Sexta-feira, Outubro 31

ok, então.

Vamos por partes:

+ Eu vi um aparelho de som portátil no jornal. Dizia o anúncio que ele reproduzia CDs de MP#3 Ainda liguei pro SAC da Tele-Rio (a loja onde ele estava sendo vendido) e perguntei: "É CD com músicas no FORMATO MP3 mesmo, ou é só CD-R e CD-RW?", e obtive a resposta: "Simmm, ele toca MP3 mesmo, baixada da internet". Ok, então. Paguei 400 reais nele e o levei pra casa. O manual informou que ele tocava todas as faixas de bitrate, que reproduzia CDs gravados em multi-sessão, e CDs contendo pastas com tipos diferentes de arquivos. Perfeito. Aí eu ligo o aparelho e descubro que 1) o som dele é uma merda, e 2) ele toca algumas MP3 (não todas), e mastiga as faixas, pula, enfim... Um lixo.

Levo o som à loja pra pegar minha grana de volta, e sou imbecilmente convencida a trocar por OUTRO igual. Bom, vamos ser otimistas, podia ser problema daquele som específico, né? N.Ã.O. O segundo era ainda PIOR do que o primeiro. Aí eu retorno à loja, exijo meu dinheiro de volta, e o gerente responde que "a Tele Rio não faz devolução do valor em espécie alguma". Eu quero falar com um superior, e ele diz que eu não posso, e que aquelas são as ordens da própria diretoria da empresa.

eu: e então, eu comprei o som por causa DESSA característica, que não funciona. O que eu faço? Fico usando o som como enfeite e engulo o prejuízo??
ladrão: é, ué.

Isso aí. MUITO BOM. 400 reais e tudo o que eu mereço como resposta, depois de ter sido fodida sem vaselina, é um "é, ué".

Eu consultei o código de defesa do consumidor, o site do Procon, enfim... TUDO me afirma que eu posso desistir da compra em até sete dias úteis depois da aquisição e receber a restituição completa do valor pago, sem ônus algum. Não comprem na Tele Rio, pessoas. Essa empresa não segue as leis e DEFECA no código do consumidor, desrespeitando a quem deve tudo: nós, clientes.

Ligo pra minha amiga advogada, e ela me aconselha a não procurar o Procon, pois o Procon é "comprado" por essas empresas. Eu não posso resolver a pendenga pessoalmente, por causa do trabalho que me come a vida útil. Minha mãe não é muito interessada. Foi ao Tribunal de Pequenas Causas a meu pedido ontem, mas chegou lá ao MEIO DIA e, óbvio, não conseguiu mais ser atendida. Voltou hoje, depois que eu ameacei matá-la caso não fosse, mas estava tudo fechado... Transferiram um tal feriado que teria se dado na terça feira (qual????) para essa sexta, assim puderam "enforcar" mais fácil. Acho que vou ter que faltar ao trabalho na segunda pra resolver isso, eu não confio MESMO nessa velha inútil. Afinal, os 400 reais não são dela, ela não vai manifestar o menor interesse em salvar a minha pele.

Todos são unânimes em dizer que vou conseguir a grana de volta, que é direito meu, e tal. Mas sei lá. Murphy-lhadaputa caiu de paraquedinhas na minha vida e está me queimando a torto e a direito. Maldito seja.

E o Dia das Bruxas continua lá no trabalho. Tá parecendo o Big Brother - todo dia geral de cu na mão tentando adivinhar quem será o próximo a ser demitido. Desde que eu entrei, já saíram NOVE (e a empresa tem poucos funcionários). Hoje saíram mais dois estagiários. A coisa tá preta - ainda bem que eu já fiz seis meses, e garanti indenização, FGTS e auxílio desemprego.

Jesus. Que DEPRÊ conseguir ficar feliz por essas coisinhas minúsculas... Feliz Dia das Bruxas pra vocês.

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Terça-feira, Outubro 28

old childhood

Freqüentemente alguém vira pra mim e manda a clássica: "você não teve infância, não?".

Poxa... Essa pergunta é TÃO recorrente na minha vida que vou ser obrigada a filosofar em cima dela. Eu já enchi muitos tímpanos lá no Cry Baby falando sobre o quanto fui criticada pelo meu jeitinho esdrúxulo de me vestir. Não vou recomeçar com essa lenga. Só quero deixar claro que eu me vestia assim desde antes dos indies e dos clubbers. Dito isso, prossigamos...

Não é que eu não tenha tido infância. Eu tive infância demais. E foi tão boa que eu me recuso a sair dela. Mas eu sou o PETER PAN, e não a Wendy, ok? A Wendy é uma mala estúpida, um elemento destoante. Na Terra do Nunca as crianças têm a sorte de não precisar crescer, porque elas NÃO QUEREM crescer. E justo num paraíso desses aquela garota chata resolve ser a "mãezinha", cuidar dos meninos perdidos e fazer comidinha pra eles?!? A WENDY É O ESTEREÓTIPO DA AMÉLIA e merece morrer varada pelo Capitão Gancho ou ir fazer companhia ao relógio na barriga do jacaré da história, só para não dar esse péssimo exemplo às criancinhas.

Mas até que, como fábula, a coisa procede. Nós mulheres nascemos velhas. Os homens nos enrolam direitinho com o papo: "vocês amadurecem mais cedo". Por “amadurecer” entenda envelhecer, ficar chata, careta, contando calorias e medindo celulites, tomando anticoncepcional que faz mal ao coração, fazendo plásticas sacrificantes para manter (?) o amor (!) deles, carregando os filhos deles, fazendo tripla jornada (trabalho, casa, vida própria) e ainda achar que somos "poderosas" por causa disso.

JURA que somos burras assim? Ou há algum benefício oculto em fazer esse papel de idiota, e eu ainda não saquei? Se for isso, deixem de ser egoístas e ME CONTEM! Porque senão eu vou morrer solteira, dando pra todo mundo, bebendo muita cerveja, e achando que isso é legal.

Bem... Já me disseram que eu me visto desse jeito, que eu me comporto desse jeito (comportamento? Eu não me comporto feito criança! Eu não uso fraldas nem chupetas e não esperneio quando quero alguma coisa... Bom, pelo menos não esperneio de forma muito ostensiva) só porque morro de inveja da juventude das crianças e adolescentes – que eu, como jovem adulta, não tenho mais. Acho crianças em geral chatas e adolescentes em geral acéfalos (há poucas e boas exceções, claro, mas que confirmam a regra). Bem, eu tenho inveja sim, da irresponsabilidade deles e só. Mas eu posso muito bem ser adulta E irresponsável – basta que eu seja também MACHO o bastante para agüentar as conseqüências disso.

Mas, da "juventude" deles? Nah. Não se pode invejar alguém por uma coisa que ele NÃO tem. Crianças e jovens não têm o elixir da juventude dentro de um vidrinho na prateleira do banheiro. Eles não são jovens, eles ESTÃO jovens, assim como eu já estive, e ainda estou, se comparada a Matusalém (hahaha, que piada sem graça, Lolla Monga). A juventude é uma coisinha que pedimos emprestada ao Tempo, com fins de aprendizado. Um dia, o Tempo vai pedir de volta. E aí, não adianta usar camiseta das Powerpuff Girls, nem meinha listradinha. No matter what you do, a funerária vai faturar mais um dinheirinho em breve...

Tô com fome.

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Domingo, Outubro 26

...

Sábado. Carne com o namorado na churrascaria do Rio Decor, aqui na Rio-Petrópolis. Duque de Caxias (pra quem não sabe, minha cidade) fica às margens dessa rodovia, também chamada Rio-Juiz de Fora (ou BR-040, como reza o DNER) e que leva o povo para passar fim de semana na serra. Estou com uma puta saudade de Petrópolis. Mas como Petrópolis me lembra RAFFAEL, melhor manter distância até exorcizar essa obsessão.

A carne estava boa, embora eu praticamente só coma frango, coração de galinha e linguiça. O rodízio é barato, tem uns acompanhamentos nota dez, e é bem melhor do que me arriscar numa ida ao Porcão. Pagar os olhos da cara e da bunda pra correr o risco de me deparar com alguma "celebridade global" - e ser obrigada a eviscerar tudo o que comi até o momento no chão do restaurante, em forma de rajada de vômito... Não, eu definitivamente NÃO preciso disso.

Passei o dia meio taciturna, meio enfiada dentro de mim mesma. Alguém aí já sentiu saudades de pessoas que não deveriam despertar esse sentimento? Não estou falando só de ex-namorado(a)s/ficantes calhordas, não. De qualquer pessoa. Hoje eu me peguei com saudade de uma velha amiga. Não exatamente dela, mas de sair com ela, do tipo de conversas que eu tinha com ela. Acho que eu senti mais falta do CONTEXTO. Porque a algumas festas memoráveis foi ela quem me levou. Conheci gente, vivi momentos. E agora isso parece estar trancado dentro de um bauzinho de madeira que ficou enterrado no quintal da minha ex-casa. Não dá pra ir lá e buscar de volta. E, mesmo que volte, o bauzinho de madeira certamente já deverá estar apodrecido pela umidade da terra fofa do jardim, e seu conteúdo para sempre modificado. Nothing will be the same again.

E ontem teve bedroom dancing na casa da Sammy. Ouvimos Rush e bebemos cerveja a madrugada inteira. Eu estava com saudade de beber cerveja gelada. E da Samara (fizemos fotos lésbicas no banheiro, and you're not gonna see it). E do Rush - essa banda era querida até eu ir ao show, quando então ela entrou pro meu time de favoritas. Gosto das radiofônicas, gosto das clássicas, gosto das longas e difíceis. Essa banda me deixa feliz, assim como Supertramp deixa o meu namorado feliz.

E por falar nele, eu acho que ele vai embora. Vai ter que voltar pra BH. Mas disso eu falo depois que as suspeitas confirmarem-se. Mas não vou ficar triste; eu sei quem são as pessoas que entram na minha vida pra FICAR. E, ao contrário da Bianca, que só figura nas minhas lembranças por ter sido um "elo de ligação" para uma série de coisas boas, o Marcos vai ficar, independentemente de qualquer outra coisa, boa ou má, que tenha nos sucedido; vai ficar mesmo que se vá. O que temos jamais estará enterrado dentro um bauzinho no meu passado. O que temos, teremos sempre, no matter what.

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Sexta-feira, Outubro 24

o mercador do mal

O Jorge acabou de ligar. Está vendendo um gravador de DVD e perguntou se eu quero. No momento não me interessa, um dia quem sabe? Um dia eu baixarei filmes velozmente pela rede e aí sim, será legal poder armazená-los em disquinhos redondos espelhados. Por ora, não. Não tive medo de perder a oferta. Sempre aparecerá um outro aparelho roubado que ele queira me vender por 300, 400 reais - quando valerá o dobro, ou mesmo o triplo.

O Jorge é meu técnico de confiança. Já penei na mão de gente com "diproma" que, durante o "concerto", fodeu mais ainda com meus aparelhos. O Jorge é um cara tosco, mas eficiente. Aprendeu o que sabe fuçando (o método mais confiável) ou assistindo aulas como aluno clandestino em universidades públicas. Atualmente ele tem até um certo prestígio. Já o vi duas ou três vezes no Jornal Nacional ou RJ TV prestando consultoria acerca de vírus, hacktivismo, clonagem de componentes/celulares. Faz serviços pra gente famosa, mas sempre vive chorando miséria. Como ele é de casa, me cobra 40 reais no máximo para qualquer tipo de serviço, não importa quanto tempo leve (mas quase sempre ele resolve em questão de minutos) ou quantos programas instale. Pechincha.

Só que ele tem uma atraçãozinha pelo submundo. Vive enfiado na Vila Mimosa, fazendo fotos de putas arreganhadas para sites de prostituição. Já foi DJ de puteiro - baixava as músicas da web e fazia a trilha sonora da trepada alheia. De vez em quando ele acolhe alguma piranha recém chegada do interior em seu apartamento no Flamengo, dá a ela amor, carinho e um ombro onde chorar. Mas assim que ela arruma um cafetão mais bonito (sim, porque ele é feio pra dedéu), ele ganha um pé no rabo. Triste sina. Fora o interesse quase antropológico pelas putas, ele também se liga numa ilegalidade. Vendia celular roubado, clonado, bem como equipamentos de informática surrupiados. Outro dia ele estava aqui removendo uma virose do meu PC, quando o celular toca. O som estava alto, e eu "pesquei" alguns trechos do que o seu interlocutor dizia. Algo do tipo:

anônimo: e aí, arrumou o meu bagulho?
jorge: ainda não, ainda não... vou pegar amanhã, só.
anônimo: porra, meu amigo... tô precisando disso pra ontem...
jorge: eu sei, eu sei... já tá certo, amanhã mesmo.
anônimo: vê isso aí pra mim, tô dependendo disso pra fazer uns esquemas... agita aí pra mim...
jorge: valeu, valeu... tchau.

E desligou. Minha cara de cu: "você tá vendendo droga?", e ele: "não, é o (INSIRA O NOME DE UMA FIGURA BEM POPULAR DO JORNALISMO DA REDE GLOBO AQUI) que tá me cobrando um laptop... Ele já pagou, mas o cara que fornece só ficou de trazer amanhã".

eu: roubado?
jorge: claro, pô... hahahaha.
eu: peraí, esse cara NÃO PRECISA comprar roubo, ele tem grana!
jorge: se você pudesse pagar mil reais num laptop que vale 10 mil, ia fazer questão de uma merda de nota fiscal?
eu: ...

Detalhe: o "fornecedor" estava cobrando 500 reais pelo computador. O resto era a "comissãozinha" do Jorge.

Putz. Tenho que entrar pro wild side.

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Quarta-feira, Outubro 22

suburbian tales

Suburbia é uma música lindinha do Pet Shop Boys. Subúrbio é um lugar legal, com lojinhas baratas pra comprar quinquilharias, e onde as pessoas colocam cadeiras de praia na calçada pra conversar com os amigos. É tão ou mais violento que a zona sul, mas a paranóia que atinge alguns moradores de Leblon-Ipanema-e-adjacências ainda não achou via de entrada para as cabecinhas dos suburbanos, que acham que a vida é bela só porque tem torresmo fritando na panela e pagode tocando no rádio.

Eles têm as manhas da felicidade, enquanto a classe média, que se acha rica porque economizou três décadas de alegria para comprar um Audi, só tem duas preocupações: que sequestrem ou vendam drogas a seus filhinhos consumistas em frente ao colégio particular caríssimo, e que assaltantes descubram o cofre clichê - como SEMPRE, atrás do quadro em cima da cama do casal. E eles ainda acham que esconderam direitinho... Pfe.

Eu fui ao subúrbio com meus amiguinhos, ver um filme porcaria num cinema barato (porque pagar preço de multiplex pra ver filme de circuitão é coisa de besta que acha cool ser roubado só pra alegar que ele PODE ser roubado), comer pipoca na pracinha e fotografar a Igreja da Penha. Eu perco MUITAS oportunidades de fotos por não ter coragem de apontar a câmera em qualquer direção, de deitar no chão pra pegar um ângulo melhor, enfim... As melhores fotos não são feitas de paisagens já exaustivamente registradas. As melhores fotos são o tabuleiro de doces coloridos, os dentes estragados do cego que pede esmolas na escadaria da igreja, o casal de mendigos dormindo abraçados, as rugas da freira que aproveita um momento de distração divina pra cair de boca numa maçã do amor, enfim... Esses momentinhos que nos deixam felizes pelo simples fato de termos estado lá para poder eternizá-los no papel (ou na tela do PC).

Eu tentei bancar a foda de novo, e me estrepei de novo. Havia um elevador ao lado da escadaria (gentilmente fornecido pelo nosso prefeito factoidiano, César Mala), mas eu julguei ingenuamente que ele fosse destinado àquelas senhoras que mal podiam suster-se de pé, imagine escalar os - quantos mesmo?? só sei que eram MUITOS - degraus daquela escadaria, tão linda quanto torta, esculpida na própria pedra gigantesca onde a Igreja repousa soberanamente, pairando por sobre a cidade e sendo observada de lugares distantes; tenho visão privilegiada da Igreja da Penha aqui mesmo do terraço.

Eu escolhi mal o dia da visita. O sol fritava a minha pele e minava minha resistência enquanto os degraus iam ficando para trás. Cheguei quase agonizante ao pátio da igreja, sendo rapidamente consolada pela vista e pela garrafa d´água que o Rogério derrubou na minha cabeça ali mesmo, na frente de geral, enquanto uma mocinha tratava de me entregar o jornalzinho com a programação da missa.

Sim. Eu cheguei BEM na hora da dita cuja. O pátio estava cheio de fiéis, que atrapalhavam meus enquadramentos, e ademais não é de bom-tom disparar flashes enquanto o padre celebra, you know. Me senti deslocada, subi na mureta para uma lufada de ar respirável, e nesse instante (o da comunhão, suponho) o sino tocou. E eu achei lindo. Eu adoro o som de sinos dobrando. Gótica, eu? Imagina... :o)

Depois de conseguir descer os gazilhões de degraus, entramos todos amarradões no Museu dos Milagres. Todos, menos eu. Imaginei que seria só mais um museu de arte sacra, e as primeiras impressões foram justamente essas. Perguntei à Roberta se eu podia fotografar ali (a meu ver, a única coisa que justificaria a minha presença no recinto), e a cara de HERESIA que ela fez me desanimou de repetir a mesma pergunta a algum dos responsáveis pela segurança do local - era bem capaz de eu sair dali excomungada.

Entrei sozinha por um corredor que deu numa porta onde se lia a inscrição "Sala dos Milagres". Estava fechada. Mas é óbvio que, não havendo ninguém pra impedir, eu abri. Me deparei com uma sala pequena, paredes forradas por fotografias, membros de cera (pés, cabeça, corpo, seios, pernas) doados por pessoas agradecendo milagres, muletas abandonadas por pessoas que supostamente haviam voltado a andar, o teto e parte de uma parede cobertos de tranças de cabelo (é, tranças mesmo, humanas e longuíssimas) emolduradas em quadros e protegidas por vidros. Ao lado de cada trança (na verdade havia cabelo de tudo quando é tipo, cor e tamanho, mas as tranças imensas chamaram a minha atenção pela singeleza), havia cartas, escritas de próprio punho, pelas donas dos cabelos. A maioria desenganadas pelos médicos quando crianças e, salvas pela promessa feita à Nossa Senhora da Penha, entregaram seus cabelos cultivados sem corte até a data prometida para a doação. Muito bonita a imagem, que pedia, implorava uma foto - mas por respeito, eu não a fiz. Tinha trança de cabelo cortada em 1940!!!

E as fotos? Pirei. Eu olhava aqueles rostos todos, as menininhas gêmeas numa foto feita em 1947, a debutante, o soldado vestindo a farda, o casal abraçado, a vovô segurando o bebê no colo vestido de marinheiro, a mocinha vestida de formanda, e fiquei pensando em cada uma dessas pessoas (vivas ainda?) e em suas histórias particulares, no que as teria levado a fazer a promessa (não acredito nisso, by the way). Por mim teria passado a noite ali, mas o povo me achou e me puxaram porta afora porque já estava ficando tarde e que se fodesse o meu encantamento.

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Segunda-feira, Outubro 20

that's the story of my life

Eu estou triste. Ou melhor, eu estava. Ranger de dentes + cinco minutinhos = alívio imediato. Tão imediato quanto temporário, mas foda-se.

Folguei na sexta, logo, fui trabalhar hoje, feriado. Minha alegria infantil (todas as minhas alegrias têm cinco anos de idade) de pensar "ei, pelo menos os ônibus estarão vazios" se dissipou no instante em que adentrei o coletivo às seis e meia da manhã e vi que teria, novamente, que viajar sentada na escada. E vejam só - eu nem consegui o prazer de viajar ali sozinha. Havia uma bunda na minha cara. Sorte que não soltava gases. Pelo menos, não soltou nenhum nos primeiros dois minutos de viagem.

Alegria de pobre, de fato, dura pouco. Dura nada - nem sequer existe. Pobre só fica alegre quando ri de si próprio. E das suas desgraças próprias.

Feriado do "dia do comércio" é lenda, uma piada num país de economia desaquecida. Ninguém quer desperdiçar o lucro de uma segunda-feira ficando em casa ou viajando pra farofar na praia. Os patrões abrem as portas, loucos para faturar, e os empregados comparecem, loucos para não perder o emprego. Na volta, foi ainda pior. Fiquei UMA HORA esperando o ônibus. UMA HORA inteira, do minuto 1 ao minuto 59. Sentei no meio-fio e quis chorar. Mas o ódio era maior do que a tristeza, e meu ódio ferve e evapora as lágrimas por dentro antes que elas escapem furtivamente olhos afora, mostrando ao mundo inteiro que sim, a Lolla é uma babaca.

No primeiro ônibus em que entrei, percebi que ia em pé, e pedi pra descer no outro ponto. De pé, num ônibus caríssimo (R$2,60 por quinze minutos de viagem), cheio de favelados e que ainda por cima havia passado atrasado? NAH. Desci, mas o motorista deve ter me rogado pragas, porque fiquei mais 20 minutos em pé esperando o outro (dava tempo de ter chegado em casa, se tivesse ficado no primeiro). Fiquei lá, num ponto de ônibus cheio de bêbados, peões olhando minha bunda (???), pivetes tentando me vender cocada fedorenta e espertalhões querendo me vender vale transporte falso. Quando finalmente o outro chegou, era da mesma linha, custava o mesmo preço e estava cheio do mesmo jeito. Aliás, estava MUITO mais cheio.

Sentei na escada, lágrimas gotejando e escorrendo na minha bolsa linda de vinil preto, que não absorve líquidos. Peões subiram e logo eu estava dividindo o exíguo espaço entre a porta e a roleta com mais QUATRO homens. Todos, sem exceção, fediam e observavam as minhas pernas. Pedi pra morrer, é claro, só que mais uma vez, Deus me mandou à merda. É claro.

E eu tinha outras coisas pra falar. Que estou chateada e decepcionada com um monte de gente. Que eu gostaria que meu namorado virasse pó de café. Que eu gostaria de ter uma câmera digital melhor, e não entendo porque ninguém ainda deu um lance nela no Mercado Livre, sendo que eu estou vendendo super barato. Que ontem eu tive um dia lindo e absolutamente poético visitando a Igreja da Penha (e o museu dos milagres, que me deixou forte impressão). Mas não vai dar. Porque hoje eu estou triste como é default, porque hoje eu só quero sair dessa internet, meter a cara no travesseiro e sonhar uma outra vida pra Lolla Moon, onde eu não tenha mais motivo pra odiar nada nem ninguém. E, principalmente, onde eu não tivesse que odiar a própria Lolla Moon.

E tem gente que ainda acha que isso aqui é ficcional.
Porra, antes fosse. Antes fosse.

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Quarta-feira, Outubro 8

vestigios do dia

Não adianta. Você só vai saber se fulaninho X vale alguma coisa melhor do que BOSTA depois do "teste do dinheiro". Algumas pessoas se revelam extremamente mesquinhas, enquanto outras, por quem você não dá nada (ou até mesmo tira), se mostram generosas, solidárias e magnânimas. Eu acho um absurdo detonar uma amizade por causa de centavos. Mas acho válido detonar com TUDO por conta de desvios de caráter. EU então sou a foda, a imaculada? NÃO. A diferença é que eu digo pra geral que não valho nada. E não tenho medo nenhum de admitir que falei/fiz merda e voltar atrás. Em qualquer coisa.

Mas gente mesquinha não raciocina nesses termos. E estou feliz por ter recebido gente de volta na minha vida, e também (why not?) por ter tirado dela gente que estava, digamos, "sobrando".

Eu Tu Eles na TV ontem, e não consegui assistir porque despenquei de sono antes do final. Tudo isso porque fiz a burrada de perder horas preciosas de ronco pra ver Xuxa Requebra na segunda. Eu só vi pra poder falar mal embasada. Eu podia falar mal SEM VER. Não ia errar, e eu sabia. Mas ter visto me ajudou a perceber uma coisa: a Xuxa desrespeita a nossa inteligência e nós ainda a pagamos por isso. Meu Deus. Aquilo que eu vi ontem não merece ser enquadrado na categoria cinema. Nem mesmo na categoria "lixo" - as latas de lixo vão protestar.

O que mais me assombra: ganhando um salário de dois milhões de reais por mês e tendo um patrimônio vergonhoso de tão imenso, DAVA pra perder um pouco mais de grana e filmar algo menos constrangedor (sério, eu cheguei a ficar com vergonha do filme, e olha que eu não escrevi o "roteiro" e nem encenei papel algum). Aliás, nem ia precisar de grana, e sim de um POUCO mais de inteligência, boa vontade e amor pela sétima arte. Os cineastas que essa retardada loira contratou parecem não ter nenhuma dessas qualidades.

Bem feito o programinha dela (parece ter sido feito para crianças autistas ou mongolóides, by the way) estar naufragando. Outro erro grosseiro de cálculo. Menininhos de quatro anos hoje já usam computador, e jogam Counter Strike assim que as mãozinhas adquirem coordenação motora suficiente. Nenhum pirralho hoje em dia precisa da TV pra aprender noções de grande e pequeno, fundo e raso, amarelo e azul. E aposto que quem compra esses kits Xuxa só para baixinhos são os ALTINHOS retardados que são fãs dessa imbecil.

Tomara que a Globo se dê conta da canoa furada na qual ela embarcou e meta um dolorido pé na bunda dessa vaca. Ou ela volta a chupar a xoxota da Marlene Mattos pra fazer sucesso, ou então que vá botar a Sasha pra dar as pregas nalgum puteiro de Alagoas que explore a mão de obra infantil. Tomei nojo dessa mulher.

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Sábado, Outubro 4

decadance avec elegance

Me cadastrei no Usina do Som. 5 reais por mês pra ter acesso. Chega de baixar uma música inteira no Kazaa pra depois descobrir que ela é uma merda. Odeio ficar deletando coisas grandes do meu HD (que só tem 5GB restantes). Odeio desfragmentar o meu HD. 5 reais a menos por mês, então - nhé.

E aí que todo mundo resolveu me chamar de ególatra, de arrogante e similares. O que um questionáriozinho bobo pode revelar, hein? Haha. Na boa, eu não me acho arrogante. Arrogante era a Miss Belle, mas ela era uma personagem que foi construída dessa forma, e com esse objetivo. Ela não era 100% eu.

Eu nem sei como é ser 100% eu. Talvez ninguém se conheça 100%. Mas não sou muito adepta daquela teoria, "os outros têm uma visão melhor de mim do que eu mesma poderia ter". Quem se conhece há 21 invernos sou eu, quem sabe o que eu sinto sou eu, e por aí vai. Se isso faz de mim arrogante... Mas gostei muito de saber o que o povo pensa. Valeu a quem respondeu. E a quem não respondeu: seus babacas medrosos. Eu não mordo (mais).

Sobre o assunto, uma coisa: eu gosto de pessoas arrogantes. Sei de gente que tinha tu-do pra ser assim e não é. São humildes e doces. E eu gosto delas. Sei de gente que tem mil e um problemas, mas resolveu mascará-los sob uma capa de arrogância fake. Dessas eu não gosto. Eu admiro a arrogância tranquila. Pessoas que precisam repetir que são fodas-e-lindas-e-gostosas-e-geniais, a meu ver, estão apenas tentando se convencer (e aos outros) disso na base da porrada. Do desespero. Me notem pelo amor de Deus! Se acham tudo MAS ficam pedindo pros outros assinarem embaixo. A mim só convencem de que são bons atores/atrizes. Acho meio patético, até - okay, não é da minha conta o papel(ão) que os outros decidam interpretar. Aliás, não sei porque estou me prolongando tanto nesse assunto. Acho que é porque hoje não tem ninguém pra conversar, aqui.

Acordei de ressaca. Ontem foi aniversário da minha mãe. Fomos pro Brigadeiro Beer beber vinho barato, minha mãe dançou forró com uma amiga dela - nada mais triste que duas mulheres dançando forró juntas. Eu acho que devo ter dançado também, só não consigo me lembrar com quem. Minha mãe estava tentando me jogar pra cima do Salvador - o dono do bar. Ontem no Messenger eu falei pras pessoas que o lugar era um pé-sujo. Efeito da cachaça ou vontade de aparecer, hein, dona? Não é um pé sujo. É até bonitinho. Pena que esqueci a câmera em casa, e que o nível dos frequentadores tenha caído TANTO. Antes tínhamos jovens engravatados dos escritórios de advocacia que proliferam na Av. Brigadeiro Lima e Silva. Hoje temos famílias de peões e velhas gordas vestindo roupas de lycra, bebendo cerveja e comendo frango à passarinho(a?). Estavam re-asfaltando a rua ao lado (foi destruída pra consertar a rede de esgoto). O cheiro de piche está no meu nariz até agora. A dúvida se dancei ou não forró com o Salvador também está até agora na minha cabeça.

E ontem o micro travou (novidaaaade), por isso saí do Messenger. E agora tenho que ir ver a cara do Marcos, já que há um bom tempo não faço isso. E amanhã devo ir comer angu com jiló e galinha frita no sítio da avó da Roberta, em Santa Dalila.

Deus do céu. O que estou fazendo da minha vida?

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