Segunda-feira, Março 29

Drugstore salvation

Sem querer soar chata, but... Eu não aguento mais ver pessoas de cabelo vermelho na minha frente. Sei lá, seres. Que tal verde?? Nunca vi um fotologger/photoblogger/similares com cabelo verde. C'mon, girls. Creativity also rules.

E pros que me inquiriam desesperados acerca do significado da minha ID no MSN (drambuie_rocks), taí pra vocês um "arte" feita a partir da foto das garrafinhas:


Drambuie = whisky escocês, mel, açúcar, extratos vegetais. É um licor. Foi meu amor que me deu. E é bom.

E na sexta passada à noite eu estava falando com o Marco quando a Roberta ligou marcando uma cachaça pra dali a uma hora. Eu não estava legal, mas okay. Sextas feiras à noite não combinam com quarto + internet. Rua, e no meio do caminho, eu me ponho a vomitar ferozmente. Fiquei tonta e parecia que eu havia engolido um faqueiro inteirinho que retalhava meu estômago e barriga por dentro. Caí sentada no meio-fio, meia noite, all alone, e comecei a cantar "Trouble" do Coldplay (é, eu tenho atitudes sem noção no meio do perigo, que me fazem voltar ao normal).

Ainda dói. Ainda estou enjoada. Será efeito colateral?


Rivotril é meu amigo. Rivotril quer me ajudar. Ludiomil me estende a mão. Ludiomil não me deixa cair. Sentados cada um de um lado, me mantêm afastada dos instrumentos perfuro cortantes. Me mantêm a vontade de abrir os olhos. Me desenham um sorriso falso na cara. Borrado e falso, mas ainda assim um sorriso.

Três vivas ao balconista da drogaria.

P.S.: ah, tem um post inteirinho das fotos que eu e a laila fizemos no cemitério israelita, ontem. Onde? No livejournal, claro. Eu não ia entupir isso aqui de fotos. Se você foi um(a) bom (boa) menino(a) e me adicionou, vai ler. Caso contrário, im' so sorry for you...

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Sábado, Março 27

Ode à serenidade.

Aqui, sábado.
Meu quarto com as janelas abertas, e como está nublando, tudo fica ainda mais bonito. E eu sei que está nublado não por olhar o céu (a janela dá pra uma parede e uma escadaria branca, embaixo da qual moram velharias). Eu gosto tanto de chuva que posso adivinhar as nuvens chegando pelo cheiro que estranhamente sinto quando está pra chover.

Eu ia ganhar bem se trabalhasse com metereologia.

Eu estou feliz, hoje. E não devia estar. Hoje eu sei que dei um passo (à frente...) que não terá mais como ser revertido. A permanência daquele retrato na escrivaninha estava me fazendo mal, e eu decidi que não, nada tem que ser para sempre. Se nem as boas coisas ficam, porque deixar justamente as ruins? Se tudo o que tínhamos de bom acabou, porque prolongar a permanência do lixo tóxico em nossas vidas?

Eu estou bem. Porque eu gosto do meu monitor novo, as cores são mais bonitas nele. Porque a minha desktop me traz um sorriso pros lábios. Porque é legal ficar nerdeando e falando com gente que eu adoro e de quem sentia falta. Porque eu fiz fotos engraçadas com a minha Sony linda. Porque ontem à noite fiquei doentinha e vomitei, mas vomitar pode ser legal, porque sempre nos sentimos melhor depois que expulsamos o que o corpo não aceita mais.

E ele ligou pra fazer exigências absurdas, e eu não cedi, e ele disse que não queria mais me ver.
E eu disse "ok, então".
E eu jamais pensei que seria capaz de dizer isso, mesmo que mil anos se passassem.
Eu não quero mais vê-lo, também.
Porque ele pisou em cima da amizade que eu ofereci. Como quem desdenhosamente apaga com a sola do sapato a brasa de um cigarro que, mesmo no fim, ainda estava queimando.

Mas eu não apaguei. Eu estou aqui.
Meu quarto está uma zona, e eu adoro isso.
Meu caderno do Pochacco está aqui, também, e eu adoro isso.
As caixas das coisinhas que eu comprei esses dias se amontoam em cima da cama, e eu adoro isso.
O vento pré-chuva e seu cheiro delicioso característico entra pela janela e me acaricia o rosto, os pulmões, a alma, e eu adoro isso.
As minhas pulseiras coloridas estão espalhadas por cima da bancada, está tudo bagunçado, mas as cores são lindas, e eu adoro isso.
"Ele" ligou de manhã pra me dar bom dia, e eu adoro isso.

E a tarde começa agora. Vou lá fora brincar de fotógrafa antes que chova.
E depois que começar a chover, eu ainda vou estar lá.

"está tudo bagunçado, mas as cores são lindas".
É. Eu, definitivamente, adoro isso.

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Sexta-feira, Março 26

alma matters

So the choice I have made
May seem strange to you
But who asked you, anyway ?
It's my life to wreck
My own way

E eis o Grande Medo do pessoal lá do trabalho (nossos amigos proto hackers wannabe que, na impossibilidade de quebrar senhas de banco, invadem inbox/domínios de menininhas suicidas depressivas...); com vocês, a minha super-hiper-ultra-mega-evil desktop:



Os cristãos devem achar que se trata de coisa do cramulhão. Da besta fera. Do "próprio". Do coisa ruim. E talvez seja, mesmo, ué. Siga o link e encharque as calcinhas assistindo aos episódios: happy tree friends. Demora em dial up (e às vezes até em broadband), mas porra, vale a espera.

Ok, acho que desistiram de apagar minhas desktops. Mas, só pra me garantir, eu meti o coelho amarelo aqui em casa, também. Porque agora eu sou chique, bem, e tenho um flatscreen de 17 polegadas. E essa inveja que você está sentindo agora até me excita.

Estou aqui decidindo se vou dormir, se fico nerdeando, ou se vou beber hectolitros de cerveja com o Fernando e a Roberta. Vou jogar um dado pro alto, e se cair no número sete eu prometo ir pra cama.

Leitura estimulante de hoje: http://suicidiaries.blogspot.com. Para os "i-hate-myself-and-i-want-to-die", inspiração na certa. Até porque o blog da guria é chato pra caralho, dá mesmo vontade de morrer. Ou de matá-la, na melhor das hipóteses...

É, eu vou ali beber, e já volto. Ou não.
P.S.: E você sabe que a noite vai ser perfeita quando o rádio, do nada, começa a tocar a música tema de Neverending Story.

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Quinta-feira, Março 25

what the fuck.

Estou começando a de-tes-tar camgirls. Sério.

Ok, podem me apontar dedos gigantescos e dizer que "eu-tive-um-fotolog-com-926385364029-camshots-da-minha-fuça-maquiada". Ok, é verdade. E eu não "tive", eu ainda tenho. Está e não tenho vergonha daquelas fotos. De nenhuma delas. Eu gosto de assumir meus erros, porque eles me representam muito bem - mas nesse caso, não vejo o "unlovable" como um deles. Foi uma tentativa de acerto, e que deu certo por um bom tempo. Até eu me cansar da fórmula e passar a fazer o que jamais pretendi: fotos sem inspiração ou aquém do propósito inicial (criar personagens, o que muito me diverte, ha), apenas para preencher espaço e lacunas existenciais - minhas e de muitas pessoas que freqüentaram aquelas páginas...

Quando falo em "lacunas existenciais", não estou me colocando acima de ninguém. Notem que eu, merecidamente, me incluí na panela. Mas é fato que criaturas que passam o dia inteiro postando calorosas mensagens-padrão repetidas em guestbooks de desconhecios, a fim de receber comentários de volta, são portadoras de algum tipo de desvio... Não que isso seja ruim. Desvios são adaptáveis, e podem ser tão legais, se te dão prazer, como fumar um cigarro de maconha ou esvaziar uma garrafa de Chivas (hahaha), por exemplo. Não muito saudável, porém extremamente gostoso.

O lance é que, ao contrário da garrafa de Chivas (esqueçamos a marijuana, pelo menos para mim...), postar fotos de webcam naquele site não me atrai mais. E não consigo entender a motivação de algumas pessoas, que parecem ter se deixado levar totalmente pela maré de "ah, mas que linda você é" (em 99% dos casos, elogios vazios de gente idem, buscando visitas e alguma notoriedade tão efêmera quanto inútil) e, acreditando 1000% nisso, passam a fazer da imagem o seu único cartão de visitas na vida.

Sem NENHUMA conotação de despeito, por favor. Mas eu fico sempre muito triste (ao invés de achar graça malignamente e debochar...) quando vejo uma menina belíssima e burra. Sinto pesar pelas oportunidades que ela está perdendo, ao desprezar a conjunção poderosíssima da beleza + inteligência. Uma mulher bela e sábia é, virtualmente, o ser mais poderoso do universo. Quando esse ser hipotético se funde em dois (o que é mais comum... gente feia e inteligente, gente linda e tola), é como se frustrações ambulantes passeassem por aí. Só que os bonitos e burros não vão se dar conta disso, porque pensam ter tudo (já que a sorte momentaneamente os sorri com a graça da popularidade, do afeto imediato e seus benefícios), e talvez até se acreditem geniais. Talvez acreditem mesmo que sejam amados e admirados, como se a beleza fosse qualidade bastante para despertar amor e admiração (pelo menos de pessoas elevadas, cujo amor e admiração realmente façam diferença). Isso dói.

Hoje eu fui a um collective de domínios, pra ver sites e me inspirar pra mudar o layout disso aqui. Caí num webring de camgirls, e lá estavam aquelas garotas, umas bonitas sim, outras sinceramente horrendas, fazendo caras e bocas, mostrando umbigos, retorcendo pescoços e olhares, e embaixo de cada post, pedidos desesperados em maiúsculas com negrito e fontes piscantes: VOTE FOR ME ON SLUTCAMGIRLS.COM. Tá. Votar em vocês. Mas, além da carícia falsa no ego, o que diabos vocês ganham com isso, crianças? O que farão quando e se não puderem mais sobressair (?) pela beleza? Vão virar cascas murchas, casulos vazios abandonados pelas crisálidas esvoaçantes do seu passado de maquiagem carregada, tinta pra cabelo, tatuagens radicais e piercings estilosos? Será que acreditam mesmo que 100% das pessoas que perdem um minuto clicando num link e "votando" o fizeram por estar fascinadas pela sua "beleza-gótica-made-in-hot-topic"?

Fiquei com dó dessas meninas. Quis dar um esporro em forma de lição de moral, mas eu não tenho moral para isso. Por mais que tenha tentado dar um significado extra aos meus self portraits no início (disponível nos arquivos que o fotolog.net comeu com angu, ou no fotki), a verdade é que eu também gostava de ser chamada de "linda" nos comments. Mesmo não acreditando, ou talvez até por isso mesmo: aquilo pretensamente me fazia acreditar. Foi quando eu me dei conta de que não, eu não era linda sem luzes e photoshop. Eu era uma menina normal (não confunda com "comum"). Mas que, sendo linda ou não, tinha algo bem mais legal de que poderia se orgulhar, e esse algo não dependia de aparatos cenográficos. Algo que não vai depender do meu nível de popularidade - mas que sempre vai me tornar popular entre o meu público-alvo favorito: aqueles que são iguais a mim.

E agora eu vou lá falar com ele, que me chama de "gata" em português. E isso me faz feliz. :o)

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Quarta-feira, Março 24

my beloved monster and me

she will always be the only thing
that comes between me and the awful sting
that comes from living in a world that's so damn mean
- Eels

O motorista do ônibus em que eu volto pra casa me ama, eu sei.

Ele sempre liga o rádio tão logo eu adentro o coletivo. E, ao invés do que 99,9% dos outros motoristas de ônibus fazem, ele NÃO sintoniza numa rádio de pagode vomitivo. E sim na rádio rock (meia bomba, mas é melhor do que ter que ouvir crioulinhos com cabelo descolorido chorando ao microfone), e a minha diversão durante os 20 minutos da viagem é observar a expressão de pânico no rosto dos demais passageiros. Hoje, por exemplo, ele meteu The Number of The Beast, e eu tive que abstrair pra não gargalhar ao ver aquela horda fétida de pagodeiros/funkeiros/forrozeiros/axézeiros from hell ouvindo Iron Maiden (fase áurea), às quatro e meia da tarde em plena avenida Brasil. QUEIMEM, frequentadores da Via-Show-com-pagode-do-grupo-sensação-e-cerveja-a-um-real. E eu nem gosto tanto de Metal assim. "I'm coming back, I will return / and I'll possess your body and I'll make you burn / I have the fire I have the force / I have the power to make my evil take its course". Uau.

Sammy e Fernando estão aqui, vieram conhecer meu micro novo. E estar apaixonada por um monitor é sinal de nerdice irreversível, eu sei. E hoje o falecido (?) ligou para o meu trabalho. Distante feito o Himalaia (então pra quê ligar, porra?), dizendo que o telefone está com defeito (e eu com isso?), e encerrou o papo em tempo recorde. Cansei de lidar com gente-pêndulo. De oscilação já bastam as marés violentas da minha vida.

AH, SIM: perdi (pra variar) a senha do meu velho MSN, e tive que fazer outro: drambuie_rocks@hotmail.com.
Amigos queridos, me adicionem. Punheteiros de fotolog, unite and fuck off. É isso.

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Terça-feira, Março 23

Online.

Ok, eu tenho internet em casa, novamente. O micro novo é bonitinho. Minha senha do Globo.com não entrou (será que foi porque eu esqueci de pagar a conta?), por isso peguei uma empresarial "emprestada" até regularizar a situação. O problema será justamente regularizar isso.

Eu devia estar feliz? É, eu devia. Tenho que reinstalar dúzias de programas, todas as minhas fontes, reorganizar os HDs, me acostumar com o visual fresco/carnavalesco do Windows XP, mas eu tinha que estar feliz. É. Eu estou feliz sim. Mas como nada é perfeito, hoje fiquei sabendo que as amebas pastantes aqui do trabalho descobriram o endereço dos meus sites e até mesmo andaram fuçando meus emails.

Um dos evangélicos veio falar comigo, começou pregando a palavra de Deus e querendo me ajudar a vencer meus impulsos suicidas (HAHA), mas depois mostrou a que veio e saiu fazendo pré-julgamentos toscos da minha personalidade. E ainda tive que ouvir que o lance emocional que eu estou vivendo é uma "ilusão". Bom, até pode ser ilusão, sim - mas não de ótica. Afinal de contas, ilusões de ótica não são palpáveis, e nem beijam de língua.

Culpa minha? Totally. Eu devia ter acessado meus sites pessoais do micro do trabalho? NAH. Eu devia ter deslogado do sistema do yahoo depois de ler as mensagens? YEP. Eu fui ingênua, tolinha, descuidada e burra? TOTALLY. Agora que o caldo supostamente entornou, qual seria a saída? Deletar meu domínio, mudar a senha desse livejournal para um bagulho alfanumérico de mil caracteres case sensitive e nunca mais abrir meus sites dentro daquele antro? É, eu podia. Mas eu não vou, não. So fuckin' sorry, guys, but you're not at all that important. Querem ler? Divirtam-se. Mas sejam gentis e deixem comentários, já que as visitas são tão frequentes.

Além do mais, sabe como é. Hackers são do_mal e quebram senhas difíceis. Os daqui da empresa são the_best. Ao invés de clonar sites de bancos para roubar senhas de otários, eles descobrem urls de blogs de "meninas suicidas".

Salva de palmas, por favor.

Agora eu vou lá responder os emails lindos da minha "ilusão", que aliás acabou de sair do telefone (e olha que ele está três horas na minha frente).
E a minha ilusão me chama de "squeezable". AH, isso é FOFO.

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Vai passar.

"And with this chance I've missed I feel remiss
It's days and months before I see you again"

(the model - belle and sebastian)

Eu tenho um computador novo, e você não-tem.
Bom, ele é uma graça. E eu vou fazer fotos dele histericamente e colocar no fotologue. Eu já estaria online desde ontem - só que o meu velho teclado "não combina" com a minha nova máquina, e preciso de um adaptador (que não encontrei disponível). Se tudo der certo, estarei pobre, porém feliz hoje à noite.

E não, eu não vou melhorar com a idade. Não. Eu não estou "passando por uma fase". Eu sempre fui assim, e no fundo até gosto. Seria de fato um problema se eu não gostasse do que eu sou (não estou falando do aspecto físico, é claro), afinal, é tão mais fácil não ter o peso de uma máscara pendurada na cara... Eu podia tentar parecer cool. Inteligente. Popular. Legal. Mas eu sou a garota que às vezes é tão magnânima a ponto de perdoar atitudes imperdoáveis, e noutras, é capaz de cometê-las.

Eu fiquei chateada sim, porque minha mãe entregou meu micro velho nas mãos de um cara do meu trabalho. Uma pessoa que eu mal conheço e, bem... Da última vez que levaram um micro meu pra longe, ele voltou absolutamente detonado, e eu não queria isso de novo, não a troco de porra nenhuma e de nenhuma porra.

Sim, eu chorei e gritei com ela, e fiz algumas coisas bonitas virarem cacos (isso não é uma metáfora, mas também é). Eu sei que me excedi. Mas eu sei também que, a menos que me vicie em Lexotan feito a tia Margareth, que engole cinco comprimidos no café da manhã, eu nunca serei diferente disso. E eu gosto de ser assim, pois foi com a minha cara real que conquistei a admiração das pessoas que realmente importam pra mim. Eu sei disso. Elas também sabem.

É. Eu sempre serei assim. Agora pode rir da minha pretensão de tentar adivinhar meu próprio futuro. Mas será que não seria pretensão maior a sua, em querer adivinhar o futuro de outra pessoa?

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Sexta-feira, Março 19

novocaine for the soul

Eu quero ir embora daqui. Não quero ficar aqui hoje, não está rolando. Passei a manhã toda chorando no banheiro da empresa. E isso não é nada bom.
Eu não consigo ver graça em na-da. Nada.

E ontem ele ligou lá pra casa. Não devia ter ligado, eu pedi que não ligasse. DDI todo dia, duas vezes por dia e duas HORAS e meia por dia é crueldade. Meu dia tinha sido uma MERDA, cheguei em casa e minha mãe estava tendo crises histéricas porque segundo ela eu a "obriguei" a ir comprar o monitor. Que não funcionou, aliás. Ou seja, o problema é o micro. Ou melhor, o problema é a parte elétrica da minha casa. Ou quebro todas as paredes e conserto isso pagando os tubos, ou desisto de ter um computador.

Ok. Então, eu estava estressada, frustrada, e triste. E cansada (ainda estou). E eu fui dormir às oito e fiquei contando carneirinhos cor de chumbo, e que pesavam feito chumbo também, fazendo barulho quando caíam no chão. Assim eu esperava poder contar quantos quisesse, mas sem dormir. Mas eu dormi. Mas fui acordada minutos depois pelo telefone. E era ele. De Londres, pra onde tinha ido a negócios. Estava nitidamente "alegre", no meio da rua e de um monte de amigos.

E eu lembrei que era a_mesma_coisa com o menino da bicicleta, quando ele havia bebido demais.

Ok, eu gosto dele. Mesmo. Ele parece um menino quando ri. Eu adoro o som da risada dele. Eu adoro quando ele conta, dramatizando as vozes, esquetes antigos do Monty Python que eu não conheço. Eu adoro as metáforas e comparações hilárias que ele inventa pra me fazer rir. Eu adoro quando ele canta pra mim. Eu adoro a inteligência dele, o domínio que ele parece ter sobre qualquer assunto que eu ignore. Mas eu tenho medo. Eu sou pessimista, lembra? Eu não vou largar tudo por sua causa, não vou acreditar nas suas promessas, porque eu sei bem no que a paixão não raro se transforma, com o tempo. Pode vir a ser diferente dessa vez? Pode. Mas pessimistas não arriscam. Pessimistas achariam que você é um criminoso, que prenderá meu passaporte ainda no aeroporto e me fará trabalhar como prostituta nalgum puteiro barato do leste europeu.

E eu ri horrores agora dessa minha última frase.
É, nem tudo está perdido.

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Cansada. Profundamente.

Eu quero meu computador de volta. Não somente porque eu estou perdendo contato com algumas das pessoas que mais gosto. Mas porque eu preciso escrever. E eu não consigo mais escrever em papel. E ficar sem escrever me angustia, e eu não consigo ver graça em coisa alguma. Eu vou dormir às nove da noite, acordo uma da manhã, e tenho uma madrugada inteira pela frente para pensar em como a minha vida é miserável e como nem mesmo as coisas mais simples conseguem dar certo.

É como se eu não conseguisse ter dez minutos seguidos de felicidade. Sempre tem um tapa na cara no meio da festa, pra me lembrar que a música alta e a bebida não vão conseguir enganar a minha infelicidade para sempre.

E tem a câmera, as fotos que eu tanto gosto de fazer, e tudo isso está separado de mim. É, eu sou fútil porque eu não tenho grandes realizações a ambicionar/comemorar. Eu vivo das pequenas coisas que me dão prazer e que me mantém heroicamente presa a esse mundo, quando tudo o que eu queria era escapar daqui.

Estou cansada de colecionar pequenas frustrações. Até meus desapontamentos são medíocres. Se eu falhasse em descobrir a cura do câncer... Mas não. Eu falho em ter um pc em casa. Eu falho falando de menos e passando por estúpida numa discussão que eu tinha tudo pra ganhar. Eu falho vendo o meu pouco dinheiro indo embora em contas inúteis, perdendo a utilidade que me manteria suportanto esse emprego maldito, essas pessoas que eu detesto, esses faxineiros que me irritam, esses ônibus lotados às seis da manhã, onde nem sentada na escada eu consigo mais viajar, e as janelas fechadas me sufocam.

Eu preciso abrir janelas. Eu preciso de ar. Eu preciso acreditar que eu ainda preciso respirar. Por qualquer motivo.

E talvez eu até tenha um motivo. Mas sabe como é. Bom demais para ser real. E pessimistas crônicos nunca aprenderão a sorrir.

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Quarta-feira, Março 17

Paciência

Ridículo. Grana para comprar um monitor novinho (desisti da idéia de consertar o velho, foda-se os enrolões daqui do trabalho cujo hobby é me fazer de pateta prometendo ajuda que não querem dar) e não posso fazer isso porque eu não tenho um carro para buscá-lo na loja.

Eu: vocês entregam em casa?
Idiota do Televendas: sim senhora.
Eu: quanto custa entregarem um monitor em...
Idiota do Televendas: não senhora, não entregamos monitores.
Eu: ué, por que não?
Idiota do Televendas: é muito grande e pesado, senhora, não temos como levá-lo, seria perigoso.
Eu: querida, se eu estivesse comprando um pente de memória, não ia precisar que entregassem em casa!
Idiota do Televendas: é verdade, senhora.

Foda, foda, foda.

Bom, dissabores da incompetência alheia à parte, vamos falar merda do trabalho. Sinto mesmo aqui dentro essa má vontade generalizada para com a minha pessoa - eu odeio essa expressão, mas que ela é engraçada, é. Nunca fiz nada de mau para elas, mas também nunca fiz nada de especialmente bom. Sempre fui neutra e prestativa, e esperava deles o mesmo tratamento. Mas parece que o "fotolog way of life" é um reflexo da natureza humana. Enquanto lá naquele site você fica popular apenas se lamber o rabo alheio ou se for good-looking, nas relações sociais se dá o mesmo. As pessoas só concedem a suprema graça de serem bacanas a quem consegue passar a impressão de que dariam a vida por elas.

Aliás, uma das meninas demitidas, Juliana, já arrumou um emprego melhor. E passou na prova da Petrobrás. E está montando uma empresa - sério. Eu lembro que no dia da demissão ela teve um pressentimento de que o patrão tinha ficado bravo com ela, e como era o último dia do estágio (depois dele teria que ser efetivada ou demitida), começou a tremer e suar frio. Bingo, pé na bunda pra ela. Mas que grandes oportunidades essa demissão proporcionou. O que me deixa mesmo feliz, porque a guria apesar do "meio metro e meio" de altura, é competente e tem garra de sobra. Torci e torço por ela, sempre.

E por mim, também. Os últimos dias foram de grandes mudanças, pela primeira vez eu andei num bagulho que voa (um helicóptero) e descobri que o menino da bicicleta não é o único homem interessante do mundo.

Ok, dessa última parte eu já sabia. O que eu duvidava é de que seria capaz de encontrar esse homem, e de que ele pensaria o mesmo de mim. Acho que somos "a agulha no palheiro" um do outro, e é justamente a reciprocidade da descoberta que a torna tão incrível quanto deliciosa.

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Comentando as notícias...

Essa é daqui: "Uma música do grupo The Smiths, um dos mais influentes do pop britânico nos anos 80, é a melhor música para combater a tristeza, segundo uma pesquisa divulgada hoje, quarta-feira, pela emissora pública de rádio digital BBC 6. A música em questão é I know it's over e foi escolhida como o grande antídoto contra a depressão por milhares de pessoas que participaram da pesquisa, que faz parte de uma campanha da emissora para estudar os vínculos entre a música e a saúde mental.

"A música é como braços gigantes que saem dos alto-falantes para me abraçar", disse um dos participantes da pesquisa, segundo a rádio britânica. Composta pelo líder do grupo, Steven Morrissey, a música é um triste discurso existencial e faz parte do disco The queen is dead, (1986), considerado por muitos críticos o melhor álbum da banda. I know it's over ocupa o primeiro lugar de uma lista de vinte "músicas para a melancolia" que, segundo os entrevistados na pesquisa, "salvaram" suas vidas.

Na lista também aparecem canções do REM (Everybody hurts), The Cure (Pictures of you), Pink Floyd (Confortably numb), e Beatles (Good day sunshine)."

Gente demente. Peguem aqui a letra de I Know it's over e me respondam se não dá vontade de separar a cabeça do corpo depois de lê-la? Trechinho exemplificador:

"If you're so funny
then why are you on your own tonight?
and if you're so clever
then why are you on your own tonight?
if you're so very entertaining
then why are you on your own tonight?
if you're so very good looking
why do you sleep alone tonight?
I know because tonight is just like any other night
that's why you're on your own tonight
with your triumphs and your charms
while they are in each other's arms

Love is natural and real
but not for you, my love
not tonight my love
love is natural and real
but not for such as you and I, my love

Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
"

Já perdi as contas de quantas vezes ouvi essa música olhando para a minha mão cheia de comprimidos de Lexotan e uma garrafa cheia de vodka barata do lado.

E tem mais essa: "Aviso: Tem chegado a nosso conhecimento que diversas pessoas no Brasil estão oferecendo contas Gold Camera por um preço mais barato. Isso é uma fraude.
Eles estão usando cartões de crédito roubados para pagar por essas contas. NÃO OS ENVIE DINHEIRO. O FBI e a Polícia Federal do Brasil já foram acionadas e os crimes notificados. Qualquer Fotolog envolvido em fraude será desativado permanentemente".

Hahaha. Essa torna qualquer comentário desnecessário. Brazil sucks.

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Segunda-feira, Março 15

a weekend to remember.

Tanta coisa pra fazer, tanta gente com quem eu queria poder dividir coisas, e só tenho 60 minutos para engolir o almoço e aparecer aqui para dizer olá. Rezemos todos pela recuperação do meu monitor - talvez tenhamos boas notícias quanto a isso ainda nesta semana.

Sobre o conselho para cultivar o otimismo, que recebi de várias pessoas, eu entendo totalmente o seu ponto de vista. Pena eu ser meio cética com relação a "pensamento positivo". Os maiores otimistas que eu conheço são justamente os mais fodidos. Vivem apostando tudo em si próprios, sem às vezes talento suficiente para isso, e quase sempre a sarjeta é quem ri por último.

Eu queria não crer que existam pessoas fadadas a se foder eternamente dia após dia (ou seja, estender meu ceticismo inconsistente a um ângulo que me favorecesse a esperança), mas olhando a minha biografia, confesso que dá MEDO.

Mas assim é a vida. E, já que eu deixei de lado a idéia de desistir dela, vou ter que aturar - e ainda por cima tentar achar alguma graça nisso. Tipo quando você se pega assistindo a um filme HORROROSO, detestável, que induz ao vômito, mesmo, mas não consegue desligar a TV, na esperança de descobrir se aquilo consegue piorar, e quanto.

A parte boa da história é que o último fim de semana entrou, definitivamente, para a minha lista dos melhores ever. E sim, eu tenho alguém a quem devo agradecer por isso. E, antes que eu comece a me derreter aqui, eu paro. E prometo voltar ao assunto assim que tiver privacidade novamente (traduzindo, PC em casa), porque nada mais enervante do que pessoas perambulando e dardejando olhares na tela. Além é claro de telefones tocando, de pessoas chamando, enfim... Eu não consigo mesmo me soltar.

Por ora, eu só queria que ele soubesse que, até julho, vou sentir muita saudade. Que sim, essas serão 15 semanas muito longas. E que eu jamais pensei que um passaporte pudesse fazer tanta falta.

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Quinta-feira, Março 11

Defeito de transmissão.

Se o fotolog não fosse responsável por 1001% das visitas desse site, eu juro que deletava.

Hoje novamente me dei conta da minha enorme INcapacidade de dar um pontapé em pessoas. Eu costumo dividir as pessoas das minhas relações em listas. A lista dos que jamais sairão da lista. A lista dos que nunca entrarão em quaisquer das listas. A lista dos que não estão na lista mas eu adoraria que estivessem. A lista dos que saíram da lista por conta própria. A lista dos que estão na lista mas não merecem estar.

Essa última é particularmente complicada. Seria fácil pra caralho simplesmente passar um "X" em cima de cada nome, amassar o papel e introjetar lixo adentro. Seria melhor pra mim, e até mesmo para eles - que, de certa forma, estão sendo enganados com relação à minha amizade enquanto eu mesma me engano, acreditando que são ou poderiam ser meus amigos.

O problema é que eu não consigo. Eu fico ali, inabalável na minha afetuosa hipocrisia (yes, porque eu não consigo sentir raiva delas, nem mesmo indiferença), esperando que um dia elas se encham de mim ou descubram a farsa, e aí sim, dêem ELAS o pontapé no MEU traseiro. Porque lá no fundo eu sei que lido bem com pontapés - mas elas, talvez, não. Eu não quero ter esse peso na consciência, e me é deveras mais confortável ser chutada. Oh, porque isso me é familiaríssimo.

Ou talvez eu esteja sendo tão panaca quanto poderia. Talvez elas também estejam esperando por esse pontapé, e essa minha mania de me achar importante na vida dos outros esteja apenas adiando o alívio - para AMBOS os lados.

E porra, eu quero meu computador de volta, entendem? E, se não for pedir demais, todas essas roupas. Ou pelo menos o sapato roxo, que é O_Negócio. Wearable orgasms, como alguém já disse. Babai:

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Quarta-feira, Março 10

Changes

E então as mudanças que eu esperava aconteceram. Em primeiro lugar, acho que minha mãe não vai mais precisar voltar àquele maldito hospital. E depois, dei O_Basta nas atitudes de algumas pessoas aqui do trabalho. Chamei-as há pouco para uma conversa séria, expus o que estava me fazendo mal e, com o auxílio da minha humilde arrogância, exigi que parasse. Se foi a atitude certa? Duvido. Deixar que o inimigo perceba o quanto te atinge é um erro de estratégia tão óbvio quanto perigoso. No entanto eu precisava falar. Porque o meu ar blasé diante de grosserias e ofensas fantasiadas de "brincadeirinha, brincadeirinha" não estava funcionando e eu estava adoecendo.

É, eu sou uma banana, moço da bicicleta. Ponto (de novo) pra você. Não sabe o quanto eu desesperadamente invejo o seu sangue frio. O seu carisma inabalável mesmo quando age feito tolo, a admiração que você desperta mesmo quando a retribui com a mais cortante das indiferenças. Eu queria ter nascido assim, superior, especial e auto suficiente.

No entanto, eu sou apenas eu. E logo eu. Merda.

E então eu conversei na orla de Ipanema e comi pipoca no ponto de ônibus com o meu "friend from the land of Morrissey" (I'll make things easier for you this time, haha). Ele é adorável, foi uma tarde/noite bem legal e eu ganhei dois presentes lindos. Depois eu mostro pra vocês, se prometerem segurar a baba.

Falando em vocês, obrigada pelo carinho que recebi por email, por telefone, pelos comments do livejournal, enfim... É bom saber que eu sou um pouco mais do que letrinhas numa tela. Sem sentimentalismos (que eu não sou disso, you know), mas beijo na testa de vocês (sim, isso é o máximo que eu me permito).

E em dois dias, se tudo der certo, meu monitor voltará a respirar sem a ajuda de aparelhos. Quem sabe então eu não possa publicar as proezas da minha Cybershot? Descobri que ela é bem melhor do que eu pensava que fosse. E isso me deixa feliz. Ponto pra mim.

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Terça-feira, Março 9

cicatrizes selecionadas

Então, se vocês leram meu último berro , já sabem a razão do desaparecimento. O monitor está quebrado, sim, mas temos muito mais coisas quebradas (e coisas mais importantes) para consertar por aqui. Aqui dentro.

E é legal ver que pessoas não se importam e/ou não querem se envolver. Ensina.

Hoje é terça feira, eu vou encontrar meu amiguinho inglês que mora numa ilha e gosta de carros antigos e conhece um cara lá do Pink Floyd (é, isso). Eu quero sentar num banquinho de orla e comer muita pipoca. Eu quero ficar triste com o barulho das ondas em paz. E vou ter que usar casaquinho, mesmo se não estiver frio, porque eu não quero que ele pergunte, como outros já perguntaram antes, "que marcas são essas nos seus braços"?

Dos amigos mais próximos eu estou quase me escondendo. Eles sabem demais de mim, suas perguntas dolorosamente pertinentes machucam, e eu não preciso de ferimentos extras.

E são seis e meia da manhã, eu já estou no trabalho, e eu estou com sono. E hoje vai ser um dia cheio de tarefinhas quando eu sair (mais cedo), e descobertas e promessas de mudanças significativas.

Mudanças. Eu preciso muito transformar esse conceito numa realidade tangível. E logo.

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Segunda-feira, Março 8

but if the sky can crack there must be some way back to love and only love

Por trás da cortina de fumaça escura lá vem ela.

Mas é que as coisas não vão nada, nada bem por aqui. Estou doente, mas nada externo é a causa, no entanto. As cicatrizes são o único sinal visível da dor. É, eu inaugurei uma nova modalidade de self-infliction. Cortes de faca pelo braço. Porque, de repente, socar móveis, quebrar objetos ou bater a cabeça contra as paredes não mais têm sido eficazes para transformar a dor física em remédio que expulse a dor da alma do casulo que ela insiste em construir aqui dentro.

Mas sim, temos Lexotan.

E por causa dos comprimidos rosados que fantasiam de sono profundo a infelicidade, eu durmo sem sonhos desde sábado de manhã, quando ele veio aqui me consolar de problemas do mundo real (minha casa está desabando quase que literalmente, sigam a seta), e ao invés disso me fez sutilmente perceber o quanto eu sou desimportante.

No sábado, liguei o monitor a fim de desligar o sistema e ele não respondeu mais. O telefone do meu quarto também parece estar cansado do trabalho. Meu ar condicionado desistiu de lutar contra as aborrecidas oscilações de energia de uma casa cuja rede elétrica agoniza a olhos vistos (belo dia haveremos de entrar em curto e morrerei torrada, tal qual meus pães de queijo, ontem). A lâmpada do quarto e o ventilador de teto estouraram a ponto de empestear o ar com o fedor do fogo que não chegou a queimar. Uma das caixas de som do meu system entregou os pontos e emudeceu em protesto. A TV alienou-se e só sintoniza a rede Bobo. O gabinete do PC se compraz em me torturar com choques. A base da webcam partiu-se há muito, e o durepóxi necessário ao conserto teima em não aparecer/funcionar. Partidos também estão os puxadores das gavetas da minha bancada. E o meu coração idem, mas bem, isso é o default dele. Ele já veio partido de fábrica. E, como sabem, não há conserto/emenda possível para esse tipo de dano.

Ok, eu quebro coisas, sim. Mas eu não quebrei essas. Só que, exatamente como o idiota que passa o dia na praia assustando os demais fingindo afogamento (e, quando efetivamente se afoga, ninguém acredita mais), eu também não tenho mais créditos de confiança. Ninguém acredita, ninguém ajuda, TODOS me culpam, e eu vejo minhas coisas (que são as únicas que eu tenho de verdade) indo embora. Nem elas ficam.

A companhia do menino da bicicleta traz risadas de brinde, mas o eco delas é amargo e envenena o sorriso. Risos temerosos de que sejam os últimos. Sim, ele me ama mas não me ama. Ele se importa mas não se importa. Ele me quer mas não me quer. E eu já sabia. Mas reafirmar entre sorrisos e com um arzinho blasé de "assim é a vida" DÓI. É sentir-se ficando para trás enquanto o outro caminha. Por OUTRO caminho. Que eu talvez nunca seja capaz de percorrer.

E as palavras dele fazem "ploft!" nas ilusões que eu acreditava imorredouras. E sim, infelizmente elas são. Mas do modo errado. Não morrem quando frustradas, como deveriam (para o bem dele, para o meu bem). As palavras dele as transformam em pó sim, mas ao invés de jogar um balde d'água na sujeira eu simplesmente varro tudo para debaixo do tapete. E quando for mudar a decoração. vou achar de novo, sob a bonita tapeçaria nova, o mesmo pó de sentimentos ressequidos. Que, ao contato com o ar, se transformarão de novo em tristeza.

Tudo está se partindo em pedaços bem pequenos. E pontiagudos. Daqueles que machucam e não se podem colar juntos novamente. A casa e minhas coisinhas. Meu melhor amigo, meu todas-as-coisas. Eu não atendi a telefonemas esses dias, my sincere apologies a quem ligou. Ok, I was home alone quando o meu amiguinho lá da terra do Morrissey telefonou-me, e é bem provável que eu vá vê-lo amanhã. Vai ser bom sentar na praia à noite e fingir que falo inglês com uma pessoa que não sabe nada dos meus problemas e que não terá a capacidade de me lembrar deles.

E eu consegui a Cybershot sim, estou apaixonada por ela, mas sabe como é, sem monitor, impossível testar. E eu estava querendo contar sobre a epopéia que foi conseguir essa bendita máquina, mas esse assunto perdeu totalmente o foco. Sorry.

Não sei quando vai ser possível voltar 100%. Espero que breve, mas.......... Emails só pro iG, pois o do domínio não funciona em pcs alienígenas.

A gente cansa e desiste de tanta coisa... De insistir com pessoas. De caminhar para chegar a um ponto. De um trabalho que paga mal. De uma tarefa que se revela tão exaustiva quanto inútil.

Por que não se pode cansar de viver em paz, sem ser julgado fraco?

E essa caixa de Lexotan não vai durar pra sempre.

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Sexta-feira, Março 5

shit

Quando eu digo às pessoas que minha vida é um inferno potencializado pela presença de satanás e deus ao mesmo tempo (sim, pra quem ignora o fato, God is evil), eu sou a poser.

Nada dá certo. Literalmente na-da. As coisas pequenas. As coisas grandes. As coisas microscópicas. As coisas gigantescas. Enfim. A cada dia eu adiciono mais uma conta negra ao meu rosário de desgraças. Já está tão comprido que qualquer hora eu tropeço nele.

Eu estou cansada, hoje. Cheguei em casa às sete da noite. Mal consegui responder meus emails. Mas fiz UMA coisa boa hoje (aliás, sendo mais sincera, fizeram para mim: o un-lovable.com agora é powered by blogger. Uhú, três mil vivas a isso; agora mostrem todo o seu amor por mim batendo palminhas de contentamento. Má notícia: perdi todos os comments. Mas estejam certos de que eu jamais esquecerei aquelas palavras de incentivo, e que "o que vale é a intenção". Eu odeio ditos populares, mas amo vocês.

Eu fico sentimentalóide quando revoltada.
Vai entender, vai.

p.s.: hm, ok. o que RAIOS houve com os arquivos do fotolog????
p.s.2: eu quero e VOU ter esse cabelo. AMANHÃ.
p.s.2.:

survey A a Z über babaca que ninguém vai ler, não sei pra quê me importo

Age: bobagem.
Band listening to right now: the cure.
Career future: algo relacionado à moda, música, literatura ou fotografia. minhas paixões assumidas.
Dad's name: armando.
Easiest person to talk to: myself.
Favorite song: Impossível escolher. Eu ouço muita música.
Gummy Bears or Gummy Worms: ai, essas surveys americanas e suas perguntinhas imbecilmente idiossincrássicas... Lixo.
Hometown: duque de caxias
Instruments: que eu goste, guitarra. que eu toque, a contento, nenhum.
Job: escrava. vê os grilhões enrodilhando minha goela? pois é. triste, não?
Kids: socorro.
Longest car ride ever: carro? uau. caxias - nova friburgo. olha como eu sou loser e minha vida fede.
Mom's name: maria.
Number of people you've slept with: se dormir significar sexo, só uma.
Phobia[s]: trânsito, baratas, libélulas, afogamento.
Quote: lembrei dessa agora: "pobre é o homem cujos prazeres dependem da permissão do outro". esqueci de quem, mas tá no clip de justify my love, da madonna. eu tentei e consegui evitar citar wilde pela enésima vez. ufa.
Reason to smile: nenhuma.
Song you sang last: "Heal the Pain", do George Michael. Cantarolei voltando pra casa de ônibus, anteontem (terça).
Time you wake up: às seis em ponto durante a semana, por volta das oito e meia nos weekends.
Unknown fact about me: praticamente quase tudo sobre mim é total ou pretensamente desconhecido. eu sou um enigma.
Vegetable you hate: pepino, repolho, beterraba, cenoura, quiabo.
Worst habit: preguiça.
X-rays you've had: se tirei UM a vida inteira foi muito. eu sempre fui quieta, nunca quebrei ossos.
Yummy food: muitas. comida rox.
Zodiac sign: não acredito nisso.

Ok, then go to the PICS (encontradas em pasta perdida do cê-dois-pontos):



1) Eu descansando num banquinho da "orla" de Paquetá. Não, essa foto NÃO foi feita no último carnaval. Mas numa das minhas muitas visitas à "Ilha dos Três Pontinhos"... E eu a chamo assim porque a história do livro A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, se passa em Paquetá, mas por um motivo que eu NUNCA soube qual era, o nome não é citado, a não ser assim: "e Augusto voltou à Ilha de ...". Hahaha. Sim, a história é fictícia, mas a ação de fato se passa em Paquetá. Tanto que a "Pedra da Moreninha", onde Carolina esperava a volta do seu amado, é um de seus pontos turísticos.



2) A ala vip, ou Diretoria Feminina do mundo postal carioca se reúne no "churrasco social", em Teresópolis, região serrana do RJ. E alguém aí se lembra dessa foto e dessas meninas, hein, e ? Bem, esquerda pra direita: eu, Mariana, Adriana, Zilá, Renata e Ana Paula. Se bem que, a sério, dessas todas só eu e a Rê éramos, de fato, diretoria com D maiúsculo (o churrasco foi, aliás, organizado por ela). Época das correspondências e FBs.



3) Eu me achando A_Pinup. Haha. Mas sinto falta do cabelão.



4) Adorável pôster do meu quarto. Sangue, depressão e instrumentos perfuro-cortantes. Um amor.



5) So fashion.



6) Desktop do meu quarto, na minha fase "tente parecer feliz enchendo sua vida de cores alegres". Detalhe pro anjo que aparece nesta foto, que roubei de um cemitério. É, pessoas, eu ROUBO cemitérios. Belo dia achei que ele estava me dando azar e o espatifei na parede. Estupidez. A sorte não mudou e sinto falta do anjo.



7) Só os BEM antigos vão se lembrar do Shampoo e sua triste história com final feliz (?). A interrogação é porque perdi contato com o gatinho. Sinto saudades.



8) Bloody Bunny, grande amigo.



9) "This is your world in wich we grow, and we will grow to hate you".



10) Dia que entra pro rol das lembranças eternas. Maricá, região dos Lagos, RJ, um carnaval qualquer com ele.



11) "Você é bonita e eu não, mas o MEU queixo tem covinha E O SEU NÃO, lalala..."

Depois tem mais. Agora, acabou.

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Quinta-feira, Março 4

Informe

Não, você não surtou. Nem eu, tampouco. Menos ainda o seu browser. O que você está vendo agora é o un-lovable.com versão Blogger. Fofo, não? Também achei. E chega até você graças ao esforço nada-conjunto dessa que vos escreve (que não fez p**** nenhuma) e de uma mocinha muito gentil e prestativa (que fez tu-do) e que só não vai ter o nome citado nesse instante porque não sei se ela quer publicidade (e se ela ficar chateada comigo estou perdida, já que ela tem a senha da minha conta aqui no blogspote).

Por isso os posts que estavam aqui até agora aparecem todos no mesmo dia. E por isso os comentários foram perdidos. Não, eu não deletei seus comments porque eu te odeio, Alec. Eu te amo e você sabe disso. ;o)

Eu podia escrever MUITA coisa hoje, porque tive um dia MUITO problemático hoje. Infelizmente, depois do esforço homérico de agora (onde fiquei me esfalfando não fazendo NADA para migrar meu site pro blogspote), estou cansada e pretendo dormir.

Mas a partir de amanhã, esse blog será loucamente atualizado, como você nunca viu antes. Inclusive (e finalmente!) as pop ups que ficam ali, no menu à sua esquerda. Yes. In case you haven't noticed, aquelas palavrinhas bonitas logo abaixo da frase "fake life", são links. Percebe?

Amanhã é outro dia, já dizia minha musa Scarlet O'Hara. E eu, que nunca tenho o que dizer e vivo de citar pessoas, continuo seguindo o padrão. Sim, amanhã é outro dia. Que espero ser BEM diferente deste que, em menos de uma hora e meia (graças a deus) não volta mais.

p.s.: post editado, porque o Junior é um chato que eu amo. E já que eu editei, toma logo os créditos por isso aqui, C. Sua linda. E eu acabo de entupir o livejournal de fotos feias que eu achei perdidas aqui no cê-dois-pontos. . Agora.

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carnaval de gótico

Após a ressurreição do PC ontem de madrugada, eis-me aqui, de regresso. Não pude atualizar o domínio porque aqui eu posto manualmente, e sem os meus arquivos é impossível fazer qualquer coisa. Antes mesmo que eu pudesse ficar feliz, descubro que o cabo USB da câmera digital pifou. De novo. O original boiou numa poça d'água dentro do quarto ("presentinho" da última chuva que transformou o Rio num mar de esgoto) e enferrujou. Paguei caríssimo num outro, que agora não topa funcionar. Eu já paguei o técnico, ontem - na verdade, a fonte do micro não havia queimado, mas a porrada que dei nele soltou os seus cabos. Se eu tiver que comprar o USB pela terceira vez, eu piro. Peço à minha mãe a nota de garantia da loja que me vendeu o cabo, e descubro que ela simplesmente a perdeu e, além de não admitir, ainda gritou comigo, como se EU fosse a filhadaputa da história.

Estou cansada disso. Terrivelmente cansada de dinheiro curto, diversão nenhuma, aborrecimentos mil, pessoas cruéis, pessoas que não se importam. Cansada de ônibus lotado já às seis da manhã, de feriados entrecortados por plantões, de não ver graça em coisa alguma, de não me entusiasmar por coisa alguma, de não ter vontade de coisa alguma. É devastador olhar no espelho, ou para dentro de mim mesma, e perceber que me tornei tudo aquilo que passei a vida a temer/recriminar. Eu estaria preparada subsistir em subempregos, daqueles que não requerem raciocínio algum e que admitem até mesmo egressos da APAE para exercer as funções. Eu estaria preparada para qualquer coisa, menos para ser infeliz, mas parece que o destino está mesmo a fim de me frustrar as expectativas. Tô cansada de me identificar com o Dumbo e com o Touro Ferdinando, e olha que eu nem gosto da Disney.

Well, review: primeiro dia de carnaval, chuva. Minha sutil vingança contra os "romeiros de são momo" que entupiram as estradas em direção ao sol, ao batuque e às gatinhas de biquíni. Passei o sábado arrumando o quarto. O PC inoperante, os amigos a caminho das praias, o namorado dispensado, o que mais eu podia fazer? Ir a Paquetá no domingo, é claro. Pra quem não conhece, é uma ilha do tamanho de um pequeno bairro plantada no meio da baía de Guanabara. E que eu adoro. Tenho ido lá desde sempre, e sempre quis ver o luar na ilha, mas o fato de a última barca deixar o cais às nove da noite era um puta desestímulo. Sempre ia embora ao entardecer, mas dessa vez fiz diferente; achei uma pousada pulgueiro e resolvi dormir lá. E dormi mesmo, depois de tomar um banho de chuva inesperado dentro do cemitério de passarinhos (nonsense é pouco...), de voltar pra casa levemente enlameada e não conseguir entrar no meu próprio quarto, pois a dona da pensão, alcoolizada, não me reconheceu. Haha. O mais hilário foi o meu breve diálogo com as outras pessoas que estavam no, err, "hall":

- Mas você pegou essa chuva toda, menina? Foi aonde?
- Eu estava no cemitério de passarinhos...
- CRUZ CREDO, TE ESCONJURO!!

Na verdade eu gosto de lá. São curiosas as pequenas tumbas (o cemitério é de pássaros, mas sepulta qualquer espécie de bichinho de estimação, por uma módica quantia), as árvores de ramos baixos, curvando-se em direção à terra, como se quisessem alcançar de novo aqueles que algum dia já cantarolaram em seus galhos. Silêncio absoluto, calma, paz. E lá estava maria antonieta herself, metendo trust do cure no repeat mil vezes, dentro de um cemitério de passarinhos em pleno domingo/segunda de carnaval. Foi quando a chuva despencou e eu tive que voltar correndo. E ficar no sofá até as três da manhã assistindo desfile de escola de samba até a velha curar 10% do pileque e me devolver a chave do quarto. Ok, eu podia tê-la roubado do chaveiro enquanto a gentil hostess cantava "bota a camisinha, meu amor" da Grande Rio, grudada num copo de cerveja. Mas na verdade estava legal ficar no sofá vendo tv. Até porque, com o céu nublado, não ia rolar o luar pela janela. Então, toca beber cerveja de graça (o esquema era 0800, mesmo) e sambar toda molhada pelo tapete do, err, "hall" da velha. E tudo isso por menos de 100 reais. Acho que vou montar uma empresa de pacotes turísticos sem noção a preços convidativos. Talvez esteja aí o melhor plano de fuga do meu provável futuro negro.

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Ghosts.

Tem uma música do Garth Brooks que diz que, às vezes, os melhores presentes que recebemos da vida e do destino são os desejos que não se realizam. A historinha é mais ou menos essa: o cara reencontra a garota com a qual ele sonhou a adolescência inteira, e nunca conseguiu ter. Só que, ao revê-la, se dá conta de quanto é grato por não ter conseguido, já que tem em suas mãos a mão da esposa dele, que é a verdadeira mulher da sua vida. Lalala, que interessante. Linda teoria. Só que eu ainda gostaria de poder estender as mãos e, de vez em quando, tocar alguma coisa real.

Tinha gente chorando dentro do quarto da minha mãe, agora. Gente não viva. Morreram duas pessoas nessa casa, uma delas no tal quarto - ela desconhece essa história, mas eu sei.

É assim, geralmente eu ouço pessoas chorando aqui dentro. Sério, isso. Eu não uso drogas, bebo às vezes, é verdade - mas nunca ouvi essas coisas depois de beber. E nem me pergunte se acredito. Eu sou cética, mas paradoxalmente eu OUÇO essas pessoas e não sei o que fazer com essa informação. Não fui programada para processá-la.

Abri a porta do quarto dela agora e ouvi um soluço, nítido. Às vezes penso ser minha mãe ou a Clara (a voz é feminina), e chamo pelos nomes. O som pára, e então eu me dou conta de que estou all alone.

Life is weird. Death must be weirder.

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Não creio que o inferno seja aqui, porque domingos chuvosos são o paraíso, e domingos chuvosos acontecem.
O weekend foi legal porque a Zilá chegou do Arizona com o Erik, e eu pude conhecer o menino e rever a Zi, que eu não via desde um certo anoitecer num ponto de ônibus em Nilópolis. Voltávamos da casa da Mariana, meu ônibus chegou primeiro, nos despedimos e eu parti. Dias depois brigamos e só fui saber dela mais de um ano depois, quando o Rodrigo soube que ela tinha ido para os EUA, sem planos de retorno. Mas a internet é do tamanho de um ovo de galinha, you know... E foi bom ver que, apesar de termos mudado bastante, aquilo que fez com que nos tornássemos amigas e possibilitou que retomássemos a amizade, continua igual.

Aí embaixo, ela e sua fodíssima Canon EOS Rebel, testando o foco da macro em um dos carrinhos do Erik:


Minha roupa não é adequada. Meu jeito não é adequado. Minhas idéias não são adequadas. Eu não sou uma pessoa adequada. Eu não estou me adequando ao ambiente de trabalho. Acho melhor desistir logo e me conformar com a perspectiva de que vou passar o resto do meu futuro (que já chegou) jogando biriba com mendigos feridentos nalgum abrigo da prefeitura. E o mais interessante é que essa idéia não chega a me assustar. O que me assusta de verdade é a visão de um futuro de cartões-de-ponto.

Também não vou usar bolsa de avó combinando com sapato e twin-set bege. Tá, confesso - já tentei me vestir assim. Entrevistas de emprego. Antes de sair de casa, o suplício. Olhava no espelho e me sentia oprimida. Oprimida por um twin-set! O twin-set ria da minha cara: "Deus, você está ridícula. RI-DÍ-CU-LA! A quem você pensa que engana?". A ninguém, pensava eu. "A NINGUÉM!", respondia o espelho; e ria da minha cara ele também.

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Bobagens.

E aí que as pelancas da janete é o assunto mais catado no google.
Mais até que britney e o onze de setembro. Pensei que só japoneses fossem anormais. A débora seca, bem mais tetéia que a irmã do pedófilo, mostra as tetas na novela das oito e ninguém dá bola. Os programas ao vivo de lá têm delay de sete segundos; assim eles têm tempo de meter um bip! no caso de alguém deixar escapar um "bad name". Ah, tá. Agora é que eu não acredito mesmo que americanas sejam boas de "go down" por tradição e excelência, haha. Moralismo tosco e inútil. Adolescentes prenhas pu-lu-lam na américa, tanto é que, quando eu escrevia cartas, boa parte das amiguinhas americanas de 19 anos já era mãe. Eca.

E ouvindo os papos dos boys lá to trabalho, fico passada com a arrogância masculina. Sim, masculina, porque essa característica é quase privilégio dos machos da espécie. Mulher parece que só é produzida no modelo LSE ("low self-esteem"). Qualquer homem se acha lindo. Qualquer homem se acha gênio. Qualquer homem se acha a última coca-cola do deserto, o pinto duro no buzanfã da virgem. Qualquer homem acha que virtualmente qualquer mulher lhe daria "condição", mesmo que ele não tenha colhones de tentar algo. E, se tentou e não deu certo, foi porque ELA é uma marrenta fdp, e não por haver algo de errado com ELE - e não é mecanismo de autodefesa, eles *realmente* acreditam nisso. Ai, ai. Que INVEJA.

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Je m'appelle Marie.

Oi, meu nome é Maria Antonieta, eu não sei fazer layouts, nem amigos. Ainda assim começando isso de novo pela milésima vez e lalala. Bolsão de apostas aberto pra saber até quando dura. E a porra do frontpage que instalaram aqui é XP. Só que o meu windows NÃO é XP. E meu photoshop salvou essa imagem porcamente, por isso ela parece porca. Eu esperei que os problemas viessem, e eles estão aqui. Deixe-me apresentá-los: pessoas, esses são os meus problemas. Problemas, essas são as pessoas que vêm aqui saber de vocês. Os canapés estão na cozinha.

E então as pessoinhas lá da senzala passam o dia criticando quem não faz nada de útil em prol da sociedade. Os inativos, os que nada produzem, ou em bom português, vagabundos. "Ah, eu tenho um irmão que passa o dia todo vendo tevê com minha mãe, dormindo e comendo, ele é tãããão inútil." INÚTIL. Haha.

Por que essa gente acredita ser útil? Por passar dez horas/dia congelando os neurônios num ar condicionado que lhes vomita ácaros nariz adentro, fazendo um trabalho que qualquer outro retardado faria, e no fim de 30 longos dias receber um salário-piada? Em que isso os torna melhores que os supostos vagabundos? Trata-se da mesmíssima escória, só que a escória improdutiva pode se dar ao luxo de dormir até meio dia, não viajar dependurada em coletivos lotados, não se sentir abaixo dos vermes ao obedecer ordens irracionais, e ser dona da própria merda de vida, ao invés de despejar a merda de vida na fossa de oferendas ao deus-patrão.

Na fábula da cigarra e da formiga, eu sou eterna paga pau da cigarra. Porque tudo que a formiga terá, além de um mísero lugar onde aquecer o rabo no inverno, é reumatismo nas costas de tanto carregar pedras. Eu ainda prefiro morrer de frio, mas cantando.

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happy disgrace

Minha câmera digital não funciona e eu *preciso* fazer fotos. Não minhas - pra isso serve a webcam. E se ninguém notou ainda, eu tô cheia de fotografar a minha cara. Um fotolog com goldcam de 6 fotos/dia sendo atualizado uma vez por semana diz MUITO sobre isso.

Não sei se a culpa pelo não-funcionamento é da máquina ou se é do cabo USB. Bom, a garantia da máquina está aqui, nas minhas mãos. Já se for o cabo... Vou chorar se tiver que deletar as fotos LINDAS que fiz das minhas Barbies em poses de top model e que estão presas dentro da Kodak.

A boa notícia (pra mim) é que amanhã vou comprar uma câmera nova. Foda-se se é caro pra cacete e se eu vou ficar sem um centavo again. Dinheiro nunca serviu pra forrar gavetas. E eu estou felizinha porque vou ter uma câmera de 3,2 mega pixels pra fazer fotos da lua, das rosas do meu jardim, das Barbies, do braço rasgado da minha mãe, da ilha de paquetá, do meu dinossauro de plush pink que, nesse exato momento, está usando meus cordões de contas coloridas que eu comprei ontem no camelô.

Amanhã eu vou ter uma cybershot e estou feliz. E vou consertar minha máquina, vendê-la no Balcão (o de papel, porque o online está sempre fora do ar) e comprar um monitor de 17 polegadas com o dinheiro. Yay.

E já que as pessoas não me fazem feliz, eu tomo para mim a responsabilidade. ALGUÉM tem que fazer o trabalho sujo.

E a Fernanda Lima, hein? 300 comentários num post. Serinho, isso. Lembro dos tempos onde ter blog DAVA, efetivamente, ibope para algumas pessoas. Os mais populares rendiam 30, 40 comments/post (picos de 60). Agora, 300?? O que a fama não faz. Diz ela que responde herself a emails e comentários. Deve ser, porque basta alguém falar sobre as fotos pelada que ela fez pra Boss, que o comment desaparece misteriosamente. Hahaha.

Homens do rock pegáveis
Vivos
1 - Damon Albarn
2 - Scott Weiland (antes das drogas)
3 - Robert Smith (falo sério)
4 - Brett Anderson (snif!)
5 - Morrissey (snif 2!)

Na época
1 - David Gilmour
2 - Alex Lifeson
3 - Jimmy Page
4 - X
5 - X

Mortos
1 - X
2 - Michael Hutchence
3 - Elvis
4 - Ian Curtis
5 - X

É, na verdade eu não tenho talento pra achar homem bonito. Esse meu comentário foi total lesbo, agora, mas é verdade. Sou invejosa e fico destilando ptialina na beleza das meninas (como essa aqui), mas tenho auto estima subterrânea e me recuso a ver meninos como itens a serem desejados.

Ih... psicofilosofia de um real o quilo.
O horror, o horror.

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Quarta-feira, Março 3

la métamorphose

A parte chata de se afeiçoar a lagartas é que um dia elas criam asas e voam embora.

caterpillar girl
flowing in and filling up my hopeless heart
oh never never go
dust my lemon lies
with powder pink and sweet
the day I stop is the day you change
and fly away from me

you flicker and you're beautiful
you glow inside my head
you hold me hypnotized
i'm mesmerized...
your flames the flames that kiss me dead

E começo na academia, digo à mãe que quero fazer dieta, e ela (em represália, só pode) entope o freezer de garrafas de coca cola (jogo baixo devia valer ponto contra) e compra pipoca de microondas e pão de queijo.

Mãe, eu sei que você esteve dodói, e tal.
Mas te desejar arteriosclerose por vingancinha cannot be that evil.

"I cannot express it; but surely you and everybody have a notion that there is or should be an existence of yours beyond you. What were the use of my creation, if I were entirely contained here? My great miseries in this world have been Heathcliff's miseries, and I watched and felt each from the beginning: my great thought in living is himself. If all else perished, and HE remained, I should still continue to be; and if all else remained, and he were annihilated, the universe would turn to a mighty stranger: I should not seem a part of it. - My love for Linton is like the foliage in the woods: time will change it, I'm well aware, as winter changes the trees. My love for Heathcliff resembles the eternal rocks beneath: a source of little visible delight, but necessary. Nelly, I AM Heathcliff! He's always, always in my mind: not as a pleasure, any more than I am always a pleasure to myself, but as my own being. So don't talk of our separation again: it is impracticable."

Emily Brönte, obrigada por Catherine Earnshaw existir.

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Terça-feira, Março 2

rocket man



"I'm like the six year old boy who wants to be an astronaut.

Everyday he looks at the stars and the moon whispering to himself, "someday I'll be up there too." It gets him through life. Damn it, it's a dream he clings to. It will make him great in the eyes of every person that has ever thought he was anything less than spectacular.

Then, he becomes the twenty-something year old adult and he comes to the realization that he sucks at math. He also has a heart condition that prevents him from going on so much as a mildly scary roller coaster, and his eye sight is failing.

No rocketships for him.

In fact, in five or six years he probably won't even be able to see the stars very well."

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