Quinta-feira, Julho 22

França.

França daqui a seis horas, isso se eu conseguir dormir.
De BARCO. Ok, o barco é super rápido, ainda assim... Eu estou cansada, está fazendo calor, eu estive passando roupa (!!) até o presente momento, mas yay, nós temos uma câmera digital nova e foda para o final de semana: Olympus C-770 UZ.

Volto em quatro dias.

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Quarta-feira, Julho 21

A história (real) da Pantera Cor-de-rosa

Hoje tentei pela segunda vez falar com a minha mãe, sem sucesso.
Parece estar chovendo no Rio, porque a ligacão fica péssima, ela não consegue me ouvir e eu ouço o eco da minha própria voz retumbando tímpanos adentro. Chato. Mas pude informar o dia e a hora em que vou estar de volta à cidade maravilhosa.

Por favor, São Pedro, eu quero sol nesse dia. Quero chegar em casa e levar a Chantilly pra se esfregar no chão da calçada em frente ao portão. Quero comer arroz molinho e salgado com feijão preto bem temperado e banana + batata frita. Quero dormir essa noite debaixo do meu cobertor púrpura ouvindo o zunir do meu ar condicionado. Quero me dar de volta meus pequenos bálsamos diários, porque nesse mundo de merda onde vivemos, é sempre bom ter à mão pacotinhos de felicidade instantânea, em pó, que a gente possa misturar com água e beber rapidinho para não dar tempo de pensar no motivo que nos levou a abrir o pacote.

Ontem ele fez sopa de galinha pra nós, e eu bebi uma garrafa de vinho + uma dose de whisky. Não lembro de nada depois da sobremesa. Só sei que acordei de manhã sem as calças, deitada na cama. Sorte que quando apaguei, eu já estava lá. Porque ser carregada escadaria acima ia detonar minha auto estima. Parece que estou de ressaca, agora. E, pensando bem, se eu não consigo me lembrar de nada, é possível que eu tenha sim sido arrastada e ele esteja mentindo para que eu não me sinta uma bêbada deplorável. Desnecessário. Eu sei que sou uma bêbada deplorável

E eu imprimi O Pequeno Príncipe em inglês para ele ler pra mim na hora de dormir. Três capítulos por dia, e ele termina o livro antes de eu voltar. Só que ontem eu dormi bêbada e ele não pode ler. E eu acho que ele não gostou do livro. Esperado. Ele é uma alma feliz, e almas felizes já nascem sabendo de tudo. As pequenas grandes lições do livro pareceram óbvias, talvez... Que seja. Mas gente como eu nasce ignorante e talvez morra assim. Gente como eu precisa aprender com a experiência, com o sofrimento, metendo a mão no fogo e só então se dando conta de que ele queima, ao invés de ler sobre os perigos das chamas num livro didático cheio de figuras auto explicativas.

Não basta ler sobre a dor, ela tem que vir das feridas que brotam na carne para serem reais.

E eu comprei um porco rosa lindo, que na verdade é um cofrinho de cerâmica, e tem meu nome nele. Um chaveirinho de menina com o meu nome também. Precisei cruzar um oceano para poder enfim achar coisas com o meu nome, numa terra que não fala a minha língua. Bizarro.

Quando eu tinha quatro anos e estava passando o dia na casa da minha tia-avó, achei no meio do barro um boneco da Pantera Cor-de-Rosa. Havia chovido, eu cavuquei com as unhas o barro amarelo e desenterrei o bicho, sem orelhas, sem rabo, com as patas mordidas - se por dentes infantis ou caninos, eu nunca soube.
O que eu soube, naquele instante, é que ele seria meu.

Minha mãe protestou, meu pai quis jogar fora, mas a tia-avó, na sua sabedoria analfabeta, soube compreender o afeto nascente e lavou com paciência o barro do corpo do brinquedo, e assim voltei eu pra casa no banco de trás do carro, bem feliz, agarrada ao meu novo amigo. Que tinha arame por dentro, e a gente podia assim mudar a forma do corpo, fingir movimentos, uma delícia.

Com o tempo o arame foi enferrujando, ficando frágil, eventualmente quebrando em certas partes, ou até mesmo perfurando a pele de borracha cor-de-rosa. Mas ele ainda era o meu boneco preferido. Um dia ele sumiu, e eu chorei tanto que a vizinhança estranhou e achou que minha mãe estivesse me espancando. Ela fazendo de tudo para que eu calasse, eu repetindo: "dê adeus à sua filha, se eu não achar essa pantera eu me mato!" (sim, aos quatro anos e com essas exatas palavras - drama queen de nascença).

O boneco por fim foi encontrado, e eu devo ter ficado em êxtase, porque nem consigo me lembrar do momento do reencontro - eu devia estar em êxtase... Obviamente a pantera acabou sumindo uma segunda vez, uma definitiva vez, pois eu nao a tenho mais comigo hoje e até me lembro que chegaram a me comprar um outro boneco, idêntico, com arame por dentro e tudo. Mas não era a mesma coisa. Não era o boneco que eu salvei da morte (porque sim, era nisso que eu acreditava) na avalanche fatal de barro, não era o boneco que eu amei mesmo sem orelhas, sem rabo, com patas e focinhos mordiscados por sei lá quem, mesmo quando a velhice enferrujou e quebrou seus ossos de arame.

O meu amor veio do nada, e também veio de tudo isso. É assim que eu amo as coisas. Porque as coisas nunca me decepcionam. Ao contrário das pessoas que me abrem torneirinhas no canto dos olhos mesmo quando queriam me abrir um sorriso no rosto. Eles me ferem mesmo quando me afagam, e beijos podem doer feito pedradas. Elas me odeiam mais, quando e se me amam.

Eu queria não chorar, eu queria acreditar em mim, eu queria achar que posso simplesmente abrir a porta e deixar a felicidade entrar, mas é tão, mas tão dificil... Porque ela deixa a porta aberta atrás de si e vem o vento frio, frio... Que não pára quando a gente fecha a porta, porque ele já entrou pele adentro e agora venta no peito e faz o coração bater dentro de um cubo de gelo.

Well, não é mesmo muito fácil entender.
E depois eu enxugo o rosto, volto aqui e conto as novidades da viagem.

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Quarta-feira, Julho 14

Morrissey!

why did you stick me in self-deprecating bones and skin, Jesus?
do you hate me?

Pronto, cheguei. Na verdade, cheguei na segunda feira, mas a preguiça de pensar em internet nem me deixou chegar perto desse teclado.

No sábado de manhã, quando saímos de Jersey, o aeroporto estava lotado. Me entupi de feijões no café da manhã, e uma hora de vôo depois, estávamos em Manchester.

O clima na cidade estava pavoroso (frio e vento mais frio ainda), mas enfim, eu estava em Manchester, right? À tarde fomos ao Imperial War Museum, sobre as guerras mundiais, que eu achei completo e interessante (tem sessões de slides, belas e perturbadoras fotos acompanhadas de depoimentos emocionados e emocionantes). No meio do caminho, caiu uma pequena tempestade e tivemos que passar uns minutos debaixo da marquise de um pub - que estava fechado, merda. Fiz umas fotos no museu, depois ponho no álbum. À noite fomos ao cinema ver Shrek 2, que eu achei simplesmente foda. Comi um balde de pipoca tão grande que pensei em levá-lo pra casa depois e usar como balde de verdade. E o tamanho do refrigerante? Fui pedir “large” achando que viria um copo de 500ml e tive que beber um litro e meio de coca cola! Gahhh. De volta ao hotel, consegui ainda beber quase dois litros de cerveja no hall, enquanto via uma galera enorme chegar do show dos Pixies, que tinha rolado naquele dia.

No dia seguinte fomos ao shopping da cidade. Manchester é bonitinha, a área onde ficamos hospedados parece ter sido reformada recentemente, porque todas as construcões eram novas - o que diminui um pouco o charme, mas quem liga? O shopping é legal, lojas de brinquedos e stationary (deu saudade dos meus FBs…) e um pequeno telão onde eram exibidos trailers de filmes indianos engracadíssimos. Voltamos para o hotel porque o Neném queria assistir a corrida de F1 em Silverstone. Depois fomos andando até o Old Trafford Cricket Ground, onde eu veria o meu Moz.

O estádio é enorme, tanto que mais da metade do espaço disponível era ocupado por barraquinhas de merchandising e comida. A “praça de alimentação” do show, eu suponho… Acho que o público do Morrissey mudou muito; olhando para aquelas pessoas de cabelo verde eu senti saudade dos fãs que eu via nos velhos vídeos dos Smiths: meninos de óculos, topete, camiseta branca da banda e jaquetas jeans surradas. Tão jovens e tão lindos, puros, inocentes e tristes. Não tenho paciência pra pessoas de cabelo azul, 253439474 piercings, saia curta naquele frio do caralho, bota da Hot Topic, e se dizendo fãs do Morrissey. Newbies, ARGH (hahaha).

Antes do show do Moz tivemos que aturar três bandas insuportáveis. Quer dizer, eu até gostei da primeira, tinha umas musiquinhas bem legais e o vocalista era altamente consumível... A segunda eu nem vi porque estávamos atrás de uma camiseta para mim, mas tanto as oficiais quanto as vendidas pelos camelôs não agradaram. Desistimos, comemos batata frita e bebemos cerveja, e voltamos para o gramado, a tempo de descobrir que os New York Dolls estavam fazendo uma cover lastimável e herética da Janis Joplin. Puta que pariu. Fomos ver um moleques jogando futebol e por lá ficamos ate que os velhos do NYD se dignaram a evacuar o palco (no sentido de sair dele, que fique bem claro…). Dali pro show do Morrissey ainda levou um tempo, eu congelando de frio, apesar do poucos raios de sol que diziam OI no horizonte (o maldito vento… Se o frio ficasse parado, na dele, beleza, mas o puto SE MEXIA!).

Enfim, Stephen Patrick on stage. Entrou no palco elegantíssimo, de blazer, e bem mais em forma do que estava no show do Rio. Ele abriu o show com piadinhas sarcásticas e uma das melhores músicas do You Are The Quarry, na minha opinião: You Have Forgiven Jesus, e quase tive um ataque quando ele deu uma risadinha irônica depois do verso inicial da música: “I was a good boy, I wouldn’t do you no harm”. AI, QUE MAIS FOFO. O set list foi pra lá de bizarro, mas incluiu umas boas canções dos Smiths, entre elas There's a Light that never goes out, não por acaso a música da minha vida (ou uma das). Pulei tanto e pularam tanto em cima de mim nessa hora que agradeci por estar com ele bem ali atrás de mim, me segurando forte para que eu não caísse. Aliás, que companhia maravilhosa ele é. Empático até o limite do intolerável (haha), sorria o tempo todo, e o fato de eu saber que ele não é especialmente fã do Morrissey só fez aumentar a grandeza do gesto e do bom humor com que ele aturou cotoveladas, pisadas, empurrões, cinco horas de espera (e um babaca fumante que jogou cinza de cigarro no casaco novinho dele, destruindo-o) sorrindo e achando tudo lindo. Fiz fotos sim, mas cismei de não querer usar flash, e obviamente as fotos saíram borradas. Uma pena, mas eu não perder tempo me preocupando com fotos “pra postar na internet”, afinal, eu estava lá, porra...

Como sempre, teve camisa sendo esfregada nas partes pudendas e depois jogada para o platéia. Delirante. A única ressalva foi que não teve bis. A meu ver o show acabou cedo demais. Sabe como é, eu poderia passar a noite inteira ali, inundando o chão de baba. Consegui uma camiseta do festival na saída, como souvenir. E de volta ao hotel, sonhei que estava pulando ainda e de fato pulei a noite inteira, enquanto dormia (acordei umas três vezes, sobressaltada).

Amanhã voltamos pra Londres pro show do Simon & Garfunkel. E por ora é isso (eu quero meu teclado e minha escrivaninha de voltaaaaa! Escrever nessa cadeira detona as minhas costas!)

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Sábado, Julho 10

flying to humdrum town

Indo pra Manchester agora - a temperatura na cidade oscila entre 11 e 16 graus, o que significa que vou ver o Morrissey em picole mode VERY ON. Bom, nada é perfeito, o que mais eu queria? Um puta dia de sol? Me foder, eu...


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Sexta-feira, Julho 9

hoje é dia de maria.

Hoje é dia de faxineira.
Eu devo ter mesmo problemas sérios. Porque desde ontem estou me sentindo mal ante a perspectiva da presença da criatura. É apenas uma faxineira portuguesa chamada Maria (que clichê, aliás...), dirão todos. E eu respondo que sou apenas uma garotinha assustada que tem medo de gente.

Não posso fazer nada a respeito. Pessoas, para mim, são bichos-papões até que se provem o contrário. Traumas antigos, you know... Perdi até a fome, mesmo sabendo que na geladeira tem uma panela enorme cheia de chilli con carne que sobrou do jantar de ontem. Vou comer uma maçã verde e me enfiar debaixo da cama. Com alguma sorte, ela nem vai perceber que estou em casa.

Aliás, falando em jantar, ontem ele resolveu vestir aquelas roupas típicas escocesas (só faltou a gaita de fole...), colocar um CD de músicas idem e me ensinar a dançar. Detalhe: ambos bêbados - que novidade. Foi divertido dançar com um homem vestindo saias e com uma faca enfiada no meião, confesso. Mas preciso fazer ginástica – meia hora pulando pela sala, e meu órgãos vitais quase saíram pelos poros.

Eu acho que ele não vai gostar de ver as fotos aqui, mas dane-se, porque eu achei a roupa linda.


Ah, sim – só mais uma coisinha pra estimular a produção de ptialina pelas glândulas salivares de vocês…


Ok, tentem não me odiar tanto.

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Quinta-feira, Julho 8

Binge eating, yay!

Estou comendo a pipoca doce mais foda desse planeta. Orgasmos múltiplos com esse bagulho. E com o jantar de ontem, camarões em molho agridoce, três vivas à comida chinesa! E também à garrafa de um litro e meio de La Rioja que derrubamos enquanto assistíamos a um western spaghetti.

Deus. Essa aí sou eu mesma? Haha.

Impossível não engordar, aqui. Devo ter engordado, mas como estou em período pré-chateacão-menstrual, não dá pra saber ao certo, porque ganho uns quilos naturalmente nessa época - retencão de líquido. Eca.
Mas esse saco de pipocas cobertas por um quilo de manteiga está sorrindo pra mim, eu juro.

Sábado vou pra Manchester. O show do Morrissey vai ser no domingo, mas vôos dominicais não são lá muito fáceis, entao viajaremos um dia antes. Vai dar tempo de dar uns rolés pela cidade, sabe como é, meu sonho de infância. Já fui avisada de que Manchester não é lá muito agradável, mas quem liga? A banda que eu amo nasceu lá. Deve ter algo de especial e mágico naquele lugar. Mas estou preparada para lidar com eventuais frustracões.

Acabei não comprando ingressos pro show do The Cure.
Porque se eu quisesse ir a esse também, significaria ter que ir antes, pegar avião sozinha, check in no hotel, ir ao show, voltar pro hotel... E eu sou pata choca demais pra esse tipo de coisa. Não tenho coragem nem de pegar um ônibus, aqui na ilha. Insegurança pura. Além do meu inglês péssimo, do sotaque estranho das pessoas que não me deixa entendê-las, tem todo um lance de que aqui eu sou ostensivamente observada nas ruas. Talvez não o fosse tanto, se andasse sozinha - porque deu pra perceber que o problema nao é exatamente EU, mas o fato de sermos EU + ELE. Os olhos das pessoas batem primeiro em mim, e seguem direto pra ele. A leve expressão de "what the fuck!?" que elas fazem é impagável, mas não sei se estou a fim de encarar esse tipo de coisa estando sozinha e falando um inglês ridículo. A forma mais legal de foder gente preconceituosa é se revelando foda - coisa que eu, definitivamente, não estou podendo.

E ele acabou de ligar pra dizer que hoje vai ter chilli con carne no jantar. Ai, ai.
Vigilantes do Peso, me aguarde.

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Quarta-feira, Julho 7

Updates...

Estou há um bom tempo sem dar as caras aqui, hm? Mais precisamente duas semanas.
Já se passou um terco das minhas "ferias" e ainda tenho muita coisa para ver e conhecer por aqui. Estive escrevendo durante esse tempo no livejournal, mas sei lá, assim como aconteceu com o Orkut e o Fotolog, acho que estou enjoando de LJ.

Devia estar enjoando de internet, de um modo geral. Está tudo muito chato, parado e burro. Muito burro. Não consigo mais engolir gente ixcrevendu axim, nem aquelas celebrities pateticas de fotolog... Quando comecei a acessar a web, fiquei besta com o numero de pessoas inteligentes que existiam por aqui. Acho que o nivel caiu muito. Acho tambem que eu desisti dos amigos errados. Por preconceito, cortei pessoas mais velhas, que me acrescentavam muito em conteudo, para dedicar atencao a quem eu achava que fosse meu amigo. Resultado? Hoje em dia esses "amigos" ou desapareceram ou me ignoram. Licao aprendida, bola pra frente.

Hoje chove muito, por aqui. O vento uiva (Wuthering Heights? Coincidentemente estou ouvindo a Kate Bush, nesse momento). Isso e bonito de se ouvir, sabe? O fim de semana que se passou foi bem movimentado: Londres, pequenas vilas no countryside, stonehenge, circuitos de automobilismo, igrejas de seculos passados e seus cemiterios, programas tipicos de turista como andar de onibus vermelho, tirar foto em frente ao Big Ben, enfim... Cansativo (nao estou acostumada a carregar malas para cima e para baixo, nem em pernoitar cada dia em um lugar diferente... Minha vida normalmente e muito chata), mas delicioso (soundtrack nesse momento: musica de anjos para sonhos que se realizam).

Fotos, fotos... em breve. Tenho um monte para descarregar, logo estarao por aí, e tambem por aqui. Cada uma delas e uma pecinha no quebra cabecas da minha felicidade. Nem tudo tem sido perfeito - mas esse e o (pequeno, minusculo) preco a se pagar por ter um sonho realizado... Virou realidade, os defeitos chegam... Mas eles nao tem sido nada perto dos motivos que eu tenho tido para sorrir.

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