Domingo, Novembro 30

rainy sundays

Fui ao shopping com as girls. Rio Sul, o antro das coroas dondocas caducas cheias de delineador e sombra verde nas pálpebras pelancudas. Eles fazem cara feia quando a gente esbarra nelas sem querer. Eu acho engraçado que elas percam tempo se preocupando com coisas como um esbarrão quando têm que pensar na própria morte se avizinhando. Ou talvez elas acreditem que os esbarrões as farão morrer mais cedo. Se for assim, preocupação legítima. SORRY. Mas eu acho engraçado.

Comprei coisas. Nada de surtos consumistas, mas certas coisas fofas não podem ser deixadas nas prateleiras. Enchi algumas sacolas e parcelei tudo em cinco vezes sem juros no meu cartão Renner (ACHOU que eu ia pagar 150 reais por uma camiseta de malha vagabunda na Cavalera? N.E.M.). Eu não gosto mais de Natal, então não vou comemorar. Isso inclui não comprar presentes de Natal. Algumas pessoas merecem? Sim, algumas pessoas merecem. Mas não vão ganhar. Eu não quero dar. Eu gosto delas, e meu afeto sincero vale mesmo mais do que um kit perfume + sabonete ó-que-fofo. Afinal, quantas vezes eu ganhei presentes que não foram nada sinceros ou quantas vezes me decepcionei com quem o deu? Presentes não significam nada. Observem as atitudes de quem os rodeiam. E aprendam duas coisas: 1) valorizar amigos de verdade (se é que terão algum, nessa vida) e 2) comprar seus próprios presentes. É mais legal e não há risco de errar.

E voei pra casa achando que veria o show da turnê nova da Madonna, mas Band é Band e eu me decepcionei ao percebar que eles fizeram foi uma colagem de shows de turnês antigas (pior: apresentada por uma cafoníssima Wanessa Camargo com o cabelo tingido de loiro dourado) ao invés de exibir a prometida "Drowned World".

Tudo bem. Eles reprisaram principalmente a turnê do True Blue - que junto com a insuperável "Blonde Ambition" é minha apresentação favorita da Maddie... A "Virgin Tour" de 1985 é um lixo, apesar de eu adorar essa fase "early days" dela, mas a pior mesmo foi a "Girlie Tour", que eu assisti aqui no Rio... Tá, eu vi a Madonna e dancei pra caralho e fiquei rouca e quase fui pisoteada e achei foda e foda-se o resto! A True Blue tem a Madonna com a voz e o corpitcho no auge. Não era playback e o vocal dela está com uma força e estabilidade inacreditáveis (nada dos "miados" da Virgin Tour ou das leves desafinadas da Blonde Ambition - nesse caso perdoáveis, dado o esforço aeróbico intenso que ela exigiu).

E semana que vem tem especial de fim de ano na Band com Legião Urbana. VIVA THE 80's!!!! E eu ia falar sobre uma coisa séria, mas hoje não estou a fim, não. Passa amanhã.

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Sábado, Novembro 29

wtf

Eu CANSO de me perguntar o seguinte: o que caralhos seria "demonstração de força", afinal? Suportar ou desafiar? Cada vez mais a primeira alternativa me lembra ACOMODAÇÃO ao invés de coragem.

Mas eu não vou me atirar do vão central da ponte Rio-Niterói. Até porque morrer afogada na baía de guanabara não é a minha idéia de falecimento perfeito. Os coliformes fecais que infestam aquelas águas vão me apontar dedos e rir da minha desgraça. Fodam-se os coliformes - eu vou viver.

Só que eu vou aloprar. Já que pelos meios corretos, ortodoxos, legais e aprovados pela TFP e pela Igreja Católica não estou conseguindo nada, EU VOU ALOPRAR.

Aguardem cenas dos próximos capítulos.

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Quarta-feira, Novembro 26

candid quotes

Ok, people sucks.
Mas não sei por que me preocupo tanto com isso se a melhor meia dúzia de almas do inferno veio parar no meu bairro e, vez ou outra, divide uma mesa de boteco comigo.

ROBERTA: Caralho, perdi 3 kg!!! VI-TÓ-RI-A!
SAMMY: É? Nem dá pra perceber.
EU: Só se foi no cérebro.
ROBERTA: Hã?
EU: Só se você perdeu três quilos de massa encefálica, porra...
NANDO: Deixa de ser idiota. Ela não poderia ter perdido TRÊS quilos onde só tinha dez gramas...

SAMMY (ouvindo a música do Raulzito e adaptando a letra): Eu nasciiiiii, há VINTE anos atráááás!
MORDRED: Só se for 20 a.C.

EU: (vendo uma "vovó gatinha" se esfregando num garotão numa mesa do Gelo & Cevada, pleno happy hour de quarta feira): Ela devia tatuar EAT ME no cóccix.
SAMMY: Ou então FUCK ME HARD.
EU: Ou então PUSSY FOR FREE.
NANDO: Ou então I PAY CASH IF YOU EAT MY PUSSY.
EU: Ou então I PAY CASH IF YOU FIND MY PUSSY.

NANDO: Hm, Sammy... Você com essa roupinha...
SAMMY: Tô gostosa?
NANDO: Puta de Vila Mimosa perde. Nem aqueles puteiros que só têm dinheiro pra pagar uma puta só, nem aquelas putas que aceitam vale transporte e ticket refeição...

SAMMY: Ca-dê a mãe do baaaaambi, caaaaaara!!!! (piada interna)

NANDO: Vamos trepar?
EU: Não.
NANDO: Why not?
EU: "why I not love you".
NANDO: do you need to love me to boquete me?
EU: FUCK YOU
NANDO: I would, if i could
EU: I can help you, if you need
NANDO: okay. see those empty bottles??
EU: HAHAHAHAHAHAHAHA

Acreditem, vocês não iam aguentar UMA tarde conversando com a gente.

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Terça-feira, Novembro 25

what the hell am i doing here?

Tá bom, então.
Eu não entendo as pessoas, e elas não me entendem.
Não vou mais aprender a falar o idioma delas.
Algumas coisas eu sinto que estou velha demais para aprender.
Outras, eu simplesmente não quero aprender.

Não vou me rebelar contra o sistema. Até porque não há sistema. O que existe são pessoas. Falando a verdade, eu nunca gostei delas e elas nunca gostaram de mim. Eu sempre faço o melhor, ninguém entende nada, e eu sempre levo a fama de bruxa meméia no final da história.

Que fazer pra mudar isso? Bancar a sonsa - coisa que não sou? Ficar me fazendo de vítima de maneira crônica, para que as pessoas tenham pena de mim (e assim me livrar das pancadas, porque em cachorro morto ninguém bate)? Me fazer de fofinha, meiguinha, bacaninha, para que elas pensem mil vezes antes de me dizer verdades, porque "ah, mas ela é tãããão legaaaaaaal...".

Pau no cu dos legais.
Pau no cu.
Eu quero sentir tudo sem anestesia. Quero ser eu mesma e ter por perto gente que saiba admirar autenticidade, e não que bajulem por conveniência - QUE conveniência??? Eu não tenho NADA a oferecer além de porrada e afagos em quantidades milimetricamente iguais. Ou nem tanto.

Ah, acha que não tá bom?
Então, vão puxar o saco dos outros em guestbooks. Vão lá fazer social, vão. Eu não faço social. O termo "anti social", no meu caso, NÃO é só charminho. Tenho sangue de eremita correndo nas veias and I like it.

Se não houvesse já um monte de patricinhas-evil-girls-wannabe com o nome BORN TO BE BAD tatuado no cóccix, eu juro que tatuava. Mas não no cóccix, que é coisa de patricinha-evil-girl-wannabe-but-in-fact-wanting-to-look-like-a-whore. E eu acho isso legal, sabe. Mas eu não quero to look-like-a-whore. I look like shit, in fact. And I like it.

Vou tatuar alguma frase de efeito.
Quero ficar na moda.

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Quarta-feira, Novembro 19

rain.

Rainy days are the BEST.
Claro, nem tão belos quando se está a fim de voltar pra casa numa quarta feira calorenta, desaba aquele aguaceiro do caraglio e você lá, sem guarda chuva, vestindo roupas pesadas que empapam e pesam mais ainda depois de molhadas.

Mas não foi isso o que aconteceu hoje. Podia ter sido, mas eu tive alguma sorte, e quando a chuva desabou, eu estava dentro do ônibus - e antes que eu descesse ela serenou. Obrigada, chuva, por me proteger e por me deixar assistir de camarote (voltei pra casa sentadinha, e na janela!) o espetáculo do "céu noturno" às quatro e meia da tarde, das nuvens cinza chumbo se espalhando num céu que lutou enquanto pôde para se manter claro, do estrondo (para mim, encantador) dos trovões se aproximando, e é claro, os raios. Eu a-m-o relâmpagos. Só a palavra já é linda. E hoje à tarde eles caíram grossos e fartos, atraídos pelos pára-raios das margens da Av. Brasil, transformando o céu num enorme letreito de neon piscante. Lindo, lindo, lindo. Tem gente que bate palmas pra pôr-do-sol na praia. Eu queria aplaudir tempestades - de pé.

E as pessoas correndo pra se proteger da chuva? Acho engraçado. Até porque elas estão sem sombrinha, mesmo, deviam relaxar. O que se perde, enfim, chegando-se em casa ensopado? Nada. Água não mata ninguém. O problema é que a obsessão por fazer as coisas "seguindo o padrãozinho" FODE com tudo, mata as vontades. E então a ralé prefere não estragar o penteado ou não molhar a camisa nova do que se permitir sentir a carícia rude que os pingos duros de uma chuva forte fazem na pele. De-lí-ci-a. Morri de saudade de um bom "rain shower" hoje, ao ver idiotas buscando marquises enquanto um mendigo repousava sereno dentro de uma poça d´água. Só os mendigos são felizes. Eles mandaram as convenções sociais irem tomar no cu e sentam-se à beira do caminho rindo da cara dos transeuntes do sistema.

É bastante sintomático que TODAS as pessoas que foram (ou são) significativas na minha vida, tenham dividido um banho de chuva comigo. Deve ser uma espécie de batismo, sei lá. Poxa. Bateu saudade mesmo de me enfiar debaixo de um toró. Mas será que eu AINDA consigo ligar o foda-se e não me preocupar com a roupa, com os livros dentro da bolsa, com o tênis que pode descolar a sola na água?

Tomara que sim.

Quando eu era criança, só tinha medo dos raios, nessa hora (sim, todo mundo já ouviu histórias horríveis de raios matando gente... E as avós: "não fale ao telefone enquanto estiver chovendo", "não fique perto de espelhos, nem debaixo de árvores", "não segure nada de metal"). Um medinho gostoso, um risco calculado, que fazia o meu coração acelerar de susto-prazer-suspense quando o céu se iluminava). Eu vou saber, depois do próximo banho de chuva, se eu finalmente virei adulta.

Tomara que não.

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Terça-feira, Novembro 18

it's been a hard day's night

Então é isso, não consigo mudar a cor das tabelas, nem o alinhamento em 1024x768. Quem usa 800x600 bata palmas e festeje - eee, você pode ver o meu layoutzinho bunda "quase" tal como eu o concebi. OBRIGADA, waxcrayon, depois a gente conversa sobre as possibilidades dos overrides VERSUS a burrice da Lolla. Nhé.

Tive uma noite sui generis, sabem... Às dez e meia desliguei o micro e fiquei feliz por estar indo dormir quase à hora recomendada para uma mocinha de família. Assim que meti a mão no interruptor da luz, prestes a me encaminhar para a cama, a porra do telefone toca. Eu já disse que odeio telefones umas mil e quinhentas vezes? Ainda assim, não terei dito o bastante: EU ODEIO TELEFONES. Eu devia ter feito o de sempre: ignorar o toque. Mas o toque do meu aparelho é estridente, sabe. E eu estava numas de ir dormir, sabe. E minha mãe já tava no enésimo pesadelo e não ia acordar pra atender, sabe. Atendi. MAU SAPÃO.

- Alô... (voz de Lolla puta e pra pouquíssima conversa).
- Oi, sua mãe tá acordada??

WHAT THE FUCK, pensei eu.

- Dormindo. Liga amanhã.
- Olha... Sou eu, Margareth, a vizinha do prédio quase aqui em frente... Presta bem atenção ao que eu vou te dizer...

DUH, pensei eu.

- Tem um cara querendo pular pra dentro da sua casa... Ele tá de calça jeans e blusa branca. Tá em pé em cima do muro da casa ao lado olhando pra dentro da casa de vocês...
- Tá legal.

Cara, eu sou MUITO notionless, às vezes. Apesar de estar ouvindo algo que supostamente seria uma bomba, tudo em que eu consegui pensar foi: "preciso dormir agora" e "que ladrão mais arrumadinho... Dona Margareth, se ele for gato me avisa que eu vou lá abrir a porta, RÁ".

- Tá legal????
- Eu faço o quê? Chamo a polícia? - e eu disse isso sem o me-nor entusiasmo, só porque achei que deveria dizer isso. Acho que até mandei um bocejo nessa hora, by the way.

- Melhor subir no terraço e checar se ele realmente tem a intenção de invadir a casa. Se você achar que sim, ligue pra polícia.

Ah, BOA. Primeiro ela realmente achou que, havendo alguém praticamente dentro do meu quintal, eu seria estúpida a ponto de escancarar as portas da fortaleza pra checar whatever the fuck. E, se ela achava mesmo que havia a possibilidade de ele não querer invadir, porque ligou para atemorizar? Chamasse a polícia ela mesma, oras.

- Tá bom então. Valeu. Tchau.

Click. "Ah, agora eu vou dormir!", pensei eu. Mas a alegria durou pouco. A Margareth é amiga da minha mãe. Outra das desocupadas que vivem gravitando em torno dela. Amanhã, CERTEZA, ela vai tocar no assunto. E minha mãe iria me fritar em dendê se eu não a avisasse. Imagina só. Um "mau elemento tentando invadir a residência", e eu fui dormir. Que absurdo!!!

Absurdo era o meu SONO. Mas tá bom, vamos à boa ação do dia: "mãe-a-vizinha-ligou-e-disse-que-tem-alguém-pulando-o-nosso-muro-boa-noite-me-acorde-às-seis".

- HEIN???????????

Porra. Fodeu, fodeu, fodeu.

Nos sessenta minutos que se seguiram a isso, ela surtou. Ligou para TODOS os telefones de amigas num raio de vinte quilômetros. Ficou recebendo ligações de volta de cada uma delas. Acendeu velas e orou. Me fez ficar de guardiã com os olhos grudados no visor da porta principal. Rastejou feito uma lagartixa pela casa, olhando por debaixo de frestas de portas. Fritou um ovo pra comer. Sequestrou um balde para o próprio quarto, com objetivos nada nobres. Eu bem que tentei ir pra minha caminha durante o período. Não deu. O telefone tocava a cada dez segundos. A cada toque, uma desocupada diferente tocando O Terror Psicológico à la Hitchcock.

Finalmente, uma madorna de meia horinha. Da qual fui acordada à meia noite, com o ruído da porta da frente sendo escancarada. Bom, OU o ladrão conseguiu o que queria, OU minha mãe pirou de vez e está abandonando o navio, feito os ratos. Abro a porta do meu quarto, de pijaminha de malha rosa listradinho, olhos ardendo, cabelo embolado, e simplesmente dou de cara com TRÊS POLICIAIS MILITARES, arma em punho, no meio da minha cozinha.

- A saída pro terraço é aqui, dona?

WHAT THE FUCK?!?!?!?!?!

Minha mãe apontou a subida, olhar grave. Nesse instante eu percebi que estava fodida e mal paga. Tranquei a porta do quarto, fui dormir e tive pesadelos monstruosos. Acordei às seis, e são os meus restos que digitam essa porcaria aqui, agora.

Eu acho que preciso ir dormir.
Por precaução, o telefone já está fora da tomada. Os DOIS.

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Segunda-feira, Novembro 17

pointless

Lalala, vidinha.
Eu não sei o que faço aqui.
E sei menos ainda o que vocês fazem aí.
...
Para mim, tudo é estranho, agora. Parece que estou presa dentro de uma garrafa de vidro, em exposição, e todos do lado de fora me observam. Mas não me sinto só, nem estranha, porque todos eles também estão dentro de garrafas. Alguns se dão conta disso, outros não.

Talvez os que não percebam sejam os mais felizes. Eles apontam dedos para os outros e rolam de rir. Só que o fato de parecerem felizes não quer dizer que de fato estejam. Tomara que estejam. Se é para ser prisioneiro de uma garrafa de vidro e, desgraçadamente, nem saber, é melhor que pelo menos a ignorância os faça felizes.

Os que percebem não riem. Sofrem sim, mas há um paliativo para eles: sabem que está em seu poder quebrar o vidro, sair das garrafas e, tocando-se, transformar toda essa merda patética em algo REAL.

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Sexta-feira, Novembro 14

resfriada

É, resfriada, ouvindo Nina Simone e bebendo suco de groselha. Eu sou cool. Ainda estou puta com pessoas, mas deixa pra depois.

Sobre a historinha no post passado, ela NÃO é autobiográfica. I mean, não muito. Aquela situação nunca aconteceu na minha vida. Mas a situação que se pode ler nas entrelinhas, sim. A de saber que vai se foder se ousar ser feliz. De ver a felicidade como se fosse um corpo estranho, sempre. Como algo esquisito, que não combina com você, com a sua vida, com a sua cor de cabelo, sei lá, porra... Tem gente que não nasceu pra protagonizar comercial-de-margarina e é bom acordar logo pra esse fato. Eu já nasci de olhos abertos.

Um CD do Erasure. Coletânea. Bom ao cubo. Comprada há uns BONS anos atrás, na época em que havia uma loja da Mesbla no Passeio, RJ. No tempo em que havia camelôs vendendo CDs roubados em frente a essa mesma Mesbla. No dia em que vi uma moça ser arremessada contra a vitrine de vidro dessa mesma Mesbla, por um "segurança" (irônica, essa palavra, nesse caso), acusada de estar roubando um CD.

A bolsa estava vazia. E o alarme não apitou quando ela saiu porta afora, amparada por algumas pessoas, que ameaçavam a Mesbla de processo.

Saí também, morta de medo de o alarme apitar por engano, e comprei o mesmo CD, só que roubado, logo em frente (ah, que PUTA saudade desses camelôs!). O segurança tinha cara de quem não tem reais pra comprar CD caro na Mesbla. Mas "ordens são ordens".

Sangrou um pouco a testa da moça. E eu nunca mais dei um centavo à Mesbla. Que faliu tempos depois.

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Quarta-feira, Novembro 12

personal oppinion, ok?

Eu recebo um ou outro email (a cada seis meses, diga-se) de gente que eu não conheço dizendo que eu sou legal, e que eles acompanham minha vidinha assiduamente. Eu gostaria de conseguir fazer algo assiduamente, mas eu sou MUITO dispersiva. Acho um site bacana e penso "Foda, vou ler todo dia!". No dia seguinte já nem lembro o endereço. O mesmo com programas, novelas, pessoas. Não consigo dizer "presente" todo dia, nem a pau.

Mas às vezes, de bode no trabalho, leio a coluninha tosca e mal escrita do Lucio Ribeiro na Folha Online. Ele diz (e eu acredito!) que tem gente que escreve até pro Ombudsman do jornal se queixando quando ele atrasa a atualização! É mole? É muita moral para um idiota só. Sim, eu acho a coluna dele meio chata hype wannabe e aquela mania de escolher uma bandinha escrota qualquer a cada semana e dizer que é a melhor coisa do planeta na atualidade me dá náuseas.

O pior é que eu sou uma idiota e gosto de conferir antes de falar mal. Lá vou eu gastar meu preciosíssimo tempo baixando músicas do Rapture, do Elefant, do White Stripes e afins pra ver qual é. Acho tudo a mesma titica de pombo. Strokes é uma das PIORES bandas que já ouvi na vida.

Não estou dizendo que seja preciso se enterrar vivo num conservatório pra aprender teoria musical. Mas quero de volta os tempos em que ter o que dizer era mais importante do que ter atitude. Onde o que ficava de uma banda, quando ela pendurava paletas e baquetas, era a música, a filosofia E o clima - e não apenas o último. Se os anos 90 foram um limbo musical, o novo milênio caminha a passos largos pra redirecionar a escala evolutiva da música ralo adentro de um bidê.

Estava eu no ônibus hoje voltando pra casa quando a Elis Regina apareceu no dial cantando a fodíssima "Como nossos pais". É certo que "o novo sempre vem", mas, e se o novo por acaso for RUIM? Devemos renegar o passado só porque ele é passado? Devemos achá-lo cafona só porque a fila anda? Será que o "vamos em frente porque atrás vem gente" é uma verdade indiscutível?

Eu caminhava com meu pai pelo subúrbio onde ele passou a juventude, e ele me dizia que as favelas sempre existiram, mas os "bandidos" daquela época respeitavam mulheres e crianças, não mexiam com trabalhador e resolviam suas pendengas na ponta do canivete. Evolução não é tudo. Eu tentei dar uma chance ao futuro, e me arrependi. Por que não dão uma chance ao passado?

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olheiras.

Eu estava de costas para um dos pilares do coreto. A tarde ia embora rápido demais, mas ia esquecendo acesas a luz das estrelas. O vento me dava tapinhas na cara, como se irado com a minha bobice. Ele estava ali, eu estava lá, nos braços dele, eu sentia a ponta dos seus dedos nas minhas costas. Minha boca a centímetros da pele do seu pescoço. E eu estava em pânico. Um pânico tão grande que eu não conseguia me lembrar de que devia estar feliz.

De repente os lábios dele desceram e tocaram a minha testa. Nem vou falar no efeito de descargas elétricas que isso causou, porque eu acho que é um clichê, mas são descargas elétricas, ora bolas... Não direi que foram cócegas em todas as células do meu corpo porque não foram. Ou melhor, foram também. Mas as descargas elétricas... Quem descreveu primeiro dessa forma o efeito do toque dos lábios do seu Deus Particular em sua testa, estava com a razão. E nunca será desmentido.

- Eu quero aquele beijo agora.

“Não, você não está dizendo isso”. Eu pensei enquanto sentia os lábios dele se moverem colados à minha pele. Frio na barriga, calor no peito, eu estava num estado de multi-temperaturas. O pé estava morno. A boca havia secado, desértica. Um rolo compressor me amassava os membros, eu não podia me mover, e meu cérebro tinha virado vitamina de banana. Que devia estar fervendo, pois minha cabeça derretia. Tive até medo de queimar os lábios dele que, sempre colados à minha pele, falavam coisas que eu não era mais capaz de ouvir. E eu tinha certeza que o meu coração batia tão forte que tamborilava no peito dele. E ele era um idiota se não percebia. Os braços que envolviam a minha cintura machucavam, desacostumada que eu sou de carinhos. Não, ele não pode estar me pedindo um beijo. Porque eu não posso negar, mas eu preciso negar.

- Eu não posso.
- Eu peço. Melhor, eu imploro.

Não implore. Mas ele não ouviu meu pensamento. Soltou meu corpo, tomou minhas mãos geladas-quentes e ajoelhou-se aos meus pés. E pediu teatralmente, sorriso nos lábios que estariam nos meus tão logo que eu permitisse, mas algo na respiração dele traía nervosismo. Eu estava aprendendo a ler a respiração dele, os sinais do seu corpo. Bom.

Só que não ia ter beijo. Ora Diabos, eu sou uma menina triste. Eu ouço músicas tristes em dias chuvosos, eu moro com uma avó rústica, eu passo tardes lendo Byron em cemitérios, eu não me lembro do rosto da minha mãe, eu troquei amigos por um diário e eu choro em comédias porque elas me lembram de que eu não sei rir. Meninas como eu não beijam na boca. Meninas como eu não recebem na boca outra língua que não seja a sua própria. Meninas como eu não deixam que apalpem seus seios. Meninas como eu não sentem “coisas”. Ok, eu sinto “coisas”, e eu continuo sendo EU apesar disso. Quem sabe se eu fizesse as outras coisas, não poderia continuar sendo EU, também?

Não. Não vale a pena arriscar. Eu não vou trair o “movimento das meninas tristes que não têm namorado”, nem o “movimento das meninas mal-amadas porque não podem amar”. Eu não vou cruzar a faixa. Não vou ultrapassar a linha amarela. Não vou dar uma reviravolta de não-sei-quantos graus na minha vida. Não cabem reviravoltas na minha vida. Só as que me jogam no chão. E ele não era o chão. Ele era o céu, o paraíso, o firmamento com luzinhas de estrelas histéricas faiscando. Em suma, ele era tudo o que eu não podia tocar.

Eu não vou destruir com um beijo real a mágica que é fantasiar beijos improváveis, noites a fio. Eu não vou trocar as noites que ardi enrodilhada num travesseiro fervendo de desejo por noites enroscada num homem que me fará sentir outra pessoa. Eu não sei se quero ser outra pessoa. Não sei se quero evoluir, feito um Pokémon. Eu não vou renegar meu lado loser. Até porque ele é o único que tenho.

- Eu queria que a gente fosse só amigos…

E ele se ergueu devagar. Ia me dizer alguma coisa crucial, mas eu nunca saberei o que era, pois idiotamente o interrompi com uma afirmação estúpida:

- Seus olhos estão tristes.

E estavam. Era como se alguma das múltiplas luzinhas que piscavam desde sempre dentro deles tivesse queimado, e em efeito cascata, todas as outras fossem se apagando. Isso. Havia um curto circuito dentro dos olhos dele. Sem incêndios farfalhantes, só o apagar melancólico das luzes que iam morrendo.

- Estranho. Eu estou sentindo uma bigorna dentro do peito. Meu coração está pesando mil toneladas.

“Sinal de que está cheio”, eu respondi. Nossa mãe. Naquela tarde eu havia pedido para ser tola e estava abusando da permissão.

- Não. Corações vazios é que pesam.
- Corações desafiam as leis da física? (burra, burra, burra, MORDA A LÍNGUA!)

E então ele sorriu. Mas eu podia jurar que não estava feliz.

- E existe ALGUMA lei a que eles obedeçam?

Eu não sei. Eu só obedeço às minhas.
Por mais e mais estúpidas que elas possam parecer.

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Terça-feira, Novembro 11

morfeu.

Demorou, muito mais pelo meu desânimo de correr atrás do que por conta da Telelerda e seus associados. Mas tá funcionando. Problema? Curto circuito dentro da tomada onde modem/telefone estão ligados. Foi exatamente isso que eu disse pro técnico do Velox assim que as patas dele sujaram o tapete do meu quarto. E ele levou uma hora, quebrou um porta retratos, fez um buraco inútil na parede para concluir que, SIM, o problema era curto circuito dentro da tomada onde modem/telefone estão ligados.

Affe.

E então eu estou cansada, e isso não é novidade. Quero agora dormir e sonhar que a Kelly Key está sendo estuprada por uma matilha de dobermans portadores de hidrofobia. E depois ela acaba contraindo a doença dos cachorros, e passa seus últimos dias babando pelos cantos, sem conseguir engolir nada e por fim morrendo de asfixia quando seus músculos respiratórios paralisarem. Antes disso ela teria parido sétuplos. Sete seres híbridos, com cara de cachorro (os dobermans) e rabo de piranha (a Kelly Key), vestindo boina de veludo, minissaia plissada e meias 3/4 listradas. COMO seres com rabo de PEIXE fariam para usar meia 3/4, eu não sei. Mas isso Morfeu resolve, quando chegar a hora de ele escrever o script do meu sonho.

O sono é uma espécie de ensaio para a morte. Que horrível.

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Terça-feira, Novembro 4

joselitos

Os sem noção são foda. Eles não entendem problemas da vida real, pessoas da vida real, porque eles vivem num mundo à parte - o mundo dos sem noção.

Eles não conseguem admitir que alguém possa estar querendo a morte e, no instante seguinte, um balde de pipoca com manteiga. E quando acham que vc está fodida, te mandam textos de auto-ajuda por email, acreditando que aquilo ali te fará ver o mundo com outros olhos, que sua vida jamais será a mesma depois de ver aqueles slides de powerpoint com fotos de bebês ou bichinhos servindo de background para mensagens edificantes. E oh, como eles têm A Visão, e souberam te enviar aquele lixo no momento certo. Haja perspicácia e senso de superioridade. Se foder.

Odeio isso. A vida real não é assim. Essas coisinhas bonitinhas são escritas para pessoas ideais em condições ideais, tipo aquelas lances de física que não se aplicam na prática. As pessoas da vida REAL não se comportam feito personagens de livros de auto-ajuda. Elas têm problemas reais em seus mundos reais, feitos de pedra, fumaça, suor e gente.

E é por isso que eu tenho vontade de vomitar em cima de paulos coelhos, laires ribeiros e artures das távolas. E de quem repassa esse tipo de email. É desprezível esse sentimento torpe de superioridade em frente à tristeza dos outros. Ao invés de te estenderem a mão, copiam e colam um arquivo, anexam num email e mandam. É o mesmo que o camarada que polui o ar com o escapamento do carro a semana toda no trânsito, e no final de semana come alimentos orgânicos e lava a louça com detergente biodegradável, crente que está fazendo a parte dele pra salvar o planeta. Ou o McDonald's, que vende a preço exorbitante aquela comida cheia de gordura, um veneno para o organismo dentro de caixinhas de papelão colorido, e depois promove o tal McDia feliz, pra ajudar crianças com câncer. Pra limpar a consciência? Quem dera. Na verdade eles lucram horrores nesse dia, porque ninguém vai pra lá só pra comer big mac (tem a batatinha, o refrigerante, e o sundae de lei no final da refeição, caro pra caralho aliás).

Mas nem sei pra quê falar nisso. Que se dane. Mas se você achar que eu estou mal algum dia desses, sei lá, diga um "sinto muito, posso ajudar?" Qualquer coisa é mais sincera do que me mandar um texto edificante. Eu nem queria ser grosseira, mas sinceramente... Ah, deixa pra lá.

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Domingo, Novembro 2

tédio, cabeça pesada, dia estranho

Valeu todo mundo que deu apoio e dicas a respeito do que fizeram com a minha pessoa na loja da Tele-Rio. Estou tomando as medidas cabíveis.

E hoje eu fui pro cemitério. Não, não fui pro de Inhaúma ver o meu padrasto (nem minha mãe foi). Fui fazer fotos no São João Batista. Eu sabia que ir dar merda. Tumulto. Mas eu estava com uma sensação esquisita, não queria ficar em casa. Acho que, inconscientemente, nem foi pra fotografar que eu saí. Cismei, pus a câmera na mochila e rua.

Cheio, claro. Mas não tanto quanto eu esperava. No meio das sepulturas, eu observava as pessoas. Sou habituê de cemitérios; como sabem, eu coleciono fotos deles. Curioso que, depois do advento da digital, eu não tenha feito nenhuma imagem. Não foi diferente hoje: vinte minutos depois que entrei, dei um esbarrão numa garota de jeans e cabelo castanho claro muito liso preso num rabo-de-cavalo. Era uma amiga minha, da primeira faculdade que fiz. Perguntei o que ela fazia ali, meio que prevendo má notícia. A mãe dela morrera há pouco mais de um mês.

Fiquei sem a menor condição de sair fotografando anjinho barroco e velas apagando na chuva. Caminhamos até a sepultura da dona mamãe, ela chorou um pouco, e fiquei lá sem saber o que dizer, onde colocar as mãos, essas coisas. O pai estava doente e não pôde vir, o irmão não estava nem aí. Ela veio só. Achei aquilo tristíssimo, mas ainda assim na saída entramos numa lanchonete, pra beber suco e falar da vida.

Enterros... O primeiro que acompanhei foi o do meu padrasto. Das vezes anteriores, quando eu estava num cemitério lendo epitáfios e vinha vindo um férretro, eu caía fora apavorada, com medo de ver o defunto (mas morta de curiosidadem inside). Odiei ver aquela pessoa que, de um modo ou outro, conviveu comigo por 11 anos, sendo enfiada numa gaveta de cimento, as coroas de flores e homenagens sendo amassadas, atochadas com violência lá pra dentro, e depois o cimento fresco vedou a parede pra sempre, encerrando 61 anos de vida e experiências em um espaço de 2x1m.

Eu prefiro ser cremada. Se não der, eu quero a terra. Quero dar o que eu tenho a quem me deu tudo a vida inteira. Minha mãe hoje se lembrou do enterro do Tio Dutinho. Gente simples, vida longa que findou num câncer. A família levou velas e flores baratas para um cemitério que ficava na encosta de um morro. Uma cruzinha aqui, outra acolá bem longe, poucas sepulturas de cimento - a maioria enterrada no chão, mesmo. Lá embaixo, as luzes dos quintais das casas acendiam ao entardecer. Minha mãe achou que ele estaria feliz ali. Coisa feita com mais sentimento, sabe? A impressão foi a de que os parentes do meu padrasto queriam "acabar logo com aquilo". Não porque a situação fosse por demais dolorosa, e sim porque havia outras coisas com as quais se preocupar: herança, negócios, carro, dinheiro, inquérito. Triste de doer. Eu prefiro ser enterrada como indigente por coveiros desconhecidos mas, em sua simplicidade, reverentes à morte como se deve, do que por "famílias" feito essas.

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