Conheço muita menina brasileira morando no exterior. Curioso, eu não conhecia tantas antes de ter a possibilidade de fazer o mesmo. No surprises; eu sempre soube do poder que a internet tem de agregar gente com interesses/problemas semelhantes. Lendo o blog da
Zilá (minha segunda amiga pessoal a ir morar no exterior; a primeira foi a Aline, que não tem site), conheci o
Mundo Pequeno, um índice de blogs de brasileiros "expatriados", catalogados por país. Interessante. Li alguns, e percebi que lá havia muitas meninas que saíram do Brasil para se casar com estrangeiros. Nada de mais nisso, afinal, o amor não pede pra olhar o passaporte antes de se instalar na vida dos outros.
Pouco tempo depois, era eu quem, pela primeira vez, estava fazendo as malas, compradas em 10x sem juros nas
Lojas Americanas para me mandar rumo a um destino incerto. Eu sequer sabia se ia poder ver e abraçar o eleito, pois havia uma tal de Imigração no meio, entre o portão de desembarque e a menina aqui, de pernas bambas, errando o inglês de nervosismo ao ter que responder, pela milésima vez em menos de cinco minutos, "como é que eu ia fazer para me sustentar no Reino Unido durante as férias". Ok, eu sabia que eles estavam refazendo a pergunta para checar se eu cairia em contradição. Mas isso não me impediu de tremelicar e nem de me segurar para não dar risada de alívio quando a funcionária carimbou meu passaporte e me devolveu dizendo "por ali, please". O medo de ser deportada e ter que encarar outras 14 horas de vôo na sequência, espremida na classe econômica (obviamente eles não pagam First Class pra deportado), forneceu roteiro para os meus pesadelos por semanas.
Ok. Eu tinha um
monte de dúvidas. Eu, da Inglaterra, só conhecia os clichês mais batidos e o sotaque britânico do meu namorado. Eu nunca tinha ido ao exterior (porque a Argentina não conta, HAHA, just kidding, pals...). Eu nunca tinha andado de avião. Eu nunca havia passado seis semanas longe da minha casa e dos meus pais. Eu era uma garotinha assustada e tinha perguntas sem resposta disputando espaço com calcinhas, shampoos e livros dentro da mala. A combinação ideal para um surto descontrol. Mas eu não surtei, eu não descontrolei e, acima de tudo, EU NÃO PEDI AJUDA A NINGUÉM. Poderia ter pedido? É
claro. Pedir ajuda, perguntar, não ofende, não é feio e geralmente traz bons resultados.
Só que, pelo que eu andei lendo em alguns blogs de estrangeiras no exterior (veja bem, eu disse ALGUNS. Não vistam a carapuça que não lhes serve, vai alargar a carapuça e ainda te dar dor de cabeça!), a
má-vontade em ajudar a quem estava entrando no mesmo barco beirava a grosseria. Vi gente fazendo posts para avisar que "não era central de informações", que "brasileiro era tudo folgado e queria as coisas de mão-beijada". Achei aquilo pobre, mesquinho, infeliz. As mesmas meninas que haviam tido dúvidas iguais às minhas, agora se revestiam de uma empáfia construída na marra para subir um degrau na escala evolutiva e mostrar que, por estarem estabelecidas no novo país, não tinham necessidade de dar um help a quem estava começando a trilhar o novo caminho.
Até hoje não consegui entender o que custa responder a um email. Tentar responder uma pergunta ou, caso não saiba, indicar uma fonte ou simplesmente admitir a ignorância e desejar boa sorte. Parece que ser educado dói, toma tempo... Até parece que essas blogueiras recebem 30 emails por dia de gente pedindo informação. Não existem 30 brasileiros que lêem o blog delas mudando de país todos os dias. Ok, elas têm o direito de se recusar a ajudar, de se negar a dar uma palavra de apoio, ou indicar fontes confiáveis caso não se sintam capazes de dar uma informação fidedigna. Mas EU acho isso um sintoma grave da falta de gentileza que assola a humanidade desde o século passado.
Para os que estão abandonando a pátria amada para se aventurar em terras estranhas, seja a trabalho, para estudar ou casar: não dêem moral para essas "
Little Mrs Superior". Não perguntem nada, até porque blog é
diário, e não deve ser confundido com Serviço de Utilidade Pública (por isso o
PSEUDO em negrito no primeiro parágrafo deste post). Canso de ver gente reclamando que "
blogueiro tem que ser mais responsável, não divulgar informação errada, porque afinal blog é mídia, bla bla bla". Como é que é?? Se eu não confio plenamente nem em informação veiculada em primeira página da
Folha, vou dar esse cartaz pro
blog da Dona Maricota? Socorro, né? Sinceramente, quem usa blog pra fazer pesquisa de coisa séria merece ler informação errada.
Aprendam a pesquisar no lugar
certo, em sites de Órgãos oficiais, telefonando para repartições competentes, pedindo ajuda à empresa, ou curso, ou noivo(a) que trouxe você pro exterior, etc. Nada de mandar email "
oi, leio seu blog, estou passando pelas mesmas coisas que você passou, podia me dar umas dicas?". Elas NÃO VÃO dar, vão ficar se sentindo as rainhas da cocada preta européia (ou americana, africana, latina, whatever) e você ainda vai pagar o mico de ter seu email ou comment ignorado OU sacaneado em público. Eu ajudaria de bom grado, mas infelizmente eu ainda não moro aqui e não lidei com papelada alguma.
Sejam auto suficientes, pessoas. Se elas conseguiram sem pedir ajuda a ninguém (o que eu DUVIDO, mas deixa baixo...), a gente também consegue.
Desanuviando, essa foto dos nossos pés. Ele comprou meias-irmãs-gêmeas pra gente, e é autêntico a ponto de usar meias rosa de porquinho. Eu sou fã de gente que não se leva a sério. De amebas pretensiosas, o mundo anda cheio. E ele (o mundo) seria bem mais legal se as pessoas tivessem coragem de ser, simplesmente, o que são.
Marcadores: resmungos