Pronto, cheguei. Na verdade, cheguei na segunda feira, mas a preguiça de pensar em internet nem me deixou chegar perto desse teclado.
No sábado de manhã, quando saímos de Jersey, o aeroporto estava lotado. Me entupi de feijões no café da manhã, e uma hora de vôo depois, estávamos em Manchester.
O clima na cidade estava pavoroso (frio e vento mais frio ainda), mas enfim, eu estava em Manchester, right? À tarde fomos ao
Imperial War Museum, sobre as guerras mundiais, que eu achei completo e interessante (tem sessões de slides, belas e perturbadoras fotos acompanhadas de depoimentos emocionados e emocionantes). No meio do caminho, caiu uma pequena tempestade e tivemos que passar uns minutos debaixo da marquise de um pub - que estava fechado, merda. Fiz umas fotos no museu, depois ponho no álbum. À noite fomos ao cinema ver
Shrek 2, que eu achei simplesmente
foda. Comi um balde de pipoca tão grande que pensei em levá-lo pra casa depois e usar como balde de verdade. E o tamanho do refrigerante? Fui pedir “large” achando que viria um copo de 500ml e tive que beber
um litro e meio de coca cola! Gahhh. De volta ao hotel, consegui ainda beber quase dois litros de cerveja no hall, enquanto via uma galera enorme chegar do show dos
Pixies, que tinha rolado naquele dia.
No dia seguinte fomos ao shopping da cidade. Manchester é bonitinha, a área onde ficamos hospedados parece ter sido reformada recentemente, porque todas as construcões eram novas - o que diminui um pouco o charme, mas quem liga? O shopping é legal, lojas de brinquedos e stationary (deu saudade dos meus FBs…) e um pequeno telão onde eram exibidos trailers de filmes indianos engracadíssimos. Voltamos para o hotel porque o Neném queria assistir a corrida de F1 em Silverstone. Depois fomos andando até o
Old Trafford Cricket Ground, onde eu veria o meu
Moz.
O estádio é enorme, tanto que mais da metade do espaço disponível era ocupado por barraquinhas de merchandising e comida. A “
praça de alimentação” do show, eu suponho… Acho que o público do Morrissey mudou muito; olhando para aquelas pessoas de cabelo verde eu senti saudade dos fãs que eu via nos velhos vídeos dos
Smiths: meninos de óculos, topete, camiseta branca da banda e jaquetas jeans surradas. Tão jovens e tão lindos, puros, inocentes e tristes. Não tenho paciência pra pessoas de cabelo azul, 253439474 piercings, saia curta naquele frio do caralho, bota da
Hot Topic, e se dizendo fãs do Morrissey. Newbies, ARGH (hahaha).
Antes do show do Moz tivemos que aturar três bandas insuportáveis. Quer dizer, eu até gostei da primeira, tinha umas musiquinhas bem legais e o vocalista era altamente consumível... A segunda eu nem vi porque estávamos atrás de uma camiseta para mim, mas tanto as oficiais quanto as vendidas pelos camelôs não agradaram. Desistimos, comemos batata frita e bebemos cerveja, e voltamos para o gramado, a tempo de descobrir que os
New York Dolls estavam fazendo uma cover lastimável e herética da
Janis Joplin. Puta que pariu. Fomos ver um moleques jogando futebol e por lá ficamos ate que os velhos do NYD se dignaram a evacuar o palco (no sentido de
sair dele, que fique bem claro…). Dali pro show do Morrissey ainda levou um tempo, eu congelando de frio, apesar do poucos raios de sol que diziam OI no horizonte (o maldito vento… Se o frio ficasse parado, na dele, beleza, mas o puto SE MEXIA!).
Enfim, Stephen Patrick on stage. Entrou no palco elegantíssimo, de blazer, e bem mais em forma do que estava no show do Rio. Ele abriu o show com piadinhas sarcásticas e uma das melhores músicas do
You Are The Quarry, na minha opinião:
You Have Forgiven Jesus, e quase tive um ataque quando ele deu uma risadinha irônica depois do verso inicial da música: “
I was a good boy, I wouldn’t do you no harm”. AI, QUE MAIS FOFO. O set list foi pra lá de bizarro, mas incluiu umas boas canções dos Smiths, entre elas
There's a Light that never goes out, não por acaso a música da minha vida (ou uma das). Pulei tanto e pularam tanto em cima de mim nessa hora que agradeci por estar com ele bem ali atrás de mim, me segurando forte para que eu não caísse. Aliás, que companhia maravilhosa ele é. Empático até o limite do intolerável (haha), sorria o tempo todo, e o fato de eu saber que ele não é especialmente fã do Morrissey só fez aumentar a grandeza do gesto e do bom humor com que ele aturou cotoveladas, pisadas, empurrões, cinco horas de espera (e um babaca fumante que jogou cinza de cigarro no casaco novinho dele, destruindo-o) sorrindo e achando tudo lindo. Fiz fotos sim, mas cismei de não querer usar flash, e obviamente as fotos saíram borradas. Uma pena, mas eu não perder tempo me preocupando com fotos “
pra postar na internet”, afinal, eu estava lá, porra...
Como sempre, teve camisa sendo esfregada nas partes pudendas e depois jogada para o platéia. Delirante. A única ressalva foi que não teve bis. A meu ver o show acabou cedo demais. Sabe como é, eu poderia passar a noite inteira ali, inundando o chão de baba. Consegui uma camiseta do festival na saída, como souvenir. E de volta ao hotel, sonhei que estava pulando ainda e de fato pulei a noite inteira, enquanto dormia (acordei umas três vezes, sobressaltada).
Amanhã voltamos pra Londres pro show do
Simon & Garfunkel. E por ora é isso (eu quero meu teclado e minha escrivaninha de voltaaaaa! Escrever nessa cadeira detona as minhas costas!)