Quinta-feira, Fevereiro 26

férias?

Eu devia estar respondendo a emails, mas eu não quero responder a emails. Pensando bem, eu não preciso responder a emails. Não agora.

O carnaval, for obvious reasons, shitou geral. Fiquei em casa, comi horrores, vi um monte de baboseiras na TV a cabo, incluindo aqueles "por trás da fama" do Multishow (hm, ok, o da Cássia Eller até que foi bacana), e os fatais acústicos 100153763 reprisados da MTV (gostei especialmente daquele com o Zeca Pacotinho, ops, Pagodinho). Sem computador, nada de falar com pessoas. Mas as pessoas valem a preocupação? Nah, I don't think so anymore. Ok, eu fui pra Paquetá sozinha, por dois dias. Foi legal, porque choveu e não vi nenhum imbecil andando de charrete, e o fedor da bosta dos cavalos perto da estação das barcas deu uma aliviada. Eu não fiz fotos. Não quis transformar meu retiro espiritual em reality show. Não agora.

Vou comprar um monitor de 17 polegadas quando meu PC ressuscitar. Yay. I deserve it.

E meu PC não podia ter quebrado, não justo agora. Depois explico. Não agora.

E queria fazer um friends-cut aqui, mas eu não sou tão esnobe e malvada quando gostaria. Não agora.

Meu site está fora do aaaaaaarr.

E pessoas que te viram a cara em certas situações e te dão bom-dia-meu-amor noutras merecem jatos de vômito ácido pela cara. Eu odeio gente que pratica o "mimetismo social". Tipo o bacana lá, gamado na baranga, mas que na frente dos amigos mete o malho na infeliz, porque afinal, "o que os amigos pensariam dele se...". Odeio marias-vai-com-as-outras.

Bad hair day. Bad hair week. Bad hair month. I can't stand it ANY MORE.

E as pessoas... Meu Deus, o que posso fazer para ser mais clara? Eu gostaria de ser, sinto que preciso, talvez eu consiga, mas...

Não agora.

Marcadores:

Quarta-feira, Fevereiro 25

hiatus forçado

Não, eu NÃO viajei, eu NÃO estou na praia, eu NÃO estou curtindo o carná. Blá.

Meu PC mór-reu e por isso não estarei online até a próxima semana. A fonte pode ter queimado, a placa idem, eu não tenho noção do que terá acontecido, e não dá pra ficar postando do trabalho (não tenho tempo, nem vontade ou privacidade, aqui).

É isso. Eu morri virtualmente até resolver esse problema. Mas na Matrix eu continuo viva, e você poderá entrar em contato comigo pelo fone 2560 000000000000000...

Marcadores:

Terça-feira, Fevereiro 17

lalala

I give up on trying to become smarter and intelligent.

All my past efforts in order to do so have failed, and didn't take me too far.

I give up on trying to look cute. It's fake, it's not me, and from now on it will be just a make-believe to amuse ME. I'm not being bitter, but extremely sincere.

I give up on trying to become more sociable and outgoing.

In this case I see no reason on trying, since I don't really want it.

So, let's take some presumptuous photos and join some funny and coloured lj communities.

That's life.
Better - that's a NO-life.
Ha. As said Frank, at least "I did it my way".

Marcadores:

Sábado, Fevereiro 14

lost in translation

"Acredito que o maior temor dessa nossa gente ansiosa que atravessa a rua fora do lugar, acende e apaga as janelas, que nasceu no século 20 e morrerá no corrente, não passa pelas morbidezas a que se costumam relacionar medos e fobias. Indo direto ao ponto: mais do que a morte, o que se teme é a solidão. O que se teme é ter que se olhar no espelho, não o de casa, que nos poupa do fundamental, mas em um que reflita o que realmente se é, fora maquiagens, implantes, roupas, empregos, status, carros do ano e eletrodomésticos pagos em dez vezes sem juros. Saída? Entre o hedonismo arregalado e a servidão religiosa estamos quase todos perdidos, luzes apagadas por trás das portas. Mas, numa deixa previsível como enredo de novela, o tal do sentido costuma vir pouco antes dos 30 anos com romance, paixão, filhos - e a porta que se abre agora é a do banheiro, atestando a cumplicidade muitas vezes fedorenta dos amantes. Até a crise de meia idade, como a que atravessa o nosso Bob Harris, magistralmente conduzido por Bill Murray.

A solidão dos personagens de Sofia Coppola não se deve simplesmente às circunstâncias tediosas que os levaram a uma megalópole ininteligível. Falta a eles companhia para compartilhar o estranhamento que a vida nos impõe desde sempre, companhia para dividir o mesmo olhar. Seus relacionamentos viraram casca. Vivem a pior forma de solidão, acompanhada - não entre milhares de pessoas numa rua apinhada de gente, mas a que se compartilha numa cama, num telefonema mal-respondido, no desinteresse explícito ou na neurose descabida que corrói sentimentos. Charlotte não reconhece mais seu namorado afetado. Bob procura conforto numa dona de casa profissional. Fracassos."

No JB online, por esse cara aqui. Integralmente aqui. E eu concordo em gênero, número e grau - detalhe, eu não estou falando do filme...

Marcadores:

Quinta-feira, Fevereiro 12

and so it goes

New layout. Esse aí se parece mais comigo, com a minha fase, embora lá no fundo, eu não esteja triste. Eu SOU triste. Por isso não consigo ver a diferença.

Joy Division é uma coisa engraçada. Não tem letras especialmente fodas. Não tem melodias especialmente bonitas, na concepção mais corriqueira da palavra. Não tem muitos discos lançados. Não durou muito. Mas Joy Division É Joy Division. Uma banda que É, e não se fala mais nisso. Porque tem as músicas que não são "bonitas", são dilacerantemente bonitas. Porque tem as letras que não são fodas, mas que conseguem, quase monossilabicamente, te jogar numa dimensão docemente negra à qual você passará a jurar, desde então, que sempre pertenceu. Porque tem dois discos do grande caralho. Porque durou o que devia ter durado, o quanto o Ian Curtis aguentou. E, principalmente, porque teve Ian Curtis. E a voz dele, que ninguém consegue tirar dos ouvidos, da cabeça. E os olhos dele, fundos e que entram também fundo dentro das nossas mágoas, dos nossos ressentimentos, das nossas amarguras, das nossas revoltas, e então nos dizem: "EU VEJO ISSO EM VOCÊ PORQUE VEJO ISSO EM MIM".


Marcadores:

Terça-feira, Fevereiro 10

Dane-se

PUTA vontade de tirar sangue de alguém. E de gritar. MUITO. E de chorar. Mais ainda. Mas sabe como é, né? Agora não vai dar.

E eu vou fazer um blog no domain. Aliás, aquele layout mirabolante lá está com as horas contadas. Fofo, mas dá muito trabalho. E o excesso de scripts toscos está atrapalhando que eu poste na página principal. Eu gosto do livejournal, muito. Mas não é a mesma coisa. Aqui ninguém posta, ninguém lê, parece uma zona morta. E, se é pra ser zona morta, que seja na minha casinha, onde pelo menos eu possa mudar de skin (eu não mereço usar a palavra layout pra se referir aos meus) mais facilmente. Porque os overrides do livejournal, THEY SUCK.

E eu estou muito triste, tem um nó muito grande na garganta, e dessa vez não é meu coração que está lá obstruindo a passagem. É a minha existência inteira que tomou forma esférica e enfiou-se goela adentro e está me impedindo de respirar. A única vantagem aparente disso é que assim o choro também não sai.

E eu quero não odiar gente. Eu estava tentando, até. Mas já vi que não dá. Eu odeio.

Last Cigarette::eu não fumo
Last Alcoholic Drink::cerveja, as usual
Last Car Ride::não tenho mais carro e não costumo andar neles
Last Kiss::ele... as usual.
Last Good Cry::estou querendo chorar AGORA. questão apropriadíssima.
Last Library Book checked out::hahahaha - eu sou alienada, amigo.
Last Movie Seen in Theatres::MUITO envergonhada de admitir que nem lembra
Last Book Read::atualmente as piadas da playboy, volume 2
Last Movie Rented::não alugo mais desde que minha mãe roubou meu videocassete
Last Cuss Word Uttered::?
Last Beverage Drank::
Last Food Consumed::meu almoço. e estava uma merda.
Last Crush::não sei o que é isso desde que saí da infância
Last Phone Call::ninguém acredita, mas faz tanto tempo que nem lembro
Last TV Show Watched::eu não vejo TV, mas ok, há UMA SEMANA atrás eu estava tentando ver David Letterman pra checar se havia alguma diferença entre o cenário dele e o do Jô
Last Time Showered::hm, por sorte, eu fiz isso ontem
Last Shoes Worn::estou usando agora meu par de tênis coreanos vermelhos
Last CD Played::não lembro, acho que coldplay
Last Item Bought::uma piranha de plástico pra prender meu cabelo
Last Download::php fanbase, mas é óbvio que não vou ter tempo de montar a fanlist
Last Annoyance::me jogaram um MONTE de coisas nas costas aqui no trabalho porque acham que eu não faço nada.
Last Disappointment::eu cheguei à conclusão que dificilmente serei uma pessoa feliz, algum dia
Last Soda Drank::se fuder, teste idiota... já fez três perguntas sobre bebida. na próxima, eu juro que respondo MIJO
Last Thing Written::essa merda de teste ridículo. e o pior é que ainda vou ter que traduzir as perguntas, porque brasileiro não sabe/tem preguiga de ler inglês
Last Key Used::a minha, pra abrir as portas da minha casa amarela fofa e sair pra me fuder joselitamente na vida
Last Word Spoken::NÃO
Last Sleep::sono? o que é isso?
Last IM::eu odeio aim. se não for aim, eu odeio o que quer que seja.
Last Sexual Fantasy::parar de fazer sexo - até isso anda me entediando.
Last Weird Encounter::HAHAHA, com o meu velho, TODO encontro é weird
Last Ice Cream Eaten::de limão, aliás, uma PORCARIA de sorvete
Last Time Amused::outra palavra cujo significado eu passei, subitamente, a desconhecer
Last Time Wanting To Die::all-the-fucking-time
Last Time In Love::há anos atrás. espero nunca mais sentir de novo e morrer uma velha amarga, recalcada, mas com os parafusos em ordem
Last Time Hugged::é, todo mundo me abraça, mas e daí?
Last Time Scolded::??? não sei traduzir, desculpa
Last Time Resentful::minha vida é um poço de ressentimentos. contra mim, contra o mundo, contra a própria vida.
Last Chair Sat In::essa onde estou, né, porra... ou acha que estaria digitando em pé??
Last Lipstick Used::é meio bordô, cor de sangue seco - eu gosto dele
Last Underwear Worn::a calcinha vagabunda que estou usando não entendeu o que significa underwear, achou que estava sendo xingada e mandou a inventora desse teste ir à puta que pariu
Last Bra Worn::meus sutiãs cafonas também ignoraram solenemente essa pergunta
Last Shirt Worn::uma larga, coloridona, feia de doer, mas eu gosto
Last Webpage Visited::essa aqui. antes dela, a do meu trabalho, porque eu passo o dia todo nela.

Marcadores: ,

Segunda-feira, Fevereiro 9

e então o céu virou sorvete de pistache

E sim, o telefone fez o seu papel e tocou no domingo às nove, quando eu estava em casa meditando (haha) e tentando abstrair o fato de que o day after seria uma segunda feira - i don't like mondays, tipo a serial killerzinha da música do Bob Geldof. E era ele. E senti pela voz que ele estava bêbado. E ele disse que havia bebido todo o dinheiro que tinha, e agora nem um tostão pra voltar pra casa.

- Tá, você pode dormir aqui hoje...
- Mas eu só preciso do dinheiro.
- E de glicose. E de porrada.
- Posso dormir aí, então?

Ok, then. Dez minutos e a campainha toca, e então eu o vejo entrar bêbado como eu nunca havia visto em todos esses anos. Ele cismou que a parede do meu quarto NÃO ERA AZUL antes. E chorou meia hora pedindo que eu "não maltratasse a família dele". E falava gesticulando como se estivesse drogado, e eu perguntei se haviam jogado barbitúricos no whisky e ele disse que não sabia.

Pode ser deveras providencial dialogar com bêbados, quando se está sóbrio. A caixinha de pandora se abre e todos os segredinhos vêm à tona, boiando no álcool... Tudo o que fiz foi fornecer estímulos para o "truth or dare" versão monólogo, e então ficar ouvindo tudo com um ar solidário pintado na cara e um risinho evil nos lábios por onde escorria o veneno.

Esse foi o final do dia.
O começo do dia foi legal, porque foi quando nós dois juntos começamos a beber no mesmo lugar onde ele se embriagou mais tarde. Eu fui encontrar a Laila no "shopping" aqui perto (e fomos ver as tartarugas no projeto Tamar aqui na praça, também, The big giant one... Aqui na foto ela parece pequena, mas se não chega a ser uma "tartaruga-de-couro" (cujo casco chega a medir mais de 2 metros), é BEM maior do que o que a gente conhece por tartaruga...



Os bebês tartaruga:



Um bebê tartaruga eclodindo do ovo, versão gigante-didática:



Tartaruga de cerâmica. Se coubesse, ia ficar style em cima da minha geladeira:



No shopping, começamos a notar gente estranha com roupas mais estranhas ainda circulando around. Quando a música começou, descobrimos que estava rolando um "carnaval da terceira idade" no segundo piso. Fotos, naturally:



A cantora da "banda", Alcione wannabe:



Ô abre alas, que eu quero infartar -
A_Figuraça vol.1:



A_Figuraça vol.2:



O cabelo reluzente da Laila:



E o resto das fotos tem a Laila, por isso são dela. E, se ela assim o desejar, postará.
E depois eu o encontrei, ele estava no bar e lá ficou quando decidi ir para casa, prometendo ir embora no final daquela cerveja.

Mas não foi, e passou da cerveja pro whisky, e encontrou pessoas (porque no fundo da fortaleza com muros de mil metros de altura e cerca elétrica em volta, eu penso que mora um menino beeeeem pequenininho, morrendo de medo de ser deixado ali pra sempre, all alone), e ficou feliz, e bebeu mais, e pediu frango à passarinha, e viu todos os jogos televisionados da rodada no dia, ficou querendo dar porrada na cara de uma puta que, quando seu macho chegou, esnobou um velho apaixonado que estava pagando todas pra ela, enfim... Bem maria-do-bairro.

E não tivemos muito tempo pra conversar, e ele mentiu. Tinha sim o dinheiro pra voltar pra casa, mas também tinha consciência de que, naquele estado, no máximo ia achar o caminho do cemitério. E eu não sei direito o que falar com ele, da próxima vez. Eu ouvi tanta coisa diferente, mas não sei se cheguei a conclusões diferentes. Waste of energy.

E não, eu não procurei na-da sobre o peito da Janet Jackson no Google.
Obrigada.

Marcadores: ,

Domingo, Fevereiro 8

let me have it, let me grab your soul








it gets lonely
on the other side from you
i pine a lot
i find a lot
falls through without you

Marcadores:

Sábado, Fevereiro 7

lover you don't have to love

Não sei se por causa dos quebra-paus entre meus pais, que foram a festa na minha infância, eu nunca levei o amor a sério. Hoje não sei se de fato as palmas das minhas mãos batendo uma contra a outra e os sorrisos atrás de portas eram de fato excitação ou ansiedade, como também não posso afirmar se as marcas deixadas foram tatuagens ou cicatrizes, se enfeitam ou se doem - fato é que elas estão aqui, têm que estar.

Porque nada mais explicaria esse iceberg aqui dentro.

E então eu passei a infância brincando de Barbies que eram modelos famosas ou empresárias de sucesso, mas que nunca tinham namorado (dezenove Barbies ao todo, mas apenas dois Ken, que sempre ficavam esquecidos dentro das caixas de brinquedo), e a adolescência viciada em carros importados, futebol e armas, subjects tipicamente masculinos (pra talvez erguer uma barreira de testosterona entre eu e a minha incipiente feminilidade - vocês sabem, esmalte, água oxigenada e batom, essas armadilhas pra enganar e pegar garotos).

Eu queria estar longe deles, e para tanto, em se tratando de amor e sexo, nada melhor do que SER um deles. E então dúzias de camisetas de times de futebol, gavetas cheias de camisas de banda, palavrões heavy metal, pele ralada (e definitivamente estragada, i must admit...) por quedas nas estripulias, um ano e meio ouvindo rock pesado, madrugadas inteiras perdidas na frente do super nintendo, esfolando o polegar no joystick pra ser tão foda, mas tão foda nos shoryukens que os meninos teriam medo de mim, aqueles vermes.

Como eu tinha inveja deles.

E raiva das amiguinhas, dos shorts jeans curtinhos, do "sutiãs-menina-moça" (para seios que ainda nem existiam, a não ser na vontade das donas), dos brincos "folheados a ouro", que de ouro nada tinham, da orelha-furada-em-dois-lugares, do esmalte azul da carla perez, do brilho labial sabor morango Topsy da Avon, dos absorventes higiênicos, e da alegria indizível que isso causava nelas, e das histórias que contavam, dos cantinhos escuros que frequentavam acompanhadas, das rodinhas de segredinhos das quais eu estava pra sempre excluída, por vontade delas, por desígnio da vida, por minha causa, porque eu havia escolhido ser um deles mas era uma delas, ou seja, eu era A_Aberração, pessoas.

E eu achava (?) isso muito bom.

E então eu encontrei um menino legal.

E agora eu sei que vou sentir falta dele, porque o tempo passou, porque eu não tenho mais tanto medo das minhas unhas bonitas (por causa minha, por causa dele também), porque com ele eu podia ser igual a ele e muito diferente dele ao mesmo tempo, e sim, isso ERA bom. Podia sentar num bar e dar nota pras bundas das meninas, podia encher a cara de cerveja durante os jogos de futebol, podia falar sobre as músicas que só nós dois no mundo conhecíamos, mais ninguém, e pensar que o mundo só precisava de nós dois pra ser um lugar melhor (nem que fosse só pra nós), mais ninguém. E também podia querer comprar lingerie, podia gostar de vê-la desaparecer pra debaixo da cama bem rápido, podia falar obscenidades cheias de ternura e não ter medo de desvestir a carapaça e ter coragem de ser covarde, frágil, de vez em quando.

E agora eu vejo todas essas coisas entrando pro grosso e velho scrapbook de memórias e balanço a cabeça dando razão a mim mesma, porque embaixo do verniz brilhante das coisas bonitas há a crosta malcheirosa e suja das coisas feias, e era ela que aparecia pra estragar o cenário quando eu estava quase acreditando que podia ser feliz.

Mas ainda assim eu sei que vou sentir falta dele, porque num mundo de meninos feios, bobos e chatos, que puxam o meu cabelo em boates, que acham que danoninho vale por um bifinho e que um tríceps vale por mil neurônios, que acham que mulheres nasceram apenas pra serem bonitas e fazer sexo oral direito, que confundem inteligência com cultura de almanaque, que se acham especiais mas fazem tudo o que os seus amigos esperam (inclusive dar um fora numa garota legal só porque a turma não gosta dela, e hell, como eu já vi isso acontecendo...), que não sabem conversar, só impôr opiniões, que são profundos feito a piscininha das crianças no clube, que só pensam em ser, ser, ser, em ter, ter, ter, mas que acabam a vida tristes jogando pedra nos pombos da praça, consumidos pela irônica certeza de que não são e nem têm nada (ou ninguém)... Por escolha própria.

Nesse mundo, ele era diferente. Ele era pra mim, sabe?
E agora eu vou ali chorar um pouco e vestir aquela minha camiseta do Barcelona e tentar voltar a acreditar que "love is natural and real, but not for such as you and I, my love".

Marcadores: , ,

Sexta-feira, Fevereiro 6

ascensão e queda de robervaldo panguá

if it's only a bad dream, why does it never ends?
if it's reality, i'd rather go back to my nightmares.

No ônibus a mulher dormindo ao meu lado fedia a água sanitária. Lavadeira, óbvio. O cheiro era nauseante, e quando percebi que vinha dela, tive pena. Da roupa humilde, da bolsa de camelô feita de pelicato (um arremedo barato de couro), da sandália velha, do óculos de sol paraguaio, cafoníssimo, sobre o cabelo crespo e curto. Tive pena sim, e daí?

E daí que me dei conta de que eu estava lá, dividindo com ela o banco de ônibus e o retorno da nossa escravidão diária particular. E, de repente, a minha "pena" me pareceu arrogante. Mesmo que um canyon cultural nos separe, as circunstâncias nos deixam uma ao alcance da outra. Ela despertou do sono e eu fingi começar um (eu não consigo adormecer em coletivos, period), pra esconder a vergonha súbita que senti. *vai passar, vai passar, vai passar* é o máximo de otimismo que consigo impor a mim mesma.

E coisas como essa também me deixam mal: http://ludotrem.blig.ig.com.br. Eu sempre fico triste com celebridades cujo brilho embaça. Boas lembranças são uma maravilha, mas viver delas deve ser uma merda. Ainda mais tendo crescido e perdido a beleza, os cabelos, o dinheiro e, principalmente, a extasiante sensação de se destacar da multidão, de se sentir alguém realmente especial - e foda-se se for pelos motivos errados, quem é você pra saber quais os certos?

Porra, eu quase chorei. Eu não estou sugerindo que o cara deva dizer adeus a esse mundo cruel com a ajuda de meia caixa de Diazepan e uma garrafa de Old Eight... mas sinceramente, se EU fiquei triste, imagina se aquela pele lá fosse a minha?

Algumas coisas é melhor nunca ter do que perder...

Marcadores: ,

Quarta-feira, Fevereiro 4

love is beautiful, but "love" is fucking ugly

soundtrack interna: "lerê, lerê, lerêlerê lerêêê... vida de negro é difícil..."

Ok, já deu pra notar que eu estava no trabalho, right? And not so suddenly, the phone rings.

- É pra você.

- ...

- Alô? - digo eu, incerta. Ninguém liga pro meu trabalho. Me preparo para a notícia de que minha mãe teve uma crise de septicemia crônica (eu sei que isso não existe, certo?) e bateu as botinas.

- Está nervosinha? - é a voz dele. Adolf. Consigo ouvir o risinho-de-canto-de-boca que ele nem deu.

- Você sempre fica nervosinha quando eu te ligo aqui no trabalho (o detalhe interessante é que essa foi apenas a SEGUNDA vez que ele fez isso, e já se sente capaz de traçar um padrão de comportamento... Pfe).

- Eu não estou nervosa, só estou ocupada (isso, garota, FODE ELE).

- E eu só liguei pra dar sinal de vida ("quem pediu por isso???", é a pergunta que não calaria, se eu não a tivesse engolido feito uma colherada de óleo de fígado de bacalhau quente). Faz tempo que eu não ligo (detalhe 2: ele não ligava há dois dias, quando é natural ficar quase uma semana sem telefonar)...

- Hm.

- É que meu telefone está mudo, e com esse calor eu não tenho coragem de sair pra ligar da rua (sim, mas EU posso sair às ruas para a lida, enquanto ele fica at home fritando batatas e ouvindo Pink Floyd).

- Se deixasse pra ligar pra minha casa não ia me achar hoje. Saindo daqui eu vou ao Norte Shopping pagar a fatura da Renner.

- Por que no Norte Shopping??

- Porque na nossa cidade não tem loja da Renner, claro. E só se pode pagar faturas de lá nas próprias lojas. Vou pegar uma kombi, porque aqui perto do trabalho não passa ônibus pro Norte Shopping, e...

- Deixa eu desligar antes que eu me aborreça mais. Você faz TU-DO errado!

- O que há de errado em ir pagar uma fatura???

- De Kombi?? Aí na capital? Você vai tomar um tiro na testa antes das seis da tarde hoje, espero que tenha tempo de se lembrar dessa minha profecia, quando ela se cumprir.

E aí ele reclama mais um pouco até desligar.

Eu deposito o fone no gancho e volto para a minha mesa, pensativa. Noutros tempos eu teria chorado. Agora essas atitudes, que fariam algumas meninas vibrar de felicidade pela "preocupação e zêlo" demonstrados, só jogam mais uma pá de piche sobre a estrada que me afasta daquilo que eu pensava ser a perfeição. Estou caminhando pra longe e, como tenho um péssimo senso espacial (é, eu consigo me perder dentro de uma casa de cinco cômodos), é provável que, uma vez longe, eu esqueça o caminho de volta. Isso não é preocupação, nem zêlo. É neurose. Psicose maníaco-obsessiva. Isso precisa de tratamento médico - e não da minha condescendência forçada e aviltante.

E eu ainda estava na rua quando ele ligou pra minha casa, a mamma disse. Se pra se desculpar, ou reclamar mais, ou saber se a tal bala perdida havia encontrado um lar na minha cabeça, não sei. Nunca vou saber, porque não vou perguntar, porque não quero saber e porque não me interessa mais.

O definitivo adeus do amor é o poema

Foste ausente e eu cumpri, com a cínica resignação
de conhecido o caminho, o urbano rito de perder-te.
Tu sabes. Fiz-te um brinde solene, depois outro...
Depois muitos, até que tu não mais me doías
e eu fui morrer de frio num outro braço.

Mas a todas estas coisas fiz cumprir de olhos secos,
e vesti-me de amargura como de preto as viúvas:
por adequado o traje, não o luto.

Enfim, eis os teus irreversíveis versos.

Limpamo-nos um do outro sem maior dano
que acrescentar descrença a um sonho já roto.
Não houve fotografia para rasgar, nem um cão que
sinta tua falta ou crianças para dividir. Nenhum amigo
lamentará nosso triste fim ou servirá de memória do que fomos.

Pouco existimos um para o outro;
pouco, muito pouco eu partilhei contigo
além de toda poesia que existe no mundo.

Não sei desesperar mesmo quando desespero.

Ai, poeta, se eu soubesse.
Eu te juro, rasgava o vestido,
arrancava os cabelos, e de joelhos
eu te pedia ( em alexandrinos ),
pra não ires embora de mim.

Marcadores:

Terça-feira, Fevereiro 3

about love, motors and relationships

It's so funny how we set qualifications for the right person to love, while at the back of our minds we know that the person we truely love will always be an exception. Verdade lida aqui.

Ok, eu sei que é complicado não fantasiar... Meninos e meninas e seus padrões de beleza-comportamento-padrão-social-e-etcéteras, e atire a primeira pedra quem não "desenhava" mentalmente o(a) namorado(a) perfeito(a), na infância (ou, vá lá, na adolescência, idade adulta... sim, ainda existem abençoados que nunca deixam de sonhar). Eu sou assim. Ou pelo menos era. O menino da bicicleta acaba de dar com o telefone na minha linda carinha porque eu atendi ao telefonema dele no quarto toque. É. No quarto. E ele só tolera a minha "desconsideração" até o terceiro.

Porra elevada à décima nona potência. Eu joguei pedra na cruz com catapulta, e acertei no meio do saco de Jota Cristo, só pode. Eu mereço. Ele é tudo o que NÃO devia ser, às vezes. E eu me pergunto, lendo o texto em inglês lá em cima, até quando o charme (?) dessa exceção à minha imagem de "namorado perfeito" vai prender meu interesse...

Ferrari Modena? Nah. Porsche? Nananão. Mclaren? Nope. Eu cismei: eu quero um Bel Air 1954, vermelho. E conversível. Por ele eu até aprenderia a dirigir, mesmo sendo desatenta e dispersiva. Eu meteria a cara num POSTE feliz, se tivesse a chance de morrer dentro desse carro. Aqui está ele, em versão miniatura, que eu desde já achei fofa e quero pra mim. Agora imagine isso em tamanho natural, reluzindo e com Sabrininha inside? UOMPA! Me fez desistir do Impala 61 vermelho, que sempre foi meu sonho - só que é muito grande e não cabe em garagem/vaga alguma... Só não é oito cilindros como eu gostaria, but, não se pode ter TUDO na vida. A menos que eu compre este Jaguar aqui, que também é foda.

E não me convidem para conversas onde rodopie o tema Big Brother Brasil. Eu não estou acompanhando. Nããããão, eu não virei intelectualóide da noite pro dia. Eu até tentei acompanhar, juro. Mas a galerinha dessa versão é muito, mas MUITO insossa. Quiseram reeditar a dupla Dhomini + Sabrina chamando um mineiro até bonitinho (mas que, de tão fosco e sem sal, foi chutado no segundo paredão...) e outra retardada de cabelo comprido e voz irritante; só que dessa vez a mina era loira e somava ao timbre asqueroso um portunhol claudicante. Minha xará, no entanto, tinha muito mais graça natural e um corpo BEM melhor do que sua clone portenha. E aqueles sorteados? Meo Deos. Isso é bem feito para todos os hipócritas que viviam reclamando que o convite pra participar do BBB era "armação". Mas tem que ser, oras. Há o Padrão Globo de Qualidade pra se cumprir, e tirando a "sorte", podia-se dar azar e sortear um bando de travados feios e desinteressantes. Mais ou menos uma síntese daqueles dois peixes fora d´água, lá. Horreur.

E meus conhecimentos acerca do assunto terminam por aí. Não sei mais nada, não vejo mais nada, não falo mais nada.

And, jesus... Perdoem-me os bons, chamem-me de invejosa os maus, but... luv sux.

Marcadores:

Segunda-feira, Fevereiro 2

cool dialogs

babaca(apontando pro meu copo de guaraná natural): beber isso todo dia faz mal...
eu: ah, é? por quê?
babaca: por causa do açúcar. você vai ficar gordinha.
eu: eu já estou gorda.
babaca: não, gorda não. mas vai ficar se abusar do açúcar.
eu: e daí? ser gorda é legal. não faço questão de ser magra e gostosa, se for pra receber cantada baixo nível de peão de obra. já tenho namorado.
babaca: é, mas se engordar vai perder.
eu: se perder, legal. não vou me suicidar. e depois, homens são fracos. só conseguem terminar relacionamento se tomarem CHIFRE, e às vezes nem assim. quando a mulher engorda, por exemplo, eles não largam. diminuem a frequência das trepadas e botam mais chifres, mas não terminam. bando de fracotes...
babaca: ah, eu largaria a gorda, sim! e você, por acaso ia tolerar chifres??
eu: chifre é uma coisa psicológica. bota quem pode, leva quem se garante. eu não me descabelo por causa de chifres, não.
babaca: hahaha, achei a mulher da minha vida, então.
eu: é, mas eu vou ficar gorda. vai um pouco de guaraná natural aí?

Haha. Eu adoro alimentar essa minha fama de simone-de-beauvoir-dos-pobres.

x x x

É só aqui ou o Velox anda um porre?? Lerdo, congela a toda hora, trava o explorer... Pfe. Eu pago cem realz do MEU salário todo mês para... isso??? PROCON WANTED. E o fotologue também está indo pras picas??

E roubei da : vejam isso e isso, e então se curvem ante à majestade do fotoxópiu. Salve Santo Adobe, o Salvador das meninas feias.

E, last but not least... pessoas, eu sou um mangá!! http://sabrina.jp. Sério, japoneses são meio doentios, e talvez por isso eu goste tanto deles.

Marcadores: ,

Domingo, Fevereiro 1

busy weekend

"You finally figured out the girl in your heart isn't the girl in your dreams. Some people don't figure it out all their lives."

É um quote do IMDB, mas não havia o nome do filme.
O menino da bicicleta devia ler. Vou escrever isso no cartãozinho de aniversário dele...

E aquele comercial da cerveja com o paraibano (ou sei lá de que estado nortista) falando "Será! Será!" vai ser o hit do verão. Será que eu termino de fazer o layout do domain hoje ainda? Será? Será?

Estou comendo alopradamente. A mãe não cozinha nada, pra evitar o calor do fogo. Chove de gente generosa na minha cozinha fazendo comida, meu pai está um amor lá fora, lavando meus tênis e me ainda trouxe um pote babilônico de sorvete de limão - NHAM. Uma das ajudantes fez uma sobremesa fofa, que consiste em pedaços de gelatina em cores variadas dentro de um creme de leite condensado + creme de leite. Estou esvaziando o pote.

E eu sei que as vagabundas que vêm aqui "ajudar" falam mal de mim pelas costas. Devem achar um absurdo o fato de que eu não pego em uma vassoura nem em pano de prato... Eu SEI cuidar da casa, fiz isso muito bem quando foi necessário, mas sinceramente, quando não me parece tão necessário, eu não faço. ODEIO. Preciso terminar a porra do meu site, preciso responder meus emails, preciso ver o filme que ganhei do Cau, preciso ler o jornal que me espera há horas. Hahahaha. Eu definitivamente só não preciso de um certificado de conclusão do curso de prendas domésticas. Ou talvez até precise, mas se eu não consigo fazer as coisas necessárias que eu gosto, porventura farei as ruins?

E uma vizinha aqui comprou um cachorro pra proteger a casa, que vinha sendo invadida por ladrõezinhos. Só que miserável foi viajar, ficou fora por duas semanas e não providenciou comida pro cachorro nem pediu a alguém que o alimentasse. Resultado óbvio: o bicho estava morto e seco quando ela chegou; morreu de fome e de sede. E a vaca ainda teve o cinismo maléfico de argumentar que "alguém havia dado veneno pro bicho". Será que ela achou que o cachorro era de pelúcia? Ou que era movido a energia solar? P.U.T.A. Se a SUIPA tivesse poder policial eu denunciava essa maldita. A pena seria passar dois meses presa num quintal quente e sem sombra, sem água ou comida, até morrer de inanição.

Não sei porque as pessoas me contam essas porras. Isso acaba com o meu dia. Really.

E, para salvar minha vida, ressuscitaram o joguinho do pinguim! Eeeeeeeee! Gonna eat and play all day long. E se fanlistings são divertidas, hatelistings são ainda mais!

Marcadores: