Minha mãe é uma mala-sem-alça. Que mulherzinha mais chata. Passa o dia inteiro escovando cada milímetro quadrado da casa e põe a culpa disso em todo mundo. Porque nããão, ela não se contenta em varrer. Ela tem que lavar, esfregar, tirar água de pedra e sangue das unhas. Tudo isso porque ela
quis, sem ninguém mandar ou sequer sugerir. E aí só porque EU não embarco nas crises maníaco-obsessivas dela, sou obrigada a ouvir piadinha amarga o dia inteiro? Se foder.
Essa mulherada arruma marido, filho e casa pra cuidar e depois reclama. Sou da seguinte opinião: não trabalha fora? Tem que cuidar da casa, sim. Se trabalha fora, tem que botar empregada/babá e se cotizar com o marido para pagar o salário (quem ganhar mais, paga mais). Simples, não? Mas aí vem o feminismo (e, no caso específico da minha mãe, a
psicose) e complica tudo.
E agora mais um capítulo da nova série
A Novela do Visto. Ontem pela manhã quase peguei um ônibus até o consulado da Inglaterra, munida do meu amado 22, disposta a descarregá-lo na cabeça de uma certa "telefonista". Acompanhe o calvário:
Liguei para lá cedinho. Primeiro você é obrigado a ouvir aquelas gravações enormes e chatas, informando um monte de coisas absolutamente inúteis, com aquela voz pré-gravada irritante; e não, não há a opção de pular aquela merda. Logo em seguida aparecem as opções: digite "1" para se aborrecer falando com XXX, digite "3" para ser encaminhado a YYY (que não vai atender), digite "7" para continuar esperando mais meia hora ouvindo uma melodia escrota de caixa de música ou digite "9" para cometer
suicídio.
Chato eles terem se esquecido de incluir uma opção
digite "0" para fazer essa central telefônica explodir, matando todos os operadores fritos. Realmente, uma pena; garanto que seria a mais usada.
Escolhi falar com a operadora. Que devia ser loira natural, porque me encaminhou pro lugar errado SEIS VEZES - depois do que a ligação, invariavelmente, caía. Desgraçada. Na sexta vez eu prometi-lhe um homicídio tão doloroso quanto fossem as vezes que eu havia sido obrigada a ligar de novo, ouvindo aquela mensagem pré-gravada nojenta
de novo, depois sendo obrigada a escutar Pour Elise DE NOVO (e eu
ODEIO Pour Elise, inferno!!) por intermináveis minutos, até descobrir que a vagaranha tinha me jogado no limbo telefônico de novo. E uma criatura dessas arruma emprego no consulado britânico! Por isso é que eu me revolto com esse país asqueroso. Se você é loiro de olho azul, pode ter a inteligência de um
vaso de plantas que vai se dar bem no mercado de trabalho. Já se a sua cor não for sinônimo de "boa aparência", você vai ter que ser o Einstein para conseguir a mesma coisa - SE te derem uma chance de tentar.
Óquei. Assustei a retardada e ela me jogou no lugar certo. OUTRA gravação, que me fez esperar ouvindo a maldita Pour Elise por mais uns cinco minutos, e quando eu já estava babando saliva tóxica no telefone, a gravação reaparece e diz que "todos os operadores estavam ocupados no momento".
Como assim? DUVIDO que tivesse UM lá pra me atender. Afinal, estamos no Rio, fazia uma manhã linda de sol - fazer o quê no consulado hoje mesmo, hein? Vamos pegar uma praia e que se FODA a Marie com passagens compradas e precisando de visto!
Ah, sim. Mas eu podia deixar um recado na caixa postal após o sinal. Mas claaaro. E aí veio o sinal. Piiiii. Adivinha? A caixa postal estava lotada!!! AHHHHHH. Me deram a opção alternativa de mandar um email. Anotei o email, mandei em seguida uma mensagem em inglês, me responderam cinco minutos depois (na certa resposta
automática, nem se dignaram a ler o que escrevi) com um anexo em português (whattafuck?) nada explicativo, algumas dicas pouco claras e confusas e, em letras garrafais: BRASILEIROS NÃO PRECISAM DE VISTO PARA PERMANECER NO REINO UNIDO ATÉ SEIS MESES. Leia nas entrelinhas:
não nos encha o saco com o seu pedido desnecessário, ô Zé Mané! Estamos aqui a passeio, e não a trabalho!. Ok, cara pálida. Só que eu tô
desempregada no momento (graças a Deus), e minhas chances de levar um pé na bunda em Heathrow aumentaram consideravelmente desde a última vez que pousei lá.
Ou seja, eu preciso do visto mas, "pelo visto", não vou conseguir um tão cedo.
Lá vou eu adiar a viagem. Shit.
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