanas. Aham.

O lance é fazer nessas ditaduras o que o Bush fez no Iraque. Invadir e tomar conta. Arrancar esses malucos dos seus troninhos e enfiá-los em prisões de segurança máxima nalgum fim-do-mundo do planeta. Neo-imperialismo em sua versão "do bem". Só assim os países se tornariam estáveis, atraindo investimento externo. Ninguém em sã consciência investe dinheiro num país com zero de estabilidade econômica, menos ainda se controlado por um corrupto demente. E sem investimento externo, é FOME mesmo, é miséria mesmo, é fundo do poço. Queira a gente ou não. E podemos nos preparar pra mais showzinhos daqui a 20, 40, 60 anos.

Enquanto isso as crianças continuarão morrendo de fome, na África e no telão, provocando lágrimas sinceras que serão enxugadas dos rostinhos corados e bem nutridos da platéia assim que a Madonna subir no palco.