Domingo, Junho 20

Going far way.

Acabei de chegar do churrasco que foi o enterro dos ossos da festa da Pree. Nossa, tanta coisa pra contar disso... Quase casei com uma lésbica ontem. Hahaha. Era a "mulher" mais bonita da festa, e agora eu parti o coração da moça. Fazer o quê, né? Bem, pelo menos ela dança divinamente e foi uma boa companhia. Só a namorada dela não gostou muito e quis me mostrar unhas. Enfie-as no rabo, querida. Que coisa.

Ah, sim. Nada além da dancinha - eu ainda sou, conforme declarado há dois posts atrás, tecnicamente hetero. E eu não sofro de episódios de coma alcoólico - pelo menos, não muito freqüentes...

E amanhã às duas e meia eu pego meu aviãozinho e fui. Vou continuar por aqui, com updates e fotos da viagem - só não espere tanta assiduidade. Ah, sim - emails durante as próximas seis semanas deverão ser endereçados para meodeie@yahoo.com. É que eu de-tes-to o webmail do ig. Obrigada.

E queria agradecer às pessoas que se despediram de mim de uma forma bacana. Que desejaram coisas bacanas sinceramente. Vocês fazem a porra toda valer a pena, obrigada por terem nascido. E, por fim, mandar todos aqueles que sabem que merecem ir para a puta que os pariu, para a... puta que os pariu. Nada original, mas hoje dei férias para Olavo, Rodolfo e Adamastor, meus dois neurônios e meio.

Até daqui a pouco, se tudo der certo.

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Sábado, Junho 19

sobre flogs e superficialidade.

Me arrumando toda-toda pra festinha de aniversário da Pri.
Vai ter bolo, vai ter docinho, vai ter salgadinho, vai ter coca cola e - ESPERO! - vai ter cerveja. Eeee. Garota feliz falando, aqui. Nesta casa só rola água pra beber, no momento. Nem sequer aqueles suquinhos vagabundos em pó.
E o namorado aparece na webcam bebendo uma coisa que, a grosso modo, pode ser definida como milk shake de Bailey's. Ai, ai... Devia ser pecado inafiançável diante do Pai torturar assim uma pobre alma sedenta, como eu.

E depois de um dia cheio, onde fiz várias coisinhas fofas de menina, eu estava justamente tentando explicar pra ele a dinâmica do Fotolog. Por que ter 100 comentários numa foto, por exemplo. Porque as pessoas são amigáveis e gostam de ser legais umas com as outras deixando comentários elogiosos? N-Ã-O. A maioria das pessoas do fotolog não gosta de ninguém - além delas mesmas. Pense comigo: pra QUÊ pagar five bucks/mês pra ter 100 comments completamente idênticos uns aos outros ("lindaaaaaa!", "pow, moh RoX essa fotinhuuuu", "munitah vc... passa nu meu flogui, c deh comenta nu meu") e inúteis? Na maioria das vezes esses comments nem são lidos. Passa-se os olhos. Então, por que pagar a mais só pra tê-los?

Porque guestbook cheio = ego inflado. E isso significa que você é importante e especial - e não quem comenta. E quem retribui o comentário, só o faz para manter o feedback, para manter os outros escrevendo baboseiras no seu guestbook, lotá-lo e assim deixar seu dono pensando que é amado. Porque ele SE ama acima de tudo e acredita que os 100 comentários são a validação do resto do mundo a esse "self-love". Ele se esquece que, para cada uma daquelas pessoas que vão ali puxar o seu saco, ele NÃO É especial. Aquelas pessoas só vão ali escrever idiotices para fazer com que ele comente de volta. Para não quebrar o elo dessa cadeia alimentar. Para essas pessoas, ele não é NADA além de mais um "fotolog.net/endereço" no seu guestbook.

Hein? Ah, quem paga pode postar seis fotos por dia? Fala sério. Poucos pagantes postam mais do que uma...

Exlicando isso pro neném, parei pra pensar também e fiquei triste. Pelas pessoas que eu gosto e estão chafurdando naquele pântano de imbecilidade, e por mim, que de certa forma sou uma das engrenagens do sistema (embora pouquíssimo atuante) e tenho nas roupas os respingos da lama desse pântano. Além das mãos sujas com o sangue do crime que eu própria condeno. Nunca fui comment whore, nunca comentei em fotolog tosco só pra receber comentário de volta (como "castigo" por isso, nunca lotaram um guestbook meu... Sim, já tive goldcam por três meses, presente dessa linda aqui - até que nós duas enchemos o saco daquele lugar, quer dizer, eu acabei "voltando"), e não fiz "amigos", lá. Mas não deletei minhas fotos. E não tenho coragem de simplesmente deletar minha conta e sumir. Ok, não posto mais fotos da minha cara, tentando fugir dos comments vazios "lindaaaa" (não que eu seja de fato bonita, mas para ganhar uma assinatura num guestbook, pessoas chamariam o Satanás de "gatinho"). Mas mesmo assim, alguns comments que recebo agora não são muito melhores... Deixam patente que a foto em si mal foi olhada, escreveram qualquer coisa na esperança de receber um comentário meu de volta.

Nesses casos, NUNCA respondo.
Maaaas, como eu disse no post anterior, essas pessoas estão felizes E eu as invejo por isso. Let them be, elas são lindas, populares e "amadas", e eu sei que isso tudo não é verdade, mas foda-se, porque eu não sou nada disso (nem de verdade, nem de mentira) e não estou feliz.

Minhas compras: bolsa style de seis e camisetinha de quatro. Dez real num oufit. Alfândega rocks my dirty socks.


p.s.: tá com raiva do seu micrinho lindo do coração? clica aqui.

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Sexta-feira, Junho 18

Shinny happy people

A gente muda. Pra melhor, tomara.
Quantas vezes não me peguei copiando e redistribuindo o discursinho das "almas elevadas", "olha lá, pobre coitado, é um infeliz e nem sabe; se julga a mais contente das criaturas porque não enxerga a própria mediocridade".

Quer saber? Se não enxerga, ótimo pra ele. Porque me dei conta de que medíocres todos nós somos - e nem vou dizer "em maior ou menor grau" porque qual seria o parâmetro?? Se ele, medíocre ou não, se julga feliz, uma salva de palmas, por favor. Porque se ele acredita ser, então ele É. Já viu alguém sendo feliz na teoria? Não, né? É porque só se pode ser feliz na prática, porque nesse particularíssimo caso, só ela conta.

E eu tenho inveja de gente feliz. Eu não quero ser cool, eu não quero ser rica, eu não quero ser um gênio. Eu quero é arreganhar os dentes todas as manhãs e acreditar que exista um motivo real para isso - mesmo que os putões caga-regras do planeta achem que não.

Afinal, melhor ser supostamente medíocre e feliz, do que supostamente medíocre E infeliz. E mais bonito é ver um medíocre gargalhando enquanto se bronzeia em Cotê D'Azur ou requebrando num pagodão de subúrbio, do que um medíocre que se acha a última coca cola do deserto, com seus livros debaixo do braço, sua cultura de almanaque e cujos dentes não vêem o mundo exterior faz tempo. E oh, como os dentes dele gostariam de pegar um sol de vez em quando, mas ele negará até a morte, claro - "porque a felicidade é para os idiotas".

Me internem na Pestalozzi então.

Meter o pau nos milionários burros da vida? Yes, please. É um esporte e tanto. Mas vamos assumir que é inveja, porque essa peninha fake é que é medíocre. Pena o cacete. Eles são felizes, sim. Acreditam sê-lo e SÃO. Eu e você até podemos ter mais neurônios, mas o dia que neurônio se reverter em dinheiro e, conseqüentemente, felicidade, aí sim eu posso começar a rever minha teoria. Por enquanto eu estou trocando os meus neurônios por latinhas de Pringle's (sabor cebola somente, a lata verde). Interessados favor mandar emails.

Abaixo, Celinha tendo por cenário a Marina da Glória, vista da Urca, Rio. Foto feita no dia dos namorados by EU.



Mas ela não é minha namorada; eu sou hetero e pseudo-comprometida, obrigada pelo interesse. O resto das fotos e-o-rio-de-janeiro-continua-lindo, estão aqui.

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Quinta-feira, Junho 17

mother.

Mãe, não dá mais pra seguir os seus passos.
Você nem mesmo me ensinou a andar - se bem me recordo, aprendi a andar sozinha. Eu me lembro bem de coisas antigas, e muito mal do que jantei ontem. Aliás, não lembro mesmo o que jantei ontem. Mas me lembro das sandálias prateadas de sola preta que usei no meu aniversário de dois anos. E da porta do seu quarto se abrindo, mãe, e você tirando das minhas mãos o fogãozinho de plástico que eu havia acabado de ganhar.
Havia uma foto a ser feita, sabe.


Que tipo de alma perversa dá um fogão de presente para uma menina tão pequena, enfiando subliminarmente naquela cabecinha as primeiras noções estereotipadas de feminilidade, eu não lembro. Mas lembro que o fogãozinho era vermelho, que as panelinhas eram coloridas, e eu queria ficar com ele, mas aí você o tomou de mim, e eu chorei, e você não me devolveu, e assim o impasse da Estética x Prazer se transformou em berreiro - e a foto nunca pôde ser feita. Por causa de uma merda de fogão de plástico perdemos o registro. Como prêmio de consolação para a menininha que chorava, tá aqui o registro, inteirinho, dentro da minha cabeça. Mas parece que nós duas nunca vamos nos entender. Não é, mamãe?

E as pessoas apreciam as diferenças quando elas não atrapalham.
Quando você dá nomes diferentes a si mesmo nos lugares onde vai, e as pessoas começam a te chamar por todos eles ao mesmo tempo, e isso realmente te diverte da mesma forma que você acha que isso devia diverti-los, mas só os deixa confusos e com raiva, boy, eles de fato odeiam diferenças. Pessoas são engraçadas, querem tudo tudo tudo e não dão PORRA nenhuma em troca. Seu nome, idade, tipo sanguíneo, diga-eu-tenho-que-saber-pra-saber-se você-vale-a-pena. Em troca de um sorriso, eles exigem a sua alma. Aliás, antes fosse a alma. O que eles querem de você é palpável, é o que eles podem ver, e principalmente o que podem pegar - para eventualmente tirar de você quando precisarem. O essencial é invisível para os olhos, mas o conceito de essencial é variável.

Eu não condeno os esquisitos - apenas quando sinto que a esquisitice é forçada. Mais justo seria condenar os normais, porque eles é que são, de fato, muito estranhos... A doença está no padrão, e não no desvio.

alguém: a solução pra gente sair da merda é concurso público
alguém: não querem saber onde vc mora nem se vc é bonito ou feio ou se tem experiencia
alguém: a merda toda é conseguir passar
marie lastrange: tô fora
alguém: é melhor que emprego convencional
alguém: tem bem mais estabilidade
marie lastrange: não me interessa mudar de galho
marie lastrange: eu quero é sair da selva!

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Terça-feira, Junho 15

labiríntica.

Ficar lendo embevecida os posts de outras pessoas só me esfrega a verdade ululante na cara. Não tenho mais sobre o que escrever, a sério. Não. Essa não é a verdade. A verdade é que eu não consigo mais. Não vou mais dizer que isso dói horrores. Foda-se, porque não dói. Nem vou dizer que estou deprimida. Eu já estive deprimida até o limite do tolerável para quem, como eu, não acredita em depressão. É da minha natureza passar por cima de coisas. E sim, o ditado que enaltece as qualidades do bambu, que "se verga ao vento das tempestades para não quebrar" me define à perfeição.

Eu estou dividida entre mil interesses diferentes, nenhum efetivamente relevante e que consiga me dar prazer, porque demandam dedicação e uma disponibilidade que eu não tenho mais. E há ainda as coisas que eu gostaria de poder fazer, mas sei que não poderei nunca, e isso me lança um dardo banhado em fel pro meio do peito. Mas eu engulo em seco e prossigo, como sempre.

Eu me chamo "unlovable" porque não consigo ninguém que segure minha bolsa, num ônibus lotado.

Não gosto mais de sair de casa, nem de aglomerações. Minha fobia social está se tornando insuportável, logo agora que eu gostaria de poder virar o disco. Vejo meus amigos felizinhos e isso não me comove. Só uma melancolia meio irônica me faz rir com o canto da boca e transformar as pessoas em personagens, que vão perdendo as cores e desaparecendo aos poucos, feito retratos em aquarela. E a anestesia foi tão foda que isso não me causa mais nada.

O máximo que consigo é ficar aqui, rodando nessa cadeirinha giratória dentro da gaiola azul, sem ter direito de ver a vida passar pela janela, porque esta dá para uma parede e eu nunca abro as persianas. Queria que essa janela fosse uma passagem dimensional para um lugar diferente, com pessoas idem e onde principalmente eu não fosse a mesma.


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Domingo, Junho 13

Inquisição global.

Alguém aí ainda aguenta matérias jornalísticas do tipo "pesquisas indicam que a gordura dos alimentos faz mal à saúde das crianças" ou "o que os pais acham de os filhos levarem seus namorados para dormir em casa?".

Quem fode com o filho do vizinho (e onde fode) não devia ser do interesse da nação brasileira. O que mais me espanta é o casalzinho de adolescentes topar conceder uma entrevista constrangedora dessas, sentados na sala com os pais da garota, e a repórter perguntando "incomoda se eles fizerem muito barulho?". Meo Deos. O que gentalha não faz por 1,5 minutos de fama. "Isso, agora dêem um beijinho de língua para a câmera na frente de papai e mamãe". Nem eu seria tão liberal.

Jesus. Quatro anos de faculdade, pós-graduação, experiência acumulada e os energúmenos não conseguem elaborar uma mísera matéria criativa! Se eles estivessem no limbo profissional eu ainda teria consolo. Mas não, eles trabalham para a GLOBO!

O espírito de catequese implícito nessas reportagens "faça o que eu digo, eu sei o que é bom pra você" me enoja. Que a globo enfie o seu bom mocismo enlatado na bunda, porque SIIIIM, as crianças querem se entupir de chee-tos requeijão e vegetar na frente do micro explodindo cabeças no Counter Strike, e pro caralho a gordura se entupindo nos vasos sanguíneos. Que a medicina trate de evoluir, ou então voltaremos a ter a mesma esperança de vida de 200 anos atrás, onde as pessoas morriam de resfriado aos 35 anos. Nesse caso vamos morrer espirrando gordura pelos poros, but so what? O lugar de ser feliz é aqui e agora.

E aquela imagem do garotinho gordo (que a Globo ju-ra ser um exemplo do que a reeducação alimentar pode fazer para salvar artérias, "agora ele só rói cenouras e bebe leite de soja, não é lindo? praticamente um ruminante!") olhando deprimido um prato de salgadinhos, enquanto a repórter mala banca a inquisidora espanhola/algoz da guilhotina da revolução francesa: "você tem CERTEZA que não quer comer isso?" me fará ter pesadelos essa noite, eu SEI.

Em tempo: não sou jornalista, não faço dieta e não faço sexo na casa dos meus pais. Aliás, atualmente em lugar nenhum (que puxa). Obrigada.

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Sábado, Junho 12

Sobre Madonna e sardinhas.

open your heart with the key
one is such a lonely number

Hoje o bedroom dancing vai ter Madonna. Em sua fase mais doce, quando ela estava casada com o Sean Penn, aquele narigudo que fazia a material girl sangrar.... Humor negro em pleno dia dos namorados - tem coisas que só eu faço por você. Pague no caixa e tenha um bom dia.

Eu sempre ficava pensando em como as celebridades lidam com o declínio do auge inevitável. A Madonna era uma Deusa, com o nome gravado a ouro no hall of fame do Olimpo, e hoje as pessoas a vêem como uma senhora já caminhando para o "empelancamento", com dois filhos + um marido bundão, atuando em filmes horríveis e gravando discos inexpressivos. Não que os filmes de antes fossem clássicos, e que os discos dos early days fossem fodas, mas então ela era A Madonna - e agora ela é apenas uma sombra que remete a um passado que hoje não mais acha encaixe em lugar algum. So sad.

Mas esse parece ser meu melhor dia dos namorados em eras. Acabo de chegar da "Toca da Sardinha" (falo sério), onde bebi e comi tanto que vim me arrastando rua afora feito uma lontra prenha, e duvido que meu estômago aceite algo pelas próximas duas semanas. Estou sozinha, o som está no máximo (vizinhos nasceram para se foder; lembre-se dessa máxima quando for a sua vez de ouvir o pagode de estimação deles por um domingo in-tei-ro!) e eu não quero ter que crescer e me tornar uma-pessoa-melhor se for pra deixar de ser histericamente FELIZ como estou agora.

Sugestões de presentes para mim nesse dia: lalala e lalala. E, dúvida - está difícil ler os textos aqui com a letra cinza e o fundo rosa? Ouvi reclamações pertinentes dele e dela, e mudei o background. Opiniões sempre bem vindas, embora o domínio seja meu e eu não ganhe nada para fazer um SAC e nem tenha saco pra trabalhar como Ombudsman.

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Quinta-feira, Junho 10

Celebrity.

A Gal Costa andou reclamando da minha cidade…
Disse ela que o lixão daqui atrai urubus, que, ao sobrevoarem a área atrás de comida, podem ser tragados pelas turbinas dos aviões, o que causaria acidentes terríveis.

Em primeiro lugar, 99,9% do lixo que é desovado aqui vem da Capital. Então, que os cariocas aprendam a auto-reciclar o lixo que produzem. Como?? Engolindo-o. Ruminar não deve ser tão complicado. Bois fazem isso.

Segundo, se a Gal está mesmo preocupada com a problemática urubu, que dê o primeiro passo em prol da resolução de tão grave questão. Que ela engula os urubus. Alguém amarre a Gal Costa nas turbinas dos aviões e recomende que entube o urubu com a boca antes que ele atinja a parte perigosa… A turbina, lógico. Não vai ser ruim. Pense em nunca mais ter que ouvir aquela voz estridentemente metálica cantando “Odoiá… Odoiááááá… Rainha do Máááááááá...” na abertura da novela das oito. Dois graves problemas resolvidos com uma só tacada. Ou melhor, bocada.

Eu até que estava deprimida.
Mas só de imaginar a Gal com um urubu atochado na garganta, fiquei bem. Suddenly.

(alguém lembra disso? é, eu me divertia nessa época...)

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Quarta-feira, Junho 9

Passeio na roça

And you find that you’ve organised your feelings, for people who didn’t like you then - and do not like you now

Acordei presentindo um dia de tédio, ontem, e me mandei pro sítio da minha tia-avó. Fica num lugarejo chamado Jororó, em Magé-RJ. A menos de uma hora do centro, você faz uma viagem no tempo, de volta há pelo menos quarenta anos atrás - com direito a fogão a lenha, estrada de terra batida, a maria fumaça das três da tarde, pessoas estranhas te dando bom dia na rua... Preciso dar mais motivos pra explicar porque eu adoro o Rio de Janeiro, mesmo com todos os problemas daqui?



O resto das fotos está aqui, vale a pena a visita, porque elas de fato te fazem voltar no tempo.

E como eu odeio aquela musiquinha "Love is in the air". Ela tem o dom de despertar a minha agressividade. Eu até gosto de coisas cafonas, mas as cafonas de corpo e alma - não essas merdas metidas a "kitsch". Kitsch é o meu kútsch, by the way. Um pouco de noção não faz mal a ninguém.

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Domingo, Junho 6

My senses must compete with a brain that lets me down

A bancada do meu quarto está a cara da copa do Hotel Glória.
Cheia de pratos, copos e talheres espalhados.
A desorganização passou aqui pra dizer olá e acabou ficando.

Acordei hoje às seis da manhã, após uma rápida noite de não-sono, com o barulho de uma garotinha de uns três anos aspirando ranho ressequido nariz adentro. Na verdade ela havia passado a noite in-tei-ra nessa. Respirava com o nariz entupido, e fez pior pela minha tentativa de me concentrar nos domínios de Morfeu do que qualquer adulto com ronco ameaçador poderia. Pra completar o quadro (pintado pelas mãos da Desgraça), de hora em hora ela mijava na cama (aka o tapetinho no chão onde ela dormia com os outros três irmãos e a mãe). E não era pouco. Parecia que haviam aberto as comportas de alguma represa. Cheguei a acordar numa das vezes, com o barulho do jato de mijo. Nunca vi coisa igual - e espero sinceramente nunca mais voltar a ver. Nem a sentir o cheiro porque, é claro, tanta urina demonstra sua presença claramente em termos de odor, até mesmo para narizes sabidamente ineptos como o meu.

Antes de explicar o que caralhos fazia eu nesse cenário tragicômico, mais sobre a tal garotinha. Prima minha, de 2394523640º grau, tem esses três irmãos e mais dois que ficaram em casa, todos eles filhos de pais diferentes, todos os pais traficantes, todos já mortos - traficante têm prazo de validade curto, you know. A mãe é uma garota esquelética de uns 27, 28 anos, obviamente aparentando o triplo disso, e que passou a noite grudada num negão de dois metros de altura (e largura...), provavelmente criminoso, provavelmente o pai do próximo filho dela, provavelmente mais um defunto do qual ela infelizmente não poderá receber pensão alimentícia do governo, uma vez que, é sabido, traficantes não pagam contribuição à Previdência.

Fui parar nessa casa ontem às duas da tarde, para o aniversário de 15 (ou 16? Não faço idéia, posso estar errada em ambas as suposições) anos de um primo de segundo grau. Filho de uma das minhas primas prostitutas, um amor de garoto, que não merece o nome que lhe deram: Neilton. O combinado era só comer um churrasco, tomar umas cervejas, esperar minha mãe confeitar o bolo e voltar pra casa correndo. Mas 1) começou a chover 2) havia, de fato, MUITA cerveja (cerveja entre aspas, claro, mas quem me conhece sabe que eu bebo até refresco de mijo de gato, se tiver álcool na receita) e muita comida e 3) sei lá a terceira razão, mas ela foi mais forte que as outras. Porque assim que cheguei, a prima piranha mais nova me agarrou pelo braço, dizendo que eu era a priminha dela, e foi me exibindo como um troféu para cada um dos convidados baixo nível.

Confesso que, dois copos grandes de cerveja mais tarde, aquilo começou a soar divertido. Eu não nego minha quedinha pelo wildside, mas eu DEVIA ter posto em mente que o wildside é que nem chee-tos requeijão: diferente, porém demais enjoa. Acabei ficando pra dormir lá.

A cerveja rolava feito água de bica. Enchiam meu copo, eu dava dois ou três goles, e novo gargalo era virado copo adentro, para repor o que eu havia acabado de beber. E eu, que não havia comido quase nada até então, não demorei pra ficar felizinha. Minha prima está gorda feito uma rinoceronte grávida, usava um bermudão masculino modelo "gerente-de-boca-de-fumo", um top que mal aguentava o peso dos peitões, um piercing no umbigo (que a gente só conseguia ver quando a posição da dona afastava as camadas de banha pros lados), pés descalços imundos e, nas mãos, um copo de cerveja e um maço de cigarros barato. E foi esse ser descabelado que saiu me arrastando por vielas. Valeu por uma aula de antropologia. Realmente, a falta de noção de pessoas muito pobres me diverte ao mesmo tempo que me deixa estupefata. Uma senhora de uns 45 anos, por exemplo, demonstrava as posições do ato sexual que desempenhou na varanda de própria casa com um vizinho, enquanto o marido calmamente via televisão na sala. Entre outras historinhas pitorescas que eu não estou a fim de contar na íntegra.

Finalmente chegou o maldito viado, que enfiou no braço a minha adorada pulseirinha colorida de estimação. Ficava me agarrando e me chamando de gostosa e me jogando pra lá e pra cá enquanto dançávamos o funk (!!!) do Morro do Sapinho ("é nóis, sapinhô, é nóis, sapinhô"). Achou de começar a me dar estalinhos na boca, até que eu comecei a afastá-lo com safanões delicados. Estranhei então a sexualidade do ser bizarro; aquele tipo de viado de quinta que fica bêbado com cerveja de um real e depois vai para terrenos baldios ou para trás de murinhos pagar boquete em qualquer macho que não distribua patadas ao primeiro olhar que ele der. Desinfetei meus lábios com água, sabão e cerveja e fui cuidar do boteco da minha tia, que vende cachaça. O viado acabou sendo expulso da festa, que nem havia começado, por ter supostamente alisado as partes pudendas do aniversariante. Chato é que a pulseira foi junto com ele (minha tia se encarregou de resgatá-la, tomara tenha sorte).

Servi pinga para dois mineiros, e um deles obviamente ficou a fim de mim, me deu até o telefone, anotado no verso de um cartão de visitas que não era dele, tendo o escudo do Cruzeiro por decoração. Eu até teria sido mais simpática com ele, se não tivesse cometido o erro de elogiar minha diástena. ODEIO que mencionem essa merda. Servi cerveja para dois capixabas, e um deles (o mais bonito, luckily; que olhos verdes!) ficou a fim de mim. Bom, fechei o bar antes que tivesse conquistado o coração de um representante de cada um dos XX estados brasileiros (depois que começaram a emancipar cidades, perdi a conta).

Fui para a festa. Eu estava com uma camiseta da Hello Kitty por baixo do casaco, e os gateenhos do evento só me chamavam de Hello Kitty. "Ei, Hello Kitty, chega aqui!", "Hello Kitty, meu primo quer te conhecer...", "Ô Hello Kitty, olha pra cá!". Eu devia estar mesmo uma gracinha. Numa festa onde os convidados pareciam ter saído de uma penitenciária/puteiro/cemitério (insira o que mais lhe apraz, ou todos, que dá no mesmo...) e as mulheres perambulavam seminuas em roupinhas de lycra que se moldavam sensualmente às suas grossas camadas adiposas, eu encarava o frio de casaquinho e cachecol. Really, um elemento destoante, e que talvez por isso chamasse a atenção.

Fui tentar dormir à meia noite, depois que enfim resolveram cortar o bolo - solado. Havia comido e bebido tanto que a barriga, distendida, doía. O colchão era duro, o cheiro do ambiente não era dos melhores, as criancinhas que estavam no chão não paravam de choromingar. Ensaiei um sono depois de ver aquela merda que foi o Supercine ontem (só valeu pela Julia Stiles, linda), mas fui despertada às três por um bate boca no quintal. Alguém havia aumentado muito o som, e a mãe do aniversariante resolveu acabar com a festa ali, na marra. "O quintal é meu e a rua é de vocês!" foi A_Frase da noite, de uma crueza e eficiência tamanhas que tenho que me lembrar de utilizá-la futuramente. Uma pérola. Bom, dessa hora em diante não dormi mais, porque a guriazinha roncava pelo nariz, minha mãe estava jogada em cima da minha dolorida e inchada pessoa, eu estava enjoada de tanta cerveja Itaipava, e sei lá. Não sei mais dormir na bagunça,lalala.

São os meus restos que escrevem isso agora, e não, não vou pôr as fotos em tamanho real em lugar nenhum. Certas coisas é melhor mesmo suavizar - nem que seja ripando pixels... Pouse o mouse na foto para legendas.







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Sexta-feira, Junho 4

Chegou!

Hoje foi um dia feliz, pisei num rato em plena Praça Mauá e ele morreu. É a segunda vez que faço isso na vida. Os ratos do mundo estão se unindo num complô vingativo contra mim, eu sei.

E o que é a Praça Mauá, hein? Aquele "Terrasse Bar" é o cenário dos meus piores pesadelos. Não tenho coragem de beber nem coca cola naquele lugar. Deve ter sujeira (pra dizer o menos pior; quem conhece, sabe...) de tudo quanto é nacionalidade possível naqueles copos. Christ.

Mas olha, ele acabou de nascer:


Não é uma gracinha?
Dá até medo ter uma coisa dessas. Sei lá, fico olhando e parece que nem é meu.
17 dias.

E o que o ócio não faz.

back.

Uma e quinze da manhã, e chove lindamente.
Resolvi voltar com isso aqui. Bla, bla, bla.

Acabo de achar um bagulho escroto no meio do meu pão.
Total cara de ser casca de ferida, mas eu preferi jogar no lixo a descobrir a resposta.
Porque algumas coisas é melhor NON SABER.

Sou psicose delirante
Me transformo em cada instante,
Em astronauta viajante
Tô na deprê, tô na depressão
Não me vejo no espelho e vou andando em contra mão
Será normal, alguém da minha idade
Detestar os mais clarinhos odiar a sociedade
No fundo invejo essa gente, sem ódio nos dentes
Sem amor no coração sem bala no pente
Me drogo em um segundo lá se vai a dor do mundo
Minha alma tá morrendo com o meu sonho vagabundo
Mãe não chore, me dê proteção
Meu sonho de menina não pode ser em vão
O que a cigana me falou o pastor tinha falado
Eu Agradeci com um sorriso nos lábios
Mas e daí, se não consigo ser curada
Felicidade não é viver angustiada
Sonho acordada não é isso que eu queria
Me perder na madrugada e me encontrar no dia
Me escondi da Depressão, mas fui encontrada
Quem pode me dizer se estou perto de morrer?
E se morrer, será que vou subir ou descer?


Por essas e outras eu acho a Nega Gizza legal.

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