Se tem uma coisa que não gosto em mim é o fato de às vezes me importar com a opinião dos outros. Devo botar a modéstia de lado, no entanto, e admitir que quase nunca me importo. Sou boa nisso. Não sou ingênua (ou ególatra) a ponto de dizer que "palavras são apenas palavras, nada mais". Algumas machucam, e muito. Mas também não sou ingênua (ou ególatra) a ponto de achar que as pessoas não têm o direito de dar a sua opinião se ela for diferente da minha. Opiniões não passam de opiniões, podem ser uma hoje e outra bem diferente amanhã. A gente pode e deve se manter fiel a elas, pelo tempo que durarem; mas sem atacar ou isolar quem eventualmente discorda.
Teoria: Imagine que Lurdinha e a sua prima Mariazinha detestam a Cidinha. Passam horas falando mal da pobre Cidinha, porque afinal o ódio que sentem é comum. Só que a Lurdinha também abomina uma tal de Ritinha, mas a sua prima Mariazinha, sabe-se lá por que cargas d'água, adora aquela vadia. Aí no meio da conversa a Lurdinha diz que a Ritinha é uma puta. A Mariazinha toma as dores, xinga a Lurdinha, larga a prima falando sozinha e fica de mal forever and ever.
Resumo da ópera: a Mariazinha é uma
imbecil. Por quê? A saber:
1)Perdeu a amizade da prima por conta de uma opinião dela, e não por algo que ela efetivamente tenha feito;
2)Perdeu a chance de ter sido superior, dado uma risada e dito: "será? eu acho ela super legal!"
3)Perdeu a chance de refletir a respeito. Vai que a Ritinha é uma puta, mesmo. "E se for, qual é o problema? Eu gosto da Ritinha e foda-se."
4)Perdeu a chance de refletir a respeito. Vai que a Ritinha é uma puta, mesmo. "E se for, pode roubar meu namorado. É isso aí, FORA com a puta da Ritinha!!!".
É assim que os imbecis agem. Eles desperdiçam TODA e QUALQUER oportunidade de manter amigos, de agir de forma grande, de refletir e tirar conclusões, só porque "não gostaram do que ouviram". Preferem ficar isolados em suas convicçõezinhas de merda, passar a vida atolados numa mediocridade viciosa. É difícil aceitar uma opinião quando ela vai contra tudo o que você acredita. Só que são essas as
únicas que realmente contam. Porque são essas que nos movem, que nos fazem pensar, nos autoavaliar e reavaliar constantemente, questionar nossas crenças e crescer. Quantas vezes uma opinião que, a princípio, me deixou horrorizada, me fez também refletir e concluir que ela não era, assim, tão horrível e era até bem fundamentada?
Mas a maioria das lesmas rastejantes que atendem pela alcunha de "seres humanos" prefere se rodear de um exército de "vaquinhas de presépio", que dirão "sim, sim, salabim" para todas as besteiras que disserem. Ou seja, de um monte de outras lesmas rastejantes, cujos neurônios só servem para deixar a cabeça com o peso certo. Não é mais
seguro quando sabemos que a platéia só tem flores nas mãos, ao invés de tomates? Mas, sinceramente, se os puxa-sacos nunca são sinceros, qual é a porra da graça em abrir a caixa de comentários e afundar-se num mar de baba?
Outro dia eu comentei no
livejournal que estava de saco cheio da megacobertura que a Rede Globo estava dando à perda de tempo que é o tal festival de axé lá na Bahia. Disse que uma
ogiva nuclear nessas horas caía bem. Era uma PIADA, evidente. Eu não jogaria a tal bomba lá nem se pudesse, primeiro porque há pessoas brilhantes na Bahia, que também não gostam de axé. E depois os
axézeiros não me perturbam, caso fiquem na deles. Apesar de eu gostar de rock, não concordo com a atenção exagerada que a Globo costuma dar ao Rock in Rio. As criaturas que não suportam rock também têm o direito de preferir assistir notícias ou um filme.
E antes que alguém diga "desligar a TV é uma opção", eu já digo que concordo. Eu desliguei a minha. Mas não teria desligado caso estivessem exibindo alguma coisa legal ao invés de música de enésima categoria. Dá-se o mesmo com os evangélicos, invadindo TODAS as estações do dial. Eu gosto de ouvir rádio e estou vendo minhas emissoras favoritas sendo engolidas uma a uma pela voracidade abençoada do monstro gospel. Isso detona a cultura de um país e
não é legal.
E não me digam que axé é cultura. Coisas como "boquinha da garrafa", "dança da manivela" e "rala o tchan" não passam de subproduto musical que só serve pra enriquecer seus "compositores" à custa da indigência cultural do nosso povo, e das bundas siliconadas das mercenárias que se vendem por 30 dinheiros. Bem, danem-se eles, que têm direito de ganhar grana como quiserem às custas de quem compra seu lixo, mas eu
não sou obrigada a gostar dessa merda, tenha ela nascido na Bahia, no Rio, em Mônaco ou na China, e tenho o direito de dizer isso. Uma coisa é dizer que não suporta música clássica; isso é perfeitamente admissível. Outra, bem diferente, é dizer que aquilo não tem qualidade. Pois quanto à "música popularesca baiana" eu digo e repito: É uma merda e NÃO tem qualidade. Sem a
menor possibilidade de defesa com argumentos razoáveis.
Mas teve gente me acusando de ser mal informada e preconceituosa. Ah, tá. Agora não gostar de axé virou "preconceito". Realizem: preconceito = pré + conceito, ou seja, emitir conceito prévio, dar opinião antes de conhecer o fato. Taí uma coisa que eu vivo me policiando pra não fazer (apesar de ser HUMANA e dar minhas escorregadelas). Eu, infelizmente, SEI DO QUE SE TRATA. E
não gosto. Pronto, não é mais preconceito, virou OPINIÃO. E respeitar a opinião alheia não significa esconder a sua. Posições conflitantes podem e devem coexistir.
Mas aí a referida criatura agiu como a pessoa madura que é e me deletou da lista de friends do livejournal e tirou meu link do seu blog. Uma salva de palmas para a atitude. Ela prefere se isolar em sua panelinha de comadres que sempre concordará com tudo o que ela disser e retribuirá seus posts com comentários "fowfos". Que assim seja.
E depois as pessoas reclamam, "
mas cadê seus posts ácidos, cadê aquela garota que escrevia pra incomodar?". Ela manda recado: se
aposentou. Pra que ela ia perder tempo discorrendo sobre as mazelas da raça humana? A raça humana já
deveria saber que é um malogro na forma de bilhões de cabeças ocas. E se não sabe, não é ela que vai segurar a plaquinha de madeira e ir pra praça avisar, em protesto solitário. Ela quer mais é beijar na boca e ser feliz, como todo mundo (as opiniões, que ela sempre teve e continuará tendo, vai guardar pra si própria).
Outro dia vi o site do
cara que atropela duendes, famoso na net há alguns anos atrás. Na época achei foda. Hoje eu sei que ele DEVE ter perdido a senha da conta no starmedia, senão já teria tirado a página do ar. Ou então ele é daqueles eternos "gênios incompreendidos da humanidade". O que ele diz
todo mundo já sabe. Assim como o que EU dizia e digo, todo mundo já sabe também. A diferença entre eu e o
cara que atropela duendes é que EU sei que as pessoas sabem, enquanto ELE pensa que está sendo original. Ele pensa que está matando os "duendes" ao atropelá-los, enquanto EU sei que as pessoas que acreditam neles vão
sempre ressuscitá-los e jamais darão a mínima pro que ele pensa ou faz. Qual de nós está iludido? Não importa. O que importa é que a opinião dele só a ele interessa. E as pessoas a quem ele chama de alienadas só querem a felicidade, mesmo "ilusória" (e qual seria a verdadeira??), que ele
também devia estar buscando ao invés de tentar convencer aos outros e a si próprio que já sabe o caminho. Além de ter o legítimo direito de me achar mais uma alienada por estar dizendo isso, claro.
Gritante a dificuldade que nós temos de olhar para o próprio rabo. Quando alguém fala que o Rio de Janeiro é imundo, violento, cheio de favelas, de gente feia, de samba nojento, praias cheias de putas, que o carioca é malandro e ladrão, tem funk carioca, guerra do tráfico, eu fico na minha. É isso aí
mesmo, ora bolas. Por que as pessoas não admitem que se joguem pedras em seus telhadinhos de vidro? TODO estado tem suas vantagens e mazelas. O mesmo paulista que fala mal do Rio sabe que a cidade dele também é uma merda, e etc. E se ele achar que mora no paraíso,
ótimo pra ele. Menos um insatisfeito no mundo, né?
EU não me abalo. Todos têm o direito de detestar o Rio de Janeiro, goste eu ou não daqui. Fora que é uma mediocridade do cacete. Gente, o
mundo está aí pra ser conquistado aos poucos. Vale mesmo a pena se ligar à sua cidadezinha, ao seu estadozinho, ao seu bairrismozinho provinciano como se um cordão umbilical invisível lhes atasse à terra? Nós somos muito mais importantes do que o pedaço de chão em cima do qual nascemos. E nascemos por acidente do acaso; podíamos ter nascido tanto em São Paulo como no ACRE, já pensaram nisso?? E assim como defendemos a nossa amada Minas Gerais, também defenderíamos Roraima. Entenderam o paradoxo? Por isso, se quiserem meter o pau no Rio, à vontade. EU sou muito maior do que um estado.
Se alguém tivesse postado, "Eu ODEIO carnaval!!! Vamos reeditar Hiroshima e Nagasaki no Rio em Fevereiro?", eu daria uma gargalhada e responderia: "Só deixa eu ir pra Inglaterra primeiro, porque aí não vou morrer por tabela e ainda vou poder assistir pela televisão, comendo pipoca, o Sambódromo transformado em patê". Eu teria entendido que a crítica tinha sido feita ao CARNAVAL (que eu também não suporto), e não ao Rio de Janeiro. E se fosse ao Rio de Janeiro, também, qual o problema?? Infelizmente,
compreensão de texto não se vende em banca de jornal e, para tristeza dos que não a têm, tira ponto no vestibular.
Lembrem-se: nem sempre eu vou concordar com o que você diz. Minha opinião sempre será 1000% sincera; se eu sentir a
menor vontade de ser hipócrita pra lhe poupar, prefiro lhe poupar DE VERDADE e me abster do comentário fake. Se você quiser discordar de mim, faça isso, por favor. Eu sou flexível. Mas faça isso com decência. Não me acuse
diretamente se não tiver provas (mas fazer suposições é válido). Não fale
com propriedade sobre aquilo que você absolutamente não sabe (fazer suposições é válido II). Se você disser uma bobagem colossal, eu vou responder à altura. Mas NÃO fico com "raivinha" e não te corto da minha "panelinha".
Se não sabe brincar, saia da porra do parquinho.
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